Começo, Meio E Fim
114 Capitulo 114
Notas iniciais
Pov Rafael
– Buongiorno, Lizie – disse ao entrar na cozinha e encontrá-la sentada à mesa, tomando seu café da manhã, sozinha.
– Buongiorno, bambino – sorriu-me, colocando-me sobre seu colo, beijando minha bochecha – dormire bene?
– Si – retribuí seu sorriso – onde está o Diego, Lizie? – perguntei a ela, que pareceu ficar tensa.
– Ah, o Diego? – assenti, bebendo um pouco de suco, que a mesma me ofereceu – ele saiu, faz um tempo – sorriu, antes de comer uma torrada.
– Onde ele foi?
– Resolver algumas coisas por aí, toma – entregou-me uma torrada com manteiga – pendências antigas, logo estará de volta – entregou-me outra torrada.
– Tá – dei de ombros, tomando meu café a espera do meu... do Diego! – é muito legal você também falar italiano – comentei, assim que terminamos de tomar nosso café da manhã, riu.
– Sim, sou fluente em italiano e francês, além é claro do inglês e português.
– Eu apenas falo três línguas – contei a ela – no colégio nós somos alfabetizados em italiano e inglês, mas eu falo português também.
– É perceptível – sorrimos – você já é alfabetizado, então?
– Mais ou menos, eu aprendi a ler ano passado e escrever também, mas eu saí da escola porque viemos para cá – expliquei-lhe – mas a mamma disse que logo irei retornar as aulas, e ela irá me ensinar a escrever e ler em português.
– Já é um belo começo, gatinho – apertou a ponta do meu nariz – na sua idade, eu estava sendo alfabetizada em inglês e francês, dois anos depois tive que optar por alguma outra língua estrangeira, então escolhi o italiano, na época, somente aos nove anos comecei a ter aulas de língua portuguesa, com minha mãe – sorriu afetuosamente.
– Foi sua mãe que te ensinou o português também?
– Sim, como brasileira, eu cresci ouvindo-a falar sua língua nativa, assim como você – assenti interessado – mas apenas a pronuncia, então quando meu irmão se interessou pelo português ela começou a lecionar para ele, o que despertou meu interesse também.
– Sua mãe é professora?
– Mais ou menos, ela é letrada, especializou-se em línguas, presta serviços a algumas Universidades, em Londres, além de ser tradutora de uma agência literária britânica – era nítido que Lizie também gostava muito de sua mãe.
– Quantas línguas ela fala?
– São oito ao todo – arregalei meus olhos levemente, fazendo-a rir – minha mãe é fluente em português, inglês, francês, espanhol, italiano, alemão, aramaico e latim.
– Tudo isso? – assentiu sorrindo – ah...
– Já terminou de comer, gatinho? – assenti – então, que tal nós irmos dar uma volta por aí, enquanto o Diego não volta, hein?
– Mas e se o Diego chegar?
– Nós não iremos demorar, é só uma voltinha – estava incerto – nós podemos deixar um bilhete avisando onde fomos e que voltaremos para o almoço, que tal, hein?!
– Não sei.
– Ok, se você não quer sair para irmos andar a beira da praia, tudo bem?
– Nós vamos a praia? – perguntei entusiasmado.
– Se você quiser – assenti, fazendo-a rir – ótimo, vem...
– Obrigado – agradeci a Lizie que me entregou um coco gelado, estávamos sentados em um quiosque no calçadão, já havíamos andado um pouco pela praia, mas não entramos no mar.
– De nada – sorriu, sentando-se ao meu lado – está gostando?
– Sim, muito! Obrigado.
– Não foi nada, o que não dava era para ficarmos a manhã toda dentro daquele apartamento e perdermos esse domingo maravilho, que milagrosamente amanheceu aberto e sem chuva.
– É – concordei – Lizie, você precisa mesmo voltar para sua casa na próxima semana?
– Sim – sorriu-me fraco – eu praticamente não tenho mais o que fazer aqui.
– Mas e o Diego?
– Ele ainda permanecerá no Brasil – assenti, eu não queria que ela fosse embora, muito menos o Diego, não agora – você pode pedir a ele para levá-lo a New York e claro que irei visitar vocês quando puder – sorriu.
– Eu vou pedir a ele – retribuí seu sorriso entusiasmado.
– E então, está animado para o jogo logo mais? – perguntou mudando de assunto.
– Acho que sim – ela riu, arqueando as sobrancelhas – o Diego tá bem mais animado do que eu.
– Verdade, ele não fala em outra coisa, já está até pensado em jogos futuros, caso você goste.
– Você também vai?
– Não – negou – esse encontro são para vocês rapazes, só para os homens – piscou para mim – é o tipo de coisa que vocês fazem juntos, com os amigos, entre pais e filhos – calou-se e me encarou assim que percebeu o que havia dito, então sorriu...
– Sei, eu assistia a jogos com o babbo e com o nonno também – retribuí seu sorriso levemente.
– Você irá gostar, você vai ver?!
– Acho que sim – disse incerto – eu gosto de estar com o Diego – admiti, fazendo-a me lançar um sorriso encorajador – eu não gostava, sabe?! – assentiu para que continuasse – ele deixa a mamma triste – ela me encarou confusa – sempre que o nome do Diego ou algo sobre ele era pronunciado a mamma ficava triste, às vezes parecia que ela iria chorar e eu não gosto de ver a mamma triste, então não queria saber nada nem ficar perto dele – expliquei a ela – e além do mais eu não queria um novo pai, eu já tive um, ele era bom comigo e eu gostava muito dele, mas mesmo assim ele se foi – Lizie abriu a boca para dizer algo, mas a fechou e me sorriu...
– Sabe, Rafa – respirou fundo – às vezes, perder quem amamos faz parte, mas não significa que essa pessoa tenha nos deixado totalmente, ela ainda estará presente enquanto nós ainda a amarmos e pensarmos nela, eu acredito nisso, mas isso também não significa que não possamos dar espaço no nosso coração para amarmos outras pessoas, isso não significa também que estaremos esquecendo e substituindo aqueles que se foram, nós estaremos apenas nos dando a oportunidade de amarmos e sermos amados novamente – suspirou – espero que um dia você entenda isso – sorriu, depositando um beijo em minha bochecha, eu acho que entendi o que ela quis dizer... – talvez, qualquer dia desses, você devesse dizer ao Diego como se senti em relação a tudo isso – sorriu – e quem sabe ele não lhe conta com se sente, também.
– Pode ser – ponderei – mas eu não me importo mais com a presença dele, eu até gosto bastante – sorri – ele disse que me dará um irmão e que poderei escolher o nome dele – riu – você não se importa?
– Imagina – sorriu dando de ombros – quem tem que se importar são seus pais.
– Que bom – sorri – vai ser Miguel, o nome do meu irmão, você gostou?
– Sim, muito bonito.
– Você acha que ele se parecerá com você?
– Se parecerá comigo, quem? – perguntou confusa.
– O meu irmão – ela arqueou as sobrancelhas, como se não entendesse o que eu dizia, voltando a beber sua água de coco – o seu filho com o Diego, oras – instantaneamente, Lizie começou a engasgar, tossia fortemente, seus olhos estavam arregalados – Lizie, você está bem?
Continua...
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