Começo, Meio E Fim
91 Capitulo 91
Pov Roberta
– E agora – meu pai perguntou-me, ao sentar-se ao meu lado, no sofá da sala de estar – o que nós iremos fazer?
– O que o senhor quer fazer? – perguntei recostando-me nele, que passou seu braço direito ao meu redor, confortei-me em seu peito.
– Pensei que, já que o Rafa foi passar a tarde com aquele menino – ri da maneira como meu pai refere-se ao Diego – eu poderia passar a minha tarde com a minha menina – sorrimos.
– Ótima ideia – beijou o topo da minha cabeça – mas o que necessariamente o senhor tem em mente, hein?!
– Nada de especial, talvez pudéssemos sair para assistir um filme ou vermos um por aqui mesmo, o que você acha?
– Hmm, gosto da ideia de irmos ao cinema, mas... – disse pensativa.
– Mas...?! – incentivou-me a continuar.
– Se o Rafa ou o Diego telefonarem, se acontecer alguma coisa, não poderei atender – ele riu.
– Ok, então podemos ficar por aqui mesmo e procurarmos por um filme que não vimos tantas vezes, o que você acha?
– Perfeito – disse levantando-me do sofá – pipoca doce ou salgado?
– Já que o Rafa não está aqui – rimos – salgada.
– Tá, então, enquanto eu preparo a pipoca, o senhor escolhe o filme, pode ser?! – assentiu...
Leonel para variar escolheu um dos filmes de sua coleção favorita, 007 e Cia, não que eu me importasse com a escolha, até gosto dos filmes, acho que foi dele que o Rafael puxou a mania de assistir o mesmo filme quinhentas mil vezes, sem se cansar e principalmente sem perder a concentração. Enfim, o escolhido da tarde foi 007 – Operação Skyfall, segundo ele, como esse foi o último lançamento, também havia sido o menos assistido, sim, apenas duzentas e cinquenta mil vezes.
– Sabe o que é irônico? – disse ao meu pai, que estava concentrado ao meu lado, em sua cama, estava deitada com a cabeça em seu ombro.
– Hmm... – murmurou sem ao menos prestar devidamente a atenção no que eu dizia.
– O Bond andando de metrô – comentei olhado sem interesse para a cena que se passava na TV, já havia assistido aquele filme, acho que umas duas vezes.
– É porque ele está indo atrás do vilão, querida – disse-me ainda prestando atenção no filme.
– Prefiro, Quantum Of Solace – comentei sem ânimo.
– Sim, muito bom também.
– Daniel Craig é bom, mas acho que ainda prefiro Pierce Brosnan.
– Todas vocês preferem, creio eu – bufou e ri – mas ele não foi o melhor, ainda prefiro Sean Connery.
– Mas Pierce Brosnan é lindo e charmoso – comentei fazendo meu pai rir.
– Sabe o que eu prefiro, meu bem – o olhei e ele sorriu – que você fique quietinha para que possamos terminar de assistir ao filme – ele me repreendeu sorrindo e beijou o topo da minha cabeça, antes de voltar a prestar atenção no filme novamente, bufei revirando os olhos, a partir daí não falei mais, mas também permaneci inquieta o restante do longa – sabe que chega a ser engraçado te ver agir como milhares de mulheres – franzi o cenho sem entender – a grande maioria de vocês são falantes e inquietas quando assistem a filmes – riu e eu bufei.
– Eu não sou assim, apenas quando assisto pela milésima vez ao mesmo filme, principalmente quando este nem é tão bom, já teve 007 bem melhores – dei de ombros e meu pai riu.
– É, isso é verdade – admitiu – mas você não está apenas inquieta por isso, não é?
– Não – minha vez de admitir, nesses últimos anos, depois que eu tive o Rafael para ser mais precisa, minha relação com o meu pai mudou muito, nos tornamos amigos, eu diria, ele foi à única pessoa com que pude contar quando descobri que estava grávida, hoje ele decifra até meus pensamentos, não vejo mais necessidade de esconder-lhe algo, pois ele saberia que estou mentindo, de qualquer forma. Era engraçado, esse tipo de ligação entre nós, nunca pensei que teríamos um com o outro, sei que desejo ao máximo que a relação entre meu filho e eu seja desse modo, como é a minha com meu pai, como eu tanto desejei que fosse um dia com a Eva...
– Te incomoda o Rafael estar com aquele menino – completou por mim, assenti e ele suspirou pesadamente – Roberta, você precisa aceitar ao fato de que agora o Rafa tem a aquele menino também, isso será muito importante na vida dele, mesmo ele não desejando essa aproximação, você mais do que ninguém sabe o que é crescer sem a presença de um pai – seus olhos estavam entristecidos, refletiam dor, sorri-lhe levemente, tentando demonstrar que estava tudo bem – isso será muito importante para aquele rapaz também.
– Eu sei – deu-me um sorriso fraco que lhe foi retribuído, então beijou minha testa.
– Você não está pensando em voltar a se envolver com aquele menino, está? – sua pergunta com um misto de afirmação me deixou estática, não esperava por ela.
– Eu... Er... – merda de palavras que não saem na hora que a gente precisa pronunciá-las – donde o senhor tirou isso? – preferi fazer-me de desentendida, mas não adiantaria nada.
– Você acha que por não dizer nada, eu não venha a observar o que se passa, não é Roberta?!
– Não, é que... – suspirei – não faz sentido.
– Por que não? – perguntou-me calmamente.
– Não irá acontecer, não somos mais dois adolescentes, as coisa mudaram, além do mais o Diego tem namorada e... – merda!
– Sei – disse pensativo, mas duvidava que ele tivesse acreditado em minhas palavras, nem eu mesma acreditava nelas, mas era um fato – vou sentir sua falta querida – seu braços firmaram-se ao meu redor e eu o abracei mais forte.
– Também sentirei a sua, papai – ele beijou o topo da minha cabeça, permanecemos por algum tempo em silêncio.
– Amanhã, depois que vocês me deixarem no aeroporto, você poderia fazer uma visita a sua mãe – ergui minha cabeça para encará-lo, não queria tocar nesse assunto.
– Não irei procurá-la – disse firme – se ela estivesse incomodada com algo já teria vindo até mim, mas não veio – Leonel me olhava seriamente, sabia que estava me repreendendo pelo modo como me referia a Eva, mas o que ela fez não era algo que iria esquecer com facilidade.
– Ela sente a sua falta, ela apenas não lhe procurou por saber que você não a receberia – bufei.
– O senhor levou o Rafael até ela ontem, não levou?
– Sim – admitiu e bufei novamente revirando os olhos – ela queria vê-lo e você não o teria levado, nem o deixado ir se soube – suspirou – o que chaga a ser ridículo, já que você não se opõe ao Rafael frequentar a casa daquele homem – estava referindo-se ao Leonardo – e estar na presença dele – bufou irritado.
– É diferente, o Leonardo não é nada meu – exasperei – já a Eva, dói muito saber que parte de tudo que me aconteceu teve a interferência maléfica da minha própria mãe – meu pai ia dizer algo, quando ouvimos o barulho da campainha tocando, estranho!
– Você está esperando alguém? – neguei com a cabeça – talvez alguma de suas amigas?
– Não, a Carla foi passar o dia com a irmã e a Alice está na casa da sogra – disse a ele, dei um salto da cama, no momento que me toquei quem poderia ser – Rafael!
Sim, era ele, no instante em que abri a porta, soube que alguma coisa de errado havia ocorrido com eles, pois o semblante do meu filho transpassava confusão, insegurança e até mesmo um pouco de medo, peguei no colo, abraçando-o fortemente, tentando-lhe passar confiança, conforto. Diego também estava visivelmente confuso.
– Vocês chegaram cedo – disse a eles, havia se passado um pouco da 18:00 horas, meu filho estava com a cabeça deitada na curvatura do meu pescoço.
– Sim, o Rafael quis vir embora – disse Diego vagamente – oi Leonel, como vai? – cumprimentou meu pai, nem havia percebido sua presença na sala.
– Bem, obrigado – respondeu-lhe – e você, como está?
– Bem – ele verdadeiramente não parecia nada bem, Deus, precisava saber o que se passou – bom, acho melhor eu ir indo – disse incerto – tchau, Rafael – deu-lhe um beijo na testa, meu filho continuou calado, apenas anuiu – tchau – disse a nós.
– Tchau, Diego – disse antes de fechar a porta, Leonel pegou o neto dos meus braços.
– Você está bem, bambino? – ótimo, meu pai também percebeu algo de estranho.
– Sim – o menino respondeu ao avô, dando-lhe um leve sorriso que não me convenceu.
– O que houve? – perguntei impaciente com a situação.
– Nada.
– Como nada?
– Foi isso que aconteceu, nada, nós apenas nadamos – meu pai riu da piadinha sem graça do menino, que sorriu para mim que retribuí arqueando as sobrancelhas, acho que ele entendeu meu olhar de repreensão e que lhe dizia que conversaríamos sobre aquilo depois.
Continua...
Fale com o autor