Come An' Get It

15 Echo of the Past I


Notas iniciais
Enfim, consegui escrever essa capítulo.
O disco que está tocando no carro da Rukia, apesar de não ter mencionado lá, era o Perfect Strangers do Deep Purple, lançado em 84.

troquei a capa aqui também! Gostaram? ahueha

obrigada as pessoas que continuam aqui em come and getcha! hehehe ♥

Não havia sequer precisado chamar o novo bibliotecário da escola para uma refeição juntos, já que no horário do almoço de sexta-feira encontrou-o em um pequeno restaurante perto da escola. Ulquiorra não pôde deixar de reparar que a mulher sentada à sua frente estava especialmente radiante naquele dia. Não que já não fosse, mas naquela sexta-feira nublada, Inoue Orihime brilhava como o sol; tanto que nem sentiu falta do astro original em si. Falando três vezes mais que o habitual — o que já era bastante — ela contava sobre as crianças que dava aula animada, mas não era só aquilo. O branquelo então decidiu-se por perguntar.

- Hm.. aconteceu algo?

- Oi?

- Estou te perguntando se aconteceu algo. Você parece mais... enérgica.

- Ah, ah! É verdade! Eu tenho uma amiga que mora em Tóquio...

Rukia havia ligado de manhã. Um pouco desesperada, um pouco feliz e sem admitir, é claro. Ponderava sobre o convite que recebera do Kurosaki, será que deveria mesmo ir? Foi buscar ajuda de Inoue, mesmo sabendo o que a amiga iria responder... mas pelo menos, falando em voz alta com alguém que confiava tanto, poderia chegar em alguma conclusão.

A ruiva contava para Schiffer sobre a relação conflituosa da amiga com o tal Kurosaki, que ele mal prestava a atenção. De alguma forma, queria perguntar mais sobre a vida daquelas pessoas que ela aparentemente gostava tanto. Mas, bem, Ulquiorra tinha muitos problemas e definitivamente não estava interessado nos romances adolescentes de gente que ele só tinha escutado falar. Algo no brilho que ela emanava o fazia querer abrir a boca e perguntar sobre aquilo tudo, apenas para que ela não parasse de contar as peripécias de alguns anos atrás.

Orihime, em seu lugar, gostava de falar — isso já era sabido — mas mesmo não recebendo nenhum tipo de feedback vindo do homem que só sabia o nome, se sentia totalmente à vontade para ser quem era ela e abrir a sua vida como um livro.

- É uma grande história.

- Oh, me desculpe, estou falando muito?!

- Não, não foi isso que quis dizer. É uma grande história, muito boa.

- Hehe.. são as coisas que acontecem conosco!

Ela se coçava para não perguntar algo da vida dele, mas ele era deveras discreto. Esperaria o tempo que fosse, até que ele se sentisse à vontade com ela, era o que pensava. Terminaram seu almoço e voltaram para seus postos na escola, pensando no almoço-monólogo que tiveram.

~x~x~x~x~

Sábado, cidade de Tóquio, 07:49 p.m.

Rukia se olhava no espelho para enésima vez desde que havia colocado o vestido que Ichigo lhe dera. Não tinha nada a perder, afinal. No dia anterior, perguntou mais ou menos discretamente para Kyouraku Shunsui, seu "chefe", como era a casa de shows de seu irmão.

"É um ótimo lugar, Rukia-chan!"

Ótimo. Ótimo. Conhecia muito bem o que era a família Kyouraku, seu gosto por coisas exageradas e, principalmente, sua enorme fortuna capaz de fazer esse "ótimo" lugar ser realmente um lugar para deixar até mesmo a Kuchiki de queixo caído.

Cedendo à sua própria consciência, resolveu colocar os saltos que havia comprado há alguns meses, mas não teve coragem ou algo assim para usar — ocasiões não faltaram, mas ela não quis ir mesmo — uns brincos que havia ganhado de amigo-oculto na faculdade de alguém muito provavelmente mais rico do que ela, uma pulseira que estava na escrivaninha em seu quarto por distração de um dia qualquer e ainda fez uma maquiagem nos olhos e passou um gloss.

Pegou uma bolsa tão pequena que só cabia o gloss e suas chaves (e acabou a própria bolsa virando sua carteira...) e saiu. Ainda no estacionamento de seu prédio, colocou no som um pendrive que Inoue lhe dera "com os maiores sucessos no mundo da música!", mas mal começou a primeira e não aguento, retirando o dispositivo. Por fim, escolheu um disco qualquer que mal viu de quem era.

Vinte minutos mais tarde, estava quase próxima do local. Não estava tão preocupada, gostava mesmo do disco que tocava. Estava parada no semáforo e uma música tinha o volume abaixado até terminar, assim dando espaço para a próxima melodia. Deu partida no carro cantalorando mais ou menos a letra que tocava no som com grande feeling.

Ichigo estava sentado num dos vários banquinhos no balcão, conversando com o dono do bar. Kyouraku Starrk, irmão mais novo de Shunsui. Apesar do mais velho ser totalmente favorável ao mundo de festas, foi o mais novo que decidiu então viver disso, após viver vários anos fora do país: uma casa shows, que é um barzinho e também é uma boate.

- Pra mim soa como se tudo fosse a mesma coisa, Starrk. — o ruivo bebericava uma dose de whisky que o homem de cabelos castanhos e olhos azuis acabara de trazer.

- Não é bem assim, Ichigo-kun. Aqui, o primeiro andar. Você consegue ver, não é?

- Sim... Mesas de sinuca, mesas ... um boteco normal. — Ichigo, que vestida uma camisa de botão branca e uma calça preta, além de seus costumeiros tênis Nike que já duravam uns três ou quatro anos, dizia sem muito ânimo.

- Boteco?!?! Tsc. Segundo andar.

- Pelo que vi mais ou menos tinha um palco, mais mesas e um bar.

- E o terceiro...?

- Uma mesa de DJ, um espaço e um bar. Isso tudo aqui é um bar, Starrk!! Todos os andares têm garçons e dois terços têm mesas! — Kurosaki dizia com a cabeça apoiada no braço, e Starrk secava alguns copos que lavara.

- Multiplace, Ichigo. É bem diferente... ah, e falando nisso. Você ainda vai precisar daquele negócio?

- Sim. Quero dizer, eu acho...

- Acha?

- Nem sei se ela vem mesmo. Aquela..

- Ah, se pelas noventa e três descrições — e contando — que você deu dela são aquelas mesmo, acho que é a Kuchiki-san bem ali na porta. Com licença.

Starrk saiu para ajudar um garçom a atender vários clientes que chegavam ao mesmo tempo, enquanto Ichigo olhava a garota vindo em sua direção. Ishida fez o vestido meio curto demais, não?! Veria com ele depois. Ah, se veria! Rukia entregou o convite para o segurança que estava mais à frente, dizendo ''Boa noite''. Não fez menção a procurar ninguém, e Ichigo virou-se em direção ao bar, quando ela se sentou ao seu lado.

- Que surpresa te ver aqui, Ichigo!

- Está atrasada.

- Não me lembro de ter marcado algo aqui...

- Então por que está vestindo um vestido que eu te dei? — Rukia percebeu um olhar devorador de Ichigo ao pronunciar a frase.

- Por que eu faria isso? — Ela ajustou o vestido, na tentativa de mostrar menos as pernas — Uma coisa vinda de você só poderia servir pra ir nas bodas da minha avó mesmo.

- De nada. Quer beber alguma coisa?

- Você trabalha aqui?

- Muito engraçado. O que você quer?

- Qualquer coisa!

- Você tem mania de "qualquer coisa" até hoje?!

- Algum problema com isso?

- Me desacostumei em decidir as coisas por você também.

- Está tentando insinuar que dependo de você pra alguma coisa?

- Não.

- Tsc.

Enquanto ambos se engalfinhavam, Starrk pediu para Kensei, um garçom experiente também conhecido de Ichigo, para atendê-los.

- Licença. — ele colocou um cardápio no balcão, à frente de Rukia.

- Ah, Rukia, você se lembra do Kensei, não é?

- Claro, claro. Nós nos encontramos algumas vezes na rua. — ela lia o menu atenciosamente desviando o olhar algumas vezes. — E não poderia esquecer alguém tão atencioso. Diferente de certas pessoas... — ela olhou de canto para Ichigo.

- Você também não me esqueceu.

- Desculpa. De onde te conheço mesmo? — ela deu um sorriso zombeteiro.

- Sua... — ele se voltou para Kensei, que assistia entediado aquilo tudo — vê uma cerveja.

- Alguma preferência?

- Confio em você.

- Tsc. Falou de mim e fez a mesma coisa... — Rukia colocou o cardápio em cima do balcão.

- Isso foi só um exemplo pra você.

- Exemplo? De como fazer igualzinho a mim mesma?

- Não. De dizer "Não, Ichigo querido, eu confio em você!" — Ichigo disse sua frase em tom feminino, arrancando risadas de Rukia.

- Como se eu fosse falar assim!

No primeiro andar, onde se encontravam, tocava uma música no som, para àqueles que não queriam escutar música muito alta ou dançar a noite toda. Ela parou para pensar; fazia muito tempo que não se via naquele tipo de ambiente.

- Tenho trabalhado muito mesmo... — sem querer, ela soltou o comentário em voz alta, que não escapou aos ouvidos de Ichigo que prestava a atenção em todo o detalhe nela.

- Nossa, você está mesmo criticando os próprios hábitos?

- É. Mas eu tenho que andar com minhas próprias pernas. Meu pai não me manda dinheiro.

- Ah, esses Kuchiki orgulhosos...

- Plebeus como você não entenderiam. — ela riu do próprio comentário. — Já volto.

Ichigo viu ali uma oportunidade de colocar o seu plano em prática. Iria ter Rukia de volta de qualquer jeito.

Notas finais
mwahahahahaha