Começo, Meio E Fim

58 Capítulo 58


Pov Diego

Eu estava, verdadeiramente e profundamente, magoado, com raiva, nervoso, confuso e sem saber direito como agir ou que fazer, estava deixando a emoção falar mais alto que a razão, dizendo coisas que talvez eu pronunciasse em sã consciência. Sem dúvida, aquele momento eu jamais esqueceria, a mulher que eu mais amei na vida estava ajoelhada diante de mim, chorando compulsivamente e suplicando que eu não tirasse seu filho de si, o nosso filho. Ela estava tão frágil e vulnerável, tão desprotegida, amedrontada, meu coração se apertou, uma vontade imensa e intensa de abraçá-la, de cuidar dela, de confortá-la, de tê-la para mim...

- Roberta – chamei-a, mas não houve resposta, o som dos seus soluços invadia a sala, sua cabeça estava baixa, próxima ao meu joelho ela parecia tremer, não me aguentei mais, ajoelhei-me diante dela – Roberta – ergui sua cabeça, dor, foi o que senti ao vê-la naquele estado, seu rosto estava vermelho e molhado, sua boca estava arroxeada e trêmula, seus olhos não continham o mesmo brilho que eu amo, mas continuavam intensos, neles refletiam, sem duvida, o que ela sentia, estavam sofridos, inseguros, suplicantes...

- Por favor – ouvi-a sussurrar, suas pálpebras se fecharam lentamente, foi então que me toquei o que estava fazendo, minhas mãos estavam em seu rosto, limpando as lágrimas que ainda insistiam em cair e minha boca estava a centímetros da dela – por favor... – sua cabeça tombou para frente, mais lágrimas – me perdoe, por favor... – levei alguns segundos para entender o que ela disse, se ela disse o que eu entendi, se não havia ouvido mal, me perdoe? Seu olhar se cruzou com o meu novamente, antes que ela voltasse a chorar compulsivamente, não reprimi a minha vontade de abraçá-la, puxei-a para mim, deixando-a enterrar seu rosto no meu peitoral e derramar todas as lágrimas que quisesse e pudesse chorar.

Estávamos sentados no chão, eu encostado no sofá e ela no meu colo, fraca, tremendo muito, puxei-a mais para junto de mim, firmando meus braços ao seu redor, uma de minhas mãos acariciavam suas costas, vezes ou outra, afagava seu cabelo liso e macio, inalei o delicioso cheiro que vinha dele e beijei o topo de sua cabeça.

Não sei quanto tempo levou até que ela se acalmasse, que sua respiração se normalizasse, ela ainda parecia fraca, suas mãos estavam agarradas a minha camisa, não dissemos se quer uma só palavra, nada que estragasse aquele momento, nosso momento, queria que ele fosse eterno...

Sem perceber acabei cochilando, quando desapertei assustado, tentado me lembrar onde estava, senti algo em cima de mim, ela, então me recordei de tudo que aconteceu há alguns minutos ou horas? Não sabia que horas eram, pela janela o sol parecia estar se pondo, consultei meu relógio e... Nossa, já se passaram umas três horas desde que cheguei aqui, Roberta dormia tranquilamente nos meus braços, tentei levantar sem acordá-la, o que seria impossível, teria que acordá-la, mas não gostaria que isso acontecesse, estava tão bom tê-la aqui junto a mim, tinha a certeza que se ela desapertasse, sem dúvida, discutiríamos de novo, então ajeitei-a nos meus braços e levantei-me com ela, Graças a Deus, ela não acordou, estava num sono profundo, parecia um anjo...

Levei-a para seu antigo quarto, imaginava que ainda fosse o seu, dentando-a delicadamente sobre a cama, tendo o cuidado para não acordá-la, a cobri com um lençol, tão linda...

- As coisas poderiam ter sido tão diferente para nós – estava deitado ao seu lado, acariciando seu rosto, ela continha uma expressão serena, tão calma e confortante – nós poderíamos ter sido tão felizes juntos, sei que seríamos – meus olhos estavam levemente marejados – por que você fez isso comigo? Por que você fez isso com a gente? Por que você fez isso com o nosso amor, hein? Por quê? – perguntas sem respostas – eu ainda te amo tanto, olhos lindos, nunca deixei de amar, em nenhum momento durante todos esse anos – uma lágrima solitária escorreu pelo canto do meu olho – eu te amo – dei-lhe um selinho, involuntariamente, quando me afastai ela parecia sorrir, então murmurou algo incompreensível, ela estava com um leve sorriso nos lábios, não tive como reprimir um sorriso.

Será que ela havia escutado? Não, ela só estava sonhando, provavelmente, com algo bom. Continuei a observá-la por mais algum tempo, até que me toquei que já se passava das seis da tarde, precisava ir, mas não queria de modo algum deixá-la, não gostaria que ela acordasse e ficasse sozinha, então tive uma idéia, peguei o celular do bolso da calça e disquei o número da pessoa certa...

- Alô – a voz risonha disse do outro lado da linha.

- Oi – disse em voz baixa para não acordar a mulher deitada ao meu lado – olha, eu estou precisando muito da sua ajuda...

Continua...

Notas finais
Comentem, por favor :D