Começo, Meio E Fim
63 Capitulo 63
Pov Rafael
O jantar se passou agradavelmente, apesar do Guilherme ter permanecido o tempo inteiro emburrado e não ter dito quase nenhuma palavra, que os demais não perceberam ou preferiram ignorar, até a Lari, falou bem mais do que ele, ela era boazinha, descobri que ela tinha dois anos e dez meses. O Binho e a Pilar também eram bem legais, diferente do que eu imaginava pelo que já ouvi a respeito de ambos, eles foram muito gentis comigo, na verdade, todos foram, bom, quase todos. O tio Jonas e a tia Leila, sim tios, eles insistiram bastante já que não conseguia tirar o senhor e a senhora e nem conseguiria chamá-los de vovô e vovó, eles foram os que eu mais gostei, o tio Jonas era muito divertido e a tia Leila me tratava com muito carinho, além de ser muito engraçado vê-la interagindo com o padrinho, ela tratava ele igual a mamma me trata. O padrinho esteve o tempo todo do meu lado, agora estávamos na sala de estar, já fazia algum tempo, a Lari, já tinha até dormido no colo da mãe, que a levou para dentro, para um dos quartos, suponho. O padrinho e eu nos despedimos de todos, ele disse que gostaria de me mostrar o colégio antes de irmos para casa e que já estava ficando tarde, até convidou o Guilherme para ir junto, mas Graças a Deus, ele recusou, de uma maneira não muito gentil, o que o fez levar uma pequena repreensão do seu pai, pelo seu tom de voz, o Binho até se desculpou pelo filho, alegando que ele ficava chato quando estava com sono, então acho que ele deveria estar com sono desde a hora que eu cheguei, pensei. Antes de sairmos, tia Leila entregou um chaveiro ao padrinho que sorriu para ela, dando-lhe um beijo na bochecha e ela piscou para mim sorrindo, retribui seu sorriso, havia prometido a ela e ao tio Jonas que voltaria qualquer dia, quem sabe com a mamma!?
Passamos por vários lugares do antigo colégio dos Rebeldes, o Elite Way, padrinho sempre me contando novas historias sobre eles ou até mesmo histórias que eu já conhecia, mas não me importava de ouvi-las novamente. Começamos pela sala da diretoria, passamos por alguns corredores e fomos até a biblioteca, algumas salas de aula, a cantina, passamos pelo corredor da ala dos meninos e os atuais alunos que utilizam o antigo quarto dos três rebeldes, nos deixaram entrar, padrinho era conhecido entre os alunos, que sempre o cumprimentavam ou paravam para falar com ele, que sempre me apresentava como o sétimo Rebelde, quando perguntavam sobre mim, até na ala feminina nós fomos, passamos pelo quarto que era da mamma e da tia Lice e o quarto da minha madrinha, mas nesses nós não entramos, fomos até a sala de estar, onde se encontravam alguns alunos, que novamente foram falar com o padrinho, ele me levou até a quadra de esporte coberta, me contou uma história que eu nunca tinha ouvido, que uma vez o Diego fez uma serenata para a mamma, na frente de todos.
– É sério isso – disse rindo junto comigo – vem, quero te mostrar um lugar muito especial para os seus pais – especial para os meus pais? DiRo? Padrinho riu da minha expressão confusa, acho – anda vem – fomos até o jardim, me surpreendi e admirei o que vi, era uma piscina enorme.
– É linda – comentei sorrindo e ele riu.
– Sabia que você ia gostar, dirozinho, seus olhinhos estão até brilhando – riu – prometo para você, que em breve, eu te trago para dar um mergulho nessa piscina, que tal?
– O senhor promete? – perguntei animado.
– Prometo, é só acertar com o Jonas e com a sua mãe, tem que ser em algum final de semana, que ai tem pouca gente – sorri entusiasmado – qualquer coisa que te deixe feliz e com esse brilho nos olhos, campeão – abracei o padrinho, ele é demais – eu te amo.
– Também te amo, padrinho – dei-lhe um beijo na bochecha.
– Meu garoto! – beijou o topo da minha cabeça – agora eu vou te mostrar um lugar bem mais do que especial.
– Que lugar? – perguntei curioso.
– Você vai ver – sorriu e me carregou no colo, pelo jardim, fomos parar em um lugar que eu não sabia bem o que era, parecia um cômodo afastado e abandonado, uma sala, padrinho abriu a porta com a chave que a tia Leila havia dado a ele ainda pouco, o lugar estava escuro, assim o padrinho acendeu a luz e caminhou descendo a pequena escada, comigo ainda nos braços, para só então me deixar no chão, aquilo parecia com um... – Rafa, seja bem vindo ao porão dos Rebeldes, nosso antigo e velho lugar de ensaios, de reuniões, de romances, de brigas e discussões também, às vezes faz parte – riu e eu sorri analisando tudo – nosso refugio.
– É muito legal – disse andando pelo local – até parece que ainda ensaiam aqui – disse notando os instrumentos e o padrinho sorriu.
– Depois que nós terminamos o colégio, não sabíamos ao certo o que fazer com tudo isso, então a minha mãe sugeriu que nós poderíamos usar o porão sempre que quiséssemos, ela prometeu que deixaria tudo como sempre foi, apenas para nós – seu sorriso morreu.
– E vocês vinham sempre aqui? – essa história, eu também não conhecia.
– Estivemos poucas vezes aqui depois disso, aconteceram tantas coisas, depois a banda se desfez e foi cada um cuidar da sua vida.
– E o senhor sente falta?
– Muita – sorriu fraco.
– A mamma também – comentei, seu sorriso se ampliou.
– Todos nós sentimos – suspirou pensativo – é, certos dias nunca vão passar – sorri para ele.
– Certos dias sempre vão ficar – completei e ele riu.
– Pois é – era visível que vir aqui, o deixa incomodado – agora deixa eu te mostrar tudo – padrinho me mostrou cada instrumento e me contou a história de cada um, além de várias outras, não sei ao certo quanto tempo se passou, então o padrinho decidiu que era hora de irmos embora, mas me prometeu que voltaríamos em breve, minha noite havia sido bem legal.
Depois que chegamos ao apartamento, até falei rapidamente com a mamma, porque ela disse que já havia passado a hora de eu estar na cama dormindo e eu prometi que contaria tudo para ela, sobre a minha noite, no dia seguinte quando o padrinho me levasse para casa. Dormi com ele, no quarto dos meus padrinhos, eu nunca dormia no meu quarto, seja o daqui, do apartamento da mamma ou até mesmo em casa, parece que os meus quartos só servem para guardar os meus brinquedos, minhas roupas e alguns outros pertences mesmo.
Continua...
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