Começo, Meio E Fim
72 Capitulo 72
Pov Diego
– Diego, como vai? – Jorge perguntou parada a minha porta.
– Bem, entre – e assim ele fez, estava esperando por ele há algum tempo, havíamos nos falado na quarta-feira, ele cuidaria do meu caso, o testamento – tudo bem como você?
– Sim, espero que não tenha demorado muito – sorriu desculpando-se – tive um pequeno contratempo.
– Não, tudo bem...
– Dih eu... – Lizie entrou na sala dizendo – ah, desculpe-me – sorriu fraco, estava linda como sempre, o semblante de Jorge fazia-me ter certeza de que eu não era o único a pensar assim.
– Tudo bem, querida – sorri para ela que retribuiu, ficando do meu lado agora – deixe-me apresentá-los, Jorge essa é Elizabeth, Lizie este é Jorge.
– Prazer em conhecê-lo, Elizabeth Hansen, mas pode me chamar de Lizie – estendeu a mão para ele.
– Igualmente, Lizie – sorriu para ela ao apertar sua mão – Elizabeth, também é o nome da minha esposa – comentou.
– A mãe do Pedro, não é? – ele assentiu sorrindo – já ouvi falar sobre ela, vocês a chamam de Beth, não é? – Jorge assentiu novamente – bom, desculpem-me não poder lhe fazer companhia, pois tenho um compromisso – sorriu para nós.
– Você irá demorar? – perguntei a ela.
– Não, acredito que dentro de quatro horas estarei de volta.
– Tudo bem, tenha um bom dia – dei-lhe um selinho antes que ela se afastasse.
– Tenham um bom dia também – apertou novamente a mão de Jorge.
– Para você também Lizie – Jorge sorriu para ela, antes a mesma saísse deixando-nos a sós.
– Bom Jorge, você gostaria de tomar algo?
– Não, obrigado – sorriu – podemos começar, então?
– Claro – assenti – sente-se.
– Diego, eu analisei os documentos que você me mandou e procurei saber mais sobre eles, nesses últimos três dias, você pensou sobre o que lhe falei, na última fez que nos vimos.
– Sim, minha opinião não mudou, não quero o dinheiro da Roberta – disse firme.
– Mas o dinheiro não é da Roberta e sim do filho dela – explicou-me, o que dava na mesma, não?! – olha, o testamento é bem claro, todos os bens do Doutor Montemezzo passara para o único filho, Rafael Messi Montemezzo...
– O Rafael não é filho dele! – disse interrompendo-o.
– Legalmente ele é, o que o faz único herdeiro – disse calmamente.
– O que acontece se eu não aceitar ser o tutor do menino? – perguntei impaciente.
– Caso você não aceite, o administrador dos bens do menino será uma tia-avó, do Doutor Montemezzo, uma senhora de 86 anos – o ouvia atento, uma tia-avó de oitenta e poucos anos?!
– Por que não a Roberta?
– A Roberta se casou com separação total de bens, apesar do casal ter uma conta conjunta, em nome do filho, ela chegou a assinar um documento, logo depois do casamento, abrindo mão de qualquer bem que viesse a receber do marido – estranho!? – assim, como o menino foi registrado com nome dele, ele vem a ser o único herdeiro.
– E essa tia?
– É uma senhora com a idade um pouco avançada, o governo Italiano não a aceitaria como tutora de uma criança de cinco anos e como a própria mãe abriu mão, assim o Estado arranjaria um tutor para o menino.
– A Roberta perderia a guarda dele? – perguntei confuso.
– Não, ela ainda tem a guarda do filho – ainda estava confuso com tudo aquilo – o que você deve entender é que não estamos falando da guarda judicial de uma criança, mas sim dos bens materiais desse menino – Jorge me explicava tudo calmamente – o testamento nomeia você como tutor administrativo, caso você consiga provar algum parentesco com a criança – o que era ridículo, eu sou o pai, não preciso provar parentesco algum! – você apenas cuidaria da parte financeira.
– E a Roberta?
– Ela como mãe tem os direitos legais sobre o menino.
– Eu sou o pai e os meus direitos? – perguntei afobado.
– Isso é outro assunto – como outro assunto? É o mesmo assunto, meu filho! – você está pensando em entrar com um processo contra a Roberta, fazendo o pedido de guarda do garoto, não está? – sua pergunta me surpreendeu um pouco, na verdade nem eu sabia o que pretendia fazer ao certo, permaneci calado – olha, como seu advogado lhe diria que você tem grandes chances de ganhar o caso, mas como amigo e acima de tudo conhecedor da história de vocês, lhe aconselharia a entrar em um acordo com a Roberta, um processo pode ser demorado e muito desgastante para os dois e para o filho de vocês também.
– Eu quero registrá-lo como meu filho – disse depois de um tempo – quero que ele tenha o meu nome, que seja legalmente um Maldonado.
– Tudo bem, veremos isso – fez uma pausa – e sobre o testamento?
– Se eu aceitar, em quais condições ficaria a Roberta financeiramente?
– Na mesma de agora – o olhei intrigado – o casal levava uma boa vida na Itália, não eram absurdamente ricos, mas tinham excelentes propriedades, uma casa de campo no sul do país, um apartamento em Verona, além de uma casa localizada em um bairro nobre de Roma, e ainda havia as contas bancarias em nome do Montemezzo – o olhei impaciente – ah sim, a Roberta possui algumas propriedades em seu nome, mas que só lhe será passadas oficialmente após o falecimento do pai e ela tem também uma conta bancaria particular em seu nome, onde parte do que era depositado transferia-se automaticamente para a conta conjunta que ela tinha com o marido.
– Então, ele não deixou nada para ela, nem mesmo a casa em que eles viviam? – Jorge assentiu – e essa conta bancaria conjunta?
– Foi bloqueada após a morte do Montemezzo, somente com a concordância do herdeiro ou do tutor no caso, ela poderá ser aberta e movimentada novamente.
– O que a deixa sem nada! – estava incrédulo, que tipo de homem o Montemezzo era para deixar a esposa e o “filho”, em tal situação?!
– Isso eu não saberei lhe responder, você teria que perguntar a ela – talvez aceitar ser o tutor financeiro do Rafael não fosse tão ruim, mas antes eu teria que conversar sobre isso com ela, eu gostaria de ajudá-los e não deixá-los em uma situação pior a que eles já se encontravam.
Fiquei por um tempo pensando em tudo que Jorge e eu conversamos durante está manhã, Lizie ainda não havia voltado, até que a campainha tocou, fui abrir a porta pensando que talvez fosse ela, que deveria ter esquecidos as chaves.
– Você?! – estava surpreso...
Continua...
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