Come An' Get It
16 Echo of the Past II
Notas iniciais
Alguns dias antes, cidade de Tóquio; um restaurante qualquer.
– Você está atrasado.
– Ishida, são 11:02! Não começa, tá legal? Faz muito tempo que não nos vemos...
– Sim. Na minha família começamos o almoço impreterivelmente as 11. Você sabe muito bem.
– Sei, sei. — o Kurosaki se sentava de qualquer jeito na cadeira enquanto lia o menu trazido pelo garçom. — O que você quer falar comigo?
– Já começamos esse assunto. Vou construir uma clínica pra poder sair do hospital do meu pai, onde estou trabalhando no particular também.
– Quer que eu seja seu empregado, né.
– Não, eu sei que você guarda dinheiro desde o fundamental. — Ishida ajeitava os óculos enquanto proferia a frase.
– Quem te falou isso?
– Não lembro, já faz tempo. O ponto é que preciso de um cash inicial, e ter um sócio iria facilitar muitas coisas. Não quero estar nas costas do Ryuuken.
Ichigo soltou uma risada. Fazia alguns anos que não via o amigo — mais ou menos amigo — mas ele não havia mudado nada. Ainda ajeitava os óculos todo segundo, chamava o pai pelo nome na maioria das vezes e era extremamente sério. Estava com uma camisa de gola polo branca, com um blazer também branco, além da calça e o sapato na mesma cor. Na camisa, dava pra ver um bordado no bolso com seu nome, provavelmente ele mesmo tinha feito. Aquele maldito prendado...
O rapaz, em meio a conversa, citou que procuraria a Kuchiki para que realizassem o projeto da tal clínica, e o ruivo pensou como seria útil tê-lo como aliado a frente daquela.. coisinha.
Sábado, bar do Starrk.
O ruivo se adiantou logo quando viu Rukia adentrando o toilet e chamou Kensei, pedindo para que preparasse o que havia combinado há alguns dias com Starrk. O garçom sumiu por uma porta por uns instantes e veio trazendo uma taça alta com um líquido vermelho sangue dentro, além de uma pimenta grudada na borda. Em alguns instantes a baixinha saía do lugar e voltava para o lado do Kurosaki.
– O que é isso? Achei que não gostasse de bebidas com cores.
– É pra você.
– Não vou tomar isso de jeito nenhum! — ela teve uma reação um pouco exagerada. — Vou saber que tipo de veneno você colocou aí dentro!
– Coloquei nada, Rukia. Nem começa. Bebe essa merda logo, anda. — aquela maldita.. não poderia arruinar o plano logo agora!
– Você já tomou?
– Sim, já experimentei. Mas isso é bebida de mulher... não combina comigo.
– Tá. — Rukia deu uma pequena golada na taça e fez cara de satisfação. — É boa. Meio... quente.
– Quente?
– Sim.
Ela não iria responder, de jeito nenhum.
Em outro lugar do país, Renji se distraía num bar de sinuca com alguns outros professores na faculdade onde lecionava. Falava alto, ria e brincava enquanto bebia tudo o que passava no alcance de suas mãos, até que viu uma mulher no recinto, chegando junto com um metidinho qualquer. A pele negra, os lábios carnudos e o cabelo chanel, de onde seria aquela moça? Bem, definitivamente não do Japão. Escutou algum comentário qualquer e voltou a jogar.
Algum tempo depois, o tal cara esbarrou num amigo que já estava bastante bêbado, e eles começaram uma briga. A moça apenas revirou os olhos, como se aquilo fosse comum. Renji foi tentar separar os homens que se ameaçavam e trocavam alguns socos, segurando seu amigo.
– Quem é esse cara? — não houve resposta do amigo, mas o outro respondeu.
– Sou Ginjo Kuugo. Esse cara me deve dinheiro!
– Certo, certo. Quanto?
– Muito! — Renji estralou a lingua, soltou o amigo e foi em direção ao balcão para pagar sua conta.
– Vocês que se resolvam.
Ao lado do caixa, estava a moça de pele escura.
– Me desculpe por ele. Acontece toda vez, é um saco. — o ruivo percebeu de cara o sotaque molhado vindo de algum lugar do ocidente.
– De onde você é?
– América. — a moça disse orgulhosa — Sou Jack Tristan.
– Abarai Renji ou.. Renji Abarai. — ela deu um risinho e ele guardou a carteira no bolso. — bem, acho que não faz mal ficar aqui mais um pouco. Aquele cara não é seu namorado?
– De forma alguma. Ele não irá te bater, pode ficar.. tranquilo.
– Estou com dor de cabeça. Que porra é essa que você colocou nessa taça?
– Nada demais, Rukia. Quer ir embora?
Ela ponderou consigo mesma. Desde quando Ichigo estava tão... atraente? Bem, claro que sempre fora atraente o bastante e já percebera assim que chegara ao bar, mas.. havia algo a mais. Era como se não conseguisse enxergar mais nada além dos cabelos revoltos, os ombros largos e as mãos apoiadas no balcão.
– Quero, eu acho...
– Você não pode dirigir desse jeito. Eu te levo.
– Não tem nenhum remédio?
– Depois de ter bebido aquilo tudo? De jeito nenhum, Rukia.
– Você está de sacanagem com minha cara, Ichigo?!
– Não. Engraçado...
– O que é?
– Você não parece tão bêbada. — ele deu um peteleco na testa da garota que instantaneamente deu um tapa em seu braço.
– Deve ser porque eu não estou bêbada... foi aquele veneno que você me deu. Você está querendo me matar, não é, Ichigo?
– Veneno? Veneno, Rukia?! — ele ria bastante dos comentários dela. — Eu não tenho nada com isso. É você que está ficando fraquinha demais.
– Grr!! Vamos embora então, antes que eu desista! Saco.
Ele deu um sorriso de vitória. Dava pra ver que os... sentidos de Rukia estavam no mínimo distorcidos. Ela agia de forma meio tonta, como se quisesse contar e conter algo. Nessa luta com ela mesma, entraram no carro da Kuchiki, e Ichigo a levaria em casa. Qualquer casa.
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