Começo, Meio E Fim
89 Capitulo 89
Notas iniciais
Pov Diego
– Ah, oi Dih – disse Danilo ao abrir a porta, com desânimo, só hoje, quinta-feira, eu decidi vir falar com o Leonardo, não o vejo desde que descobri o que ele e a Eva fizeram.
– Nossa! Quanta saudade irmãozinho – zoei bagunçando o cabelo dele, quando o abracei – também estava com saudades de você.
– Tá, agora você já pode parar de bagunçar o meu cabelo – disse se afastando de mim, ri.
– Cadê o povo dessa casa? – fui até o sofá e sentei-me.
– O papai tá no escritório, o Bruninho tá na cozinha e a minha mãe tá lá no quarto dela, eu acho – disse sentando-se ao meu lado – o que você veio fazer aqui?
– Vim ver você, oras – ele riu.
– Se você veio ver o Rafa, ele não veio para cá hoje – minha vez de rir.
– Eu sei, na verdade eu vim falar com o seu pai.
– Sabia – deu de ombros – faz tempo que você não vem brincar com a gente – sua queixa me incomodou um pouco, ele estava certo, desde que voltei não tive muito tempo para eles.
– Desculpa, prometo vir aqui mais vezes – dei-lhe um sorriso que me foi retribuído.
– Oi Dih – Bruno entrou na sala, entregando ao irmão uma taça de sorvete.
– Oi, não vai vir me dar um abraço, não – ele sorriu e me abraçou.
– O que você veio fazer aqui?
– Ele veio ver o papai – Dani disse a ele, levando a colher cheia de soverte de chocolate a boca.
– Ah – também tomou um pouco do soverte – é sobre as aulas de natação do Rafa, né?!
– Vocês sabem sobre as aulas? – perguntei surpreso, ambos assentiram.
– Sim, o Rafa contou pra gente – disse Dani.
– É, mas ainda não sei se eles irão acontecer aqui – suas expressões eram de choque, ambos estavam com os olhos arregalados e olharam um para o outro.
– Por que não?! – perguntaram juntos – cara, o papai vai pirar – completou Bruninho.
– Você vai acabar com a alegria dele – ri com o desespero deles.
– Com a alegria dele ou a de vocês? – perguntei zombateiro.
– A nossa também – admitiu Dani bufando.
– Você não pode fazer isso – disse Bruno exasperado – ele tá tão feliz com a Rafa aqui, todo bonzinho e sorridente.
– Bonzinho e sorridente?! – ambos assentiram e ri, só podia ser piada.
– É, mas hoje ele está meio estressado, acho que porque o Rafa não veio – comentou Danilo.
– Ele ficou com o outro avô hoje – expliquei a eles.
– Papai não gosta dele, sempre destorce a cara ou fica emburrado, quando Rafa começa a falar do tal nonno dele – as palavras de Bruno me fizeram rir novamente, Doutor Leonardo Maldonado com ciúmes era, sem duvida, inacreditável.
– É por isso que você tem que treinar o Rafa aqui, Diego – meu irmãozinho disse firme, mas antes que eu pudesse dizer algo...
– Diego – Silvia fez com que voltássemos nossa atenção a ela, que descia as escadas sorrindo – como você está, querido? – perguntou ao me dar um abraço, que lhe foi retribuído – faz tempo que você não vem nos visitar.
– Sim, mas estou bem – dei-lhe um sorriso amarelo, desculpando-me pela ausência.
– Que bom – retribuiu meu sorriso – você faz falta nessa casa, todos nós sétimos sua falta, principalmente o seu... – calou-se momentaneamente olhando para algo, no caso, alguém que estava atrás de mim, que acredito ter entrado na sala naquele instante, pois...
– Silvia, eu... – Leonardo interrompeu-se ao notar minha presença, estávamos ambos desconfortáveis na presença um do outro, também pudera, depois do que aconteceu na ultima vez que nós entramos – Ah, olá Diego – disse firme, depois de alguns segundos em silêncio.
– Oi – estranhamente, parecíamos não saber ao certo como agir, primeiramente pensei em dar-lhe um abraço, o que pareceu ser o pensamento dele também, pois demos um passo em direção ao outro no mesmo instante, mas recuamos logo depois.
– Meninos – Silvia quebrou o silêncio que se instalou naquele ambiente, fazendo com que meu pai e eu desviássemos o olhar um do outro – vamos para a cozinha, para vocês terminarem de tomar esse sorvete – disse aos gêmeos, que se mostraram relutantes em deixar o cômodo, mas obedeceram devido ao olhar de repreensão que receberam da mãe.
– Eu... – comecei dizendo – eu vim falar sobre os treino do Rafael – preferi ser direto, a expressão do meu pai não se alterou, continuou fria, como sempre.
– Sim, ele mencionou que você estava pensando em começar ainda essa semana – disse por fim.
– Pensei, talvez no sábado à tarde, já que esses últimos dias ele tem ficado com o Leonel, que volta para Itália no domingo, se não me engano.
– Graças a Deus!
– Como?! – perguntei sem entender ao certo, se ele disse ou não o que pensei ter ouvido, Graças a Deus, sua postura se tornou mais tensa e desconfortável, sim, ele disse, os meninos estavam certos.
– Acho ótimo – apenas assenti.
– Bom, então era isso – quebrei o silêncio que se instalou novamente entre nós – já vou indo, vou sair pela cozinha, assim me despeço dos meninos e da Silvia – assentiu – tchau.
– Até sábado – havia tantas palavras a serem ditas, tudo que gostaria de dizer a ele e tudo que ele aparentava querer dizer mim, mas, infelizmente, um simples “tchau” e “até sábado” foram às únicas a serem pronunciadas.
– Diego – ouvi Silvia me chamar, quando já estava no jardim, indo em direção ao meu carro.
– O que houve? – perguntei, afinal já havia me despedido dela na cozinha, há poucos minutos.
– Vocês não se entenderam?! – não foi necessariamente uma pergunta, havia também um misto de acusação e repreensão, principalmente, permaneci calado – vocês deveriam ser mais maduros, vocês são pai e filho, não podem continuar nessa situação, um ignorando o outro, ainda mais agora, é perceptível o quanto vocês querem se reaproximar, mas estão deixando o orgulho, a magoa e o medo falarem mais alto que o coração de vocês – merda, ela estava certa!
– Você sabe o que ele fez?!
– Sim, a Eva me contou o que eles fizeram – a Eva?! Acho que ela percebeu minha confusão, pois... – ela estava desespera, precisava desabafar, Roberta e ela haviam discutido, elas ainda não estão se falando, você sabia?!
– Por alto.
– Seu pai, jamais me contou sobre isso – seus olhos refletiam sinceridade – discutimos seriamente depois que a Eva me contou tudo, jamais teria permitido se soubesse – sorri para ela, em forma de agradecimento, sempre gostei muito de Silvia, sempre cuidou muito bem de todos nós, sempre foi minha amiga, ouvinte, me dava conselhos quando era preciso e puxões de orelha também, às vezes, como uma mãe... Minha boadrasta, foi então que me ocorreu algo.
– O Rafael te chama de vó também? – minha pergunta a fez rir, entendi aquilo como um sim.
– Isso te incomoda – incomodar?! Por que...? Ah, sim... – ele me chamar de vovó te incomoda?
– Não – sorri para ela, tentando-lhe demonstrar que estava tudo bem – eu que deveria te fazer essa pergunta, você não se incomoda em ser chamada de vovó? – rimos juntos.
– Não, ele é um doce de menino – ih, mais uma que é apaixonada pelo meu filho – seu filho está mudando o seu pai ao poucos, você sabia?! – comentou seriamente agora, mas com a voz repleta de emoção.
– Como assim?! – perguntei sem entender.
– Bom, primeiramente, seu pai não está mais indo ao escritório no período da manhã – isso, verdadeiramente, me deixou surpreso, pois desde que me entendo por gente, trabalhar era tudo que ele fazia – ele passa a manhã toda brincando com o Rafa.
– Ele passa a manhã brincando?! – estava chocado.
– Sim – assentiu rindo – depois ele o leva para buscar os gêmeos no colégio, almoça e vai para o trabalho, na segunda-feira, ele passou o dia todo aqui, com os três, já na terça-feira ele precisou ir ao escritório, tinha uma reunião ou algo do tipo, mas voltou antes que a Roberta viesse buscar o menino, ontem ele ficou um pouco irritado quando o Leonel veio buscar o Rafa logo após o almoço, acho que é a ultima semana dele no Brasil e vai ficar esses dias com o neto, tanto que o hoje ele não veio e não vira amanhã também.
– É, a Roberta mencionou sobre isso – comentei – mas, ainda não entendi o que tem de tão especial nisso tudo, o Leonardo...
– O seu pai – corrigiu-me.
– O meu pai – ela assentiu rindo – só está na fase do encantamento, logo isso passa e ele voltará a ser como antes, esse encanto pelo Rafael não existirá mais.
– É uma pena que você o veja dessa forma, Diego, o que o seu pai sente pelo seu filho não apenas um encantamento, como você está dizendo, ele o ama verdadeiramente – suspirou, eu apenas a escutava atento – prova de que ele esta mudando é que mesmo sem o Rafael aqui hoje ele buscou os gêmeos no colégio e voltou mais cedo para casa para ficar com eles, você não tem ideia de quanto tempo seu pai não fazia algo do tipo...
– Silvia – a interrompi dizendo – eu sei como ele é, eu o conheço a mais de vinte e cinco anos, então minha opinião sobre ele já está mais do que formada.
– Tudo bem, mas pense no que eu te disse.
– Boa noite – disse ao lhe dar um beijo na testa.
– Boa noite, querido.
Continua...
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