Come As You Are
44 Mister Superstar
Notas iniciais
(...)
Cinco meses depois.
– Se eu ver mais um cd dos meninos na minha frente eu quebro. – Reclamei me jogando na cama do quarto de Jen.
– Também cansei de distribuí-los por ai. – Confessou também se deitando na cama e eu arredei para trás para que ela coubesse na no colchão.
– Ainda não acredito que não obtemos nenhuma resposta! – Exclamei. – Já estamos há dois meses nessa!
– Matt pensou em desistir. – Disse baixinho a Azul.
– Da banda?
– É. – Assentiu com a cabeça. – Ele disse que precisa de dinheiro e que a banda não está rendendo nada e bem, Jimmy é o único que os coloca de pé, porque todos já estão desanimados. – Jen estava super triste com isso, ela havia passado quase que o dia todo conversando com Rev sobre isso. – Vou tomar um banho e já volto. – Avisou se levantando e indo para o banheiro, me deixando sozinha deitada em sua cama.
Fechei os olhos aproveitando o silêncio daquela casa para por as ideias em ordem, mas logo fui interrompida por algumas batidas na porta. Com apenas um dos olhos abertos espiei para ver quem era e me deparei com os olhos castanhos brilhantes de Steven me observando.
– O que você está fazendo? – Perguntei abrindo um enorme sorriso e me sentando na cama.
– Apenas te admirando. – Respondeu caminhando até mim e depositando um beijo em meus lábios.
– Trabalhando muito? – Perguntou olhando para a minha cara que estampava o cansaço.
– Um pouquinho. – Murmurei pegando sua mão. – Vida de empresária não é nada fácil. – Brinquei fazendo-o rir. Ste não falou mais nada, apenas se aproximou de mim me dando um beijo calmo e sereno, e eu apenas me deixei ser levada por seus movimentos. – Ste... Ste... – Interrompi o nosso beijo. – Esse é o quarto da Jen, se ela nos ver aqui com certeza vai rolar morte. – Comentei rindo ao imaginar a possível reação da Azul.
– Não seja por isso. – Ste abriu um sorriso travesso e me puxou pelo braço até o seu quarto. – Problema resolvido. – Disse trancando a porta e me jogando em sua cama.
– Precisava trancar a porta? – Perguntei arqueando uma das sobrancelhas.
– Precisava. – Sorriu passando a mão pelos seus cabelos loiros e voltando a me beijar.
Seu corpo pressionava o meu contra a cama enquanto nos beijamos, suas mãos deslizavam pela minha cintura enquanto eu puxava levemente os seus fios loiros. Seus lábios me conduziam a uma dança envolvente, sua língua marcava o tempo de cada movimento. Lentamente suas mãos foram escorregando para dentro de minha blusa percorrendo por toda extensão das minhas costas até alcançar o fecho do meu sutiã. No instante em que suas mãos tocaram no tecido da minha peça íntima, o meu corpo travou enrijecendo todos os meus músculos.
– Alguma coisa errada? – Steven perguntou ao perceber que eu não estava nada confortável.
– Hmm, Ste acho que devíamos parar aqui. – Lhe empurrei levemente para trás. – Jen está ali do outro lado e a qualquer segundo ela vai me procurar. – Disse dando uma desculpa qualquer e saindo do quarto, deixando o meu namorado confuso.
Não sei exatamente o porquê mas e eu não me sentia nada confortável nessas situações com o Steven, eu gosto muito dele, mas não sei o que tem de errado comigo.
– Onde você estava? – Jen apareceu na porta de seu quarto.
– Eu... eu fui lá em baixo tomar um gole de água. – Sorri e ela me olhou de cima a baixo.
– E no meio do caminho você encontrou um furacão que te descabelou toda? – Perguntou cruzando os braços com um sorriso de lado. – Ah e deixe eu adivinhar, esse furacão se chamava Steven! – Riu.
– Ok Jen eu entendi. – Passei por ela lhe dando um tapa enquanto ela me olhava sorrindo. – E tira essa merda de sorriso do rosto. – Ordenei lhe jogando uma almofada.
(...)
Algumas semanas depois.
Meu relacionamento com Steven havia esfriado totalmente depois daquele dia, eu também não tinha mais tempo para vê-lo e quando eu o via era por apenas um minuto ou menos, provavelmente muito menos.
Jen e eu tínhamos tirado todo o nosso tempo para ajudar os meninos, realmente estávamos dando duro nisso. Toda semana eles tinham pelo menos três apresentações no mínimo em casas noturnas, o que tomava praticamente toda a nossa tarde, a nossa noite inteira e boa parte da nossa madrugada. Suas demos foram enviadas a todas as gravadoras da Califórnia, mas nenhuma tinha se interessado pelo material oferecido pelos meninos, o que nos deixava mais pra baixo.
Alguns dias depois recebemos a noticia que o Sr. Brian Haner pai conseguira um contrato pros meninos com uma gravadora, na hora ficamos estáticos, sem acreditar se de fato aquilo era verdade, mas quando o homem mostrou as folhas do contrato eu juro que pude ver lágrimas de emoção nos olhos dos meninos.
Daí pra frente a coisa foi meio surreal, de fato todos nós desejávamos o sucesso da banda, mas quando eles finalmente entraram estúdio para lançar o álbum ainda achávamos que tudo aquilo não se passava de um sonho. Sonhávamos tanto com isso que era difícil de acreditar que esse sonho se realizou.
Demorou quase quatro meses para o álbum ser lançado, os meninos trabalhavam duro compondo as letras das musicas, ajeitando alguns arranjos aqui e ali, Jen e eu acompanhávamos tudo de perto, sempre dando palpites quando os garotos pediam. O engraçado era que os meninos não se preocupavam com a aceitação da gravadora em relação às músicas que eles compunham, mas sim com a minha aprovação e com a de Jen. A banda queria fazer sucesso, mas eles queriam principalmente cantar e escrever músicas que agradassem a eles e aos seus amigos e as pessoas que iriam ouvir.
– Sabe qual é a melhor parte disso tudo? – Confessei erguendo o meu copo no meio da pequena comemoração que fizemos após o lançamento do primeiro álbum do Avenged. – Eu não tenho mais que trabalhar todos os dias de baixo do sol escaldante da Califórnia distribuindo panfletos da banda. – Confessei aliviada sentada no jardim da casa de Matt.
– Peguei até um bronzeado de tanto que fiquei de baixo desse sol escaldante. – A Azul disse levantando a manga de sua camiseta e mostrando a marca de sol que tinha no braço.
– Ta negona em Jen. – Jimmy brincou.
– Estou da cor do pecado agora. – Gargalhou.
O que parecia inacreditável se tornou mais inacreditável ainda. Passamos quase um ano e meio divulgando a banda sem obter nenhuma resposta de gravadora alguma, mas quando álbum que os meninos intitularam de “Sounding The Seventh Trumpet” foi lançado, mais cem mil cópias foram vendidas em menos de um mês de lançamento.
Era difícil acompanhar o sucesso estrondoso que a banda fez. Alguns dizem que foi sorte, mas eu seu que tudo isso foi mais que merecido, eles correram tanto atrás, se dedicaram tanto, e com o talento que eles têm, era apenas uma questão de tempo.
De repente vários fãs surgiram de todos os cantos daquela pequena cidade, e era fácil perceber o brilho no olhar dos garotos quando alguém pedia para tirar foto com eles.
(...)
Meu relacionamento com o Steven não estava mais as mil maravilhas, demos uma esfriada mas depois ele se esforçou tanto para se aproximar de mim que consegui algum tempo para sair com ele, irmos ao cinema, tomar sorvete e essas coisas que namorados fazem. Mas às vezes ele tentava avançar no relacionamento comigo e eu até tentava, mas chegava num momento que eu travava e isso era chato pra ele. Ste nunca reclamou de nada, mas dava pra ver que ele ficava chateado. Mas depois que ele começou a ter mais trabalhos na faculdade as coisas ficaram mais difíceis para nós.
– Estou a três dias tentando falar com você. – Steven disse um pouco alterado enquanto eu me sentava no sofá de sua casa.
– Me desculpe. – Murmurei. – Minha vida está uma correria por causa da...
– Da banda. – Me interrompeu se sentando ao meu lado. – Eu sei, a banda anda tomando o seu tempo. Anda tomando tanto que você está quase sendo reprovada no colégio, eu sei disso. – Disse se sentando ao meu lado.
– Ai Steven você está parecendo o meu pai. – Bufei. – E como eu disse pra ele, vou te dizer também. ESCOLA NÃO É PRA MIM! E eu também estou no ultimo ano, calma. – Disse lhe dando um selinho.
– Eu tenho uma coisa pra te falar. – Disse firme e eu o olhei séria. – Eu sei que estamos namorando há muito tempo... e... acho que nos acomodamos a essa situação.
– Qual é o nome dela Steven? – Joguei verde.
– Que? Não! Não tem ninguém! – Ele afirmou. – Ninguém mesmo, eu juro. – Reafirmou.
– Então não tem ninguém que você esteja interessado? – Questionei cruzando os braços.
– N-não. – Gaguejou.
– Ok Ste, você está livre para ela. – Disse me levantando, mas ele me segurou pelo braço.
– Você está com raiva? Claro que você está com raiva. Emy não tem ninguém, eu te juro.
– Não, eu não estou com raiva. – Respondi cabisbaixa. – Só quero ir embora. – Eu já não sabia o que se passava comigo. Eu gostava do Steven, mas nunca morri de amores por ele, mas a ideia de perdê-lo me entristecia.
– Emy olha pra mim, por favor. – Pediu virando delicadamente o meu rosto para que eu o olhasse. – Eu ainda te amo, mas não sei o que está acontecendo entre nós, e é preferível que tudo termine antes que nos magoemos um ao outro. – Disse calmamente com o olhar entristecido.
– Talvez isso seja o melhor a se fazer mesmo. – Murmurei recebendo um abraço seu.
– Você é bom demais pra mim. – Confessei o abraçando forte e Steven riu.
– Pare de falar besteira. – Disse depositando um beijo em minha testa.
O sol já estava se pondo e resolvi ir para casa, mas decidi ir pelo caminho mais longo e passar pela praia, onde tudo havia começado. Eu estava chateada por ter terminado com o Ste, mas também me sentia livre por não ficar devendo satisfações para ninguém. Me sentei na areia sorridente, podia parecer que não, mas eu estava triste, mas mesmo assim eu sorria.
Após alguns minutos me levantei para caminhar pela beirada da praia em direção a minha casa, e levando os meus tênis nas mãos andei descalça deixando que a água fria do mar molhasse meus pés. Mas como o que é bom dura pouco o meu momento de paz e tranquilidade logo foi interrompido pelo som estridente do meu celular.
– Alô?
– Cadê você sua vadia? – Jen gritava do outro lado da linha.
– Andando na praia, o que foi?
– Os meninos vão entrar em turnê semana que vem. – Disse desanimada.
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