Começo, Meio E Fim
104 Capitulo 104
Pov Diego
– Então você não pretende voltar a morar no Brasil? – perguntou-me Franco, assim que acabei de responder ao Jonas como era minha vida em New York, não sei bem o por quê, mas acho que naquele instante todas as atenções se voltaram a mim, talvez seja porque hesitei antes de responder.
– Tenho uma vida em New York – disse por fim – pretendo voltar para lá dentro de alguns meses – estranhamente, dizer isso me incomodou, mas esse era meu objetivo inicial, não era?!
– Ah, claro – disse Jonas – pensei que você traria a namorada, para nós conhecermos.
– Ela agradeceu o convite, mas não pode vir – sorri – mas creio que não faltará oportunidade para que vocês possam conhecê-la – assentiram...
Logo o papo sobre a minha vida cessou, dando lugar a outro entre os homens presentes, Jonas, Franco, Leonardo e Vicente, assunto qual não me importei em opinar, assim como Pedro, Tomás e Binho, Téo vez ou outra expressava sua opinião, menino de ouro... Aquilo estava entediante, sem dúvida, vir ao colégio não foi necessariamente como eu imaginava e esperava, mal havia falado ou visto o Rafael, que estava há algum tempo brincando com as outras crianças, o que me dava à sensação de que deveria ter ido para o Sul, com Lizie... Binho chamou por Téo, assim que avistamos Pilar, Márcia e Becky, passarem próximas a nós, e lá foram eles se livrando com uma desculpinha, indo atrás de suas esposas, menos Vicente que foi segurado por Jonas, logo em seguida passaram Silvia e Leila, mas seus maridos nem se mexeram, pouco tempo depois apareceu nossa oportunidade de nos livrarmos daquilo, avistamos CarLice passando, não hesitamos em irmos até elas.
– Até que enfim, pensei que vocês nunca iriam passar – Tomás disse aproximando-se da noiva.
– Todas as mulheres passaram menos vocês – disse Pedro.
– O que tá havendo? – perguntei a elas que sorriram.
– Nada, nós só achamos a oportunidade perfeita para deixarmos a Roberta com a Eva a sós – explicou Alice sorrindo.
– Sério?!
– Sim, acho que já passou da hora delas terem uma conversa e se acertarem – Carla disse firme, não acredito que ouvi isso... – você não acha, não é?! – seu olhar me repreendeu.
– Não, eu não acho – disse firme também – não depois de tudo que aconteceu, mas isso não é da minha conta – dei de ombros, recebendo o olhar de repreensão de todos agora.
– Cara, é a mãe dela – disse Tomás.
– Eu sei – respirei fundo, antes de me afastar deles.
– Diego, aonde você vai? – ouvi Pedro dizer.
– Dar uma volta – respondi sem ao menos me dar o trabalho de olhar para eles, caminhei pelo colégio, pensando no fato de que agora a Roberta poderia estar se entendendo com a mãe, não que não quisesse que elas se acertassem ou algo do tipo, mas é que pensar nisso me incomodava, fazia-me lembrar do que a Eva e o Leonardo fizeram, estranhamente, não sentia raiva ou mágoa dela, mas sim dele... O que dificultava ainda mais nos reaproximação, sei que jamais conseguirei esquecer, principalmente por tudo que isso causou a nós e ao nosso filho...
Voltar a esse colégio depois de tantos anos trazia-me diversas lembranças, boas e ruins, agradáveis e desagradáveis, algumas delas as quais preferiria esquecer, mesmo sabendo que as levarei comigo eternamente, lembranças de nós... As nossas lembranças...
– Oi – ouvi uma voz recentemente familiar dizer, despertando-me dos meus devaneios, estava de frente a piscina, me virei em direção a ele e sorri, ele retribuiu.
– Oi – analisei-o por um tempo, parecia cansado e ao mesmo tempo relaxado e descontraído, como na noite que estava em sua casa brincando com Lana, ele estava feliz, seu olhar refletiam isso, ampliei meu sorriso diante do meu pensamento – você não estava brincando com os garotos?
– Estamos brincando de pique-esconde, preciso de um lugar para me esconder – contou-me.
– Você já tem em mente o lugar?
– Ainda não – disse olhando para a piscina – ela é muito bonita – sorri, vendo seus olhinhos brilharem – padrinho disse que poderei nadar mais tarde.
– Por que só mais tarde? – havia tido uma ideia, ele arqueou as sobrancelhas – se nós temos tempo livre e uma piscina só para nós – ele sorriu, lindo – você quer?
– Quero! – disse entusiasmado.
– Você está de sunga? – assentiu – ótimo, vem – ele se aproximou, retiramos nossas peças de roupas, ficando apenas de sunga a borda da piscina – ida e volta, pode ser?
– Pode! – segundos depois já estávamos dentro d’água, nadamos por algum tempo, admito que sentia falta, saudades, dessa piscina... Em algum determinado momento, puxei-o para mim, pensei que ele se afastaria, mas não, ele sorriu tentando se desvencilhar dos meus braços, em seguida comecei a fazer cócegas em sua barriga, parei antes que ele ficasse sem fôlego – a mamma – ele disse recuperando-se das gargalhadas, me virei para onde ele apontava, Roberta sorria, me peguei sorrindo feito bobo ao encará-la – vem mamma – Rafael a chamou, mas ela negou com a cabeça, caminhado em nossa direção, parando a alguns centímetros da beira da piscina.
– Esquece, Rafa – disse debochado – sua mãe não vai querer acabar com o visual, molhar o cabelo, vai estragar a chapinha – me segurei para não rir da cara que ela fez, ao contrario do que eu esperava, uma resposta a altura, ela fez algo que me surpreendeu e agradou, claro e muito, arqueando as sobrancelhas para mim com um sorriso cínico no rosto, Roberta subiu o vestido que usava, jogando em cima de uma espreguiçadeira, é, por essa eu verdadeiramente não espera, engoli em seco ao observar aquele corpo, ela sempre assim tão... gostosa?! Foco, Diego, foco... Roberta mergulhou em seguida, pouquíssimo tempo depois lá estava ela, parada diante de nós, ainda sorria com os braços estendidos, ah lógico, era para o Rafael que estava nos meus braços até então, quando o menino a abraçou, a mesma depositou um beijo em sua bochecha.
– Minha chapinha é a prova d’água – piscou para mim zombateira, não pude deixar de rir.
– Eu acho que este menino estava comigo – disse a ela, que entendeu o que eu quis dizer...
– Ah, é? – assenti, Rafael estava, visivelmente, confuso – pois então, venha pegá-lo – sim, ela entendeu, assim afastou-se de mim com nosso filho nos braços, ri, indo até eles, Roberta o segurava pela cintura, fazendo os pés de Rafael baterem n’água, enquanto eu me aproximava eles se afastavam, nosso garoto ria, assim como nós dois, estávamos nos divertindo com a brincadeira, em certo momento puxei Rafael pelas pernas e Roberta o segurou ainda mais firme contra ela, assim puxei-a pela cintura, um dos meus braços a envolveu e o outro segurou nosso filho, que passou seus bracinhos ao redor do meu pescoço, ainda riamos, depositei um beijo em sua bochecha molhada, ele tem um sorriso tão lindo... Igual ao da mãe dele, que nos observava intensamente, com um amplo sorriso no rosto, linda...
– Faz de novo? – pediu-me Rafael entusiasmado, fazendo com que Roberta e eu desviássemos nossos olhares um do outro, foi então que percebi que ainda a segurava pela cintura, soltei-a.
– Faço – sorri para eles.
– O que houve no seu braço, Rafael? Você se machucou? – perguntou Roberta um pouco exasperada, ao notar um leve arranhão no antebraço do nosso filho, só então eu percebi aquele pequeno machucado, era mais superficial, mas me peguei sorrindo ao observar sua preocupação com nosso menino, ela ia dizer algo, mas...
– Que bonito, hein? – voltamos nossa atenção ao Tomás, que estava parado nos observando, assim como Carla, Pedro e Alice, continha um sorriso divertido no rosto.
– Os maníacos por água atacam novamente – brincou Carla.
– Passa ano, entra ano e eles persistem – zombou Pedro, fazendo-nos rir.
– Vocês vão ficar ai nos admirando ou vão juntar-se aos maníacos por água? – perguntou Roberta zombateira, segundos depois ToCar já estavam dentro da piscina.
– Não vai entrar, Alice? – perguntei a ela, que fez um bico negando com a cabeça.
– Não, eu to horrível – fez um muxoxo.
– Deixa de graça Alice, você tá linda – Carla garantiu a ela.
– Vamos branquinha, eu te ajudo a entrar – sugeriu Pedro.
– Isso branquinha, deixa o pretinho de ajudar a entrar n’água – zombou Roberta e Alice ia dizer algo, mas se calou, fazendo uma careta e aceitando a ajuda do marido, em segundos todos os Rebeldes estavam dentro d’água e o Rafael, claro... Não demorou muito para que os outros nos achassem, Márcia, Téo, Bruno, Danilo, Pilar, Binho, Guilherme, Larissa, Becky, Vicente e Lana juntaram-se a nós, ficamos um bom tempo naquela piscina, aquilo com certeza estava valendo meu dia, não sei bem o porquê, mas tive a impressão de que o Rafael e o Guilherme não se entendem muito bem, um como o outro, o que chega a ser engraçado... Tempos depois Leila apareceu, avisando-nos de que o almoço estava para ser servido.
Continua...
Fale com o autor