Come As You Are
43 Stairway to Heaven
Notas iniciais
Bem kids, este é o penultimo cap da fic, ficou enorme mas é pq n da mais pra prolongar... amanha ou depois postarei o ultimo e ja o link da segunda temporada que vou continuar no anime.
Como vocês ja sabem eu e outras leitoras estamos com o projeto de um novo site, devido a alguns atrasos ele ainda não saiu mas ele vai sair no fim de janeiro.. mas para que vocês não fiquem desinformadas aqui vai o link da nossa pag no face
http://www.facebook.com/4Fics
– E se não aparecer ninguém? – Johnny roia as unhas ansioso.
– Calma baixinho. – Tentei acalma-lo, mas essa criança estava muito agitada.
– Preciso comer alguma coisa, também estou ansioso. – Zacky reclamou procurando algo de comer em minha bolsa.
– Cadê o Matt? – Johnny perguntou.
– Hum, deve estar no fundo pegando a Je... – Me interrompi ao perceber que estaria prestes a denunciar que Jen e Matt estavam de caso.
– Pegando o que? – Brian, que até então estava calado, resolveu dar sinal de vida.
– O que? – Me fiz de desentendida.
– Você falou que “ele deve estar lá no fundo pegando a...”, pegando “a” o que? – Brian insistiu.
– Não sei. – Falei.
– Como não sabe? Você acabou de falar. – O moreno insistia.
– Ai Brian eu não sei, eu nem sei o que estou falando, estou tão nervosa quanto vocês. – Me justifiquei e o moreno ainda com um olhar de desconfiado assentiu.
O show dos garotos era nessa noite, o palco já estava todo montado, Jen e eu divulgamos a banda ao máximo, agora só nos restava esperar o retorno do nosso trabalho duro.
Jimmy, Brian, Zacky e Johnny estavam sentados numa das mesas da casa onde aconteceria o show, Matt e Jen haviam sumido “misteriosamente” e sobrava pra eu ter que inventar desculpas esfarrapadas para os seus sumiços.
A casa tinha espaço para trezentas pessoas, mas ninguém estava na expectativa de lota-la, sabíamos que isso era impossível, já que era a primeira apresentação oficial da banda. Liguei para Steven e ele me garantiu que uma boa parte de seus amigos da faculdade compareceria, o que me deixava mais tranquila. Ste não gostava de Brian, mas mesmo assim aceitou divulgar a banda por consideração a Matt, Zacky, Johnny e Jimmy, que sempre foram como irmãos para Jen.
As horas passavam lentamente enquanto todos nós nos corroíamos de ansiedade. Mesmo sabendo que eu não subiria no palco e tocaria, ainda sim o meu coração disparava só de pensar como seria o show, eu estava muito nervosa por eles.
Quando Jen surgiu seguida por Matt todos se entreolharam desconfiados, mas ninguém se atreveu a falar nada. O momento da apresentação dos meninos se aproximava e a casa estava praticamente vazia, e isso só nos deixava mais tensos.
– Não vai aparecer ninguém. – Brian bufou mandando o liquido da garrafa de cerveja garganta a baixo.
– Calma cara, você já quer um sucesso mundial logo na primeira apresentação publica? – Jimmy brincou tentando quebrar o clima tenso, mas não funcionou.
– Estou começando a ficar preocupado. – Matt confessou com uma cara nada boa.
– Ainda não está na hora, calma. – Pediu a azulada. – Emy vem no banheiro comigo. – Jen se levantou me puxando pelo braço e me arrastando até o banheiro.
– Ai Jen, sua unha me machucou. – Reclamei.
– Temos que fazer alguma coisa. – Disse.
– Pois é isso aqui ta um tédio só. – Falei
– Não animal, temos que fazer alguma coisa em relação ao show dos meninos. – Explicou se escorando na pia do banheiro.
– Como assim? – Perguntei confusa.
– Temos que atrair mais gente pra cá.
– E como faremos isso? – Questionei e a azul sorriu maliciosamente. Com certeza era merda.
Alguns amigos de Steven apareceram junto com o mesmo, umas doze garotas do colégio estavam presentes e mais meia dúzia de gatos pingado que convidamos apareceu no local. Os garotos foram tomados pelo desanimo ao ver que deviam ter no máximo umas cinquenta pessoas na casa, e confesso que isso me desanimou também.
Sabíamos que às nove da noite de uma quarta feira era difícil de lotar um bar, mas não esperávamos que fosse tão difícil assim já que divulgamos tanto a banda.
– Vem comigo. – Chamou me puxando pelo braço.
(...)
– MAS NEM FU-DEN-DO! – Berrei ao ver o meu reflexo no espelho do quarto de Jen. – De jeito nenhum, eu pareço uma vadia!
– Não querida, você parece a Michelle. – Corrigiu a azulada enquanto me rodeava.
– Mas foi isso que eu disse, pareço uma vadia. – Caímos na risada.
– Mas parecendo uma Michelle ou não, eu não farei isso! – Protestei cruzando os braços.
– Você quer ajudar os meninos ou não? – Perguntou se jogando na cama.
– Mas...
– Não, nada de “mas”, isso é necessário. – Explicou enquanto eu analisava o meu rosto pálido com meus lábios marcados por um batom vermelho, as minhas pernas totalmente de fora apenas com as coxas cobertas por um mini short jeans e os meus seios quase pulando para fora do decote super generoso da camiseta preta que customizamos com escritos “A7X”.
– Jen, eu to muito feia. – Murmurei.
– Não está nada! – Protestou. – Agora calce aqueles saltos vermelhos e você estará prontinha. – Ordenou apontando para um par de sapatos vermelhos brilhantes jogados ao lado de seu armário.
Caminhei lentamente enquanto Jen dava os toques finais em sua roupa quase igual a minha, tirando que sua camiseta era branca e seus saltos eram azuis. – Pra variar.
– Pronto? – Perguntei envergonhada ao ver o sorriso malicioso de Jen para mim. – O que foi?
– Você ta gostosa em! – Riu.
– Ai Jen que horror, você falou que nem um homem. – Disse rindo.
– Desculpe gata, não pude resistir. – Brincou ainda falando como um homem. – Mas o melhor ainda está por vir. – Anunciou e o sorriso descontraído que estava em meu rosto se desfez instantaneamente.
– Ah meu pai... vai, qual é a próxima roubada? – Perguntei temendo pela sua resposta.
– Beem, enquanto você estava no banheiro se vestindo... – Ela dizia sorridente com cara de quem aprontou. – eu fui até o quarto do meu irmão, sabe, o Steven, aquele que você namora... – Ela enrolava para falar do que se tratava e toda essa demora só fazia com que o meu coração apertasse mais. – entãão, eu achei algumas folhas de cartolina em cima da bancada dele e escrevi isso aqui nelas. – Disse me mostrando a cartolina escondida em suas costas.
– Cê ta de brincadeira né? – Exclamei perplexa com os escritos presentes naquela folha. – Jamais! De jeito NENHUM!
– Emy minha amiga. – Jen caminhou até mim e apoiou sua mão esquerda em meu ombro direito. – Eu nunca falei tão serio na minha vida. – Disse me entregando uma cartolina com os dizeres “Show de Streep tease hoje à noite no Johnny’s Bar, logo após a apresentação da banda Avenged Sevenfold às 21h”. – Ainda temos uma hora e meia, ou seja, da tempo de divulgar!
– Eu não vou fazer Streep nenhum! – Anunciei.
– Muito menos eu, mas como sabemos que só tem gente tarada nessa cidade, essa seria uma ótima maneira de divulgar a banda.
– Jen eu já disse que te odeio?
– Também te amo ruiva.
De acordo com o plano de Jen nos duas teríamos que caminhar pela cidade com os cartazes levantados para chamarmos a atenção de todos e convida-los para assistir o nosso suposto Streep após o show da banda. Mas nós também tínhamos que tomar cuidado para que os meninos não descobrissem que conseguimos uma plateia para o show deles dessa maneira, porque com certeza eles se sentiriam desacreditados em relação a sua banda. Vejo isso como um empurrãozinho para a banda.
Foi uma guerra para sair da casa de Jen, eu simplesmente estava travada! Só de pensar que eu sairia na rua com aquela pouca roupa e ainda mais com um cartaz DAQUELES as minhas pernas ficavam duras que nem pedra.
– Jen me desculpe, mas eu não consigo. – Disse parada na sala de estar.
– Não consegue o caralho, pode tratar de mover sua linda bunda ai e rebolar pra todos que passarem perto de você! – Berrou a azulada me deixando roxa de vergonha.
Jen foi me empurrando porta a fora e mal saímos da casa e já recebemos elogios de dois caras que passavam dentro de um carro. Na mesma hora senti uma vontade enorme de voltar para dentro da casa, mas Jen me impediu.
Nunca fui uma pessoa vergonhosa, mas nesse dia eu estava muito sem graça pelas roupas que eu estava vestindo. Não era só por causa do salto, ou do short ou da blusa, mas o conjunto todo em si que me deixava desconfortável.
Jen me arrastou para a porta de um bar onde haviam vários meninos da nossa idade e alguns caras mais velhos, e a única coisa boa nessa pagação de mico do caralho foram as cervejas grátis que nos pagaram. Caminhamos pelo calçadão da praia com os cartazes levantados e depois de algumas bebidas eu já estava um pouco menos tímida, mas ainda consciente de que aquilo era um mico épico.
Andando da casa de Jen até o Johnny’s Bar dava uma caminhada de vinte minutos, mas como ainda faltavam mais ou menos uma hora para que a banda tocasse, resolvemos fazer hora e chamar o máximo de pessoas possíveis para o show.
Sempre que alguém nos parava, Jen ia correndo no cara “se jogar” pra cima dele e o convidar para assistir o show dos meninos e depois o nosso, enquanto eu ficava pensando na nossa futura fama de vadias, mas tudo bem era por uma boa causa.
– Quantas horas são? – Perguntei enquanto andávamos em direção ao Bar.
– Nove e... droga! – Exclamou começando a correr me puxando pelo braço.
– Jen nós estamos de salto, nos vamos cair. – Eu corria esquisitamente e torcendo para não pregar a cara no chão a cada passo que eu dava com aquele salto agulha.
– São nove e vinte três, temos que correr ou não chegaremos lá antes das nove e quarenta. – Explicou enquanto corria segurando o cartaz.
– Mas e os cartazes? Vamos chegar lá com eles? – Falei alto para que ela pudesse ouvir e na hora a Azul parou fazendo com que eu me chocasse contra ela.
– É verdade, me da o seu ai que eu vou rasga-los e joga-los no lixo.
Corremos descalças por uns cinco minutos até chegarmos ao bar. Ofegantes e cansadas entramos pela porta dos fundos do local e pelo barulho o show dos meninos já havia começado. Adentramos pelo local rezando para que a casa não estivesse vazia, ou todo o nosso trabalho, e principalmente, a minha pagação de mico em público, teria sido em vão.
Para nossa surpresa a casa estava com um numero de pessoas considerável, muito mais cheia do que estava quando saímos. Os meninos estavam no palco enquanto várias pessoas bebiam e balançavam a cabeça no ritmo da música.
– Cara o nosso plano deu certo! – Saltitei alegre por pelo menos algum plano ter dado certo.
– Como você sabe? Vai que aquelas pessoas já tinham combinado de vir? – Jen questionou duvidosa.
– Deve ser porque a maioria do público que ta aqui é homem e a maioria é os que nos demos em cima hoje mais cedo. – Falei.
– Verdade. Olha lá aquele loirinho que te pagou uma bebida! – A Azul apontou acenando pro garoto.
– Abaixa essa mão! – Ralhei abaixando a mão de Jen.
– Por quê?
– Porque ele vai querer vir até aqui e eu não estou a fim de conversar com ele e nem posso, PORQUE TENHO UM NAMORADO! – Gritei.
– Ai ta bom. – Riu.
Atravessamos a multidão que curtia o show e caminhamos até o bar para tomarmos alguma coisa – Essa alguma coisa se resumiu a mais ou menos quatro garrafas de cerveja pra casa uma. – e depois fomos curtir o show. Jen já estava um pouco alterada, assim como eu.
– Gostosos! – A voz de Jen ecoou pelo recinto quando os garotos haviam acabado de tocar uma musica e um breve silencio havia se estabelecido. Matt nos olhou sorridente e apenas com o dedo indicador nos chamou para subir no palco.
– Vamos tocar a nossa música nova. – Matt disse se virando para os outros membros e eu sorri alegre, pois já sabia que musica era. – Quer fazer as honras? – Perguntou com seus olhos verdes brilhantes me oferecendo o seu microfone e sem hesitar tomei-lhe o microfone e dei o grito mais agudo que consegui.
Logo os riffs da guitarra de Zacky ecoaram acompanhados da bateria de Jimmy. Devolvi o microfone para Matt – Que silabou um “bom grito” e se virou para o publico.
– Caught up in this madness too blind to see, woke animal feelings in me… – A voz grave e rouca de Matt se misturou com os instrumentos e a plateia gritou animada.
Jen e eu ficamos ali no palco mesmo, dançando e rebolando. Eu já estava bem animada e nem pensava mais nas minhas atitudes, apenas curtia o som da musica envolvente interpretada pela voz potente de Matt. Jen foi para o lado de Zacky e começou a rodea-lo e dançar de frente para ele, senti a mão pesada de Matt me puxando pela cintura e cantando próximo ao meu ouvido enquanto eu remexia meus quadris.
Quando Matt me soltou comecei a dançar no palco um pouco mais atrás dele e vi que Gates se aproximava de mim com um sorriso de lado. Ao botar os meus olhos naquele sorriso tentador a minha face ruborizou, eu ainda era totalmente vulnerável ao seu charme. Seus dedos deslizavam velozmente pelo braço da guitarra, mas seus olhos ainda estavam fixos em mim, tentar ignora-lo estava se tornando uma tarefa bem difícil.
Brian caminhou parando próximo a mim enquanto eu dançava fingindo que o peso de seus olhos sobre mim não me incomodava, mas quando ele mordiscou o lábio eu me rendi e resolvi entrar na brincadeira. Rodeei o moreno deslizando a ponta do meu dedo indicador por suas costas, e parei atrás dele passando minhas mãos por cima de seus ombros e escorregando-as para o seu peitoral e arranhando-o. Lentamente arrastei meus dedos por sua nuca e entrelacei os em seus cabelos negros e os puxei, obrigando-o a tombar o pescoço para trás e pude ver o sorriso enorme estampado em seu rosto. Largue-o e comecei a dançar ao seu lado enquanto Brian me lançava alguns sorrisos. Jen dançava para Johnny agora, e o pequeno mostrava a língua para a Azul, que mandava beijos pra ele. Enquanto eu dançava em cima do palco, percebi que Steven estava no meio das pessoas me olhando com uma cara nada boa, e na hora o meu coração disparou e dispistadamente fui para o fundo dançar ao lado de Jimmy.
Descemos do palco quando a música acabou, os meninos tocaram mais quatro canções deles, depois alguns covers, mais umas canções próprias e depois encerraram o show. A plateia gritava por mais, e graças à bondade do destino a maioria dos caras que tinham ido lá para assistir o nosso suposto Streep, haviam se esquecido graças ao show.
Já era quase uma da manhã quando os garotos haviam encerrado. Jen e eu fomos para o backstage com eles para ajuda-los a guardar os instrumentos enquanto Matt pegava com o dono do estabelecimento o dinheiro combinado.
– Vamos? – Johnny perguntou cansado carregando em seus pequenos braços o seu baixo e uma das caixas da bateria de Jimmy.
– Ótimas noticias! – Matt chegou sorridente e todos nós nos viramos para ele. – O dono do bar quer que voltemos aqui semana que vem! – Comemorou e todos nós sorrimos alegremente. – Ele disse que aumentamos o movimento da casa. – Explicou. – Acho que finalmente as coisas vão engatar.
– E um dia seremos uma banda internacionalmente conhecida. – Zacky sonhou.
Matt, Jen e Zacky levaram os instrumentos para o carro enquanto eu Jimmy e Brian ficávamos vigiando. Após todos os instrumentos terem sidos guardados, quando estávamos de saída um garoto puxou o meu braço.
– E o show que você e a azulzinha prometeram? – O garoto perguntou e eu olhei para Jimmy e Brian.
– Que showzinho? – Os dois perguntaram em coro.
– E eu sei lá? Vocês não estão vendo que esse cara ta chapadão? Me ajudem gente. – Pedi e Brian me soltou do garoto que tentava vim em minha direção, mas por culpa da bebida ele mal conseguia andar.
Nessa noite não dormi em casa, eu tinha falado para minha tia que eu iria dormir na casa de Jen, porque se eu chegasse as duas e pouco da manhã em casa em plena quinta feira a mulher iria ter um chilique e nunca mais me deixaria sair.
Na semana seguinte os meninos tocaram novamente na casa e de novo Jen e eu divulgamos sua apresentação, mas dessa vez apenas distribuímos panfletos, nada de sair na rua como duas vadias. Logo os meninos começaram a ganhar uma “faminha” pela cidade e passaram a receber vários convites para tocar em casas noturnas, assim eles passaram a ganhar mais dinheiro e investir mais na banda.
(...)
Dois meses depois.
– NUMA LAVANDERIA? – Jen gritava ao telefone andando de um lado para o outro na sala de minha casa. – COMO ASSIM ELE ESTÁ MORANDO EM UMA LAVANDERIA! – Sua voz aumentava uma oitava a cada palavra dita. – EU NÃO QUERO SABER, VEM PRA CÁ AGORA! EU VOU DAR UM JEITO NISSO!
Eu a assistia espantada, eu nunca havia visto minha amiga tão nervosa em todo esse tempo de amizade. Que por coincidência, hoje fazia exatamente um ano que nos conhecemos.
Depois do show dos meninos vieram às festas de fim de ano e com isso mais bebedeira, como era bem de costume em nosso grupo. Eu não quis visitar os meus pais, mesmo eu tendo conhecido pessoas maravilhosas aqui na Califórnia, eu ainda achava inaceitável eles terem me mandado morar com a Tia Beth.
Matt e Jen já haviam assumido o seu caso, na verdade eles assumiram porque não tiveram outra escolha. Certo dia estávamos eu e Zacky sentados na sala da casa de Brian e o casal estava na cozinha, o Porpeta queria de todo jeito ir à cozinha pegar algo para comer, eu tentei impedi-lo, até gritei a Jen para que ela parasse o que fosse que ela estivesse fazendo, mas de nada adiantou, porque além de serem descobertos, Zacky ainda gritou o mais alto que pode “Vocês estão se pegando? Eu sabia!” e isso só fez com que o resto dos meninos surgissem na cozinha perguntando quem estava pegando quem.
– Jimmy está morando em uma lavanderia há quase dois meses! – Jen exclamou indignada se sentando ao meu lado no sofá.
– Por quê? – Questionei confusa.
– Porque ele disse que tinha muitos problemas com os pais e depois que ele foi expulso do colégio e desistiu de estudar ele passou a se sentir desconfortável em sua própria casa. – Explicou e eu abaixei a cabeça me sentindo culpada porque tudo começou quando ele foi expulso, por minha culpa. – Nem vem. – Jen disse percebendo o meu olhar de culpa. – Ele já tinha esse problema há séculos, de um jeito ou de outro uma hora isso iria eclodir.
– Mas mesmo assim me sinto culpada. – Murmurei.
– Tudo teria dado certo se aquela vaca da Michelle tivesse mantido o seu bico de galinha fechadinho. – Tentou me consolar. – E cadê aquele viado do Matt que não chega logo? – Exclamou socando uma das almofadas.
– O que você vai fazer?
– Vou tira-lo de lá. – Disse como se isso fosse a resposta mais obvia. – Nem que ele vá morar lá em casa, mas em uma lavanderia ele não fica. – Disse pensativa. – Acho que vou ter uma conversinha com os pais dele. – A azul disse se levantando num pulo. – Isso! Eu vou falar com os pais dele.
– Não, não, não! – Me levantei impedindo a saída de Jen. – Você vai ficar quietinha aqui, você não vai conversar com ninguém porque tenho certeza que você indo lá conversar com eles vai acabar gritando e xingando todo mundo. Fique sentadinha ai! – Ordenei obrigando-a a se sentar novamente. – Cadê esse viado do Matt que não chega logo? – Exclamei vendo que a cada segundo Jen ficava mais inquieta.
Depois de uns dez minutos, os mais longos dez minutos da minha vida, onde sofri ameaças constantes, fui xingada de tudo qualquer nome que eu nem menos sabia que existia esse tipo de xingamento e sofri algumas pequenas agressões físicas ao tentar conte-la.
Jen, sua piranha isso vai ter volta!
– CADÊ ELE? – A garota de cabelos azuis abriu as portas de vidro da lavanderia com tanta força que quase as quebrou. – JIMMY SUA VARETA VEM CÁ AGORA! – Gritou e eu e Matt nos entreolhamos agradecendo pela lavanderia estar vazia naquela hora.
– Oi Smurf. – Jimmy surgiu de trás de uma das maquinas de lavar com uma caixa amassada de sabão em pó.
– Você estava lavando roupa? – Perguntei.
– Lavando? – Riu em tom de deboche. – Eu tava era dormindo. – Gargalhou alto.
– Rev, vamos embora. – Jen o chamou. – Pega as suas roupas ai e vamos.
– Embora pra onde? Aqui é a minha casa agora. – Disse dando uns tapinhas na maquina de lavar a sua frente.
– Não cara, você não pode viver aqui. – Disse Matt.
– Eu estou morando aqui há quase dois meses, eu posso sim morar aqui. – Sorriu
– Você só está morando aqui todo esse tempo porque você, aquele viado do Gates e o gordo do Zacky esconderam isso de nos três. – A azul disse apontando para Matt e pra mim.
– Caras, eu preciso daqui, eu trabalho aqui e preciso desse emprego. – Rev explicava pausadamente vendo que Jen estava bem alterada.
– Você pode trabalhar aqui, mas amigo meu não vai morar em lavanderia nenhuma! – Jen exclamou.
– Eu não vou voltar pra casa. – Jimmy bateu o pé.
– Quem disse que você vai voltar pra casa? – Perguntei apoiando as duas mãos na cintura.
– Já combinamos tudo, você vai morar com o Gates e não aceitamos não como resposta. – Matt avisou.
Depois de muita conversa, alguns xingamentos e gritos – Esses dois últimos vindos de Jen. Quando se tratava de Jimmy ela ficava muito nervosa. – Jimmy aceitou de cara amarrada a sair daquela lavanderia e ir morar com Brian.
Nesse mesmo dia Zacky apareceu com uma Kombi antiga dizendo que ela era a nossa nova casa, sim nossa, eu também estava envolvida nessa. Como a banda já estava ficando conhecida, os garotos recebiam vários convites para tocar nas cidades vizinhas, mas eram obrigados a recusa-los por não possuírem um veículo que coubesse a banda e os instrumentos.
Perdi a conta de quantas aulas tive que matar para viajar com a banda, ou quantas vezes menti para a minha tia que ia dormir na casa da Jen para viajar. Não que eu gostasse de trocar uma boa noite de sono deitada na minha cama confortável por uma noite de sono dentro de uma Kombi fedorenta com cinco marmanjos, uma porrada de instrumentos e a Jen. Passávamos o dia todo entregando panfletos, vendendo blusas com o logo da banda e adesivos.
Mesmo com a venda dos produtos da banda, todo o nosso dinheiro acabava indo pra gasolina da Kombi e em água mineral, ou seja, não sobrava muito pra comida o que nos levava ao Zacky. Ele reclamava a noite toda que estava com fome e que não havia comido nada e Johnny ficava nervoso e falava que era bom ele não estar comendo porque assim o Zacky emagreceria.
Depois de quase um mês faltando às aulas e tirando notas baixas, minha tia descobriu que eu estava viajando com os meninos. Na verdade eles ligaram do colégio perguntando se algo havia acontecido comigo por eu estar faltando tanto às aulas, minha tia atendeu ao telefone e foi ai que a casa caiu.
A velha surtou geral! Por mais que eu tentava explicar o que estava acontecendo, a ideia de viajar por ai com cinco meninos em uma van não era bem vista por ela e por ninguém! Steven também não curtia nada a ideia, brigou comigo até não poder mais. Jen teve a brilhante ideia de tentar fazer a doida da minha tia ter uma visão melhor dos meninos chamando-os para jantar aqui em casa... eu aceitei, mas tenho a sensação de que esse jantar vai ser um total fracasso.
– Cadê ela? – Johnny entrou pela porta da frente levando em seus pequenos braços uma travessa de lasanha feita por sua mãe.
– Ta lá em cima rezando. – O respondi revirando os olhos.
– Então arrumem tudo logo antes que ela desça. – Jen ordenou tirando os sucos da geladeira e entregando para Zacky para que ele arrumasse a mesa.
– Vocês estão bem arrumadinhos em. – Elogiei os garotos que estavam todos de calça jeans e camiseta lisa.
– Você falou tanto no nosso ouvido para não usarmos as nossas roupas de roqueiros loucos que ficamos ate com medo. – Jimmy se justificou.
– O QUE ELES ESTÃO FAZENDO AQUI? – Minha tia surgiu no topo da escada.
– Tia, eles são os meus amigos. – Expliquei. – E eles...
– Eu sei quem eles são. – A velha me interrompeu. – E sei também que companhia eles não são para te fazerem matar aula.
– Você pode pelo menos dar uma chance a eles? – Pedi já sem paciência.
– É tia, trouxemos uma comida bem gostosa que a minha mãe fez. – Johnny pediu olhando-a infantilmente e a velha não resistiu ao leu olhar de cachorrinho.
Os garotos se comportaram como cavalheiros durante todo o jantar, sem fazer nenhuma bagunça ou porquiçe, como era de costume.
– Isso é uma tatuagem? – Minha tia exclamou boquiaberta ao olhar o braço de Brian, que estava sentado ao seu lado e o moreno engoliu seco.
– É sim. – Respondeu baixinho.
– Como alguém na sua idade pode ter tatuagens? Como os seus pais permitiram uma coisa dessas? – Tua Beth perguntava pasma tirando um lenço de pano do de seu bolso, mergulhando-o dentro do copo de água que estava sobre a mesa e esfregando-o no braço de Brian.
– Tia... isso não vai sair com isso. – Falei segurando o riso.
– Também acho, mas nada que uma boa bucha de aço não resolva. – A mulher levantou indo em direção à cozinha e Brian nós lançou um olhar de pedido de socorro.
– Eu falei pra você vir com uma blusa de manga comprida! – Ralhei com o moreno. – Todos os garotos estão escondendo as tatuagens, você tinha que ser o diferente. – Sussurrei para que minha tia não me ouvisse.
– Emy me ajuda! – Brian exclamou ao ver minha tia se aproximar dele com uma bucha de aço em mãos.
– Esse jantar está mais divertido do que eu imaginava. – Jimmy gargalhou com a situação embaraçosa do amigo.
– Devíamos fazer algo, não? – Matt perguntou baixinho.
– Nãão, deixa ele se virar, quero ver no que vai dar. – Zacky ria.
– Olha tia, isso ai não vai tirar a tatuagem não. – Brian se envergava para trás tentando se desviar das mãos de Tia Beth.
– É tia, bucha de aço não tira nada, tenta um ralador que eu acho que vai funcionar. – Jimmy sugeriu e todos nós caímos na risada, de menos minha tia e Brian, é obvio.
– Olha Tia Beth, foi muito legal, mas eu tenho quer ir, já está escurecendo e não é seguro andar na rua de noite. – Brian se levantou num pulo e correu até a porta enquanto todos nós nos contorcíamos de tanto rir.
– Esse aqui também tem tatuagem tia! – Johnny disse apontando para Zacky.
– Tenho não. – O gordo negou balançando a cabeça desesperado em sinal de negativo e se levantando. – Acho melhor eu ir embora com o Brian, andar por essas ruas de noite não é seguro.
– Sua tia é engraçada. – Matt disse rindo.
– Isso porque ela nunca tentou te exorcizar no meio da noite. – Bufei.
Após o jantar, Matt, Jimmy, Johnny e Jen me ajudaram a lavar as louças e arrumar a sala. Depois de ver as tatuagens de Brian ai que a minha tia não queria mesmo que eu andasse com elas, ela temia que eu virasse uma louca tatuada que nem eles.
(...)
– Vamos gravar uma demo! – Zacky exclamou pulando em cima de mim.
– Serio? – Perguntei sorridente.
– Amanhã vamos ao estúdio preparar tudo. – Matt explicou sentado no sofá da sala de Brian. Como Jimmy não morava mais na casa de seus pais, a casa de Brian era o nosso novo ponto de encontro.
– Mas isso é muito caro, como arrumaram dinheiro? – Perguntei.
– Lembra do festival de talentos? Que o premio era de cinco mil? – Jimmy perguntou e eu assenti. Como não lembrar desse maldito festival em que eu quase tive que beijar o pé de Brian? – Então, com o dinheiro do festival nós vamos pagar um estúdio para gravar a demo.
– As coisas estão mesmo funcionando para nós. – Johnny disse com os olhos brilhando.
Notas finais
Não se esqueçam de curtir http://www.facebook.com/4Fics
Fale com o autor