Começo, Meio E Fim
85 Capitulo 85
Pov Diego
– Não acredito que estou aqui – reclamei, parado em frente ao apartamento da Roberta, esperando que alguém abrisse a porta, o que não demorou quase nada, pois Alice a abriu com um enorme sorriso no rosto, que se desfez logo em seguida.
– Ah, são vocês – disse com desânimo, dando passagem para que nós entrássemos.
– Nossa meu amor, quanta felicidade ao nos ver – Pedro ironizou, fazendo-a bufar.
– Pensei que fosse a pizza – disse dando um selinho no marido.
– É o amor pelo entregador Pedrinho, meu filho – Tomás zombou, recebendo um tapa de Alice quando foi cumprimentá-la e eu ri, logo em seguida cumprimentando-a também.
– Como vocês estão, hein?! – passei a mão em sua barriga.
– Estamos bem, obrigada – sorriu.
– Até que enfim, pensei que tivessem se perdido pelo caminho – Carla disse entrando na sala acompanhada dela... Coisa Linda... Quero dizer, Roberta, não preciso dizer que nos encaramos mais que o suficiente – oi, Dih – Carla chamou minha atenção, ela percebeu, vindo em minha direção e dando me um abraço que lhe foi retribuído, enquanto os garotos cumprimentavam a Roberta.
– Oi – ela disse a mim, quase que num sussurro.
– Oi – e foi apenas isso, nada além de olhares, nada de abraços ou beijo de cumprimento, apenas um simples oi, já não estava mais tão zangado, mas mesmo assim o fato dela usar aquela aliança me incomodava, foi então que percebi que o Rafael estava na sala, falando com os padrinhos e os tios, mas não estava sozinho, havia uma menininha loirinha com eles, ela me lembrou alguém... E então ele olhou para mim, dei-lhe um sorriso leve que me foi retribuído com um sorriso fraco – Oi Rafael – fui até ele e lhe dei um abraço e por alguns instantes pensei que ele se afastaria, mas para a minha surpresa e contentamento me foi retribuído – como você está? – perguntei quando nos afastamos, todos nos olhavam atentos.
– Bem – sorriu timidamente, a menininha que estava ao seu lado cochichou algo para ele, que não consegui compreender o que era – o Diego – sussurrou para ela que arregalou os olhos e olhou para mim curiosa, eu diria.
– Não vai me apresentar sua amiga, Rafa?! – perguntei, mas ela não o deixou responder.
– Sou a Lana, senhor, prazer em conhecê-lo – sorriu para mim que retribui, ah claro, a filhinha da Becky e do Vicente.
– O prazer é todo meu senhorita – lindinha ela... – sou o Diego.
– Eu sei – sorriu – o outro pai do Rafa – ok, ela sabia quem eu era, mas não me agradou nem um pouco ouvi-la dizer o outro, mas sim, sou o pai do Rafa... Assenti – o senhor também é muito bonito – ri com o seu comentário, pois entendi seu também.
– Obrigado, a senhorita também é muito bonita – o sorriso dela foi radiante – quantos aninhos você tem?
– Eu tenho isso – mostrou-me quatro dedinhos pequenos e magrinhos, só a bochecha dela era mais gordinha, uma graça – mas logo vou fazer isso – mostrou-me agora todos os cinco dedinhos da sua mãozinha direita – e vou alcançar o Rafa – disse toda feliz.
– Mas aí eu faço seis – Rafael rebateu, fazendo ela ficar zangada com ele, deu-me uma vontade de rir, assim como os outros que nos observavam parecendo que se seguravam para não rir.
– Ela é filha da Becky?! – perguntei aos outros que assentiram com expressões divertidas.
– Sim, mas é muito geniosa – Tomás comentou sorrindo – pra mim parece mais com a Carla.
– Mas todo mundo diz que eu pareço com a minha mãe tio Tomáslindo – ela disse a ele.
– Tomáslindo?! – perguntei achando graça e ele assentiu.
– A cada dia – não me segurei e ri, assim como os outros, mesmo as crianças que pareceram não entender, “to-más-lindo-a-cada-dia”, Meu Deus, só o Tomás mesmo.
– Como você chama a todos, meu anjo? – perguntei curioso e ela riu.
– Tio Tomáslindo, tia Carlinda – ri, mas compreensível – tio Pedrinho, porque ele é pequenininho, segundo o tio Tomáslindo – me segurei para não gargalhar, Pedro deu um tapa em Tomás e Carla o repreendeu com o olhar – a tia Lilice e a tia Roh – completou – e como eu chamo o senhor?
– Você pode me chamar de tio Dih, que tal?
– Tá bom, tio Dih, pode me chamar de Laninha – assenti – o senhor gostou do meu cabelo, tio Dih? – perguntou-me, então entendi que ela se referia ao seu penteado, era uma trança pequena quase desfeita, pois seus fios eram curtos e finos.
– Sim, é muito bonito – sorriu meio que rindo.
– Foi à tia Roh que fez – disse toda contente, fazendo-me olhar para Roberta que sorria, linda...
– A pizza! – disse Alice, levantando-se do sofá às pressas, no instante que a campainha tocou...
Estávamos terminando de comer, todos sentados na sala, conversávamos sobre vários assuntos, claro que a que mais falava era a Laninha, estava completamente encantado por ela, vez ou outra Rafael e ela meio que se estranhavam, mas era nítido que eram amigos e gostavam um do outro, apenas coisas de crianças, assim como a mania que elas tem de dizer coisas sem pensar, a pura e simples curiosidade infantil...
– Tio Dih, o senhor deixa o Rafa ir à minha casa brincar comigo? – pediu-me docemente.
– Ah, bom... – seu pedido me pegou de surpresa, todos me olhavam ansiosos pela minha resposta, acho, pela primeira vez na vida, daria permissão ao meu filho para fazer algo – se a mãe dele deixar – merda, não era bem assim que eu queria dizer, Roberta sorriu levemente.
– Mas a tia Roh já deixou, agora só falta o senhor, até o tio Giuse – merda – já deixou, mas o Rafa nunca foi, e nós temos que pedir a autorização dos dois, porque se o meu papai não deixa, a minha mamãe também não deixa e se a mamãe não deixa meu papai também não deixa, tem que ser os dois, no caso do Rafa os três – o que foi mesmo que eu disse sobre a curiosidade infantil?! – então, deixa ele ir tio, por favor?! – todos nós a olhávamos estáticos, ou pelo menos eu e a Roberta, Lana estava sentada entre mim e Alice.
– Deixo, anjo – disse quase num sussurro, ela abriu um sorrido lindo e me abraçou.
– Obrigada, tio Dih – beijou minha bochecha e virou-se para o Rafael – agora você pode ir a minha casa, Rafa – ele apenas assentiu, quando eu pensei que o desconforto havia acabado... – por que o Rafa tem dois pais? – ótimo, todos nós parecemos engasgarmos com algo, o ataque de tosse da Roberta, então nem se fala.
– Porque eu me casei com o tio Giuse, meu anjo, assim ele passou a ser o papai do Rafa também – Roberta explicou a ela, que assentiu duvidosa.
– Eu também tenho dois pais – a expressão da Carla se tornou tão hilária, que Alice não se segurou e riu, assim como Pedro e eu, os outros olhavam a menina sem entender – meu papai Vicente e o Papai do Céu – sorriu, Carla suspirou aliviada.
– Mas Deus é pai de todos nós, assim eu tenho três – as palavras de Rafael a deixou irritada – é verdade, não é mamma?! – Roberta assentiu.
– Por que o Rafa tem sempre mais do que eu? – perguntou fazendo um biquinho manhoso.
– Porque eu tenho – meu filho rebateu como se fosse obvio – foi Dío que me deu ao Diego, que me deu de presente a minha mamma, não é mamma?! – Roberta novamente assentiu, fazendo o filho sorrir para ela, me peguei sorrindo também, mesmo não entendendo muito bem as palavras dele – eu era uma sementinha – comentou, fazendo Laninha ficar mais emburrada.
– Por que o Rafa veio da semente e eu vim da cegonha? – semente e cegonha? Ah, entendi a que eles estavam se referindo.
– Porque seus pais não são muito criativos – Tomás deixou escapar, levando um beliscão de Carla – Aii...
– É porque alguns vêm da cegonha, outros da sementinha de Deus – Carla explicou a sobrinha.
– Tia Lilice, de onde a Sophia vem?
– Do Pedrinho, aii... – Carla deu outro beliscão no noivo e Pedro lhe tacou uma almofada, eu estava verdadeiramente achando graça na cena, assim como a Roberta aparentemente.
– Da sementinha do tio Pedro – Alice explicou para menina, fiquei curioso em saber a historia da semente.
– E como ela veio da semente, Alice? – perguntei a ela, estranhamente, todos pareceram me olhar alarmados, principalmente a Roberta.
– O senhor não sabe? – Rafael perguntou incerto e surpreso, como se eu devesse saber.
– Claro que o Diego sabe, não é?! – Roberta disse a ele, mas estava mesmo era me repreendendo, merda, claro, essa era a historia da “cegonha” dele, a maneira que ela lhe contou de onde vem os bebês – o Diego sabe sim, meu amor – garantiu ao filho e assenti incerto – ele sabe que você era a sementinha que ele ganhou do Papai do Céu e que ele deixou comigo para que eu cuidasse para ele, só que a mamma acabou plantando você dentro de mim para que você ficasse mais protegido, por isso você nasceu sem ele saber, não é Diego?!
– É foi isso – sorri para ele que me deu um leve sorriso de volta, era uma boa historia essa dela.
– Bom, falando em bebês – Alice disse sorrindo, olhando diretamente para Roberta que a olhou intrigada – a Sophia está com muita vontade comer aquele brigadeiro que só a madrinha dela sabe fazer – Roberta riu revirando os olhos – de sobremesa, quem quer?
– Eu quero! – Rafael e Lana disseram ao mesmo tempo – faz tia Roh, por favor? – a menina pediu fazendo biquinho.
– Por favor, mamma – Rafael imitou a amiguinha, fazendo a mãe rir novamente.
– Tá bom, eu faço.
– Oba! – Alice e as crianças disseram juntas.
– Ótimo, já que as damas irão para a cozinha – Pedro começou dizendo – nós homens iremos até o quarto do Rafa, jogar aquele jogo que você ganho do seu padrinho de dia das crianças, ok – disse ao meu filho, que assentiu sorrindo para ele – beleza, partiu?! – assentimos.
– Tio Pedrinho – Lana o chamou – posso ir também?
– Pode sim princesa, vem – ele a pegou no colo dando um beijo em sua bochecha, antes de irmos a direção aos quartos.
Continua...
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