Começo, Meio E Fim
36 Capítulo 36
Pov Roberta
- Bom Dia – Carla disse-me sorrindo, ao entrar no meu apartamento e dar-me um abraço que retribui em seguida.
- Péssimo Dia – respondi com um meio sorriso.
- Sempre com um bom humor pela manhã, hein Roberta?! – debochou sentando-se no sofá, revirei os olhos e ela riu – onde está o Rafa? Já acordou?
- Sim, ele já acordou e saiu com o meu pai – respondi, sentando-me no sofá ao lado dela.
- Então estamos sozinhas?
- Não, o Gasparzinho está nos fazendo companhia – bufei.
- Ridícula – revirei os olhos mais uma vez para ela, que gargalhou – mas então nós podemos conversar sem sermos interrompidas?
- Sim – dei-lhe um meio sorriso que me foi retribuído com um amplo sorriso.
- Ok – respirou fundo – você deve imaginar que o assunto seja sobre o que aconteceu ontem?
- Sim – respondi com desânimo, o que me fez lembrar-me de algo – ah, mas antes o que foi aquilo valiosas almas do mal? – ela bufou revirando os olhos e não tive com não rir.
- Duas ridículas que praticavam bulling comigo – respondeu-me um pouco irritada.
- Quando? – perguntei um pouco curiosa para saber.
- Ah, uns cinco ou sete anos.
- Nossa, eu não me lembro de você sofrendo bulling – comentei, não me lembrava mesmo, ela me lançou um olhar engraçado.
- Claro que você não se lembra, nós nem nos conhecíamos – explicou-me sorrindo.
- Como não? Você disse que foi há cinco ou sente anos...
- Eu tinha de cinco a sete anos – explicou revirando os olhos – estudaram comigo no jardim de infância – bufou fazendo uma careta, enquanto eu caia na gargalhada – não ria – ela me lançou um de seus olhares intimidadores, mas não ajudou em nada, pois em seguida estávamos as duas gargalhando juntas – ridículo eu sei, mas é serio – disse se recuperando do ataque de risos.
- Eram duas crianças, Carla – estava incrédula com o “trauma” da minha amiga, não conseguia parar de rir.
- Que praticavam bulling comigo – fingiu-se indignada – eu desenvolvi sérios problemas mais tarde por causa disso – lembrou-me, sim, ela estava falando da bulimia – tudo porque...
- Tá, já chega – a olhei séria – não vamos mais falar disso, tudo bem? – ela assentiu – mas os nomes são bonitos – brinquei e ela me acertou com uma almofada na cabeça – aii...
- Ridícula – ela riu – ok, vamos falar sobre o motivo que me trouxe aqui...
- O fato de você me amar muito – brinquei e ela bufou.
- O fato de o Diego ter vindo aqui ontem – minha vez de bufar – o que aconteceu?
- Nada.
- Como nada? – me olhou incrédula – você não conversaram?
- Não – respondi, aquilo não foi nem de longe uma conversa.
- E então?
- Não aconteceu nada, Carla – respirei fundo – ele esteve aqui e nós meio que discutimos e então ele foi embora, não aconteceu nada que possa significar alguma coisa – nada, nem mesmo o beijo, pensei, mas será melhor omitir esta parte.
- Você quer mesmo que eu acredite nisso? – perguntou-me com uma sobrancelha erguida, ela não havia acreditado, eu apenas assenti – então se não houve nada, por que o choro? – merda, Carla e sua mania de prestar atenção aos detalhes.
- Que choro? – fingi-me de desentendida, o que não deu certo, pois ela me conhecia muito bem.
- O seu!
- Aquilo não foi nada – tentei convencê-la e me convencer – foi apenas...
- A emoção de reencontrá-lo depois de anos – ela completou, dizendo o que eu verdadeiramente sentia e não gostava de admitir, mas é impossível esconder qualquer coisa dela – e então já dá para você parar de tentar enganar a si mesma?
- Carla... – tentei começar algo, mas não consegui achar o que dizer, nossos olhares se cruzaram e ela segurou minha mão a apertando levemente, confortando-me.
- Tudo bem – ela sorriu – ontem os meninos foram até o apartamento dele e pelo o que o Tomás disse ele está furioso, não só com você, mas com todos nós – ela respirou fundo – você não contou sobre...
- Não! – interrompi – foi tudo muito rápido e...
- Roberta! – ela me repreendeu com um olhar duro e soltou minha mão – foi deveria ter contado, é muito melhor que ele saiba por você!
- Eu já disse que não tive tempo, ele praticamente entrou aqui e nós discutimos, ele me acusou de coisa e...
- Compreensível – bufei – mais isso não importa agora – ela respirou fundo – você sabe que eu sempre achei essa sua história muito da mal contada, não sabe?!
- Qual delas? – perguntei revirando os olhos, mas já sabia do que ela estava se referindo.
- A do inicio, oras – ela bufou – isso dos desencontros, porque o Diego garante que nós sumimos e você diz que ele sumiu...
- Ele desapareceu, droga! – falei um pouco exasperada e recebi um olhar de repreensão – desculpa...
- Enfim, isso tudo não faz nem um sentido e você deveria ter ido atrás dele, quando nós o reencontramos – me repreendeu novamente, eu sabia que estava errada.
- Eu sei, só que...
- Você estava com medo do que poderia acontecer – segurou minha mão novamente – mas isso não mudou com o passar dos anos, pelo contrário, o tempo apenas serviu para te deixar ainda mais receosa e insegura – meus olhos estavam marejados.
- O que será de mim, Carla? – ela me abraçou e eu deixei que as lágrimas rolassem pelo meu rosto – eu não sei viver sem ele...
- Está tudo bem – ela me confortou em seu colo, minha cabeça estava sob suas pernas, ela acariciava meu cabelo – você sabe que o Diego jamais tiraria o Rafael de você – só a idéia de perdê-lo, me deixava transtornada – isso não acontecerá – ela garantiu.
- Ontem o Rafael disse que não gostaria de revê-lo – disse me levantado do seu colo.
- Eu já percebi esse receio do Rafa em relação ao Diego, mas o que você disse a ele?
- Disse que era inevitável que isso acontecesse e que seria algo constante, e que tudo ficaria bem, que nada mudaria entre nós.
- Bom, ontem quando nós o levamos para o shopping ele foi o caminho inteiro muito calado, só lá quando já estávamos jogando que ele se soltou e se divertiu um pouco.
- É isso que me faz temer, a maneira como isso tudo reflete nele e o atinge, me angustia, faz com que eu me sinta impotente...
- Eu te entendo – apertou novamente minhas mãos – mas não se esqueça que estaremos sempre juntas – sorrimos uma para outra – e que o quanto antes isso se resolver será melhor para vocês e principalmente para o Rafael.
Continua...
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