Começo, Meio E Fim
132 Capitulo 132
Pov Rafael
– Sua vez – disse Guilherme, ele estava me ensinando um jogo chamado “dama”, movi minha peça – até que você aprende rápido, Rafa – comentou, movendo sua peça e retirando a minha – mas ainda vai ter que treinar mais um pouco – sorriu, mas não retribuí – o que foi?
– Hmm... – talvez eu devesse contar a ele, ou não... – nada, até quando você vai ficar sem videogame e jogos eletrônicos? – perguntei para distraí-lo, revirou os olhos.
– Até eu mostrar que sou um garoto bonzinho – bufou.
– É por que você quebrou a boneca da Lari?
– Foi, mas foi sem querer e eu pedi desculpas – defendeu-se – eu não tenho culpa dela ter deixado a boneca de porcelana, na mesinha de centro da sala, sem contar que ela nunca pede desculpa quando quebra as minhas coisas e é sempre – revirou os olhos novamente – e os meus pais querem que eu seja um bom menino, eles não eram muito legais, sabe?!
– Já ouvi historias – admiti – eles têm medo que você seja um mau menino? – assentiu, fazendo uma careta – eu tenho sido um mau menino – contei.
– O que você fez? – arqueou as sobrancelhas.
– Más criações a minha mãe, tenho sido mal educado com ela.
– Meu pai sempre diz que eu nunca devo desobedecer a minha mãe – compadeceu-se – mas por que você fez isso? A sua mãe é tão boazinha – emburrei-me.
– Eu vi meus pais se beijando, na boca – confessei a ele, que deu de ombros.
– Meus pais fazem isso o tempo todo, eca – fez uma careta, acho que só então entendendo o que eu disse, arregalou os olhos – seus pais? – assenti – eles estão namorando?
– Não! – disse firme, mas... – bom, eu não sei – admiti.
– O que eles disseram?
– Nada, eles não me viram! Não é pra contar pra ninguém!
– Eu não vou contar – revirou os olhos – onde você os viu?
– Na casa do vô Léo, semana passada.
– Isso explica por que você tá assim, todo estranho esses dias – eu não to estranho! – talvez eles estejam namorando.
– Eles não estão namorando, se não a mamma teria me dito, ela não mente pra mim.
– Ela pode ter se esquecido de contar.
– Pode ser, mas eu perguntei quando ela brigou comigo e ela disse que não tinha nada para me contar, depois ela disse que não gosta que eu a chame pelo nome e que eu devo chamá-la de mamãe, desde então não a chamo mais de mamma, eu pensei que ela fosse me bater.
– Rafa, você tá pior do que eu – balançou a cabeça – apenas crianças bem malvadas apanham de seus pais, você vai ter que pedir desculpas a sua mãe.
– Eu sei – suspirei – mas o que eu faço agora com relação ao beijo que eu vi?
– Relaxe, os casais fazem isso o tempo todo – deu de ombros.
– Eles não são um casal, minha mãe não faz esse tipo de coisa!
– E qual o problema dela?
– Ela não tem problema nenhum, ela só não beija e o papai também não – Gui arqueou as sobrancelhas – a mamma nunca beijou o babbo, eu perguntei uma vez o porquê, e ela respondeu que eles eram diferentes dos outros casais e não a nada de errado em ser diferente, eu também nunca vi o meu pai beijando a Lizie e olha que eles dormiam juntos.
– Mas o seu pai com a Lizie não terminaram? – assenti – então, qual o problema dele namorar a sua mãe?
– Ele não pode namorar a minha mãe! Ela é casada com o babbo– disse firme – ele vai voltar com a Lizie e me darão um irmão, que eu pedi a eles.
– Por que você fez isso? – perguntou incrédulo.
– Porque eu quero um irmão pra brincar comigo.
– Eu brinco com você e você não precisa de um irmão.
– Mas você não mora comigo – lembrei.
– Se você quer alguém para morar com você, pode levar a Larissa, sem problemas.
– Não quero uma irmã, eu quero um irmão.
– Você não vai querer um, eu queria um, mas veio uma e não é legal – fez uma carranca – ele ou ela vai mexer e bagunçar tudo, colocar a culpa em você e pegar suas coisas sem permissão – revirou os olhos – meu pai quer ter outro filho, mas minha mãe disse que irá pensar, se quiser digo a eles para adotarem você e dar a Larissa pra sua mãe, que tal?
– Obrigado, mas eu quero continuar sendo filho dos meus pais – dei-lhe um leve sorriso.
– Você que sabe, mas se seus pais estiverem juntos, eles podem te dar um irmão, não pode?
– Não, minha mãe já tem filho.
– E o seu pai não tem você também?
– É diferente, eu não moro com ele, eu moro com a minha mãe.
– Se eles namorassem vocês viveriam todos juntos e eles poderiam te dar um irmão.
– E eles já namoram uma vez e não deu certo, os namoros do meu pai nunca dão certo, ele sempre termina e depois a garota vai embora, eu não quero que aconteça de novo.
– Mas se desse certo vocês poderia ficar por aqui, não precisaria voltar para Itália, você podia estudar na minha escola, que é a mesmo do Bruninho e do Dani, você teria seu pai e sua mãe todos os dias, como agora, viveria com os dois, já em Roma...
– Eu não veria o meu pai todos os dias – conclui por ele – eu não tinha pensado nisso...
– Sabe o que eu tinha pensado – Binho entrou no quarto, fazendo com que eu e Gui nos entreolharmos antes de voltarmos nossas atenções a ele, que sorria – que talvez você quisesse almoçar conosco, Rafa, na casa do Jonas e da Leila, o que tal? – sorri com a ideia.
– Se minha mãe deixar eu gostaria de ir sim, obrigado.
– Que bom, a Pilar vai telefonar para ela – sorriu para nós, quando Lari apareceu por lá, com sua nova boneca de porcelana.
– Papai “queio” “binca”, como você, “Ilheime” e “Afinha” – sorriu levantando sua boneca.
– Nós vamos, princesa – pegou a filha no colo, beijando sua bochecha – vocês, arrumem-se.
– Tá vendo o que eu tenho que aguentar – bufou, antes de rir junto comigo...
Adentrei o cômodo, assim que ouvi a mamma dizer “pode entrar”, ela estava sob sua cama, acho que trabalhando em seu notebook, desviou sua atenção dele, voltando-a a mim.
– A senhora está ocupada agora, mamãe? – perguntei receoso, ela estava quieta desde que cheguei, não falou nem perguntou nada, talvez ainda estivesse brava comigo...
– Não, pode falar – fechou o notebook, colocando-o sob o criado mudo, ao lado da cama.
– Eu vim pedir-lhe desculpas, pelo que eu tenho feito, tenho sido um mau menino, a senhora me perdoa, por favor? – pedi um pouco apreensivo, ela não disse nada por um tempo, permaneceu séria, até que fechou os olhos, respirou fundo e voltou a me encarar.
– Sente-se aqui, vem – chamou-me para sentar-me ao seu lado, assim o fiz – tudo bem.
– A senhora não vai me abraçar?
– Você quer que eu te abrace? – assenti, segundos depois mamma puxou-me para seu colo, recostando-se sob os travesseiros, deitei minha cabeça em seu ombro – meu amor – sorri, sentindo-a beijar o topo da minha cabeça – você me deixou muito zangada, sabia?!
– A senhora está zangada agora? – encarei-a, deu-me um suspiro como resposta – comigo?
– Não, eu não estou mais zangada com você – beijou minha testa, mas ela estava zangada com alguém, isso era certo... – só estou um pouco desanimada – sorriu fraco, retribuí.
– Se a senhora quiser, eu posso chamar o papai, mamãe, para te animar – ficou séria.
– Não – disse firme, acho que ela estava zangada com o papai – não precisa – tentou sorrir.
– Tudo bem.
– Sabe, filho, a partir de agora, as visitas do seu pai nesse apartamento serão controladas – encarei-a sem entender – você voltará a estudar – sorri, sentia saudades da escola – o que limitará um pouco seu treino, que será reduzido a duas manhãs semanais e aos sábados, enquanto você estiver com ele – assenti – mas você continuará vendo-o todos os dias, se quiser, ele ainda pode buscá-lo no final do dia, durante a semana, e trazê-lo para cá.
– E quando eu vou ficar com a senhora? – sorriu, então beijou minha bochecha.
– Você ficará comigo durante a semana e um final de semana sim outro não, a cada mês, alternando-os com o Diego – explicou-me – isso enquanto nós ainda estivermos no Brasil.
– E depois?
– Ainda não pensamos no depois – acariciou minha bochecha, sabia que depois eu não o veria mais, nós iríamos embora de novo, iríamos para casa como eu sempre quis, só que sem o papai – tudo bem? – assenti, então ela me abraçou, aconcheguei-me em seus braços.
– A senhora tem alguma coisa para me contar? – talvez agora ela se lembrasse – pode dizer qualquer coisa, esta bem? – encarei-a ansioso, mas ela apenas riu.
– Está bem – sorriu arqueando as sobrancelhas – você tem algo para me contar? – ah...
– O que a senhora quer saber?
– O que você quiser me contar...
– Quer que te conte como foi meu dia? – assentiu sorrindo – eu fui à casa do tio Jonas e da tia Leila e...
Continua...
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