Começo, Meio E Fim
93 Capitulo 93
Pov Diego
– Nossa, tudo isso é saudade? – disse Lizie ao término do beijo que havia lhe dado, estávamos no saguão do aeroporto, sorri – se soubesse que a cada viagem à recepção da volta seria essa, já teria viajado mais vezes – rimos.
– Boba – dei-lhe um selinho e ela sorriu.
– Mas isso é saudade ou é peso na consciência? – arqueou as sobrancelhas zombeteira.
– É claro que é saudades – disse tentando me defender – que tipo de namorado você pensa que tem? – fingi-me de ofendido, fazendo a rir e dar-me outro selinho.
– E aonde iremos agora? – perguntou-me quando entramos no meu carro.
– Pensei em dar uma volta no shopping e almoçarmos por lá, o que você acha?
– Por mim, tanto faz – deu de ombros.
– Ou você pode preferir ir à casa do meu pai, a Sílvia nos convidou para almoçarmos com eles – brinquei e a reação dela me fez rir.
– Ah... – murmurou com as sobrancelhas erguidas – você quem sabe – sorriu forçadamente e ri novamente, Elizabeth e Leonardo Maldonado não se dão muito bem, ele a acha muito petulante e dissimulada, e tenho a certeza que ela o acha um velho arrogante e pretensioso, mesmo não expressando sua opinião verbalmente, na maioria das vezes, acredito que para não causar uma situação desagradável entre nós, mas admito que chega a ser engraçado vê-los juntos – se você quiser almoçar com a sua família, por mim tudo bem – disse calmamente.
– Vamos ao shopping – sorri e ela meio que suspirou, antes de me dar um sorriso radiante.
Estávamos andando pelos corredores do shopping, olhávamos vitrines e mais vitrines, vez ou outra Lizie me fazia entrar com ela em alguma loja, devo ter perdido mais de uma hora em uma loja de sapatos, para que a Senhorita Hansen levasse apenas três pares, já que a mesma deve ter experimentado todos os pares de sapatos daquela loja.
– Você deveria ter me deixado levar aquela sandália – disse-me ao sairmos da loja – ela era tão linda, Dih, ela me deixou tão elegante.
– Querida, você já é elegante por si mesma, não precisa daquela sandália – sorri, fazendo-a bufar.
– Você só está dizendo isso porque com ela eu fico mais alta que você – revirou os olhos.
– Elizabeth – ela me chamou de baixinho?! – quer saber, agora nós iremos voltar lá, porque eu faço questão de te dar de presente aquela sandália!
– Agora eu não quero mais – disse irritada andando apressadamente a minha frente, aquilo estava me irritando – você não vem? – perguntou-me, estávamos a uma certa distância um do outro, estava parada em frente a uma loja de artigos esportivos, fui até ela, parando para observar a vitrine – o que foi?
– Olha – apontei para um manequim tamanho infantil.
– O que tem? – bufei revirando os olhos, não estava óbvio?!
– Este manequim está com o uniforme do Flamengo.
– Ah, seu time? – assenti – e o que isso tem de mais?
– Bom, é que... Eu pensei em como o Rafael ficaria com ele – admiti e ela sorriu, dando-me um selinho, ela não estava mais zangada – você acha que ele poderia gostar? – minha pergunta a fez rir.
– Basta você levá-lo para saber – encorajou-me.
– Hmm, acho melhor não – disse pensativo – eu nem sei se ele gosta de futebol, se ele torce para algum time – ela assentiu dando-me um leve sorriso.
– Tenho certeza que logo você saberá de todos os gostos dele – Elizabeth, era sem dúvida maravilhosa, sempre ao meu lado, encorajando-me e incentivando-me, dei-lhe um beijo carinhoso, que a pegou desprevenida, mas a mesma correspondeu em segundos, não nos importamos com o local onde estávamos e nem nos demos conta que estávamos na entrada de uma loja, somente quando sentimos algo colidir conosco, separamos nesse instante, acho que nada foi mais constrangedor e desagradável do que encarar as expressões de surpresa e incômodo das pessoas que estavam paradas a nossa frente, principalmente a expressão dela...
– Desculpe – dissemos ao mesmo tempo e sorrimos uns aos outros levemente – como vocês estão? – Lizie quebrou o silêncio desconfortável que se instalou entre nós – oi Roberta? – deu-lhe um beijo na bochecha que visivelmente a pegou de surpresa, devido a sua expressão confusa, mas retribuiu com um sorriso amarelo – oi gatinho, que saudades de você – abraçou Rafael, que sorriu amplamente para ela ao retribuir seu abraço.
– Oi Lizie, também estava como saudades de você – ela lhe sorriu amplamente – oi Diego – disse a mim educadamente.
– Oi Rafael – respondi com um leve sorriso apenas, que me foi retribuído, não tentei nenhum tipo de aproximação, não sabia ao certo porquê, mas sabia não seria aceito.
– Nem acredito que nos encontramos aqui – disse Lizie, cortando novamente o silêncio – você já almoçaram?
– Não – Rafael disse a ela que sorriu, foi então que... Não, ela não está pretendendo...?!
– Que ótimo – merda, está! – nós também ainda não almoçamos, mas estávamos a caminho, nós poderemos almoçar todos juntos – Rafael pareceu gostar da ideia, já a Roberta...
– Acho, melhor não – deu-nos um meio sorriso.
– Por que não? – Merda, Elizabeth, não é não!
– Não queremos atrapalhar vocês – boa desculpa a da Roberta, clichê, mas boa.
– Vocês jamais atrapalhariam, eu não aceito um não como resposta – merda! – vem Rafa, me conte como foram seus dias, esses que não nos vimos – pegou na mão do menino, que sorria para ela, passaram por nós, indo em direção a praça de alimentação.
– Desculpe-me por ela – disse à Roberta – Elizabeth é um pouco impulsiva às vezes.
– Tudo bem – sua voz tinha um tom de diversão, rimos, merda de olhares que se cruzam fixamente – acho melhor nós irmos até eles – cortou nosso contato visual, andando apressadamente a minha frente... Merda Elizabeth! Não acredito que ela se sentou em uma pequena mesa que continha apenas quatro lugares, com duas cadeiras frente a frente e para melhorar a situação sentou-se ao lado do Rafael, fazendo com que Roberta e eu sentássemos um ao lado do outro, de frente para eles.
– Roberta, você se importaria em se sentar ao lado do Diego?
– Ah...
– Que bom – Elizabeth sorriu para ela, antes que a mesma pudesse concluir o que iria dizer – não se preocupe, ele sabe se comportar – droga, ela me paga! Roberta pareceu se segurar para não rir, já o Rafael ria com a frase da minha namorada, mesmo tendo a certeza que ele não entendeu o duplo sentido de sua colocação.
– Lizie, você não estava viajando? – meu filho perguntou a ela.
– Ah, sim – sorriu para ele – voltei esta de manhã, acabei o que tinha há fazer mais cedo, por isso voltei – ele assentiu parecendo interessado – eu estava em BH, você já esteve por lá?
– Eu não, mas a mamma já – Roberta assentiu – ela foi com a nonna, o tio Franco e os Rebeldes – as palavras do meu filho fizeram com que lembranças daquela viagem aflorassem em minha mente, merda, mas tive a certeza que não fui o único a me lembrar delas, pois ao meu lado, Roberta pareceu ficar tensa... Sem dúvida, aquele almoço seria longo e não muito agradável...
Continua...
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