Come An' Get It
20 Epílogo - End of the Beginning
Notas iniciais
– Vim te ver. Você não veio me visitar mais... — ela disse fazendo bico.
– Deve ser porque não tenho nada pra falar com você, não é mesmo? — Ichigo deixou de lavar as mãos e foi diretamente para a porta, mas foi surpreendido pela garota que pulou em suas costas e colocou um pano de cheiro forte no seu rosto. Deveria ter percebido que ela estava com as mãos para trás e embaixo da pia por alguém motivo.. devia ter.. percebido.
~x~x~x~
– O Ichigo está demorando pra cacete. Onde ele foi, Rukia?
– No banheiro, você está falando tanto que ele deve ter fugido pela janela, seu chato! — a morena ria na cara do Renji. Olhou de soslaio para Jackie que acompanhava o amigo e viu que ela também segurava um risinho.
– Certo, certo. Vou ver o que ele está fazendo.
Renji se levantou e seguiu para o banheiro do bar em que estavam. Nada escutou a não ser gemidos femininos vindos de uma das duas cabines.
– Hmmm.. Ichigo... Ich-Ichigo!!
Ele parou por um instante. Conhecia aquela voz e dificilmente teria um outro Ichigo nos arredores. Parando para pensar, o que uma mulher estava fazendo ali? Delicadamente, trancou a porta principal do lugar, como precaução para que ninguém entrasse — o bar não estava tão cheio, não teria tantos problemas e pôs-se a ouvir.
De repente, por debaixo da porta de um dos cubículos, viu as pernas de uma moça, como se estivesse ajoelhada. Ela ainda gemia sem escrúpulos. Abriu a torneira para fazer barulho.
– Q-Quem está aí? — a voz esbravejou. — Estamos em um momento íntimo, pode nos dar licenç-
Ele imediatamente soube. Aquela vozinha irritante e melada da garota que mantinha os cabelos cor-de-rosa desde o final do ensino fundamental: Dokugamine Riruka. Mal esperou a moça terminar de falar e meteu o pé na porta, arrombando-a.
Os amigos na mesa escutaram um barulho, como se fosse algo caindo, mas ignoraram.
– Eles costumam demorar tanto assim? — Jackie cochichou para Rukia.
– Não. Vamos esperar um pouco, devem estar só fofocando. — ela deu um sorriso nervoso. Ichigo odiava quem demorava no banheiro, o que estava fazendo lá?
Dentro do toalete, o ruivo avermelhado deu de cara com Riruka — um pouco diferente, porém Riruka — com os seios de fora e Ichigo desmaiado, sentado no vaso sanitário de estilo ocidental com a tampa abaixada e completamente nu.
– Que porra é essa, Ichigo? — Renji não acreditava que aquilo havia acontecido de novo e nem se ligou da falta de lucidez do amigo. — E que porra é essa, Riruka?
– O que foi, também quer participar? — ela se insinuou, ainda com o peito desnudo. — Estamos apenas nos divertindo.
Abarai deu uma boa olhada na situação novamente. Ichigo não se mexia nem por um segundo, e pelos barulhos que escutara ao entrar no recinto, imaginava que pelo menos houvesse uma ereção. Segurou Riruka pelo pulso.
– O que você fez com ele, Riruka?
– Renji? Ichigo!? Porque vocês estão trancados? — Renji escutou a voz da amiga baixinha que batia na porta e viu Riruka se contorcendo em um sorriso macabro.
– Não vai responder? — ela disse chochiando e o ruivo ponderou se deveria. Poderia acalmar a amiga, ou qualquer coisa do gênero. Quando abriu a boca para gritar o que fosse para fazer Rukia parar de bater na porta, sentiu uma dor intensa nos ombros e desmaiou.
Riruka destrancou a porta e saiu, ajeitando sua roupa e passando o dedo polegar no canto da boca, como se denunciasse algo que acabara de fazer. Rukia olhou rapidamente para ela com raiva e entrou correndo, se arrependendo em seguida.
Viu o amigo caído no chão e andando mais um pouco, Ichigo pelado no vaso. Até poderia ter encriminado Riruka se o ''namorado'' não tivesse acordado bem na hora, sob seu olhar.
– Rukia? O que aconteceu aqui?
– Não fala nada. Se você disser alguma coisa, eu juro que você vai se arrepender.
Ela não poderia acreditar. Mais uma vez a situação em que Riruka tomava o que tinha, seduzia o Kurosaki e o fazia... fazer aquilo. Saiu correndo, fazendo os dois garçons do lugar e mais todos os seus amigos que esperavam na mesa se levantarem e verem novamente a mesma cena que vira.
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O dia do casamento de Chad e Isane chegara. Todos estavam ansiosos para o que aconteceria, já que poucas pessoas haviam presenciado um casamento ocidental antes, mas um certo ruivo estava ainda mais. Tentara de todas as formas fazer com que Rukia falasse com ele e até fora ao escritório onde a mesma trabalhava. Tiveram uma conversa extremamente frustrante e ele ainda teria que entrar de braços dados a ela no salão onde aconteceria o a cerimônia.
– Rukia, você não viu que eu estava, por um acaso, desmaiado?
– Quando eu cheguei você já estava acordando.. mas esse não é o problema, Ichigo!
– Qual é a porra do problema então?! Você sabe que eu fui dopado, não é? Nós fomos até a delegacia, ainda essa semana saem os resultados! Além diss-
– O problema, Ichigo, é que eu não quero passar por isso toda vez. Não quero viver me escondendo daquela maluca para poder ficar com você! Eu simplesmente não vou conseguir! Você sabe!
– Você vai só fazer o que ela quer.. — Rukia, que olhava no fundo dos olhos do Kurosaki por detrás da sua mesa de trabalho, os viu marejando e escutou ainda uma leve mudança na voz de sua companhia. — por favor, não deixa a Riruka estragar o que nós planejamos de novo... por favor, Rukia!
Ela nada dissera. Apenas se sentou abruptamente em sua cadeira grande demais para seu tamanho e ficou por minutos fitando seus próprios joelhos tapados pela meia-calça. Ichigo foi embora sem nenhuma resposta. E aquele seria o dia em que eles se reencontrariam.
Ele havia escutado Inoue falar que Riruka havia sido presa logo após a constatação de que ela teria usado clorofórmio para abusar sexualmente do ruivo. Renji não teve maiores problemas com Jackie, que não era tão complicada quanto Rukia. Este disse que tentaria fazer a sua ''namorada'' conversar com a baixinha, mas todos sabiam o quão difícil era. Ichigo teria que bolar um plano novamente, e rápido.
No local da cerimônia, os padrinhos ajeitavam tudo de forma a deixar o dia dos noivos o mais confortável possível. Rukia olhava pela última vez o cenário da cerimônia e iria se arrumar, até que foi abordada por Ulquiorra.
– Você indicou aquela mulher a me procurar? — ela demorou um pouco a perceber de que mulher ele estava falando, mas Inoue já havia dito o quão discreto era.
– S-Sim. Inoue me disse sobre sua procura ao Ichimaru. Quem diria que ele estava tão perto, não é mesmo?
– É verdade. De fato, não imaginaria que ele é um affair de Matsumoto Rangiku. Foi uma surpresa.
– Entendo.. então, o Ichimaru conheceu mesmo quem você estava procurando?
– Sim. Infelizmente meu pai morreu há alguns anos, de um enfarte. Ele era bem mais velho do que a minha mãe. — como se houvesse um estalo, ele parou de falar e lhe agradeceu — De qualquer forma, obrigado. Foi revelador. — Simplesmente deixou a morena sozinha e pôs-se a andar em direção a Orihime.
– Contou a ela sobre seu pai?
– Sim. Foi realmente muito bom conhecer você. — Inoue estremeceu. Parecia uma despedida.
– V-Você vai para onde?
– Para casa. — ele respondeu simplesmente. — Não posso parecer um lixo, principalmente perto de você. Aposto que estará magnífica.
– A-Ah.. obrigada, Ulquiorra.. bem, acho que você não vai precisar demorar muito a se arrumar.. — Orihime baixou o olhar como uma adolescente apaixonada. Como se lesse seus pensamentos, Ulquiorra levantou seu rosto com a mão direita e depositou nos lábios dela um pequeno beijo.
– Até mais tarde.
~x~x~x~
A cerimônia, sem mais delongas, foi um sucesso. Chegada a hora do cocktail e os padrinhos propunham brindes aos noivos, como uma lembrança e depoimento dos tempos que passaram juntos. Como padrinhos de Chad, estavam Inoue, Renji, Ichigo e Rukia. Os padrinhos da noiva não eram tão conhecidos pelos amigos dele, além da Kiyone, irmã mais nova da nova Sra. Yasutora e uma mulher jovial com os cabelos batendo na cintura mesmo presos a uma enorme trança.
Rukia murmurara apenas um 'olá' para o ex e sentava-se ao seu lado na mesa porém olhando para o outro lado, onde Inoue estava sentada; esta lhe dirigia olhares de demasiada alegria, que pensava ser apenas felicidade por Chad.
Voltando aos brindes, o jovem Kurosaki levantou-se, chamando a atenção de todo o salão que se dispunha em mesas redondas. Esperou que todos se acalmassem e, nervoso, começou a falar:
– Queria contar uma história sobre Chad, de como nós protegíamos uns aos outros na escola e de como ele faz falta aqui perto de nós, enquanto está do outro lado do mundo. — Inoue abriu um vasto sorriso, também se lembrando dos tempos de escola. — Mas hoje, não. Hoje eu vou contar outra coisa.
Rukia juntou as sobrancelhas, pensando no que o Kurosaki poderia estar tramando contar.
– Há uns.. — ele fez uma conta mental — uns sete anos, eu acho, eu e meu pai viemos para Karakura. Naquela época ele mexia com carros e nós viemos conhecer um senhor que tinha uma concecionária. Nesse meio tempo eu fui confundido com um cara que depois ele morreu, uma coisa assim. Bem, isso não importaria tanto, se não tivesse sido aquele dia que eu conheci essa nanica irritante. — Ichigo recebeu olhares mortais de Rukia e seu pai, Byakuya, que assistia a tudo com muita atenção.
– Bem, além de irritante ela era muito chorona — ele continuou, sentindo um tapinha em sua coxa — mas eu decidi que ela era muito bonita para ficar chorando. Vocês não fazem ideia de como ela fica quando resolve chorar. — ele riu, fazendo os amigos na mesa e a mãe de Rukia rirem junto, apesar dos protestos da morena.
– Ei, Ichigo, o que você pensa que está fazendo?
– Calma aí, ok!? Estão vendo como ela é chata, não é? Enfim. Mesmo com essa chatice sem tamanho assim como a dona, eu me apaixonei. É, fazer o que. Toda vez que lembro desses olhinhos azuis — ele cutucou a testa dela repetidas vezes — eu também me lembro que há alguém gentil, delicada e sensível por trás deles. — Rukia apenas virou o rosto para o lado de Chad, como se pedisse desesperadamente para fazê-lo parar. Foi duramente ignorada.
– O que acontece é que tinha uma maluca que não percebia isso, armou uma coisa ou outra e essa outra maluca aqui terminou comigo e não queria me ver nem pintado de ouro.
Os pais de Ichigo, que assistiam a tudo, tinha os olhos cheios de lágrimas. Se abraçavam e cochichavam ''que orgulho'' ''ele está crescendo'' '' o que será que ele quer?''
– Mas, como a vida é uma caixinha de surpresas, nós nos mudamos para a Inglaterra, onde eu terminei de estudar, sem notícia alguma dela. Mesmo assim, eu não conseguia esquecê-la e esquecer a injustiça que tinha sofrido. Bem, cinco anos mais tarde voltei para o Japão e nos encontramos de novo. Após um esforço sobrenatural, pude ter a Rukia do meu lado de novo, mas não foi por tanto tempo. Aquela mesma maluca de antes fez essa mesma maluca aqui do meu lado dizer que não podia mais ficar comigo. Como eu disse, minha linda, — ele pela primeira vez a tratou como interlocutora e não mais como o objeto do discurso — a vida é uma caixinha de surpresas. Eu não vou desistir e acho bom você estar bem certa disso.
– I-Ichigo e-eu.. o que você quer? Eu já disse que...- ela disse baixinho, só quem estava na mesa pôde escutar, mas ele não estava nem um pouco satisfeito.
– Já disse que nada! Você vai pegar essa merda — ele retirou uma caixa de veludo do bolso interno no paletó, abriu e retirou de lá um anel, que ficou segurando — vai colocar nessa sua linda mãozinha, nós vamos nos casar SEMANA QUE VEM, vamos ter noventa e nove filhos e suas opiniões serão COMPLETAMENTE ignoradas!
– M-Mas o que você pensa que está falando?! E quem você pensa que é, seu desgraçado? — os convidados estavam atônitos. Não sabiam o que pensar. Seus amigos começaram a servir-se das frutas dispostas na mesa em que estavam sentados, sem dar importância ao que acontecia.
– Seu futuro marido!
– Você não me perguntou se eu queria!!
– E você não quer casar comigo? — eles se olhavam cara-a-cara, ignorando que estivessem em público.
– Quero!
– Acho bom!
– Foda-se o que você acha!
– Foda-se o que VOCÊ acha! Coloca isso na sua mão antes que eu me arrependa!
– Vou colocar!! — ela pegou abruptamente o anel da mão dele, vestiu-o em sua mão direita e praticamente enfiou sua mão na face do Kurosaki — E eu estou fazendo isso porque EU quero e não porque você está me mandando! Que fique claro!
– Ótimo!
– Ótimo!
Um silêncio se fez e então Inoue, Renji e Chad finalmente pararam o que estavam fazendo para o olhar o casal tão barulhento; eles se beijavam. Apenas colavam suas bocas com fervor, talvez por consequência da 'briga'. Até que Chad resolveu se pronunciar, apenas entre eles:
– É impressão minha ou eles estão noivos agora?
Os três se juntaram aos outros convidados que também estavam atônitos — principalmente os parentes dos envolvidos — até que Inoue soltou uma risada e Renji puxou aplausos. Os Kurosaki e os Kuchiki se entreolharam, sorrindo. Até mesmo Byakuya se permitiu abrir um sorrisinho meia boca e pouco convincente, mas foi o suficiente.
A festa seguiu com o restante das formalidades e então todos começaram a embebedar-se e dançar ao som da banda que fora contratada para entretê-los. Rukia conversava com sua mãe, mostrando-lhe ainda um pouco incrédula seu anel de noivado, quando viu que Ichigo segurava um copo com refrigerante, e foi até ele.
– Não vai beber?
– Não. — ela apenas esperou a resposta. — As últimas vezes que bebi com você, no outro dia você não queria me ver mais e eu nem sabia direito o porquê. Não quero te perder mais uma vez...
– Está me dizendo que não vai beber nunca mais? — ela disse, sem muita pretensão. Não acreditava muito.
– Se for preciso, sim.
– Inoue me disse que ela foi presa.
– Sim. Não precisa se preocupar mais, está vendo?
– Talvez...
Foi um dia de inícios para todos. O fim da fase turbulenta de suas vidas — ou o começo dela — mas o casal que se abraçava sob os olhares de alguns mais curiosos que não conheciam seus gênios difíceis havia conseguido o que queria; tinham a certeza que nada os atrapalharia nunca mais e, se algo tentasse, não hesitariam em procurarem, uma vez mais, ir até onde fosse preciso para conquistarem um ao outro, quantas vezes preciso fosse.
Come an' Get It — Whitesnake (tradução)
Você é mulher suficiente
Pra pegar um homem como eu?
Baby, eu sei o que você tem
Você torna isso fácil de se ver..
Agora eu quero te dar o meu amor
Acredite em mim, baby, é verdade
Talvez mais do que você esperava
Mas agora é com você...
Então se você quer, venha e pegue
Eu tenho algo para você
Se você quer, venha e pegue
Eu deixarei com você
Você é uma mulher que pega
Qualquer coisa que quer?
Ou o tipo que fala que o faz
E fala mais tarde que não faz?
Agora eu quero te dar meu amor
Eu soube no momento em que nos encontramos
Você tem que pegar assim que me achar, baby
Porque o que você vê é o que você tem
Então se você quer, venha e pegue
Eu tenho algo para você
Se você quer, venha e pegue
Eu deixarei com você
Você é mulher suficiente
Pra pegar um homem como eu?
Baby, eu sei o que você tem
Você torna isso fácil de se ver
Então se você quer, venha e pegue
Eu tenho algo para você
Se você quer, venha e pegue
Eu deixarei com você
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