Pov Rafael

– Entra – escutei mamma dizer assim que bati a porta do seu quarto, desde o ocorrido mais cedo com o vô Léo, ela não falou mais comigo, se trancou no quarto e não saiu de lá, quando adentrei o cômodo ela me olhava séria, acho que ainda estava brava comigo, mas não disse nada.

– Mamma, eu posso falar com a senhora? – perguntei receoso.

– Você já arrumou seu quarto? – perguntou ainda séria, sim, ela ainda estava brava e parecia triste, eu não gostava de vê-la assim.

– Sim – disse e ela apenas assentiu – a senhora está ocupada?

– Não, pode falar – bateu a mão sobre o colchão, ao lado de onde estava sentada, chamando-me para sentar-me ao seu lado e assim o fiz.

– A senhora ainda está brava comigo, não está?

– Sim, eu estou – sua expressão não se alterava, o que me deixava ainda mais incomodado – você sabe que o que você fez hoje mais cedo, não foi nem um pouco bonito, não sabe? – assenti cabisbaixo – não gostei nem um pouco da maneira como você impôs o que queria, não me importa que você opine e diga o que quer, mas sim a maneira como você se comporta diante de mim ou de qualquer outra pessoa, principalmente se ela não for alguém próximo a nós – ia dizer algo, mas seu olhar me calou – o seu avô Leonardo, não precisa saber de tudo que acontece entre nós – ela sabia o que eu ia dizer – são assuntos meus, nossos assuntos e de mais ninguém, não é educado dizê-los a terceiros, você entendeu? – assenti novamente – tudo bem.

– Perdona-me mamma, per favore – pedi a ela que suspirou – prometo que não faço mais, mas perdona-me, per favore – ela riu fracamente.

– Va bene, amore mio – puxou-me para seu colo, abraçando-me carinhosamente – está tudo bem, não precisa ficar assim – suspirou – não estou mais brava com você – beijou minha testa.

– Não vou fazer mais, eu prometo – disse firme e ela sorriu, era assim que gostava de vê-la.

– Eu espero ainda me zangar muitas vezes com você, meu anjo – a olhei confuso – é a coisa mais natural do mundo, mães se zangarem com os filhos, às vezes dá até vontade de lhe dar uns tapas – meus olhos se arregalaram e ela riu – a mamma te ama muito, filho, muito.

– Também amo muito a senhora, mamma – dei-lhe um beijo na bochecha – é por isso que eu não vou mais ficar na casa do vô Léo e da vó Sílvia – ela me olhou confusa, acho!?

– Por quê? Você queria tanto.

– Mas agora eu não quero mais – não vou deixá-la triste e brava comigo de novo.

– Rafa, meu anjo, não me importa que você fique com os seus avôs, se é isso que você quer – ela acariciou minha bochecha – por mim tudo bem.

– Mas a senhora...

– Tudo bem, meu amor – interrompeu-me dizendo – acho que será bom para você e lá terá os meninos para lhe fazer companhia – sorri para ela, que retribuiu.

– Obrigado mamma – dei-lhe outro beijo na bochecha – eu prometo que agora eu vou ser bonzinho, está bem?! – ela riu abraçando-me mais forte, eu amava o abraço dela, era o melhor!

– Assim eu espero – beijou o topo da minha cabeça – mas, meu anjo, você sabe que ficando com os Maldonado você verá o Diego frequentemente, não sabe?! – assenti sem ânimo – e tudo bem? – assenti novamente meio incerto e ela sorriu encorajando-me, não me importava se veria o Diego novamente, já havia decidido que não iria gostar dele, nem um pouco, não precisava gostar dele se não quisesse, eu poderia gostar de quem eu quisesse, a mamma disse, e eu não vou gostar dele, não vou deixar que aconteça comigo o mesmo que aconteceu ao Luca, não irá acontecer comigo, não quero um novo pai para perdê-lo novamente.

Continua...

Notas finais
Espero que gostem, não deixem de comentar, por favor ;)