Notas iniciais
Primeiramente, me desculpem por demorar tanto assim por postar, é que, além de estar super enrolada com o terceirão, minha vó sofreu um acidente e está na UTI, então, estou passando tardes e mais tardes com ela no hospital... Ah, e eu tenho alguns (muitos) leitores fantasmas, por favor, apareçam! Não vou fzer chantagem e dizer que só posto se comentarem, mas, poxa, custa tanto assim? Isso me deixa meio mal, pode comentar até mesmo só um 'legal', ou um 'gostei'.. ou até 'chato' 'não gostei muito'... Mas comentem! É importante pra mim saber a opinião de vocês! Enfim, espero que gostem, mil beijos ;)

Após os 10 minutos mais demorados de minha vida, tive a felicidade de ver o professor saindo do campo para resolver algum problema na coordenação e, assim, pude por fim deixar a arquibancada onde me encontrava a correr até o vestiário como se minha vida dependesse disso.

Após chegar ao corredor deparei-me com duas placas divisórias, 'vestiário masculino' e 'vestiário feminino', diziam as mesmas. Adentrei apressadamente a porta azul que guardava meu objetivo final e então deparei-me com um emaranhado de roupas pelo chão, desde camisas até cuecas. Perguntei-me por que eles tirariam a cueca para jogar, mas decidi que tal pensamento não era algo de real importancia no momento. Tratei de começar a procurar pelas roupas de James e não foi difícil encontra-las, já que havia me certificado de gravar a cor, tamanho e tudo que consegui sobre as roupas que o mesmo usava anteriormente. Uma calça jeans, uma camiseta preta e um casaco xadres azul. Agradável, não negarei. Ah, e agora posso também constatar: cueca box preta. Ri internamente e soltei o ar pelo nariz ao imaginar quantas meninas já não sonharam em segurar uma cueca dele, essa mesma cueca que eu seguro com nojo nesse instante.
Resolvi deixar a risada para quando meu plano se concluísse e tive de encarar meu verdadeiro problema: sair de lá com tudo aquilo nas mãos sem ser notada por sequer um faxineiro. Ok, talvez seja um pouco (muito, pra caralho mesmo) complicado, mas nada que eu não consiga resolver, tenho absolutamente tudo sob controle.

Coloquei minha cabeça para fora e percebi que o corredor estava vazio, dando-me liberdade para sair do vestiário masculino com a maior facilidade do mundo. Após estar fora do local olhei em meu relógio de pulso e percebi estarem faltando apenas vinte minutos para o termino da aula, o que me dava cerca de dez minutos para sair sem ser notada por ninguém do campo, e mais dez minutos para chegar até meu dormitório e decidir o que fazer com as roupas, para que não me pegassem com elas, e, após o fazer, voltar para a sala como se nunca tivesse saído da mesma.

Ah, já que mencionei, saiba que, sim, isso é um internato. Como já ficou bem claro anteriormente, minha família não possui uma das melhores estruturas em termos emocionais, então, meus pais sentiram-se na obrigação de colocar-me em uma prisão educacional para garantir que eu seja exatamente como eles no futuro: rica e vazia.

O que obviamente não vai acontecer.

Contudo, correr era a única e solitária palavra que habitava minha mente no momento, e foi exatamente o que eu fiz. Não que correr seja o melhor dos planos quando se quer passar despercebida, mas eu estava em um campo, um local repleto de pessoas fazendo a mesma coisa que eu: correndo, como qualquer outro faz em um campo. Ok, talvez eu estivesse indo um pouquinho mais rápido que o resto das pessoas, mas, que se foda! To 'cagando e andando' pra isso, meu plano está dando certo e eu não permitirei a mim mesma estragar tudo agora. Então, corri. Corri, corri, corri e corri. E, enfim, cheguei ao pequenino portão que permitia a saída dos alunos, abrindo o mesmo sem pudor algum, e passando por ele como uma bala, chegando ao corredor que leva aos dormitórios em menos de cinco segundos.

Passei o olho por meu relógio novamente e, exatamente como eu havia calculado anteriormente, faltavam exatos dez minutos para que eu chegasse ao meu dormitório e desse um rumo às roupas, para em seguida estar na sala de aula aguardando pela próxima aula como um perfeito anjo. Rodei os olhos por toda a extensão do corredor procurando por uma alma viva que fosse que tivesse a opurtunidade de atrapalahar meus planos e, para minha surpresa e felicidade, não havia uma sequer. Estão, provavelmente, todos em aula. Mais uma vez corri e, em um tempo possivelmente recorde, cheguei à porta de meu quarto, a abrindo rapidamente e logo em seguida a fechando com um baque estrondoso, mas sequer me importei com isso. Joguei as roupas em minha cama e durante três segundos meu cerebro pareceu fervilhar, sem saber o que fazer com o material que analisava, quando, de repente, a mais obvia das opções me ocerre a mente.

Por parecer tão simples demorou a passar pela minha cabeça, mas, às vezes, é na simplicidade que se escondem os maiores segredos da vida. E, nesse caso, é na simplicidade que se escondem as roupas mais cheirosas que já vi na vida. Não que eu as tenha cheirado, apenas fui obrigada a sentir o cheiro das mesmas, já que o mesmo amanava a metros de distância. E, puta merda, que delícia! Não me entenda mal, mas não é porque eu não gosto do garoto que não possa achar seu perfume extremamente bom, até porque milhões de outros garotos por aí devem usar esse mesmo perfume. Contudo, após pegar-me anormalmente pensando sobre o cheiro de James Storch decidi não perder sequer mais um segundo e fazer o que poderia de mais obvio com as roupas: guarda-las. Sim, foi apenas isso. Juntei as roupas, já dobradas, e as guardei dentro de meu armário, afinal, eu não dividia o dormitório com ninguém, então, não havia motivo algum para dar outro destino às roupas. Sorri com minha esperteza e então, ainda sorrindo, corri de volta para o campo, apenas esperando o professor encerrar a aula e liberar a troca de roupas para então recolher-nos para subirmos de volta à classe, aguardando pelo momento em que ouviria algum barulho, ou quem sabe até mesmo um grito.

Sorri ao constatar o quão diabólico foi, levando em consideração o fato de que ele seria zoado pra caralho pelo resto do ano. Gargalhei sozinha como uma verdadeira psicopata ao perceber que, finalmente, o universo conspirou a meu favor e tudo havia saído exatamente como eu planejei, sem imprevisto algum. E então, fui deliciosamente retirada de meus devaneios pelo som que tanto aguardava: um grito, agudo. Ah, isso foi, definitivamente, mil vezes melhor do que eu esperava.

Não posso negar, estou feliz como um porrquinho no chiqueiro. E tudo apenas melhorou quando todos do time, inclusive Jas, saíram do vestiário rindo como animais, seguidos por um James vermelho, praticamente roxo, de raiva, cobrindo sua região íntima com nada além da própria mão. E, se você está se perguntando, 'por que diabos eles não emprestavam ao menos uma toalha ao pobre do menino?', a resposta é simples: assim como os uniformes, as toalhas são comunitárias, são de todos. Ele não poderia simplesmente tomar posse de uma para não ter que andar por ai com a bundinha de fora!

Respirei fundo e sorri, orgulhosa de mim mesma e mais do que satisfeita com o resultado final de tudo que armei. Olhei ao meu redor e todas as meninas babavam ainda mais que o normal em James (não posso negar que seu corpo é um tanto quanto... desejável, eu diria), e todos os meninos gargalhavam e davam tapinhas nas costas do mesmo, gritando coisas como 'dou um beijo em quem fez isso', ou 'quem fez isso tem meu respeito eterno', ou até mesmo 'uma noite inteira de sexo grátis pra quem fez isso'. Muito obrigada, rapazes, mas deixo para a próxima. Sexo é bom, mas não desse jeito.

Ah, por favor, não surpreenda-se com a frase 'sexo é bom'. Sexo é realmente bom! Tenho 17 anos, não sou nenhuma santa, não sou virgem, não ligo de falar sobre isso nem nada do tipo, afinal, se dar fosse ruim ninguém dava de graça, ou, pior ainda, pagaria por isso. Mas, ainda que seja difícil até para mim de acreditar nisso, o sexo é realmente melhor quando se gosta de pessoa. E, além disso, sair dando pra qualquer um não é pra mim, eu não sou assim.

Eu sou diferente das outras meninas, eu sou diferente de todos, de tudo. E eu simplesmente sou, simplesmente faço, simplesmente vou vivendo, e acho que é assim que tem que ser! Não ligo para o amanhã e não tenho planos para o futuro, do mesmo modo que não fico me remoendo pelo passado. Se eu gosto de onde estou agora, é porque minhas atitudes passadas me trouxeram aqui, então, eu não mudaria nada. E, se eu quiser ver o futuro, tenho que continuar a gir e a viver, então, eu não faço planos para o amanhã, apenas continuo indo e indo.

Um pouco inconsequente e arriscado, eu assumo, mas, e daí? Quem pode dizer a mim o que é certo ou errado de se fazer com a minha vida, uma vez que ela é minha?


Eu sou feliz assim, e não há nada que possa me mudar. Eu gosto de mim, e é isso que importa, no fim de tudo.