Começo, Meio E Fim
80 Capitulo 80
Pov Diego
Estávamos, Roberta e eu, na Gallery há algum tempo, já fazia uns vinte minutos que Sandra havia ido embora, nós ainda não nos falamos desde então, eu estava analisando a pasta de documentos que recebi mais cedo, assim como ela aparentemente. Nela havia um relatório detalhado de cada um dos funcionários, menos o meu, estranho, foi então que entendi o porquê, na pasta dela havia um relatório sobre mim.
– O que foi? – perguntou impaciente, acho que devido ao fato que eu não parava de encará-la, mas a ignorei e voltei a olhar o conteúdo em minha pasta, sem nada dizer – hey, estou falando com você!
– Sim, mas eu não estou falando com você! – disse sem nem ao menos olhá-la dessa vez, ela bufou irritada vindo em minha direção, estávamos na recepção da Gallery, a espera dos outros funcionários, que deveriam chegar a qualquer momento – desculpe – sorri – você está com o meu currículo profissional, não está?! – assentiu – também estou com o seu, a propósito, você fez um excelente trabalho em Roma, se o que diz aqui for verdade – ela bufou mais uma vez, irritá-la, sem duvida, me deixa muito satisfeito.
– Obrigada, o seu também não foi ruim – ri enquanto ela revirava os olhos, definitivamente, toda aquela formalidade e gentileza desses últimos dias haviam evaporado.
– Victor Hugo Cendretti e Fernanda Kunhs – li os nomes dos outros funcionários – o que você achou?
– O rapaz é formado em Historia da Arte pela PUC Rio e a moça está se formando em Historia da Arte pela UFRJ, ambos com cursos no exterior e excelentes indicações, não vejo problema e você?
– Também não vejo problema algum – dei de ombros – Kunhs é Polonês ou Austríaco? Talvez, Russo... – disse pensativo, ela pareceu querer sorrir.
– Eu acho que Alemão – indagou, fazendo-nos rir, merda, nossos olhares se cruzaram mais uma vez, deixando que o silêncio reinasse até que...
– Eu preciso conversar com você – me peguei dizendo, ela me encarou confusa – tem haver com o Rafael – assentiu – ele está bem?
– Sim, ele está bem – garantiu-me.
– Com quem você o deixou? – ansiava por aquela resposta há algumas horas.
– Você não sabe mesmo? – neguei com a cabeça e ela suspirou – ele está na casa do seu pai — sua resposta me pegou de surpresa, por essa eu não esperava, acho que ela notou minha expressão confusa – eu pensei que você soubesse.
– Não – disse firme – por que o meu pai e não o seu ou a sua mãe?
– Seu pai se ofereceu para ficar com ele, meu pai não podia, hoje cedo ele teve que ir a São Paula há negócios e... – calou-se momentaneamente, dando um leve sorriso, tão lindo...
– E por que não a Eva? – sua expressão se tornou mais tensa, não sei se pela pergunta ou se por estarmos mais próximos um do outro, conseguia sentir sua respiração bater contra o meu rosto, meu olhar fixo no dela, e eu me sentindo um veado, por sempre sentir um misto de sensações quando estou ao lado dela...
– A Eva e eu não estamos num bom momento, eu... Bom, ela... Er... Eu... – seu embaraço e o brilho dos seus olhos me fez entender o que ela estava tentando dizer, ela sabia o que a Eva fez.
– Roberta, eu... – comecei a dizer quando...
Continua...
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