Começo, Meio E Fim
81 Capitulo 81
Pov Diego
– Com licença – ouvi uma voz grave dizer, o que fez com que nós nos afastássemos um do outro e voltássemos nossa atenção para o rapaz para na entrada, aparentava ter uns vinte e poucos anos, um pouco mais alto do que eu, cabelos negros, pele clara e meio magro, eu era sem duvida mais forte do que ele – vocês devem ser o senhor Maldonado e a – fez uma pequena pausa, pareceu analisar Roberta antes de continuar, não preciso dizer que isso não me agradou nenhum pouco, não é?! – senhora Montemezzo – sorriu – desculpe lhes interromper, sou o Victor Cendretti – estendeu a mão, fui mais rápido que ela e o saudei primeiro.
– Pode me chamar de Diego.
– E a mim de Roberta – sorriu para ele, desde quando ela é tão simpática com estranhos?!
– É um prazer conhecê-los – logo atrás dele, apareceu uma moça ruiva, muito bonita por sinal, um pouco mais baixa que a Roberta, tinha um sorriso bonito, não devia ter mais que vinte anos, tinha olhos claros, verdes ou mel, não sei ao certo.
– Boa Tarde – a moça disse – desculpe-me à demora, sou Fernanda Kunhs – sorriu para nós, que retribuímos.
– Imagina – Roberta disse ao cumprimentá-la – eu sou Roberta, esse é Victor Cendretti – o Sr. Simpatia sorriu para a moça, que lhe retribuiu com um leve sorriso – e ele – apontou para mim, era impressão minha ou aquela garota estava me encarando de um jeito estranho, como se quisesse me dizer algo – Diego Maldonado – sorri para ela que não retribuiu, sua expressão se tornou confusa ou surpresa, seus olhos estavam levemente arregalados, acho que não fui o único a notar sua expressão, pois a Roberta, estranhamente, ficou emburrada, já o Sr. Simpático pareceu divertir-se com a reação da ruiva.
– Desculpe, mas Diego Maldonado? – assenti – Oh Meu Deus, o ex-rebelde?! – ela parecia não acreditar, assenti sorrindo, uma fã!? – Nossa! – sorriu amplamente agora – é um prazer conhecê-lo pessoalmente, mesmo depois de todos esses anos – eu deveria tê-la abraçado, afinal era uma fã, mas apenas sorri, acho que não era o momento para isso, principalmente porque a Roberta nos observava seriamente.
– O prazer é meu – tentei imitar o Sr. Simpatia em pessoa, mas não deu muito certo, pois a ela pareceu corar?! E desviou seu olhar para a Roberta, acho que agora a reconhecendo.
– Você não é... – sim, Fernanda a reconheceu também.
– Roberta Messi – sorriu a se apresentar, me peguei sorrindo também – Montemezzo – ótimo, meu sorriso morreu nesse instante, droga!
– Não estou acreditando, é incrível, pensei que vocês vivessem fora do Brasil – assenti.
– Eu vivia em Roma e o Diego em New York– disse toda simpática – você gostava dos Rebeldes?
– Sim muito – era engraçado ver uma fã da banda depois de tanto tempo – principalmente de ToCar – ela fez uma pausa como se lembrasse de algo – vocês dois não eram...? – merda!
– Colegas de trabalho – a interrompi dizendo, antes que ela concluísse seu pensamento.
– Não – ela disse sorrindo – eu queria dizer...
– Sim, cantávamos juntos e também estudávamos juntos – Roberta a interrompeu dessa vez e ela sorriu deixando o que ia dizer para lá, ufa.
– Acho que vou beber um copo d’água, tá quente hoje – disse tentando mudar de assunto – você estão servidos? – eles negaram – Victor, você me acompanha?
– Claro – assentiu sorrindo.
– Já voltamos – Victor até que pareceu aliviado de sair de lá, ele sem dúvida não era fã dos Rebeldes – e você, Victor? – ele me olhou intrigado, queria tocar num assunto, mas não sabia como.
– Não era fã dos Rebeldes, mas nada contra – rimos.
– Imaginei – sorri – soube que você residia na França – comentei.
– Sim – assentiu – voltei de Paris semana passada.
– Há quanto tempo você morava lá? – perguntei, talvez se falássemos sobre assuntos pessoais, chegássemos ao ponto que eu queria, o por que dele ter encarado tanto a Roberta.
– Quase dois anos, no último ano de faculdade ganhei uma bolsa na École des Beaux-Arts, para um curso complementar, daí me mudei para lá – nem preciso dizer que isso me chocou um pouco, não é?! Beaux-Arts, nossa! – e você se formou em qual universidade, Diego?
– Na Pratt Institute – sim, a Universidade onde estudei também tinha um grande prestigio e ele sabia disso, pois seus olhos se arregalaram um pouco.
– Nossa – ele também estava chocado – que demais – sorriu e eu o acompanhei, talvez o Sr. Simpatia não fosse tão ruim, talvez... – como conseguiu entrar lá? – perguntou interessado – as vagas para estrangeiros são restritas e o processo de seletiva muito rigoroso, cara, será uma honra trabalhar com você – não consegui deixar de rir.
– Imagina, mas mesmo assim obrigado – sorri – então, pouco antes de terminar o terceiro ano do ensino médio eu me inscrevi, passei por milhares de testes até ser chamado – me lembrei das inúmeras noites que passei estudando com a Roberta ao meu lado, ajudando-me... Foco, Diego, foco – levou quase dois anos – ele me olhava admirado – entrar na Beaux, também não é nada fácil – riu.
– Sim, mas não é como na Pratt – assenti, bebendo um pouco d’água.
– Mas você é daqui do Rio mesmo? – perguntei tentando voltar ao assunto inicial.
– Quase, minha família é de Niterói, mas agora que estou de volta pretendo ficar por aqui mesmo – comentou – posso te fazer uma pergunta, digamos que, indiscreta? – perguntou incerto, apenas assenti – seu nome é Diego Maldonado, apenas? – assenti novamente, sem entender a onde ele queria chegar – ah, bom... quando cheguei pensei que você fosse... o senhor Montemezzo – ótimo, era só o que me faltava, ser confundido com o outro!
– Por quê? – perguntei um pouco irritado, deixando o copo vazio sobre a mesa.
– Bom, quando cheguei... – ele hesitou antes de responder – é que você e a... Enfim, pensei que fosse – sorriu sem graça – mas depois descartei essa possibilidade, quando a Roberta disse que se chamava Messi Montemezzo – explicou, mas mesmo assim fiquei sem entender o porquê de sua pergunta – eu sabia que você se chamava Maldonado e ela Montemezzo, só pensei que ela talvez fosse Montemezzo Maldonado – a cada palavra que ele dizia eu ficava mais confuso – e também tem o fato de você não usar aliança...
– Aliança?! – perguntei sem entender o raciocínio dele.
– Sim, a Roberta usa aliança – ela usa?! – e você não – estava chocado e acho que ele percebeu minha reação de choque e confusão – não me pergunte o porque, mas eu sempre reparo nas mãos de uma dama, para saber se ela é comprometida ou não, é um hábito, hoje em dia todas as pessoas comprometidas usam aliança... – isso explica o porquê dele ter olhado tanto para ela quando chegou...
– Ela ficou viúva há pouco tempo – disse frio e ele calou-se, visivelmente, constrangido, não queria continuar aquele assunto, estava visivelmente irritado. Como foi que eu nunca reparei, desde que nos reencontramos, que ela usava aliança de casada? Seriamente, esse comentário do Victor sem dúvida fez com que o meu humor, que já não estava bom, piorasse muito. Aquilo me incomodou de uma maneira surreal.
Continua...
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