Pov Diego

– Não acredito que estou aqui – reclamei, parado em frente ao apartamento da Roberta, esperando que alguém abrisse a porta, o que não demorou quase nada, pois Alice a abriu com um enorme sorriso no rosto, que se desfez logo em seguida.

– Ah, são vocês – disse com desânimo, dando passagem para que nós entrássemos.

– Nossa meu amor, quanta felicidade ao nos ver – Pedro ironizou, fazendo-a bufar.

– Pensei que fosse a pizza – disse dando um selinho no marido.

– É o amor pelo entregador Pedrinho, meu filho – Tomás zombou, recebendo um tapa de Alice quando foi cumprimentá-la e eu ri, logo em seguida cumprimentando-a também.

– Como vocês estão, hein?! – passei a mão em sua barriga.

– Estamos bem, obrigada – sorriu.

– Até que enfim, pensei que tivessem se perdido pelo caminho – Carla disse entrando na sala acompanhada dela... Coisa Linda... Quero dizer, Roberta, não preciso dizer que nos encaramos mais que o suficiente – oi, Dih – Carla chamou minha atenção, ela percebeu, vindo em minha direção e dando me um abraço que lhe foi retribuído, enquanto os garotos cumprimentavam a Roberta.

– Oi – ela disse a mim, quase que num sussurro.

– Oi – e foi apenas isso, nada além de olhares, nada de abraços ou beijo de cumprimento, apenas um simples oi, já não estava mais tão zangado, mas mesmo assim o fato dela usar aquela aliança me incomodava, foi então que percebi que o Rafael estava na sala, falando com os padrinhos e os tios, mas não estava sozinho, havia uma menininha loirinha com eles, ela me lembrou alguém... E então ele olhou para mim, dei-lhe um sorriso leve que me foi retribuído com um sorriso fraco – Oi Rafael – fui até ele e lhe dei um abraço e por alguns instantes pensei que ele se afastaria, mas para a minha surpresa e contentamento me foi retribuído – como você está? – perguntei quando nos afastamos, todos nos olhavam atentos.

– Bem – sorriu timidamente, a menininha que estava ao seu lado cochichou algo para ele, que não consegui compreender o que era – o Diego – sussurrou para ela que arregalou os olhos e olhou para mim curiosa, eu diria.

– Não vai me apresentar sua amiga, Rafa?! – perguntei, mas ela não o deixou responder.

– Sou a Lana, senhor, prazer em conhecê-lo – sorriu para mim que retribui, ah claro, a filhinha da Becky e do Vicente.

– O prazer é todo meu senhorita – lindinha ela... – sou o Diego.

– Eu sei – sorriu – o outro pai do Rafa – ok, ela sabia quem eu era, mas não me agradou nem um pouco ouvi-la dizer o outro, mas sim, sou o pai do Rafa... Assenti – o senhor também é muito bonito – ri com o seu comentário, pois entendi seu também.

– Obrigado, a senhorita também é muito bonita – o sorriso dela foi radiante – quantos aninhos você tem?

– Eu tenho isso – mostrou-me quatro dedinhos pequenos e magrinhos, só a bochecha dela era mais gordinha, uma graça – mas logo vou fazer isso – mostrou-me agora todos os cinco dedinhos da sua mãozinha direita – e vou alcançar o Rafa – disse toda feliz.

– Mas aí eu faço seis – Rafael rebateu, fazendo ela ficar zangada com ele, deu-me uma vontade de rir, assim como os outros que nos observavam parecendo que se seguravam para não rir.

– Ela é filha da Becky?! – perguntei aos outros que assentiram com expressões divertidas.

– Sim, mas é muito geniosa – Tomás comentou sorrindo – pra mim parece mais com a Carla.

– Mas todo mundo diz que eu pareço com a minha mãe tio Tomáslindo – ela disse a ele.

– Tomáslindo?! – perguntei achando graça e ele assentiu.

– A cada dia – não me segurei e ri, assim como os outros, mesmo as crianças que pareceram não entender, “to-más-lindo-a-cada-dia”, Meu Deus, só o Tomás mesmo.

– Como você chama a todos, meu anjo? – perguntei curioso e ela riu.

– Tio Tomáslindo, tia Carlinda – ri, mas compreensível – tio Pedrinho, porque ele é pequenininho, segundo o tio Tomáslindo – me segurei para não gargalhar, Pedro deu um tapa em Tomás e Carla o repreendeu com o olhar – a tia Lilice e a tia Roh – completou – e como eu chamo o senhor?

– Você pode me chamar de tio Dih, que tal?

– Tá bom, tio Dih, pode me chamar de Laninha – assenti – o senhor gostou do meu cabelo, tio Dih? – perguntou-me, então entendi que ela se referia ao seu penteado, era uma trança pequena quase desfeita, pois seus fios eram curtos e finos.

– Sim, é muito bonito – sorriu meio que rindo.

– Foi à tia Roh que fez – disse toda contente, fazendo-me olhar para Roberta que sorria, linda...

– A pizza! – disse Alice, levantando-se do sofá às pressas, no instante que a campainha tocou...

Estávamos terminando de comer, todos sentados na sala, conversávamos sobre vários assuntos, claro que a que mais falava era a Laninha, estava completamente encantado por ela, vez ou outra Rafael e ela meio que se estranhavam, mas era nítido que eram amigos e gostavam um do outro, apenas coisas de crianças, assim como a mania que elas tem de dizer coisas sem pensar, a pura e simples curiosidade infantil...

– Tio Dih, o senhor deixa o Rafa ir à minha casa brincar comigo? – pediu-me docemente.

– Ah, bom... – seu pedido me pegou de surpresa, todos me olhavam ansiosos pela minha resposta, acho, pela primeira vez na vida, daria permissão ao meu filho para fazer algo – se a mãe dele deixar – merda, não era bem assim que eu queria dizer, Roberta sorriu levemente.

– Mas a tia Roh já deixou, agora só falta o senhor, até o tio Giuse – merda – já deixou, mas o Rafa nunca foi, e nós temos que pedir a autorização dos dois, porque se o meu papai não deixa, a minha mamãe também não deixa e se a mamãe não deixa meu papai também não deixa, tem que ser os dois, no caso do Rafa os três – o que foi mesmo que eu disse sobre a curiosidade infantil?! – então, deixa ele ir tio, por favor?! – todos nós a olhávamos estáticos, ou pelo menos eu e a Roberta, Lana estava sentada entre mim e Alice.

– Deixo, anjo – disse quase num sussurro, ela abriu um sorrido lindo e me abraçou.

– Obrigada, tio Dih – beijou minha bochecha e virou-se para o Rafael – agora você pode ir a minha casa, Rafa – ele apenas assentiu, quando eu pensei que o desconforto havia acabado... – por que o Rafa tem dois pais? – ótimo, todos nós parecemos engasgarmos com algo, o ataque de tosse da Roberta, então nem se fala.

– Porque eu me casei com o tio Giuse, meu anjo, assim ele passou a ser o papai do Rafa também – Roberta explicou a ela, que assentiu duvidosa.

– Eu também tenho dois pais – a expressão da Carla se tornou tão hilária, que Alice não se segurou e riu, assim como Pedro e eu, os outros olhavam a menina sem entender – meu papai Vicente e o Papai do Céu – sorriu, Carla suspirou aliviada.

– Mas Deus é pai de todos nós, assim eu tenho três – as palavras de Rafael a deixou irritada – é verdade, não é mamma?! – Roberta assentiu.

– Por que o Rafa tem sempre mais do que eu? – perguntou fazendo um biquinho manhoso.

– Porque eu tenho – meu filho rebateu como se fosse obvio – foi Dío que me deu ao Diego, que me deu de presente a minha mamma, não é mamma?! – Roberta novamente assentiu, fazendo o filho sorrir para ela, me peguei sorrindo também, mesmo não entendendo muito bem as palavras dele – eu era uma sementinha – comentou, fazendo Laninha ficar mais emburrada.

– Por que o Rafa veio da semente e eu vim da cegonha? – semente e cegonha? Ah, entendi a que eles estavam se referindo.

– Porque seus pais não são muito criativos – Tomás deixou escapar, levando um beliscão de Carla – Aii...

– É porque alguns vêm da cegonha, outros da sementinha de Deus – Carla explicou a sobrinha.

– Tia Lilice, de onde a Sophia vem?

– Do Pedrinho, aii... – Carla deu outro beliscão no noivo e Pedro lhe tacou uma almofada, eu estava verdadeiramente achando graça na cena, assim como a Roberta aparentemente.

– Da sementinha do tio Pedro – Alice explicou para menina, fiquei curioso em saber a historia da semente.

– E como ela veio da semente, Alice? – perguntei a ela, estranhamente, todos pareceram me olhar alarmados, principalmente a Roberta.

– O senhor não sabe? – Rafael perguntou incerto e surpreso, como se eu devesse saber.

– Claro que o Diego sabe, não é?! – Roberta disse a ele, mas estava mesmo era me repreendendo, merda, claro, essa era a historia da “cegonha” dele, a maneira que ela lhe contou de onde vem os bebês – o Diego sabe sim, meu amor – garantiu ao filho e assenti incerto – ele sabe que você era a sementinha que ele ganhou do Papai do Céu e que ele deixou comigo para que eu cuidasse para ele, só que a mamma acabou plantando você dentro de mim para que você ficasse mais protegido, por isso você nasceu sem ele saber, não é Diego?!

– É foi isso – sorri para ele que me deu um leve sorriso de volta, era uma boa historia essa dela.

– Bom, falando em bebês – Alice disse sorrindo, olhando diretamente para Roberta que a olhou intrigada – a Sophia está com muita vontade comer aquele brigadeiro que só a madrinha dela sabe fazer – Roberta riu revirando os olhos – de sobremesa, quem quer?

– Eu quero! – Rafael e Lana disseram ao mesmo tempo – faz tia Roh, por favor? – a menina pediu fazendo biquinho.

– Por favor, mamma – Rafael imitou a amiguinha, fazendo a mãe rir novamente.

– Tá bom, eu faço.

– Oba! – Alice e as crianças disseram juntas.

– Ótimo, já que as damas irão para a cozinha – Pedro começou dizendo – nós homens iremos até o quarto do Rafa, jogar aquele jogo que você ganho do seu padrinho de dia das crianças, ok – disse ao meu filho, que assentiu sorrindo para ele – beleza, partiu?! – assentimos.

– Tio Pedrinho – Lana o chamou – posso ir também?

– Pode sim princesa, vem – ele a pegou no colo dando um beijo em sua bochecha, antes de irmos a direção aos quartos.

Continua...

Notas finais
Anjos, peço-lhes novamente a compreensão de vocês, a semana está muito corrida para mim, quase não tenho tempo para postar e o tempo que me sobra tenho tentado escrever, os capítulos que tenho prontos estão acabando, por isso talvez não haja mais capítulos até sábado, se conseguir escrever um numero considerável de capítulos, posto um na sexta-feira, mas não é nada garantido. Desculpe-me e muito obrigada, tenho amado receber os comentários de vocês. Bjoos... ;D