Começo, Meio E Fim

12 Capítulo 12


Pov Roberta

- Mamma... – Rafael veio correndo até mim, se jogando em meus braços, o acolhi dando-lhe um beijinho em sua bochecha gelada – Olá senhor, como vai? – perguntou notando a presença de Leonardo na sala, que estava estático.

- Bem, querido – respondeu sorrindo, falso – e você?

- Vou bem, obrigado.

- Não imaginei que ainda pudesse estar aqui – meu pai disse, não sei bem se pra mim ou ao Leonardo – esta tudo bem por aqui?

- Sim – respondi – está tudo bem.

- Ótimo, vou deixar vocês a sós – olhou para mim – qualquer coisa estarei lá dentro – completou, antes de deixar a sala.

- O senhor não quer se sentar? – perguntou meu filho a Leonardo que o observava com os olhos brilhando.

- Sim – respondeu e olhou para mim, fiz sinal para que ele se sentasse – Rafa eu... – eu sabia o que ele iria dizer, mas parecia que não estava encontrando as palavras.

- Filho... – chamei-o, ele me olhou, estava sentado no sofá entre mim e Leonardo – esse senhor é o Dr. Leonardo Maldonado – ao dizer isso, Rafael me olhou serio, tive que controlar minha imensa vontade de abraçá-lo, mantendo-o agarrado a mim, protegendo-o e dizendo que tudo ficaria bem, mas apenas segurei em suas mãozinhas.

- Eu sou...

- Eu sei quem o senhor é – Rafael interrompeu-o dizendo – o senhor é o pai do Diego – o homem assentiu um pouco nervoso – mas o senhor sabe quem eu sou?

- Sei – Rafael o olhava sem expressão, era muito para o meu menino, eu apenas observava a cena – agora eu sei, vocês se parecem tanto – disse sorrindo pra ele.

- Eu me pareço com alguém que o senhor não se lembra quem é? – perguntou, me fazendo sorrir – tudo mundo disse isso, só que nunca se lembram com quem...

- Eu sei com quem, você se parece muito com o seu pai, é impressionante a semelhança entre vocês, até mesmo na maneira de falar e de agir – disse fazendo com que o menino ficasse sério, Leonardo pareceu perceber essa mudança nele, quando o assunto era sobre o pai – ele irá gostar muito de você, querido – insistiu – vocês vão se dar bem, eu tenho certeza.

- A mamma disse que o senhor tem outros filhos, não é? – meu garoto esperto mudou de assunto, aquele já estava deixando até a mim desconfortável.

- Sim – Leonardo respondeu sorrindo – tenho uma menina, da idade do seu... – pareceu pensar no que dizer – do Diego, Márcia – completou por fim – e dois meninos um pouco mais velhos que você, Bruno e Danilo, vocês poderão brincar juntos.

- Eles vão poder vir aqui, pra brincar comigo? – perguntou sorrindo, entusiasmado.

- Eu pensei em você ir à nossa casa – nossa? A casa é dele não do Rafa – ela é enorme, você vai gostar de brincar por lá, tem mais espaço que esse apartamento – ele que continue sonhado – claro, se a sua mãe permitir – disse olhando para mim, mas não era um pedido, quando ia responder...

- A mamma prefere que os meus coleguinhas venham a minha casa.

- Mas ela vai deixar você ir, não vai Roberta? – merda!

- Não gosto que o Rafael saia sozinho – isso era verdade, me preocupo que lhe aconteça algo e eu não esteja por perto – mas eles poderão vir aqui sempre e quando quiserem, serão muito bem vindos.

- Digo o mesmo ao Rafa, afinal eu sou o avô dele, o que poderia acontecer? – vindo do senhor eu espero sempre o pior, pensei, mas apenas sorri sem ânimo.

- Se o Rafael quiser ir... – eu esperava que não – você quer ir conhecê-los, meu amor?

- Quem estará lá? – perguntou ao avô.

- Apenas a Silvia, minha esposa, o Danilo e o Bruno, talvez a sua tia Márcia com o seu tio Téo – respondeu sorrindo, nossa a Márcia e o Téo, senti tantas saudades deles.

- Se a mamma deixar, eu quero ir sim – disse incerto olhando para mim, estava estática, não queria deixar, tinha medo do que poderia acontecer com ele na casa deles, mas não poderia impedi-lo de ir, infelizmente.

- Tudo bem – eu respondi por fim, nem um pouco satisfeita.

- Ótimo – Leonardo sorriu satisfeito, maldito! – bom, poderia ser amanhã à tarde, o que você acha?

- Por mim tudo bem – Rafa me olhou, esperavam minha resposta, mas apenas assenti, confirmando que por mim aparentemente estava tudo bem.

- Então eu passo aqui amanhã à tarde pra ti buscar, pode ser?

- Pode – meu filho respondeu sorrindo.

- Ótimo, agora eu vou indo, está tarde – disse se levantando, Rafa e eu o acompanhamos – vou esperar ansioso por amanhã – disse sorrindo, logo em seguida abraçando o menino, que retribuiu, permaneceram assim talvez um minuto ou um pouco mais, aquilo me incomodou de alguma forma.

- Filho – chamei-o fazendo com que se afastassem – agora que já se despediu do Leonardo, por que você não vai lá pro seu quarto, escovar os dentes e se preparar pra dormir, que a mamma já vai logo em seguida, pode ser?

- Tá – ele disse a mim – Boa Noite senhor Leonardo, até amanhã – disse ao avô sorrindo.

- Até amanhã, querido – sorriu – Durma bem – disse antes dele se afastar – acho que você tem algo a me dizer ou não? – perguntou a mim, quando estávamos a sós.

- Nós não combinamos que o senhor poderia levá-lo pra conhecer sua família – disse nervosa.

- Que eu me lembre nós não combinamos nada – disse debochado.

- Não quero que ele saiba, preciso de mais alguns dias – respirei fundo – pra me preparar, preparar ao Rafa, ele ainda é muito pequeno, acho que tudo isso é muito pra ele.

- Tudo bem – disse depois de um tempo, parecendo frustrado – te dou no Máximo duas semanas pra se resolver, depois disso se ele não souber, pode ter certeza de que eu vou contar.

- Ok, como vai fazer para que o restante de sua família não conte nada a ele?

- Vou dar meu jeito, agora acho melhor eu ir. Amanhã eu estarei aqui para levá-lo.

- Pense bem no que vai dizer ao meu filho, ele só tem cinco anos – lembrei-o.

- Ele é o meu neto, jamais faria algum mal a ele, quero ter a chance de conhecê-lo e ficar próximo dele – incrivelmente suas palavras pareceram sinceras.

- Tudo bem, até amanhã então.

- Até amanhã – disse antes de sair pela porta, deixando-me sozinha e confusa, perdida talvez.

Continua...