Começo, Meio E Fim
64 Capitulo 64
Pov Roberta
Permaneci confusa encarando a mulher que estava parada a minha frente, por alguns segundos ou minutos, não saberia dizer, a mesma me olhava intrigada e curiosa, eu diria, era uma morena muito bonita por sinal, continha um leve sorriso nos lábios perfeitamente pintados de vermelho, usava uma camisa social cor de creme e uma saia cintura alta de cor cinza escurecido, simples e elegante, o cabelo estava preso em um coque também elegante e ao mesmo tempo casual, que a deixava com um ar de secretaria sexy, não sei por que me senti incomodada diante dela, seu olhar caiu sobre mim, analisando-me também. Acho pela primeira vez na vida me senti incomodada pelo modo nada apresentável que me encontrava, estava usando uma blusa um pouco soltinha de cor branca com algumas figuras abstratas, meu short de seda de cor preta ia até o meio das minhas coxas, meus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo, deixando a minha franja desfiada solta, quase sem maquiagem e nem de longe sexy e sedutora quanto ela.
– Pois não, em que posso ajudá-la? – perguntou sorrindo para mim, dispersando-me dos meus pensamentos.
– Desculpe-me – disse um pouco desconfortável – eu devo ter...
– Lizie, quem é? – ouvi a voz que vinha de dentro do apartamento e paralisei, logo ele apareceu atrás da mulher, olhando-me surpreso, meu olhar caiu sobre ele e o dele pareceu estar sobre mim, engoli em seco, ele estava apenas de bermuda com o cós da cueca branca aparecendo, deixando seus braços fortes, ombros largos, peitoral e abdômen definidos totalmente a mostra, Meu Deus, desviei meu olhar para a mulher que me olhava atenta com um sorriso divertido – Oi, Roberta – Diego disse, fazendo nós duas olharmos para ele.
– Oi – disse sem jeito.
– Entre – a mulher me convidou, Diego fez um sinal com a cabeça para que eu adentrasse o apartamento e assim o fiz um pouco insegura.
– Desculpe-me eu não deveria ter vindo sem avisar, é que...
– Tudo bem, não tem problema – ele disse, a mulher o olhava atenta, como se quisesse falar – ah, claro – sorriu para ela – Roberta essa é Elizabeth – a namorada? Claro, quem mais seria!? – Lizie essa é a Roberta – nos apresentou um pouco sem jeito.
– É um prazer conhecê-la – Elizabeth estendei-me a mão sorrindo.
– O prazer é meu – tentei soar natural, ao cumprimentá-la.
– Bom Roberta, infelizmente eu não poderei ficar para lhe fazer companhia – ela disse docemente – imagino que vocês tenham muito que conversar – sorriu – sinta-se à vontade.
– Obrigada – lhe sorri fraco tentando ser simpática, desviei meu olhar quando ela se aproximou dele.
– Tchau Dih, tenha um bom dia – ouvi-a dizer, estava visivelmente sem jeito na presença deles.
– Bom dia e bom trabalho – infelizmente, olhei para eles no exato momento em que ele lhe deu um selinho, causando-me uma sensação estranha, uma angústia no peito, que eu tentei ao máximo ignorar.
– Tchau Roberta, foi um prazer – disse sorrindo enquanto pegava uma bolsa e uma pasta, em cima do sofá.
– Igualmente – disse antes dela sair e deixar-nos a sós, com um silêncio desconfortante, meus olhos permaneceram presos nos dele, por alguns instantes, até descerem novamente pelo seu corpo, parando... Desviei meu olhar no momento que me dei conta de para onde estava olhando, ele me encarava com a sobrancelha erguida.
– Você me dá um minuto? – perguntou.
– Claro – assenti, então ele se retirou indo a direção dos quartos, voltando minutos depois, agora ele usava uma camisa.
– Você aceita uma água, um suco ou qualquer outra coisa?
– Estou bem, obrigada – sorri fracamente – Diego eu...
– Roberta – interrompeu-me – primeiramente, gostaria de te pedir desculpas pelas coisas que eu te disse ontem, eu estava nervoso, não deveria ter me expressado daquela maneira.
– Você não tem que se desculpar em nada, eu compreendo a sua raiva, sei que a culpada por tudo isso que está acontecendo sou eu e... – calei-me tentando encontrar as palavras certas, ele me encarava atento – espero que possamos achar a melhor maneira, para resolvermos tudo isso, de forma amigável, eu espero.
– Sim, concordo –ele disse firme.
– Então eu serei franca – ele pareceu confuso – não abrirei mão do meu filho...
– Não o tirarei de você! – interrompeu-me novamente – só lhe peço para que eu possa fazer parte da vida dele, quero poder conhecê-lo e estar com ele.
– Quanto a isso eu não me oponho, você poderá vê-lo quando quiser, sob a minha permissão – ele assentiu – bom, ainda temos a questão do testamento – comentei e ele me olhou intrigado – não me importo que você fique responsável pelo dinheiro – ele estava confuso e surpreso – conhece as cláusulas?
– Por alto – disse ainda sem entender.
– Sugiro que arrume um advogado então, para resolvermos logo isso.
– Eu não quero o seu dinheiro, nem administrá-lo ou qualquer outra coisa do tipo, isso não me interessa – disse frio.
– Converse com um advogado a respeito e depois voltaremos a falar sobre isso.
– Tudo bem – assentiu relutante – gostaria de poder ver o Rafael, ainda essa semana se não se importa.
– Claro, quando quiser.
– Se importaria que fosse amanhã? Gostaria de levá-lo para jantar, se você não se opor.
– Tudo bem, eu só preciso ver se ele gostaria de ir, então te telefono confirmando, pode ser?!
– Pode – sorriu-me e então mais uma vez o incômodo silêncio se instalou entre nós.
– Bom, eu tenho que ir.
– Tá, eu te acompanho até a porta – fomos em direção à mesma, que ele abriu para mim – tchau, Roberta.
– Tchau, Diego – disse prendendo-me mais uma vez na imensidão do seu olhar, antes de finalmente me afastar, para então ficarmos parados olhando um para o outro até que a porta do elevador se fechasse entre nós.
Que mundo é esse que vivemos? Onde Diego e Roberta, conversam, não amigavelmente, mas cordialmente como velhos conhecidos, sem discussões e acusações? Mas algumas coisas ainda continuavam entre nós, entre elas, a maldita mágoa e o desnecessário rancor...
Continua...
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