Come An' Get It
19 Beginning of the End
Notas iniciais
Segunda-feira, dia de trabalhar mais. Para ela, cada dia da semana tinha um lugar em sua vida. Na segunda, ficava até mais tarde no escritório e adiantava o máximo de
trabalho que podia. Na terça fazia o mesmo, mas reservava quinze minutos a mais no seu almoço para pagar contas.
Na quarta, saía no horário normal (as cinco), ligava para seus pais em casa e olhava o que estivesse faltando na dispensa. Na quinta, ao acordar, Hinamori teria pego a lista que fizera na noite anterior e feito compras, deixando o café pronto.
Quando chegasse a sexta-feira, as vezes ia para Karakura, ou saía com Rangiku e Neliel se estas estiverem em Tóquio. Sábado trabalhava o dia todo em casa pela tarde
e a noite tomava um whisky ou um bom vinho, hábitos de seu pai. E no domingo, não faria absolutamente nada. Não faria, se não tivesse um ruivo ao seu encalço o dia todo.
Almoçaram em sua casa de modo tranquilo e Ichigo foi para casa a noite, já devia ser nove ou dez. Passaram um ótimo tempo juntos, certamente repetiriam tudo
aquilo. Sabia que o ruivo procuraria naquele dia a universidade e o consulado para regularizar sua situação como médico no Japão.
Lembrou-se de Orihime falando do tal Ichimaru que trabalhava na padaria na mesma época que a amiga. Tinha quase certeza que alguém o conhecia e saberia onde
encontrá-lo. Ligaria para ela mais tarde.
~x~x~x~
– Daqui a dois meses vou a Karakura, gostaria que fosse comigo. — eles almoçavam no restaurante da universidade enquanto Renji se perguntava como nunca
encontrara tão singular professora por ali.
Ok, eles eram de departamentos completamente diferentes já que ela dava aulas de Química para as Engenharias, enquanto ele dava aulas da ~magnífica~ História da Arte. Mas ainda assim, Renji desejava tê-la conhecido antes.
– Entendo... bem, não sei.. não quero estar apressando as coisas.
– Você só vai conhecer meus amigos, não é apressar nada.
– Vai que eu chego lá e tem um casamento me esperando ?
– Na verdade, tem sim. — Renji disse enquanto dava mais uma garfada na boca. Olhou para Jackie que estava atônita. — Mas, ah! Não é seu, é do Chad.
Ambos riram. Seus amigos definitivamente tinham que conhecer aquela mulher!
~x~x~x~
– Vi a vaca da Orihime esses dias pela rua. Estava com um cara de olhos verdes. Não parecia ser daqui. — Menoly falava com sua amiga rósea ao telefone, esticada no
sofá enquanto olhava para a televisão muda.
– Sério? E a anã? Voltou mesmo pra Tóquio, né?!
– Sim, mas o Ichigo foi junto.
– J-J-Junto?! Menoly, porque não me disse antes?
– Riruka, querida, você ainda está com isso na cabeça? Por favor, já fazem anos!
– Não, amiga.. eu não consigo esquecer o Ichigo! Toda vez que vejo as fotos que tirei com ele no dia do baile.. eu poderia ter feito qualquer coisa com aquele corpo
lindo! Como eu era burra!
– Você só tirou as fotos?
– Sim!
– Não fez mais nada? Não tirou nem uma casquinha? — Menoly segurava para não rir.
– Não! — a eterna garota ameaçou chorar ao lembrar-se que poderia ter se aproveitado do ruivo. — Noly, ele nem quis olhar para minha cara depois! Achei que ele se sentiria culpado, ou algo assim... dessa vez tem que dar certo! Vou rastreá-lo, vou atrás dele!
– O-O-Oi?? Riruka, esquece isso de uma vez, por favor! Você tem vários homens aqui em Karakura aos seus pés e vai correr atrás daquele...
– Nem ouse falar mal do Ichigo! Eu vou atrás dele e faço qualquer coisa para.. para ser dele! Pelo menos uma vez!
~x~x~x~
Algumas semanas mais tarde, cidade de Karakura.
Riruka esperou pacientemente até que Ichigo fosse a Karakura novamente, seguindo conselhos que recebeu de Loly. Menoly não concordava nem com o início do plano, mas resolveu abster-se. Sabia que seria pior brigar com a Dokugamine naquele momento.
Faltavam duas semanas para o casamento de Chad e os seus amigos — incluindo o próprio Chad e sua noiva — foram para Karakura para ajudar nas últimas preparações para o casamento, e reencontrar-se.
Rukia e Ichigo estavam relativamente bem. O ruivo estava cada vez menos com tempo para saírem e ela menos ainda. Ossos do ofício. De qualquer forma,
aproveitariam para abstrair dos seus compromissos na capital e visitariam suas famílias.
Era sexta-feira e eles chegavam na cidade litorânea, vendo o mesmo mar e o mesmo
pôr-do-sol de sempre, que avisava o ar de familiaridade e nostalgia.
– Onde você vai ficar? — ele perguntou olhando para a moça que dirigia.
– Nos meus pais, ué. Não sei se você se lembra, mas — ela tirou a mão esquerda do volante e passou a marcha — eu morava aqui também.
– Achei que iria ficar na Inoue.. sei lá.
– Renji já vai pra lá, ela disse que ele vai trazer uma mulher.
– Sei. Mas e agora, você vai direto pra casa?
– Vou te levar na sua primeiro, ué.
– Mas você vai entrar, né? Minha mãe quer te ver, você não pôde ir lá em casa quando ela foi em Tóquio.
– Sim, podemos. — ela ficou calada por um instante, mas algo veio a mente. — O que você disse pra sua mãe?
– Que nós estamos bem... que nos acertamos.
– Ichigo.
– Oi?
– Ela está achando que nós voltamos a namorar, não está?
– Não voltamos? — Rukia parou o carro, graças ao primeiro sinal que pegavam já dentro da cidade, e então olhou para o ruivo. — Não?
– Não sei, Ichigo. Não sei. — o ruivo estremeceu. As últimas seis semanas — e contando — desde que dormiram juntos haviam sido ótimas, mesmo que não se
encontrassem com tanta frequência. Achava que ela sentia o mesmo. — O que é essa cara, hein? — ela voltou a olhar para frente quando deu partida.
– Eu.. eu achava que você estava sentindo a mesma coisa que eu. — Rukia o olhou de relance — Só isso.
– E eu sinto, pangaré. Só me avise quando tomar esse tipo de decisão. Agora vamos ter que ir na casa dos meus pais também.
– O qu- eu não vou olhar pra cara do Byakuya! Ele vai me matar, você tá louca?
– Eles acreditaram em você muito antes de mim, ok. Meu pai fez propaganda de você. — Ichigo diria alguma coisa, mas ela foi mais rápida — Chegamos.
Ela saiu do carro quando Ichigo a puxou e deu-lhe um beijo estalado, apenas porque quis. Recebeu dela um sorriso cúmplice.
Entraram na casa dos Kurosaki e logo encontraram os pais do ruivo, sentados no sofá assistindo a televisão.
– Ichigo!!!!!!!!!!! Você e a Rukia-chan!!!!!!!!!! Que lindos, Masaki, veja que lindos!!!!! Vocês cresceram tanto!!!!
A senhora Kurosaki não disse nada, apesar sorriu para ambos e cumprimentou de forma pouco menos exagerada que o patriarca, enquanto as duas irmãs menores do
ruivo desciam para cumprimentá-los.
Karin era uma jovem bem formada e de músculos definidos pelos esportes e academia, apesar de continuar com seus traços delicados e seus cabelos pretos escorridos até os ombros. Yuzu se mostrava bem mais frágil que a irmã gêmea, havia deixado os cabelos crescerem até o meio das costas, formando algumas ondas cor de caramelo bonitas como de sua mãe.
Ichigo deixou suas malas em sua casa e foi junto com Rukia em direção aos Kuchiki. Lá, tomaram o tradicional chá japonês apenas na presença de Hisana, já que
Byakuya saíra para o alívio de Ichigo. Já era noite quando eles se sentaram em um banco de madeira na varanda da casa dela, contemplando a velha casa do coelhinho que o ruivo comprara há muitos anos atrás.
– Achei que tinha tacado fogo nisso.
– Não, minha mãe não deixou. Ela teve mais um coelho depois do Ichigo-o-coelho.
– Você parou com essas coisas? — ele perguntou e logo após olhou para sua companhia, que usava um pequeno cordão em formato de coelho — Nem precisa responder. – Ela riu de leve.
– Não está com uma sensação estranha, Ichigo? — o ruivo acenou de forma negativa — Tenho a sensação de alguém estar me observando.
– Sou eu. — ele passou o braço pelos ombros dela, a fazendo deitar-se levemente em seu peito. — Não tem nada, larga de ser paranoica.
~~x~x~x~x~x~
Sábado a noite. Estavam na mesa Renji e Jackie, Chad e sua noiva Isane (que realmente era irmã da secretária de Rukia, para a surpresa da baixinha), Ichigo e Rukia e
Inoue com o distraído Ulquiorra. Conversavam animadamente sob os olhares atentos de Loly, Menoly e Riruka, que esperava a hora certa para falar com o Kurosaki. Para sua
infelicidade, a mesa estava cheia de inimizades, seria bem mais difícil. Mas viu o momento certo chegar quando o ruivo foi ao banheiro.
A Dokugamine passou praticamente despercebida pelo grupo que já tinha tomado bastante álcool e principalmente porque havia se vestido de forma diferente aquela
noite. Ao invés de botas com um vestido curto e maria-chiquinhas no cabelo, ela deicidiu deixá-lo solto e usava um vestido decotado com salto, o que a deixava praticamente
irreconhecível. Entrou no banheiro masculino e recostou-se na pia, olhando para o ruivo que estava de costas para si. As roupas apertadas que usava deixavam seus músculos
aparentarem ainda mais definidos. O ruivo levou um susto quando viu que estava sozinho com a mulher no banheiro.
– O que você está fazendo aqui? — ele disse fechando o zíper de sua calça.
– Vim te ver. Você não veio me visitar mais... — ela disse fazendo bico.
– Deve ser porque não tenho nada pra falar com você, não é mesmo? — Ichigo deixou de lavar as mãos e foi diretamente para a porta, mas foi surpreendido pela garota
que pulou em suas costas e colocou um pano de cheiro forte no seu rosto. Deveria ter percebido que ela estava com as mãos para trás e embaixo da pia por alguém motivo..
devia ter.. percebido.
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