Começo, Meio E Fim
28 Capitulo 28
Pov Diego
Meu pai permaneceu me encarando por alguns instantes, o silêncio predominava, eu estava apreensivo, precisava saber o que estava acontecendo. Ignorei a música que tocava do meu celular, apenas desliguei o aparelho sem mesmo olhar no visor para saber de quem era a chamada.
- Diego – quebrou o silêncio entre nós – aquele menino – respirou fundo – ele... – pareceu não saber ao certo o que dizer ou como dizer, mas eu não o interrompi, permaneci sério o encarando, precisava que ele dissesse quem era aquele garoto – ele é o... – respirou fundo mais uma vez – meu neto – disse por fim, eu estava atônito, neto? Ele havia dito neto – ele é seu...
- Filho??! – conclui por ele, só podia ser algum tipo de pegadinha.
- A Roberta – claro A Roberta, não havia alguma dúvidas sobre isso – ela...
- Há quanto tempo o senhor sabe sobre o garoto? – o interrompi novamente, tentando me manter calmo, o que não era nada fácil, não é todos os dias que eu descubro ter um filho de aparentemente uns cinco anos.
- Desde sábado passado – respirou fundo – nós esbarramos um no outro, no shopping, ele estava acompanhado do Tomás e digamos que a semelhança entre vocês é sem dúvida impressionante, o que me chamou a atenção assim que o vi – eu estava confuso, tentando processar todas aquelas informações, um filho – nós acabamos almoçando juntos, o que não agradou nem um pouco o Tomás – Padrinho, era o que o garoto havia dito – nesse almoço eu tive a certeza de que ele era meu neto – neto, outra palavra que parecia não fazer sentido e era tão estranha ouvi-lo dizer – fui até a casa do Franco e da Eva, ela me confirmou o que eu já sabia, disse que descobriu a verdade sobre o menino depois do falecimento do genro dela – o garoto era o tal enteado dela, era isso que todos pensavam ou apenas eu... – depois eu estive no apartamento dela – ele respirou fundo e eu permaneci calado – bom, o que importa é que o menino sabe sobre nós – ele sabe? Todos sabem? – e parece que ele gosta da nossa família – o Senhor Leonardo Maldonado parecia outra pessoa ao falar sobre o garoto, seu olhos brilhavam, havia certa emoção em suas palavras – ele é um menino tão dócil e carismático, parece ser um pouco levado também, me lembra tanto você na idade dele...
- Ele tem cinco – não foi uma pergunta, mas meu pai assentiu – qual o nome dele?
- Rafael – respondeu sorrindo, Rafael, esse sempre foi o nome que eu pensei em dar ao meu filho se um dia tivesse um, era nome do meu avô paterno, eu o adorava, ele faleceu quando eu tinha onze anos, nos divertíamos muito juntos, ele e meu pai não se entendiam muito bem, assim como meu pai e eu, e...
- Você irá adorá-lo, ele é um ótimo menino...
- E ela? – o interrompi novamente.
- Nós fizemos um acordo – acordo? – ela teria que te procurar no prazo de duas semanas, caso ela não te procurasse eu mesmo te contaria tudo, mas você apareceu antes e...
- Por que ela voltou?
- Isso eu não sei, ela não me disse – respirou fundo – apenas disse que deveria uma explicação a você, primeiramente – explicação a mim primeiramente, que irônico.
- Todos sabem?
- Eu acredito que sim – ele pareceu pensar sobre sua resposta – bom, o Franco e a Eva, como eu lhe disse, sabem há pouco tempo, a Márcia, o Téo, a Silvia e os meninos souberam também na semana passada, ele e os gêmeos se deram tão bem, já são amigos e adoram brincar juntos – comentou sorrindo – e tem o Tomás e a Carla, que são os padrinhos dele, imagino que sempre souberam – padrinhos dele, ToCar – o pai dela também sabe, obviamente e a Alice e o Pedro imagino que também devam saber – PeLice – você tem que pensar bem no que vai fazer, filho – filho, a palavra que martelava a minha cabeça – não será fácil para vocês no começo, mas com o tempo e a convivência tudo se acertará e será como sempre deveria ter sido.
- Eu... – não sabia o que dizer, nem o que pensar, estava perdido, eu tenho um filho e todos já sabiam, um filho que a mulher que amei, amo, escondeu de mim, por tanto tempo, não sei ao certo se o que eu sinto é uma mistura de choque com surpresa, raiva e ódio e principalmente mágoa, não podia aceitar que ela o tivesse escondido de mim – tenho que ir – falei saindo às pressas do quarto.
- Aonde você vai, Diego... — foi à última coisa que eu ouvi meu pai dizer do alto da escada, antes de sair pela porta da frente, sem olhar para trás, fui em direção ao meu carro, estava indo acertar contas com o meu passado...
Continua...
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