Começo, Meio E Fim
94 Capitulo 94
Notas iniciais
Pov Diego
– Está mais calmo querido? – Elizabeth perguntou-me, entrando no meu quarto e se jogando na minha cama, ao meu lado.
– Estou – disse voltando minha atenção a um programa de televisão qualquer, cujo qual não estava dando a mínima.
– Estava pensado em começar a pagar terapia para você – a olhei sem entender – para ver se melhora esse seu psicológico e de quebra o seu mau humor – bufei e ela riu – deixa de ser bobo, você está sendo infantil – bufei novamente – foi só um almoço.
– Oh claro, foi só um almoço – debochei – no qual você passou o tempo todo fazendo insinuações – ela riu.
– Desculpa, mas eu não fiz insinuação alguma, você que sempre distorce e leva as coisas que eu digo para o lado negativo – queixou-se divertida, fazendo-me revirar os olhos.
– Queria ver se fosse ao contrário, se eu estivesse te jogando para cima do Bennett – minha vez de rir da atitude dela, pois ao ouvir minhas palavras ela paralisou, eu não disse que ela me pagava, Elizabeth sempre perde o foco e o humor quando o assunto é Harry Bennett.
– Pessoas não são bolas ou objetos para serem jogadas em direção a ninguém – merda, ela se zangou, isso também é uma das coisas que acontece quando menciono seu ex.
– Ok, desculpe-me – dei-lhe um leve sorriso e beijei-lhe a costa de sua mão direita, mas sua expressão não se alterou, foi então que me lembrei de algo... – como está o Bennett, Elizabeth? – perguntei a ela, que permaneceu calada, parecendo ficar ainda mais desconfortável – ele está bem? – insisti, ela sem dúvida tinha algo a me dizer.
– Se Deus ouviu minhas preces, deve estar morto – ri do seu comentário, fazendo-a sorrir levemente, mas não era um sorriso que chegasse aos olhos.
– Pobre Isla, perder o noivo as vésperas do casamento não deve ser nada agradável – a risada que ela deu foi contagiante, mas continha um leve tom de ironia e zombaria.
– Não haverá casamento – comentou sorrindo.
– Como você soube? – perguntei interessado.
– O cadáver me contou – não aguentei e ri.
– Claro, você e seu dom para falar com os mortos – zoei, mas ela permaneceu seria.
– Ele me contou quando estive em Londres, mês passado, almoçamos juntos.
– Por que você não me contou isso antes? – não entendi o porquê de ela não ter me contado...
– Eu tentei – a encarei confuso e magoado, ela poderia ter me contado – mas quando comecei a dizer você me disse que havia encontrado a Roberta e me contou todo a historia do Rafael – ah... – não achei que fosse algo relevante, você tinha algo mais sério e importante a se preocupar, não queria te importunar com bobagens – deu-me um sorriso amarelo.
– Elizabeth, suas coisas jamais serão bobagens irrelevantes para mim – dei-lhe um abraço, que me foi retribuído com um sorriso, beijei-lhe a testa e a mesma se acomodou nos meus braços – você deveria ter me contado – queixei-me – como foi?
– Desculpe-me, sei que deveria, mas é verdadeiramente algo sem importância – parecia sincera, mas no fundo sabia que aquilo havia mexido com ela – nos encontramos por acaso na entrada daquele restaurante francês, que jantamos com os meus pais – assenti para que ela continuasse – e já que estávamos lá, aceitei seu convite – respirou fundo – falamos sobre como estavam nossas vidas, ele me perguntou como você estava – a encarei surpreso e ela sorriu – perguntou-me como nós estávamos, eu disse que estávamos ótimos – sorrimos – então perguntei como estava os preparativos para o casamento e ele pareceu surpreso e disse que não haveria casamento, que eles haviam rompido o compromisso há algumas semanas, eu tentei não demonstrar minha surpresa e contentamento, claro – ri e ela suspirou.
– Ninguém havia te contado? – negou – nem mesmo a Molly? – negou com a cabeça novamente – e o que aconteceu depois?
– Nada, falamos sobre assuntos banais durante todo o almoço e ao final nos despedimos com um aperto de mãos.
– Sério? – assentiu e eu ri – você se despediu com um simples cumprimento? – assentiu séria, era verdade, não me aguentei e gargalhei.
– Nunca mais irei caçoar ou zombar de você por causa da Roberta – disse séria enquanto eu ainda ria, a encarei sem entender – é extremamente irritante, tenho vontade de te bater.
– Pois é – rimos – desculpa, mas vocês não se viram mais? – negou ainda séria, Elizabeth é do tipo de pessoa que se está séria ao falar sobre algum assunto é porque está sendo sincera ao falar de algo que verdadeiramente não lhe agrada, caso contrário estaria a gargalhadas.
– Molly me confirmou a história – Molly é a cunhada de Lizie, casada com seu irmão George – disse que não sabe os motivos que os levaram ao termino, mas que obviamente George deveria saber — o irmão de Lizie era meio que melhor amigo do Bennett, cresceram juntos quase, a historia de Elizabeth e Harry era longa e antiga, os pais dela não eram a favor do relacionamento entre a filha e o amigo de infância de seu filho, que era alguns anos mais velho que ela, mas mesmo assim o romance se estendeu por alguns anos, desde os treze aos quase dezoito anos de Lizie, quando a mesma se mudou para New York, a fim de cursar a Universidade, pelo que ela me contou o ex-namorado engatou um romance quase um ano depois com sua ex-colega de colégio, cuja qual Elizabeth detestava, Isla Walker, que pessoalmente consegue verdadeiramente ser ainda mais detestável, tive o desprazer de conhecê-la – mas não fiz a mínima questão de perguntar o motivo a ele – completou.
– E isso te incomodou de alguma forma? – ela deu-me um sorriso amplo e travesso.
– Não sei necessariamente se foi um incômodo, sei que não foi desagradável – sorriu – me agradou de alguma forma, sei que é horrível isso, mas o fato deles não se casarem nem terem mais nada juntos, me deixou feliz – ergui minhas sobrancelhas para ela que riu – não que eu queira ou imagine que com isso ainda possa rolar algo entre nós, sabe?!
– E você não quer? – perguntei confuso.
– Não – admitiu sinceramente, dava para ver em seus olhos – depois que almoçamos juntos, foi durante eu acho, eu acabei percebendo que tudo que eu sentia, na verdade era o que eu desejava sentir – ok, isso me deixou confuso, ela percebeu – tudo que me prendia a ele ou o que eu imagina que me prendia a ele, eram apenas as lembranças de algo que um dia foi bom, que um dia me fez feliz, mas que ali eu percebi e aceitei que acabou e ficou no passado – sorri para ela, que me retribuiu com seu lindo sorriso, não resisti e dei-lhe um selinho.
– Sabe que foi muito bom esse noivado do Bennett com a Isla – disse sorrindo a ela que me encarou intrigada – graças a ele, nós estamos juntos – ela sorriu antes de selar nossos lábios suavemente – me lembro perfeitamente do dia em que você me acordou às três da madrugada me convidando para ser feliz – rimos e ela enterrou sua cabeça no meu peito – saquei que você estava bêbada na hora – riu – então eu fui até o pub que você estava para te levar para casa e você me agarrou – ela me deu um tapa no peito.
– Não foi assim – ri.
– Não, não foi – ela sorriu – você primeiro disse que poderia ser feliz onde e com quem fosse, até comigo mesmo que era seu amigo e aí você me agarrou – sorriu envergonhada – depois disso você caiu no choro, eu te levei para o meu apartamento que era o mais próximo de onde estávamos, você chegou lá já adormecida, na manhã seguinte quando acordei você não estava mais lá, não respondeu as minhas chamadas, fiquei preocupado com você, sabia moça?!
– Me desculpa – sorriu fraco – estava muito envergonhada para falar com você – sorri.
– Fiquei horas em frente ao seu apartamento esperando você aparecer, aí você disse que estava tudo bem, mas não estava, você passou a me evitar, ficamos duas semanas assim.
– Até que você me agarrou – rimos – você me beijou e disse que assim estávamos quites, e poderíamos voltar a ser o que éramos, amigos, bons amigos.
– Desde então passei a te agarrar todos os dias – rimos.
– Bobo – selei nossos lábios lentamente, mas infelizmente não durou muito, pois meu celular começou a tocar, por mim teria ignorado, mas... – Dih... – disse Lizie ofegante – atende...
– Não, deixa... – disse voltando a beijá-la, já havíamos invertido as posições, estava por cima dela... Mas a droga daquele telefone não parava de tocar... – merda! – praguejei ao levantar-me para atender aquele maldito aparelho celular – o que é que você quer? – perguntei impaciente.
– Nossa, que bom ouvir sua voz rouca Diego, meu filho – merda, Tomás zoou-me do outro lado da linha – se quiser eu ligo daqui a alguns minutos, para vocês terminarem o que estavam fazendo – bufei – só me tire uma pequena duvida, você está com a Lizie ou com a...
– Vá se ferrar Tomás! – o interrompi, quase encerrando a chamada, Lizie me observava.
– Se acalma, meu filho – ouvi-o rir – melhor, peça a Lizie para te desestressar – zoou.
– Fala logo o que você quer!
– Ok, to te ligando para te convidar para passar o próximo final de semana no colégio, minha mãe está promovendo um almoço para todos nós, nossas famílias e tudo mais, até os Messi Albuquerque’s estarão lá e de quebra o Rafael.
– Ah, o Rafael... – disse mais interessado – você disse no próximo fim de semana? – Lizie arregalou levemente os olhos, estava ao meu lado.
– Sim, no sábado – confirmou – daí você pensa e depois me dá uma resposta, ok?
– Pode ser, falô Tomás! – desliguei o celular, antes que meu amigo fizesse mais uma de suas piadinhas sem graça – era o Tomás nós convidando para um almoço na casa da mãe dele, semana que vem – disse a Lizie, que ergueu as sobrancelhas para mim.
– No fim de semana? – assenti – pensei que nós fossemos a Curitiba no feriado? – merda, eu me esqueci que tinha dito a Lizie que iria com ela ao Paraná, visitar a família de sua mãe.
– Sim, nós vamos – sorri para ela – esquece esse almoço.
– O Rafael estará lá? – assenti e ela me sorriu cúmplice – Diego, por mim tudo bem ir sozinha a Curitiba, assim eu viajo na véspera, dia quatorze, e você passa mais tempo com o seu filho.
– Não, nem pensar – comecei dizendo...
– Ótimo, estamos decididos – interrompeu-me dizendo – você irá a esse almoço e eu irei visitar minha avó, não quero discutir mais sobre isso – levantou-se da cama, indo em direção a porta – ah, não se esqueça de conversar com a Roberta sobre o que aconteceu entre você e o Rafa, na casa do seu pai – aconselho-me, havia contado isso a ela – sugiro que a convide para um almoço, só que dessa vez, a sós – talvez ela tivesse razão – agora vou telefonar para a minha vó e informá-la que não irei mais para lá na sexta-feira e sim na quinta-feira – sorriu-me antes de deixar-me sozinho, não estava muito certo quanto a deixá-la viajar sozinha, mas sei o quanto Elizabeth é irredutível, minha semana seria longa, teria que convidar Roberta para almoçarmos e na terça-feira ainda teria o tal exame de DNA.
Continua...
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