Começo, Meio E Fim

107 Capitulo 107


Pov Diego

– Entra – disse Roberta ao abrir a porta de seu apartamento, ontem à noite combinamos que almoçaríamos juntos, Rafael, ela e eu, aqui mesmo, Roberta cozinharia para nós.

– Bom dia pra você também – sorri debochado, fazendo-a revirar os olhos, sentado-me em seu sofá, logo avistando Rafael entrar na sala e vir dar-me um abraço, que retribuí instintivamente – bom dia, muleque.

– Bom dia, Diego – sentou-se ao meu lado, retribuindo meu sorriso.

– Trouxe um presente pra você – entreguei-lhe um embrulho que estava ao meu lado – abre.

– É uma roupa? – retirou uma camisa de dentro da sacola.

– É um uniforme oficial do flamengo – sorri entusiasmado, ouvi Roberta rir, na entrada da sala, Rafael sorriu-me levemente – você não gostou?

– Sim, gostei – sorriu – obrigado.

– Só não comprei a chuteira ainda, não sabia qual número você calçava, mas nós ainda iremos comprá-la juntos.

– Está bem, obrigado.

– De nada – sorriu – eu tava pensando em te levar ao jogo, semana que vem, o que você acha?

– Ir ao estádio? – assenti – eu posso ir, mamma? – virou-se para Roberta, que até então, apenas nos observava.

– Quando? – perguntou.

– Próximo domingo – respondi a ela, que parecia pensar – pensei em convidar os meninos para irem juntos, todos, seu padrinho, seu tio Pedro, os gêmeos, quem você quiser.

– Eu quero ir – sorriu com entusiasmo agora – posso?

– Pode – deu de ombros, novamente, antes de sair em direção à cozinha, Meu Deus, qual é o problema dela?

– Ela tá nervosa, eu acho – Rafael comentou, assenti.

– É, eu percebi.

– A mamma diz que cozinhar a acalma, acho que é verdade.

– Deus te ouça – comentei mais para mim do que pra ele.

– Eu gosto da comida da mamma, você já comeu? – como?!

– A comida? – ele assentiu, merda Diego, é obvio que ele tá falando da comida – já, eu já comi – sorri – depois que sua mãe, sua madrinha e sua tia Alice, decidiram morar juntas, ela desenvolveu um dom para cozinha, muito bom...

– Obrigada — ouvi-a dizer, só então reparei que havia retornado a sala, agora estava com um sorriso divertido nos lábios, tão linda...

Constatei que Rafael tinha razão, cozinhar acalma verdadeiramente a mãe dele, pois passamos boa parte do dia bem, fizemos algumas brincadeiras, conversamos amigavelmente, foi divertido, no final Roberta estava com tanto humor, que acabou deixando o Rafael dormir no meu apartamento. Saímos de lá em direção ao aeroporto, meu filho insistiu em ir comigo buscar Elizabeth, que voltava hoje da casa da avó, estávamos esperando por ela, até que...

– Diego, olha a Lizie lá – Rafael apontou para a moça que estava pouca a nossa frente, parecia já ter percebido nossa presença, sorri para nós, mesmo parecendo surpresa pela recepção.

– Gatinho – Elizabeth abraçou o menino assim que se aproximou, recebendo um beijo na bochecha – como você está? Você se divertiu no final de semana?

– Eu estou bem e me diverti bastante – sorriu – e você, Lizie?

– Também estou bem e foi bom o meu fim de semana – disse sorrindo.

– Só o gatinho que ganha beijos e abraços? – perguntei fazendo uma voz manhosa, eles riram.

– Deveria – Elizabeth riu, fui até ela a fim de dar-lhe um beijo ou selinho que fosse, mas a mesma virou o rosto fazendo com que beijasse sua bochecha, então me abraçou – o que foi que você aprontou? – sussurrou no meu ouvido, ainda estávamos abraçados.

– Nada, por quê? – perguntei firmando meus braços em sua cintura.

– Da última vez, você beijou a mãe dele e eu ganhei chocolate e sorvete, agora você me trás o menino, o que você fez agora? – sussurrou para que apenas eu pudesse ouvir.

– Ele queria te ver, não o trouxe pra amenizar nada – apertei-a mais em meus braços, mais um pouco eu seria capaz de fraturar suas costelas, de tão magra que Elizabeth é – e eu não beijei a mãe dele, eu quase – enfatizei a palavra – quase a beijei.

– Isso porque o telefone começou a tocar – disse se soltando dos meus braços, tentei beijar-lhe outra vez, mas a mesma virou o rosto, recebendo outro beijo na bochecha, Meu Deus, outra! – Vamos? – sorriu para o Rafael, que assentiu também sorrindo...

Encontrei Rafael e Elizabeth rindo no sofá da sala, assim que saí do banho, estavam observando algo no notebook da minha namorada, aproximei-me deles, sentando-me ao lado do meu filho.

– O que você estão fazendo? – perguntei, colocando Rafael sobre meu colo e me aproximando de Elizabeth.

– Rafa e eu estamos apreciando a nova coleção do Renfrew – revirei os olhos, nem me dei ao trabalho de olhar para as imagens das fantásticas obras do escultor preferido da Elizabeth, fala serio, esse cara nem é tudo isso, ele não tem idade para ser tudo isso... – não é, gatinho?

– Sim Diego, Lizie estava me mostrando tudo, são muito bonitas – bufei, mais um...

– Nem são tudo isso – dei de ombros.

– É claro que são! – exclamou Lizie – você só está dizendo isso, porque não tem o dom que o Renfrew tem com as mãos.

– Você nunca reclamou do que eu faço com as minhas mãos, quando... – merda, não devia ter dito isso, acabei recebendo não só um olhar de repreensão como também um leve soco no braço, Graças a Deus, Rafael é muito inocente para entender certas coisas, tanto que nem deu bola para minha frase...

– Enfim, ele só é um artista esplendido – sorriu – não vejo a hora dele se lançar como pintor – revirei os olhos novamente.

– Acho melhor nós irmos dormir – disse por fim, sentindo meu filho se aconchegar em meus braços, deitando sua cabeça no meu peito – acho que tem alguém cansado aqui – beijei o topo de sua cabeça.

– Só um pouquinho – admitiu.

– Então é melhor irmos para cama mesmo – disse Elizabeth.

– Onde eu vou dormir?

– Ah, você... – merda, eu não havia pensado nisso...

– Já sei onde – Lizie respondeu por mim, pegando Rafael dos meus braços seguindo em direção ao corredor, segui-os, pensei que talvez ela o deixasse em alguns dos outros dois quartos, mas não ela entrou no meu, quer dizer nosso, enfim... – pronto – colocou-o sobre a minha cama – agora você já tem onde dormir.

– Você dorme aqui? – Rafael perguntou a ela que assentiu – você também, Diego? – assenti – vocês dois irão dormir comigo? – Elizabeth e eu nos entreolhamos, mas não dissemos nada – por favor? – por que ele tem que pedir as coisas tão docemente e de maneira tão fofa, céus?!

– Ok, gatinho – ela disse a ele que sorriu, então deitamos cada um de um lado da cama, assim meu filho ficou entre nós.

– Obrigado – sorrimos para ele.

– Tava pensando em criar um quarto para você – disse a ele – assim você teria suas coisas aqui também, hein, o que acha?

– Por que todo mundo que me dar um quarto? – o encarei confuso – os meus padrinhos me arrumaram um, assim como a nonna, o vô Léo disse a mesma coisa, agora você quer me dar outro e eu já tenho vários, o da minha casa em Roma, o apartamento do babbo em Verona, nas casas do nonno e no apartamento da mamma aqui no Rio também – ri.

– E para você ter espaço, privacidade – expliquei-lhe – você pode escolher o quarto que quiser.

– O padrinho morava aqui, não morava? – assenti – pode ser o antigo quarto dele?

– Pode, se assim você o quiser – sorri.

– Obrigado, assim eu terei um quarto que foi da madrinha e outro do padrinho – sabia, o quarto dele no apartamento da Roberta havia sido da Carla – mas eu não costumo dormir nos meus quartos – comentou.

– Como assim? – Lizie perguntou.

– Eu sempre durmo com alguém – explicou-nos – em casa sempre dormia com a mamma ou com o babbo – ok, isso chamou minha atenção, “ou com...” e não “e com...” – na casa do nonno eu sempre durmo com ele e nos meus padrinhos, eu durmo com os dois.

– Você não dormia com o seu babbo e a sua mamma, assim como estamos agora? – ótimo, Elizabeth entendeu o mesmo eu.

– Não – negou – eles não dormiam juntos – disse naturalmente, estranho... – eu dormia um dia no quarto da mamma outro dia no quarto do babbo, às vezes eu dormia no meu quarto também – bocejou, Elizabeth deu-me um sorriso de lado.

– Acho melhor o senhor dormir – disse a ele, que apenas assentiu – boa noite, meu anjo...

Não demorou muito para que Rafael pegasse no sono, Lizie havia ido ao banheiro escovar os dentes, ainda estava inquieto na cama, confesso que saber que a Roberta e o marido não dividiam o mesmo quarto me satisfez de alguma... Levantei-me...

– Vai ficar parado ai, impedindo a minha passagem? – perguntou Elizabeth, estava encostado na porta do banheiro.

– O que tá havendo com você?

– Como assim? – fez-se de desentendida.

– Você tá me evitando desde hoje à tarde – sorri de lado – recua sempre que tento te beijar, te abraçar, te dar carinho – queixei-me e ela riu.

– Eu só não acho correto essa demonstração de afeto diante do Rafa.

– Por que não? – perguntei confuso, fazendo-a revirar os olhos – eu não vejo nada demais, afinal você é minha namorada.

– Mas ele é uma criança, devemos nos ponderar diante dele, não estamos a sós, não está certo.

– Ok – disse por vencido – você está certa, mesmo eu achando isso um pouco exagerado.

– Você não ouviu o que ele disse? – sabia que ela iria falar sobre isso, ótimo!

– Sim, eu ouvi, mas isso não muda nada.

– A Roberta se preocupa com os pudores dele, você também deveria – não acredito que ela disse isso – boa noite, Diego – tentou passar por mim, mas a segurei pelo braço.

– Vai assim, sem me dar nenhum beijinho, até o Rafael recebeu beijinhos de boa noite seus e eu não ganho nenhum – fiz cara de pidão e ela riu negando com a cabeça, mas a puxei de volta – obrigado – disse seriamente agora.

– Não precisa agradecer.

– Preciso sim, você está sendo maravilhosa como sempre – sorriu, antes de me dar um selinho.

– Satisfeito agora – neguei, antes de puxá-la ao meu encontro e beijá-la firmemente, enfim ela cedeu, mas nosso beijo não durou muito, pois logo Elizabeth se afastou.

– Agora sim – sorri satisfeito – boa noite, Lizie – então ela revirando os olhos me deixou sozinho na entrada do meu banheiro, sorrindo... Seria o inicio de uma longa semana...

Continua...

Notas finais
Pela centésima sétima vez... Não deixem de comentar, por favor! ;D