Começo, Meio E Fim
106 Capitulo 106
Notas iniciais
Pov Diego
– Então sua mãe e sua avó Eva se acertaram? – perguntei ao Rafael, nem acredito que a Roberta me deu permissão para passar essa tarde de sábado com ele, era o mínimo que ela poderia fazer, afinal ela é que passa a maior parte do tempo com nosso filho, mas o melhor é que ontem, depois que os levei embora do colégio, quando eu fiz o convite, Rafael aceitou sem hesitar, agora estávamos sentados na praça de alimentação de um shopping, próximo ao meu apartamento, ele ainda estava terminando seu Mc Lanche Feliz, eu já havia acabado com o meu, sim, eu também pedi um Mc Lanche Feliz, assim ele teria dois brinquedos, pois é, enfim, passamos mais da metade do dia juntos, estava lhe apresentando alguns pontos da cidade, quais ele ainda não conhecia, depois viemos para cá...
– Sim – respondeu-me, estávamos determinando de comer suas batatas, eu estava lhe ajudando a comê-las, ele ofereceu e eu aceitei, caso o contrário levaria horas até acabar – elas fizeram as pazes, a mamma sentia falta da nonna, por isso foi passar o dia com ela – assenti – eu já acabei.
– Ok, agora acho melhor te levar pra casa, tá ficando tarde – ele apenas assentiu – você quer tomar sorvete antes de irmos?
– Não, obrigado, eu já tomei hoje – sorri, fato, ele havia tomado sorvete há algumas horas, quando estávamos a caminho da saída, passamos por uma loja de doces.
– Quer algum tipo de doce, então? – perguntei parando em frente à porta da loja.
– Hmm... Eu não sei – disse incerto.
– Vamos entrar então, se você sentir vontade comer algo a gente leva, pode ser? – assentiu, Meu Deus, havia de tudo naquele lugar, uma pessoa conseguiria ficar diabética só de olhar, era um paraíso para qualquer um que fosse doceiro, adulto ou criança, prova disso é que os olhos do Rafael estavam brilhantes e gulosos para todo o lugar – e então?
– O que é isso? – apontou para uma prateleira repleta com diversos tipos de maçãs do amor.
– É maçã do amor – expliquei a ele, que me olhou confuso – você nunca comeu uma maçã do amor? – perguntei chocado, ele negou – não tem maçã do amor na sua terra?
– Eu não sei – disse incerto – eu já comi maçã, mas ela nunca veio num cabinho – ri.
– Ok, então a gente leva uma pra você experimentar, pode escolher – ele pegou uma maçã tradicional, bem vermelhinha, pegamos ainda algumas balas, uma barra de chocolate e fomos para o caixa, sentamos em um banco, a alguns metros da loja, para que ele pudesse comer sua maçã.
– O senhor quer? – ofereceu-me, neguei com a cabeça – é dura – disse incerto, mal a tocando.
– São duras mesmo, por causa dessa cobertura que elas tem, mas são bem gostosas, pode comer – encorajei-o, ele me olhou confuso antes de tentar morder a maçã, deixando sua boquinha toda vermelha, sorri ao observá-lo.
– Ela tem pedrinha dura – disse mastigando um pequeno pedaço... Pedrinha?!
– Rafael, cuspe! – estendi-lhe a mão, para que ele soltasse nela o que estava mastigando, assim ele o fez, olhei para sua boca que estava vermelha, bem vermelha para falar a verdade, merda, ela estava sangrando...
– O que foi? – não sabia se ria ou entrava em desespero, a maçã lhe havia quebrado um dentinho da frente, o incisivo central inferior direito, acho que ele sentiu, pois colocou um dedinho na boca e arregalou os olhos, estava assustado, eu acho, olhei para minha mão e encontrei seu dentinho entre o pedaço de maçã mastigada, peguei-o e o mostrei – meu dente.
– É, nós vamos voltar naquela loja e processar os donos, pelo que essa maçã lhe fez – disse um pouco exasperado, tirando a maçã de sua mão, ok, acho que o assustei um pouco.
– Por quê?
– Essa maçã quebrou o seu dente – respondi, não era obvio!?
– A mamma disse que é normal, que qualquer dia ele iria cair, ele estava mole – ah, estava?!
– Ah é? – ele assentiu – ok, então – sorri para ele que retribuiu, com um sorrisinho sem um dente – bom, acho melhor jogarmos isso fora – joguei no lixo, a maçã praticamente intacta e o pedaço que ele havia cuspido em minha mão, guardando apenas o dentinho do meu filho no bolso – quantos dos seus dentes já caíram ou estão moles?
– Só esse que caiu, mas esse aqui também tá ficando mole – mostrou-me, colocando o dedo em cima do seu incisivo lateral esquerdo.
– Ok, vou me lembrar de não lhe dar mais coisas durar para comer – ele sorriu – vem, vamos passar no banheiro para lavarmos a sua boca, tá todo sujo esse menino, viu?! – ele riu, então o peguei no colo...
– Pensei que você tivesse dito que não iriam demorar – disse Roberta com toda sua “educação e simpatia” a mim, quando a mesma abriu a porta, antes de sorrir ao Rafael e pegá-lo no colo – meu amor – depositou um beijo em sua bochecha e sentou-se com ele no sofá, entrei e fechei a porta, indo até eles, sentando ao lado do nosso filho, que ficou entre nós dois.
– Nós não demoramos, não são nem sete da noite ainda – defendi-me, mas ela me ignorou.
– Como foi o seu passeio, filho? – perguntou ao menino, que sorriu para ela exageradamente, ah sim, mostrando-lhe que lhe caiu um dente, sorri, assim como Roberta – oh, meu amor – colocou sua mão sobre o queixo do nosso filho – como isso aconteceu?
– Eu estava comendo – disse Rafael a mãe – e eu me diverti bastante – sorriu para mim, não pude deixar de retribuir.
– Não acredito que perdi esse momento – disse afetuosa – o que você estava comendo?
– Maçã – ok, não era necessariamente para ele ter dito isso – e ela era amada – merda!
– Maçã amada? – ele assentiu, Roberta arqueou as sobrancelhas, antes de me repreender com o olhar – você deu uma maçã do amor para ele comer, com o dente mole?
– Eu não sabia que o dente dele estava mole – defendi-me novamente, enquanto ela revirou os olhos bufando.
– Ok – deu de ombros – filho, acho melhor você ir tomar seu banho, daqui a pouco seus padrinhos, tio Pedro e tia Alice estarão aqui.
– Eles virão mesmo – perguntei a ela que assentiu, ontem antes de irmos embora do colégio, combinamos de nos encontrarmos aqui, à noite, noite dos Rebeldes.
– Sim, a uns dez minutos, Carla telefonou dizendo que já estão a caminho – assenti – então, já para o banho – disse ao menino – e você que vai banhá-lo – dirigiu-se a mim, Meu Deus, o que estava acontecendo com ela hoje? Estava de TPM, só pode!
– Tá bom, mamma – levantou-se do sofá – vem Diego – me puxando pela mão, fomos em direção aos quartos...
– Eu ainda não acredito que já perdeu um dentinho, meu anjo – era décima vez que Carla dizia isso esta noite, eles haviam chegado há algumas horas e já havíamos terminado de comer, milagrosamente não pedimos pizza e sim comida mexicana – o próximo que cair será meu – sorriu, Rafael estava sentado ao seu lado, entre ela e Tomás, eu ao lado meu compadre, e Alice entre Pedro e Roberta no outro sofá.
– Se a Carla ganhar um dente de leite do Rafa, eu também quero um – disse Alice.
– Não se preocupe Alice – sorriu Roberta – a Carla não ganhará – rimos de suas expressões.
– Como não?!
– Meu filho, meus dentes de leite – disse firme, mas divertida – tenhas seus próprios filhos e terás todos os dentes que quiser – minha comadre bufou.
– Deixa de ser egoísta é apenas um dente, Roberta, o Rafa tem vários outros, não é meu amor? – Rafael sorriu, mostrando-nos seus outros dentinhos, sorri... – é o mínimo que você pode fazer por mim, eu vi esses dentinhos crescerem.
– Nós vimos – corrigiu-a Tomás, beijando o topo da cabeça do afilhado – e eu gosto da ideia termos os próprios filhos, Carlinha – sorriu de lado, recebendo o olhar de repreensão da noiva.
– Dessa ideia eu também gosto – comentou Pedro.
– Já está pensando em dar um irmãozinho a Sophia, Pedrinho?! – disse divertida.
– Não, Carlinha, estou pensando quando você e Tomás darão um priminho a Sophia – sorriu debochado e ela riu negando com a cabeça, nós apenas rimos – também quero ser padrinho.
– Futuramente, Pedrinho, futuramente – Tomás piscou para ele.
– Espero que seja uma menina – sorriu Alice – assim a Sophia terá um priminho – mandou um beijo no ar para Rafael – e uma priminha para brincar.
– Pensando assim, então que seja um priminho, já que o Rafa terá a Sophia – provocou Roberta, até que agora ela estava de bom humor, bipolar...
– Então que seja um casal – opinei – tem histórico de gêmeos na sua família, não tem Tomás?! – brinquei e eles riram.
– Uma prima distante – meu compadre entrou na brincadeira – pelo que me consta, na sua família também, Diego, então já pensou que o Rafa poderia ter vindo em dobro – sorriu – mas que sabe o próximo – rimos, ia responder quando...
– Eu quero um irmão – ok, eu não esperava por essa, na verdade, pareceu que nenhum de nós espera por essa frase do Rafael, engoli em seco, estávamos surpresos olhando para ele – se o senhor tiver outro filho, eu posso escolher o nome?
– Pode – disse depois de alguns segundos tentando raciocinar o que ele disse, todos estavam prestando atenção em nosso diálogo – posso saber qual nome seria? – perguntei na tentativa de tentar suavizar a tensão que se instalou naquela sala.
– Miguel – acho que o Pedro quase engasgou com a própria saliva.
– Rafael! – Roberta o estava repreendendo, por quê? Por causa do Zimer, não, acho que não!
– Rafa, com tanto nome por aí, você tem que escolher logo esse? – disse Pedro, não gostando nem um pouco da escolha do menino – sua mãe não te conta histórias não?Esse nome é do mal!
– Pedro! – dissemos todos em uníssono e ele respirou fundo – por que Miguel? – perguntei interessado, havia alguma coisa relacionada a esse nome e não era por causa do Zimer.
– Eu gosto, você não? – perguntou confuso ou incerto do que dizer, olhou para mãe retribuía seu olhar intenso, sim havia algo ali, certeza.
– Gosto, é um bonito nome, será Miguel se você quiser – ele sorriu, retribuí, não por causa da escolha do nome de um bebê, que eu nem tenho a certeza se irá existir, provavelmente não, mas sim pelo sorriso que recebi do meu filho, meu único filho.
Continua...
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