Começo, Meio E Fim
87 Capitulo 87
Notas iniciais
Pov Roberta
– Meu Deus, que amiga ciumenta essa que eu fui arrumar – disse Carla rindo, enquanto eu despejava pipoca doce em uma vasilha, já fazia algum tempo que estávamos conversando na cozinha, sentei-me frente a elas.
– Mooiitoo – Alice disse, algo assim, com a boca cheia de brigadeiro, fazendo Carla e eu rirmos.
– Eu não sou ciumenta, apenas acho falta de respeito da parte de vocês, virem me contar o quanto vocês gostam e se divertem com a Elizabeth – merda, estava parecendo a Laninha quando ela se irrita com o Rafael, falando manhosa e emburrada, as minhas ridículas perceberam e caíram na gargalhada.
– Olha Alice, ciúmes mudou de nome, agora é falta de respeito – zombou rindo e me emburrei ainda mais, mostrando a língua para elas.
– Deixa de ser boba, Roberta – Alice disse puxando a vasilha de pipoca das minhas mãos e desejando metade de seu conteúdo dentro da panela com brigadeiro, Carla e eu a olhávamos pasma com a sua “fome”, era a segunda panela de brigadeiro que eu fazia para ela, além da pipoca que ela pediu, alegando que se não comesse a minha pipoca doce, eu teria que carregar a culpa da minha afilhada nascer com cara de milho, o brigadeiro segundo ela era para dar mais sabor e que ela ainda não havia perdido a vontade já que teve que dividir a primeira panela com os meninos – o que foi?
– Alice, você não passa mal em comer tudo isso? – perguntei e ela negou.
– Passar mal é o de menos, o que me deixa intrigada é que mesmo comendo que nem uma louca – Alice olhou irritada para Carla – você ainda é magrinha.
– O que é ótimo, só engordo na barriga – gabou-se, enfiando uma colherada de pipoca com brigadeiro na boca – mas ontem eu tive desejo de comer banana amassada com suco de limão azedo – Carla e eu gargalhamos mais uma vez – é verdade, a Beth preparou um prato delicioso, disse que não queria que a netinha dela nascesse com cara de banana azeda.
– Meu Deus, tá bom – disse Carla se recuperando – estranhos eram os seus desejos, Roberta.
– Verdade, lembra quando eu lambi uma barra de sabão de coco – assentiu rindo e Alice fez uma cara de nojo – mas nunca cheguei a comer nada que eu desejava, passava mal só de olhar.
– Enfim, voltado à questão inicial, os seus ciúmes, minha cara – revirei os olhos, já disse que às vezes eu tenho vontade de dar uns tapas na Carla?! – você deveria se dar à chance de conhecê-la melhor, afinal ela é a madrasta do seu filho, acho até que vocês poderiam se tornar amigas.
– Ela é muito legal, Roberta, você está sendo infantil – bufei irritada.
– Não tenho nada com a Elizabeth – nada, só o fato dela estar com o Diego, enfim... – não vou tratá-la mal quando a ver, não se preocupem – sorri forçadamente – talvez o que me incomode um pouco – muito – seja o fato das minhas melhore amigas serem DiZie de carteirinha – bufei, fazendo-as rir novamente.
– O Tomás também não gosta muito dela – o comentário de Carla me deixou surpresa e estranhamente feliz, mas antes que eu pudesse perguntar o por quê...
– De quem eu não gosto, Carlinha? – ele entrou na cozinha, Graças a Deus sozinho, olhando intrigado para noiva, que sorriu para ele.
– Da Lizie – ela respondeu, comendo uma pipoca e ele se sentou ao meu lado.
– Ah – deu de ombros, comendo algumas pipocas.
– Por que você não gosta dela? – perguntei curiosa.
– Aquela baranga, roubou meu homem – disse indiferente, com a boca cheia de pipoca, fazendo consequentemente Alice e eu gargalharmos, enquanto sua noiva o olhava incrédula.
– Ai Meu Deus, é muito para mim – disse Alice ainda rindo, assim como eu – Carla, dá um jeito nesse seu noivo – minha comadre parecia indignada e meu compadre sorria, um bobo...
– Mas, por que você não gosta dela – perguntei novamente e ele suspirou, olhando para mim.
– Não é que eu não goste dela – começou dizendo – não tenho nada contra, ela é boazinha, legalzinha e muito bonita – respirou fundo – mas é que, eu não curto essa agregação familiar, sabe?! Prefiro mil vezes você – ele estava sendo sincero, dava para ver nos seus olhos, tanto que as meninas disseram um “awn” em unissom, e eu sorria feito uma bobona com lágrimas nos olhos, dei-lhe um beijo demorado na bochecha e ele sorriu – tem mais pipoca ou a Alice já comeu tudo? – perguntou zombateiro.
– Vá se ferrar, Tomás! – disse Alice, visivelmente, irritada e ele riu, mandando-lhe um beijo.
– Na panela tem mais – disse a ele que sorriu, levantando-se e indo até o fogão – pode levar lá para dentro – disse a ele que assentiu, enquanto Alice me repreendia com o olhar, ri.
– Ok, agora vou deixá-las fofocando – saiu da cozinha mandando beijos no ar para nós.
– Muito fofo esse seu noivo, Carla – comentei, fazendo-a bufar.
– Um gay, isso sim – rimos – mas voltando...
– Ah não, não quero mais falar sobre DiZie – minha vez de bufar.
– Nós éramos RoSeppe e você nunca reclamou disso – RoSeppe?! Achei graça na denominação e Alice percebeu – sim, eu pelo menos era.
– Verdade, a Alice era mesmo, ela amava seu marido – disse Carla divertida – já eu não – ri.
– Mentirosa, que eu bem me lembre, você também morria pelo Giuse, era outra que se derretia com aquele sorriso dele – as palavras da minha amiga, me fizeram sentir algo estranho, lembrei-me do meu marido – e aqueles olhos esverdeados, aquele sotaque, aquele porte intelectual, todo aquele jeito dele de agir, sem contar aquele amor todo pelo Rafa e pela Roh que refletia dele – vazio, foi isso que eu senti, além de uma vontade imensa de chorar, saudade... – e... – de repente ela se calou, olhei para as duas, que me olhavam cautelosas.
– Que foi? – dei-lhes um leve sorriso, limpando o canto dos olhos com a ponta dos dedos – está tudo bem – garanti a elas, que me sorriram fraco como se me pedissem desculpas – Contei a vocês que estou trabalhando com uma tocarnática?! – comentei tentando mudar de assunto.
Estava me despedindo dos meus amigos, Tomás e Carla, já haviam ido há alguns minutos, Lana havia apagado e eles ainda teriam que a deixar em casa. Pedro e Alice tinham acabado de sair do apartamento, eles levariam Diego para casa e disseram estar esperando-o lá em baixo, acredito que para deixar-nos um tempo a sós. Rafael falava sobre algo com o pai, não parecia tão inseguro agora, o que me fez sorrir, falavam sobre jogos, acho.
– Bom, acho que já vou indo – Rafael assentiu sorrindo para Diego, que retribuiu.
– Diego – meu filho o chamou incerto, eu apenas os observava – sabe quando você me disse que poderia me treinar para o campeonato de natação – Diego assentiu – disse que eu poderia pensar e te dar uma resposta depois – assentiu novamente encorajando-o a continuar – se você ainda quiser, eu aceito seu convite – completou timidamente, fazendo o pai sorrir amplamente e lhe dar um abraço, eu também sorria feito boba vendo os dois.
– Claro que eu quero, muito – Diego beijou-lhe a testa – só preciso achar o lugar para as aulas.
– O vô Léo – Diego pareceu surpreso ao vê-lo se referindo ao Leonardo como vô, mas sorriu – disse que pode ser na casa dele – Diego pareceu incerto, mas assentiu.
– Ok, vou ver certinho com ele, daí te digo, pode ser?! – meu filho assentiu, recebendo outro abraço do pai – agora eu preciso mesmo ir, fica com Deus – beijou o topo da cabeça do menino, que sorriu levemente para ele, antes que o mesmo se afastasse, indo em direção a porta – boa noite – disse a mim.
– Boa noite – disse antes de fechar a porta entre nós – então, quer dizer que o senhor e o Diego estão amiguinhos agora?! – perguntei ao meu filho que negou confuso, droga!
– Não – disse firme – mas ele me ensinou um monte de táticas para ganhar no videogame – ri – mas nós não somos amigos – ainda, completei mentalmente.
– Ok, agora já para o banheiro, vamos escovar esses seus dentes – corri atrás dele que ria.
Continua...
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