Começo, Meio E Fim

133 Capitulo 133


Notas iniciais
Capitulo grandinho pra vocês, espero que gostem ;D

Pov Diego

– Boa noite, filho, dorme com Deus, papai te ama – disse ao meu garoto, pelo telefone.

– Boa noite, papai, eu também amo o senhor – sorri ao encerrar a chamada...

Já estava tarde, passava-se das onze da noite, depois do ocorrido essa manhã, não sai de meu apartamento, muito menos falei com alguém, exceto Rafael ainda pouco, não estava com cabeça para nada, tentava não pensar em nada, mas a minha discussão com ela não saia da mente...

“...

– Eu não fui à única que tive outra pessoa! – acusou-me – ao contrário de você e do que você pensa, eu não me entreguei a um novo relacionamento!

– Não, você fez muito pior, você me traiu!

– Você está insinuando que eu fui para a cama com ele, com o meu marido?!

– Antes fosse, mas não, você... – merda – você entregou seu coração para ele!

– E o que você fez com a Elizabeth, hein?!

– A Elizabeth, não é assunto em pauta! Mas se você quer saber, eu deveria e sim, eu tentei desesperadamente me entregar a ela, de corpo e alma, mas eu ainda estava preso de mais no que nós dois tivemos, preso no que eu ainda tinha esperanças que tivéssemos, preso a você.

– Talvez você tenha razão, mas saiba que eu não fui à única – encarei-a sem entender – cada historia e frase que você solta, inconscientemente ou não, você menciona a Elizabeth, você dá um jeito de colocá-la em tudo, em todos os momentos...

– Não seja ridícula – bufei interrompendo-a.

– Então não seja hipócrita – seu tom de voz era cortante – ao contrário de mim, você ainda tem tempo, corra atrás, vá em frente – cuspiu as palavras – você disse que se sentia preso a mim, pois bem, não há nada que te prenda aqui, não mais!

...” – Merda, merda, merda! Foi pensando nisso que me lembrei que... Elizabeth!

– Hello* – a ouvi rir, atendendo ao telefone celular.

– Oi, Lizie – disse calmamente, poderia jurar que ela havia ficado surpresa.

– Oi, Dih – falou mais pausadamente agora, eu sabia – como você está?

– Bem – eu acho – e você, como está?

– Estou bem, obrigada, er... – hesitou, antes de continuar – eu recebi suas flores, são lindas, obrigada – sorri – junto com o seu cartão e pulseira, claro, que eu não poderei aceitar.

– Por quê? Qual o problema da pulseira, você não gostou?

– Diego, ela é muito linda, claro que gostei, só que não é o presente que se dá a uma amiga.

– Você é muito mais do uma amiga, Elizabeth.

– Eu fui mais que uma amiga, mas hoje não.

– Quando eu a comprei há alguns meses, pensei em que momento poderia dá-la a você, hoje me pareceu ser o dia ideal – contei-lhe – você era mais que uma amiga na época, eu me sentiria ofendido se a devolvesse – disse seriamente.

– Tudo bem – disse depois de um tempo – muito obrigada, eu a adorei – ficamos um tempo em silêncio – pensei que você não ligaria – disse em voz baixa, merda...

– Eu... – comecei dizendo, quando ouvi... Peguei-me sorrindo ao reconhecer as vozes ao fundo, ela não estava sozinha, “Let's go, Lizie*”, ouvi-os dizerem, tentando soar como uma repreensão, mas estavam divertidos.

I'm coming,wait* – respondeu a eles, “who is?*”, perguntaram em uníssono.

– Tudo bem, Lizie, pode ir com eles, você dever estar ocupada...

– Não, Dih, tudo bem, they can expect* – ri, ao escutar as exclamações ofendidas serem emitidas, “passit to me*”, sorri... – oh no...* – mas era tarde...

Hello, Mr. Maldonado* – céus, que saudades eu estava dessa ser...

Hi, Mrs. Adams* – respirou fundo, obviamente revirando os olhos – how are you?*

What do youthink you're doing?* – repreendeu-me.

Alsoloveyou andI miss you* – sorri.

That's not whatwe agreed!*

I know, Ijust wanted...*

I knowwhat youwant* – ouvia bufar – do not screw up, please, not again*.

– Não vou – suspirei – nós vemos na quarta-feira?

– Sim, também estamos com saudades – admitiu fazendo-me rir – vou deixar você se despedir, se cuida, até quarta, amo você também – riu.

– Até quarta-feira...

Kiss, bye...* – sorri – have five minutes to get rid of it before I do it for you* — impossível não rir, sabia que ela havia dito isso para que eu ouvisse.

– Desculpa – pediu-me Elizabeth.

– Tudo bem – estranhamente não sabia ao certo o que dizer – ah, vocês estão de saída?

– Sim, você sabe como é a Marta, ela adora uma comemoração – voltamos a ficar em silêncio – Dih, você encontrou meu livro? – merda, eu me esqueci de procurá-lo.

– Ainda não, mas vou encontrá-lo, quer que eu o mande logo pra você?

– Não, pode mandá-lo pelos Adams mesmo, não tem importância – merda de silêncio, por que disso agora? – Dih, eu tenho que...

– Desligar, né?! Eu sei, bom... – respirei fundo – em todo caso, eu só liguei para te parabenizar, felicidades...

– Obrigada, mais uma vez, muito obrigada... – come on, Elizabeth*”... – tchau, Dih, eu tenho que ir, depois nos falamos, beijos...

Happybirthday,Elizabeth...* – encerrou a chamada – I love you...* – merda!

Passei boa parte da tarde, do meu domingo, procurando o bendito livro de Elizabeth, eu já estava desistindo de encontrá-lo, tinha a certeza que ela o havia levado com sigo, mas insistia que ele estava aqui, então depois de um bom tempo acabei encontrando-o dentro do meu armário, estranho, as coisas da Lizie não ficavam aqui... Foi então que o folheando acabei deixando cair de dentro dele um envelope... Merda, o mesmo que Carla havia me entregado há alguns meses, a carta do marido da Roberta...

“Roma, janeiro de 2013

Caro Senhor Maldonado,

Imagino que deves estar se perguntando, o porquê desta carta e o porquê de tantas outras perguntas sem respostas, que deves fazer a respeito de tudo que se passou. Quero lhe servir de auxílio, explicar-lhe tudo que estiver ao meu alcance ao longo desta carta, para que não tenhais mais duvidas. Creio que quando a leres, não estarei mais presente entre vós, então, primeiramente, começarei contando-lhe o começo de tudo.

Lembro-me com nitidez, na exata madrugada, do dia 29 de setembro de 2008, estava de plantão no pequeno Hospital Gil de Laurenzana, por volta das duas da manhã, quando fui avisado de que uma mulher estava entrando em trabalho de parto, como de costume, deveria haver um pediatra acompanhando-o para prestar assistência ao bebê. O obstetra da paciente informou-me que seria um parto delicado, pois o bebê ainda não havia se formado totalmente, nasceria prematuro, segundo ele, a última ultra-sonografia feita apontou que a criança encontrava-se enrolado pelo cordão umbilical, o que provocaria o óbito, durante sua retirada, se já não estava, e sua mãe encontrava-se no início de uma eclampsia. Surpreendi-me ao avistá-la sob a maca, aparentava ser jovem demais para passar por aqui, constatei em seu prontuário que a paciente não tinha mais que vinte anos, uma amiga havia se responsabilizado por sua internação, assinando um termo em que constava estar ciente, caso algo viesse a acontecer à paciente e ao bebê, o que durante o parto provou ser inevitável, dentro de algumas horas, houve-se a retirada da criança ainda viva, felizmente, mas acreditávamos que não por muito tempo. Passei a ser o responsável por seu atendimento desde então, como supervisor do centro pediátrico e da UTI Neonatal, o estado de saúde da mãe não era tão debilitada quanto à do filho, apesar de permanecer inconsciente por alguns dias depois do parto, tínhamos a esperança que se restabelecesse, em breve. Os dias passaram-se, nenhuma melhora no estado clínico da criança, a mulher que a essa altura já se encontrava estável, permaneceu ao lado do filho em todos os momentos, de um modo surpreendentemente firme, admiravelmente, principalmente quando este sofreu uma parada cardiorrespiratória reversível, após algumas semanas deu-se alta aos pacientes. Como todo recém-nascido, o menino deveria ter acompanhamento pediátrico nos primeiros meses de vida, mas suas vindas ao meu consultório eram semanais, chegavam a acontecer mais de uma ou duas vezes na mesma semana, assim construí um laço afetivo com meu paciente, uma graça de criança, mesmo que um pouco debilitado, o que ocasionou o início de uma amizade com sua família, em especial sua mãe. A convivência despertou em mim um sentimento que há tempos não sentia tão intensamente, uma necessidade de cuidar e proteger meus entes queridos, meus novos entes queridos, Rafael e Roberta, mãe e principalmente o filho. Perdi minha esposa por causa uma eclampsia, os médicos não conseguiram salva-la durante o parto, por muito tempo senti-me culpado, sabíamos que nosso filho não sobreviveria, havia sido constatado sua anencefalia nos primeiros meses de gestação, optamos pelo percurso natural da vida, éramos jovens de mais, tínhamos muito tempo ainda para construir nossa família, ele seria apenas o primeiro que nos foi dado, infelizmente o destino os tirou de mim, meu filho alguns dias depois de minha mulher. Roberta com toda sua historia, mostrava-se cada vez mais forte diante das dificuldades que a vida lhe apresentava, no fundo era visível o quanto aquilo lhe atingia, a saúde frágil do filho, a distância de seus familiares e amigos, a falta que o senhor a causava, eu cheguei a sugerir como profissional e amigo, já na época, que voltasse ao convívio de seus entes, talvez assim próximo de quem lhes quisesse bem, Rafael poderia se estabilizar. Acredito que a mesma tenha tentado, mas por algum motivo veio a desistir, insegurança talvez, confessou-me que precisava de alternativas, não estava preparada para enfrentá-lo, nem a própria família, estava de algum modo ressentida com sigo e com todos, me predispus a ajudá-la no que precisasse, assim veio-me a mente uma forma de ampará-los, até que Roberta sentisse-se prepara. Há alguns anos, descobri que possuo um aneurisma cerebral inoperável, meus exames naquela época não me davam muitas esperanças, segundo eles, restava-me menos de um ano de vida, para um homem sozinho com poucos familiares, que vivem um pouco distantes, não era tão ruim. Propus a Roberta que casasse comigo, ela que já conhecia minha historia e meu dilema do dia a dia, confidenciei-a após a mesma presenciar uma de minhas crises, que ocorreu durante uma consulta que prestava a Rafael; meu pedido constava apenas em protegê-los e ampará-los, assumiria legalmente o menino como meu filho, assim ela poderia dizer a família, minha historia omitindo e acrescentando o que desejasse, com minha morte próxima teria sua vida e “liberdade” de volta, esperei mais de um mês por sua resposta. Tentei ao longo do período que se sucedeu cuidá-los para que nada os faltasse, Roberta e eu vivemos um “casamento de fachada”, com companheirismo e lealdade real, ao Rafael amei-o e eduquei-o, como o filho que não tive. Ao contrario do que esperávamos, sobrevivi mais de três anos e não apenas um como estava previsto pelos médicos, claro que com alguns agravantes da doença, minhas crises de dores de cabeça intensificaram-se, nesses últimos meses meus sentidos vem alterando-se, minha memória, milagrosamente, ainda não foi afetada, mas estou certo de que não demorará muito. Foi quando me tornei ciente do meu verdadeiro estado que decidi o que deveria ser feito, com a ajuda de pessoas queridas, como Carla, tomei a decisão que mudará sem duvida nossas vidas, não poderia deixá-los assim, não depois de tanto tempo, tenho uma divida para com eles, principalmente com o senhor. Passei os últimos anos vivendo uma vida que não era minha, não pertencia a mim, mas sim ao senhor, sua família, sua mulher tornou-se minha esposa, seu filho tornou-se meu filho, usurpei vergonhosamente seu lugar, sem dar-lhe a chance de escolha, sem que o senhor soubesse ao menos o que se passava verdadeiramente, enganando-o de alguma forma, culpo-me e peço-lhe que me perdoe, pois admito meu erro e egoísmo, amo-os intensamente, devido a isso resolvi procurar-lhe, em New York, precisava conhecê-lo pessoalmente, antes de entregar-lhes e confiá-los a vós, meus maiores bens. Portanto peço-lhe encarecidamente, se assim permitir-me, que os cuide para mim e ame-os se possível, eles alegrarão seus dias, dando a eles sentido e vida, retribuirão instintivamente tudo que lhes oferecer de coração, o senhor tem um filho maravilhoso, cujo qual me orgulho e não tenho duvidas que também vá se orgulhar, um menino esplêndido, um pouco inseguro como a mãe, mas, por favor, não desista deles, valorize acima de tudo os sentimentos e não os atos errôneos que se sucederam, pois ao fim apenas eles, se verdadeiros, permanecerão firmes para que se possa seguir em frente, deem a si mesmos uma nova chance, um recomeço, da forma em que melhor lhes convir; a mim só lhe resta um muito obrigado e o desejo sincero de que sejam felizes.

Atenciosamente,

Giuseppe Enrico Montemezzo. ”

Meu Deus, eu... Ele... Nós... Er... Merda!

Continua...

“Hello – Alô*

“Let's go, Lizie – Vamos, Lizie*

“I'm coming, wait – Já vou, esperem*

“Who is? – Quem é?*

“They can expect – Eles podem esperar*

“Pass it to me – Passe isso para mim*

“Oh no – Oh não...*

“Hello, Mr. Maldonado – Olá, senhor Maldonado*

“Hi, Mrs. Adams, how are you? – Oi, senhora Adams, como vai?*

“What do you think you're doing? – O que você pensa que está fazendo?*

“Also love you and I miss you – Também amo você e estou com saudades*

“That's not what we agreed – Não foi isso que combinamos!*

“I know, I just wanted ... – Eu sei, eu apenas queria...*

I knowwhat youwant, do not screw up, please, not again – Eu sei o que você queria... Não estrague tudo, por favor, não de novo*

Kiss, bye... You have five minutes to get rid of it before I do it for you – Beijo, tchau... Você tem cinco minutos para se livrar dele, antes que eu faça isso por você*

Come on, Elizabeth – Vamos, Elizabeth*

“Happybirthday,Elizabeth... I love you... – Feliz aniversário, Elizabeth... Eu te amo...* ... ”’

Notas finais
Não deixem de comentar, por favor! Estou amando receber os comentários de vocês, muito obrigada :D