Come An' Get It
18 Wake up, search it, poke it
Notas iniciais
Amanhecia e o ruivo abriu os olhos, fitando o teto acima de si e desviando os olhos para o ambiente em seguida; as cortinas cor de carmim, abajures bege e um grande armário com espelho nas portas lhe mostravam ambiente pouco familiar. Sentado na cama, olhando para sua própria figura nos espelhos à sua frente, viu que o lugar na cama ao seu lado estava vago.
Levantou-se e foi em direção nenhuma, chegando por acidente à cozinha onde também não havia ninguém. Se lembrava muito bem o que havia acontecido na noite passada, então se sentou à mesa e esperou até que a bela morena de cabelos curtos saísse do banheiro secando seus cabelos após um banho.
– Achei que tivesse me largado aqui.
– Não faria isso, Renji. Até porque estamos na minha casa.
– Eu sei, eu sei. Almoça comigo, Jackie?
A moça que não se separava de suas botas pretas até o joelho apenas assentiu. Aquele era um ruivo muito interessante.
Em outro lugar do Japão, um outro ruivo de cabelos bem mais claros acordava em ambiente totalmente familiar — seu próprio apartamento — e ficou apenas olhando para o teto por vários e vários minutos, sem conseguir acreditar direito no que havia acontecido. Tentava recapitular os acontecimentos mas era tudo extremamente surreal. Virou a cabeça e encontrou Rukia dormindo tranquilamente, soltou uma risada.
– Nem parece o demônio que vira quando está acordada.
Levantou-se e foi até o banheiro, a fim de passar uma água nos cabelos totalmente desgrenhados e viu incontáveis marcas roxas e avermelhadas que iam do seu pescoço até o peitoral nu. Xingou qualquer coisa, molhou as madeixas e escovou os dentes.
Na cozinha, reuniu na pequena bancada de mármore tudo o que ele julgava ser da categoria "Café da Manhã" e colocou o pó do café na cafeteira. Sabia que Rukia iria acordar sedenta pelo líquido doce e escuro.
Feito isso, viu o celular da morena jogado no sofá e desligou o aparelho. "Como prometido", ele pensou. Foi até a cama e ficou por cima da morena, apoiado pelos braços e joelhos.
– Bom dia! — disse beijando o rosto dela, temendo o pior.
Rukia acordou meio no susto, pela voz familiar e grave que lhe despertara e os beijos em sua face, além do peso da presença sobre si. Ao ver o ruivo fitando-a com aqueles olhos amendoados, apenas se permitiu sorrir sonolenta.
– Bom dia, Ichigo.
– Uau! Nenhum soco, nenhuma resistência? O que você fez com a Rukia, hein?
– Cala essa boca. Foram as drogas que você me deu.
– Vai ficar falando isso até quando, hein? — a morena apenas sorriu, fez menção em levantar e deu um beijo no ruivo. — Fiz o café.
Rukia colocou uma camiseta do ruivo — que julgava mil vezes mais confortável que seu vestido da noite anterior, por ser mais largo — que lhe tampava só a calcinha rosa-chá que usava enquanto Ichigo terminava de arrumar as coisas na cozinha. Sentou-se na bancada.
– Desde quando tirar coisas do armário e colocar aqui em cima é fazer café?
– Desgraçada. O café eu fiz, olha aqui! — o ruivo se sentava ao lado dela, pegando a garrafa térmica com o líquido dentro e balançando, perto de seu próprio rosto; recebeu um olhar de desconfiança da morena. — Ok, eu tenho uma cafeteira...
– Sabia. — Rukia disse sorrindo de canto. — Ainda falta muita coisa pra arrumar por aqui, hein. Nem tirou as coisas da caixa quando vieram da loja.
– É.. estou esperando minha mãe vir me ajudar essa semana. — ele coçou a cabeça de forma nervosa. Odiava mudanças.
– Como estão todos?
– Bem, bem.. a Karin vai começar a fazer a faculdade de educação física dela.
– E a Yuzu? — ela disse olhando para os biscoitinhos que comia com vontade.
– Vai fazer Física.
– O q-? Coitada..
– Nem me fala. Byakuya e Hisana estão no mesmo lugar também?
– Sim. Outro dia vieram para Tóquio, jantaram comigo e tudo o mais. Nada de importante acontecendo. — o ruivo quase cuspiu o que tomava quando escutou Rukia dar um grito — Ah! Você está sabendo do Chad???
– Qual parte?
– Que ele vai se casar!!
– Ah sim, to sabendo. Ele disse que ia te ligar.
– Pra quê?
– Te convidar para ser madrinha, ou algo assim. Ele vai fazer o casamento ocidental.
– Jura? Mas eu nem sei quem é a moça!
– Claro que sabe, Rukia! A Isane! Kotetsu Isane!
– Kotetsu? Será que é a irmã da Kiyone?
– Sei lá minha filha! Vi ela uma vez na vida, ela estudava com o Ishida antigamente. É tudo o que sei dela.
– Entendi. Ué, mas o Chad não te convidou para ser padrinho?
– Convidou, sim. — Ichigo se levantou e começou a arrumar as coisas que comeram, voltando para o armário e um isopor que estava funcionando como sua "geladeira" até a nova chegar. — Ele ia te ligar pra te convencer a ser madrinha comigo, na verdade.
– Ah sim. Ei, não tira a minha xícara! — Rukia deu um tapa na mão do ruivo quando este iria pegar o recipiente. — Vou tomar mais.
– Você realmente é viciada em café ainda, não é. Tomar demais faz mal.
– Vai cagar, Sr. Medicina! E eu não sou viciada em café coisa alguma!
– Nossa! Vi a imagem do Byakuya agora falando que não é viciado em café enquanto toma três litros de café!
Rukia apenas estalou a língua. Iriam para sua casa, onde poderiam almoçar em paz sem aquela desordem da mudança de Ichigo que perduraria até Masaki dar uma ajuda ao filho mais velho. A baixinha não sabia exatamente o que estava fazendo e nem porquê, mas se permitia, pelo menos inconscientemente, achar que a companhia do Kurosaki era extremamente agradável naquele momento. Era como há seis anos...
~.~.~.~
– Ô marinheiro, ô marinheiro... nananana... ô quem te ensinou a nadar , nananan.. ou foi o nanan do navio.. ou foi nanana do mar! Lá vem, lá v- Opa! Desculpa!
Orihime andava cantarolando do Cemitério de Karakura até a sua casa quando, passando em frente à padaria que trabalhara no Ensino Médio, esbarrou em alguém que era muito, muito familiar. A pele branca e os cabelos negros; os inconfundíveis olhos esmeraldinos que transbordavam dúvida e melancolia. Pediu desculpas mas só depois observara que era em Ulquiorra que havia topado pela rua.
– Não deveria andar tão destraída assim. É perigoso.
– D-Desculpa.. estava tentando me acalmar, já que vim do cemitério e.. bem, o que faz por aqui? — o homem pegou as sacolas plásticas que Orihime levava antes as flores para sua família sem perguntar nada e começaram uma caminhada.
– Achei que encontraria uma pessoa naquela padaria, mas parece que já parou de trabalhar ali faz tempo.
– Jura? Eu trabalhava lá! — Ulquiorra deu um pulo discreto pelo tom de voz da ruiva.
– Há quanto tempo?
– Faz alguns anos.. foi no Ensino Médio, então, saí há cinco!
– Cinco anos? Então você conheceu alguém chamado Ichimaru Gin?
– Hm... acho que sim. Ele tinha um olhar estranho, me dava medo..
– Entendi. Se souber onde posso encontrá-lo.. é algo bem importante. — o moreno se viu surpreso ao ver que Orihime não fez menção a perguntar o que seria a coisa tão importante, se incomodou um pouco. Ela sempre se mostrava eufórica e invasiva, perguntando sobre tudo o que podia de sua vida... achou que fosse apropriado contar-lhe logo. — Estou procurando meu pai. Sei que Ichimaru o conheceu.
Inoue ficou surpresa pela revelação. Então, quando há alguns dias dissera que não tinha família, era porque estava procurando pela mesma? Se sentiu feliz ao ver que havia conseguido a confiança do Schiffer que se mostrava evasivo a qualquer pergunta que fizesse, como se sua comida favorita ou ídolo na adolescência fossem segredos de estado. Deu um sorriso e lhe desejou sorte, dizendo que iria ajudar no que pudesse para que ele encontrasse aquela pessoa.
Ao chegar em casa se despedindo de Ulquiorra que saiu sem rumo naquela manhã ensolarada de domingo, deicidiu ligar para a Kuchiki. Sabia que ela acordava todos os domingos mais cedo para organizar a semana e poder ficar o resto do dia sem fazer nada, a rotina da amiga era certa. Ao ligar, viu que o seu telefone estava desligado.
– Ué.. a Kuchiki-san tem pavor de ficar sem o celular! Será que aconteceu alguma coisa? — Inoue pensou se poderia haver alguém em Tóquio que poderia estar com a morena naquele horário. Poderiam ser seus pais, mas se não fossem, preocuparia o casal Kuchiki a respeito da única filha para nada. Após muito relutar, resolveu ater-se ao seu último — e mais improvável — fio de esperança: Kurosaki Ichigo.
Chamou duas vezes e ela deu um sorriso exagerado quando escutou a voz do outro lado da linha dizendo "alô".
– Kuchiki-san?????
– Inoue.. o Ichigo foi ali e..– Rukia estava olhando seus armários para ver o que faria para o almoço, enquanto Ichigo foi no banheiro.
– É com você mesmo que quero falar!! Já vi que tem muito o que me contar, não é? O que está fazendo com o Kurosaki-kun a essa hora e com o celular desligado?
– D-Desligado? Merda, ele realmente desligou e eu não percebi.. só joguei na bolsa e..– ela praguejou baixinho, enquanto Inoue escutava se deliciando com a notícia.
– Responde, Kuchiki-san!!
– Passamosanoitejuntos... — Rukia estava um pouco tensa. Dizer em voz alta para Inoue a fazia avaliar sua situação e acabara percebendo a mudança drástica que sofrera de uma noite para o dia.
– SÉRIO? Vocês voltaram??
– N-Não exatamente... sabe como é, estamos só.. conversando... sobre isso.
– Sei, sei. Lembra que te disse sobre o Ulquiorra?
– Ulqui.. Ulquiorra.. sei! Sei, lembro. O que que tem?
– Estamos mais próximos! Ele está contando coisas da vida dele, disse que está procurando pelo pai.
– Só quero ver..
– Ah, o convite do casamento do Sado-kun não chegou mas ele me ligou ontem, nós seremos madrinhas!
– Tô sabendo.. o Ichigo acabou me falando hoje.
– Vai treinando a entrar na Igreja com o Kurosaki-kun então! hahahahahha!
Inoue, como sempre, soltava uma bomba na mão da Kuchiki e desligava logo após, apenas para deixá-la irritada. Não fazia o tipo pentelha como era a própria Kuchiki e até o Kurosaki, mas era algo que mantinha como mania. Vendo a relação de discussões que o casal de amigos mantinha, também sentia vontade de poder ter uma relação tão leve como aquela. Leve.. o que será que Ulquiorra carregava na memória? Teria paciência e iria até o fim para descobrir.
Fale com o autor