Começo, Meio E Fim
88 Capitulo 88
Notas iniciais
Pov Roberta
Depois de deixar o Rafael na casa dos Maldonado, segui em direção a Gallery, chegando lá pensei que não houvesse ninguém ainda. Mas me surpreendi ao ver Diego sentado em sua mesa, estava visivelmente distraído analisando alguns papeis, tão centrado, tão lindo... Foi então que ele notou minha presença.
– Bom Dia – disse-lhe sorrindo levemente, dirigindo-me até minha mesa.
– Bom Dia – retribuiu meu sorriso, Meu Deus, deveria ser proibido alguém ter um sorriso tão lindo quanto o dele, é a mais pura covardia, engoli em seco.
– A Fernanda e o Victor ainda não chegaram? – perguntei depois de algum tempo em silêncio.
– Não, é um pouco cedo ainda – assenti, novamente o silêncio desagradável – Roberta!
– Diego! – dissemos ao mesmo tempo e sorrimos – pode falar primeiro.
– Bom, é um assunto pessoal – sorriu fraco – sei que devemos deixar os assuntos pessoais fora do nosso ambiente de trabalho – assenti – deixar nossas diferenças de lado, para que possamos fazer um bom trabalho, sermos uma boa equipe.
– Concordo com você, não iremos misturar as coisas – ele assentiu sorrindo, Ai Meu Deus...
– Sim, mas como estamos só nos dois aqui – Cristo, onde ele quer chegar com isso?! Levantou-se e veio até mim... – queria conversa sobre um assunto rapidamente – assenti desnorteada com a sua aproximação – é sobre o registro de paternidade do Rafael e o testamento do seu marido – ah, é isso, claro, o que mais poderia ser?!
– Ah sim, Luigi, meu advogado me informou ontem no final da tarde que você já entrou com o pedido de reconhecimento de paternidade do Rafael e aceitou os termos do testamento – anuiu – o exame de DNA será realizado na próxima terça-feira, você já soube?
– Sim, o Jorge me informou ontem – assentiu – não quis comentar esse assunto ontem na sua casa, pois pensei que não fosse um momento adequado, não com todos lá.
– Entendo.
– Você... Bom... – ele pareceu pensar no quer dizer – você se opõe ao teste de DNA?! – que diabos de pergunta era essa?! Ele tem dúvidas sobre o Rafael?!
– Não, eu não tenho nenhuma dúvida sobre o resultado desse exame – disse firme – espero que fique tudo bem claro – ele entendeu minha (in) direta e pareceu não gostar.
– Também não tenho dúvidas quanto a isso – estava visivelmente irritado – apenas perguntei porque... deixa para lá – bufou – o que você queria me dizer?
– Ah sim, era sobre as aulas que você pretende dar ao Rafael.
– Claro, deveria ter lhe contado sobre isso também – assenti – bom, eu ainda preciso ver onde irão acontecer essas aulas.
– Não serão na casa do seu pai? – perguntei incerta.
– Não sei ainda – ele também estava incerto sobre isso – você não se opõe que sejam lá?
– Por mim, tanto faz, o Rafael já está ficando lá mesmo – dei de ombros – talvez até fosse melhor para vocês que essas aulas aconteçam lá.
– Ok – pareceu pensar antes de dizer – vou ver depois comunico a vocês.
– Tudo bem, você já sabe o melhor horário para que elas aconteçam?
– Pensei em alguns dias da semana no período da manhã, já que a partir da semana que vem só trabalharemos na parte da tarde – assenti – e aos sábados também.
– Aos sábados?!
– Sim aos sábados, pensei que a partir de agora eu fosse poder ficar com ele aos finais de semana – claro que não, donde ele tirou isso?!
– Pensei que você fosse apenas visitá-lo aos finais de semana, levá-lo para passear ou algo do tipo, não ficar com ele!?
– É claro que eu quero ficar com ele – por que será que eu acho que estamos começando a nos exaltar?! – é isso que pais divorciados fazem, a mãe fica com os filhos durante a semana e o pai aos fins de semana.
– Nós não somos divorciados!
– Você entendeu!
– A questão é que...
– A questão é que você não quer que eu fique com o meu filho! – interrompeu-me dizendo.
– Não é isso – Deus, como eu estava irritada com esse homem!
– Ah não, é o que então?! – perguntou irônico, bufei.
– Falarei com o Rafa, para ver se ele quer passar os fins de semana com você – a questão é que sou egoísta o suficiente, a ponto de não querer dividir meu filho com qualquer pessoa que seja, mesmo que essa pessoa seja o pai dele, admiti mentalmente, mas jamais diria isso ao Diego.
– Ótimo!
– Ótimo! – repeti suas palavras, estávamos fuzilando um ao outro com o olhar, quando ouvi uma risada, vinda do primeiro andar – parece que a Fernanda e o Victor chegaram, acho melhor descermos – disse ainda um pouco irritada.
– Também acho! – revirei os olhos, ignorando sua irritação e sai da sala, indo em direção donde vinham às vozes, cheguei ao salão seguida pelo Diego, onde encontrei Fernanda e Victor conversando animadamente, eles haviam se dado bem, na verdade todos nós havíamos nos entendido perfeitamente, bom, quase todos...
– Bom Dia – disse a eles que sorriram ao me ver, ou ao nos ver...
– Bom Dia – responderam juntos...
Passamos a manhã toda organizando a Gallery, decidindo como iríamos decorá-la, analisando catálogos e books de diversos artistas plásticos do Brasil e do Mundo.
Almocei com a Feh, em um restaurante próximo a JunF’s mesmo, Graças a Deus, não foi no mesmo em que Diego e Victor foram almoçar juntos. Fernanda tinha uma conversa agradável e interessante, não tinha apenas um rostinho bonito, era visivelmente inteligente, de personalidade forte também, além de uma simpatia e um carisma encantador.
Depois do almoço, voltamos ao trabalho, teríamos uma reunião, para decidirmos o planejamento da nossa administração, o que causou um pequeno atrito entre Diego e eu, pois dentro de um dos projetos eu gostaria de trabalhar com algo voltado a Arte para crianças e pré-adolescentes. Há alguns anos visitei uma exposição no Norte da Itália que tratava desse tema, integrar e tornar Arte mais interessante, para um publico bem mais jovem, poderíamos trabalhar com conceitos como Os Gêmeos, até mesmo Jaspers Johns e por que não Vik Muniz?! Usando e abusando das cores e formas, chamando assim a atenção e interesse do publico infanto-juvenil. Mas não, segundo o Sr. Eu Me Formei Na Pratt, negou-se a pensar sobre o assunto, alegando que “crianças não apreciam arte e o principal não comprar obras arte”, nem preciso dizer o quanto isso me irritou, não é?! Ódio! Assim trabalharíamos voltados ao publico mais adulto mesmo.
Depois de um dia cheio, a única coisa que me faria feliz era ter o meu bebê ao meu lado, falando e brincando do que ele quisesse. Meu pai chegaria à noite, seria sua última semana aqui, pois embarcará para Roma, na manhã do próximo domingo.
Continua...
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