Pov Roberta

...

Eu estava parada diante daquela imensa piscina, do lado oposto da casa, onde acontecia a tão movimentada festa de casamento de PeLice, cujo qual eu tinha sido a madrinha da noiva. Já fazia algum tempo que eu estava a observar o nada, dentro daquela piscina, meu reflexo sobre a água, iluminada pela luz do luar e da pouca luz que vinha de dentro da casa. Pensava na minha vida, em tudo que aconteceu, principalmente desde que entrei no Elite Way e no que estava para acontecer nos próximos dias, em especial na próxima segunda-feira, quando senti alguém se aproximar.

- Uma rosa pelos seus pensamentos – ele disse, me entregando uma rosa branca, que provavelmente furtara de algum arranjo da festa, estava parado atrás de mim.

- A Alice te mata se souber que você anda roubando as flores da decoração – virei-me de frente para ele, não deixando de agradecê-lo com um amplo sorriso bobo – obrigada, é linda.

- De nada – retribuiu meu sorriso, tão lindo, acariciando meu rosto – e a propósito, a Alice não irá se importar, pois ela e o Pedro já se foram – nossa, eu nem os tinham vistos partirem, havia me afastado da festa, logo após a valsa dos noivos e dos padrinhos – você está linda – era a milésima vez que ele dizia isso esta noite, tenho certeza que ruborizei mais uma vez, pois ele me deu um sorriso de canto, enquanto seu polegar acariciava a maçã do meu rosto.

- Você também está muito bonito, neste terno – sorrimos um para o outro, Meu Deus, como eu irei sentir falto desse sorriso, não apenas do sorriso, mas também do seu olhar, do seu toque, do seu carinho, do seu amor, sentirei falta de absolutamente tudo que o compõe. Nossos olhares estavam fixos um no outro, seu polegar desceu até meus lábios, contornando-os, fechei meus olhos à medida que nossos corpos se aproximavam, senti sua respiração bater contra o meu rosto, segundos antes dele roçar nossos lábios, envolvendo-me em seus braços e beijando-me de maneira carinhosa, infelizmente, o beijo não durou mais do que alguns minutos, afinal precisávamos de ar.

- Sentirei tanto a sua falta – sussurrou, com a testa ainda colada a minha – tanto...

- Também sentirei a sua – sussurrei de volta, já a sentia desde já.

- Venha – chamou-me desgrudando nossos corpos e em seguida tirando os sapatos, entendi o que ele pretendia fazer, então tirei minhas sandálias e me joguei dentro daquela piscina, assim como ele havia feito segundos antes, mergulhamos um pouco parando um de frente ao outro, ambos sorriamos bobamente – parece que só rola clima entre a gente quando tem água no meio – rimos com a nossa frase dita por ele.

- Mas essa frase é de reconciliação – disse envolvendo meus braços ao redor do seu pescoço, enquanto ele me puxava para si, grudando nossos corpos – o que não é o caso dessa vez – ele apertou-me ainda mais em seus braços.

- Ainda direi essa frase muitas vezes pra você – beijou a ponta do meu nariz – e pode-se dizer que é uma reconciliação, afinal você terminou comigo... – selei nossos lábios antes que ele pudesse dizer algo a mais, infelizmente era verdade, eu havia terminado nosso namoro há três semanas, uma hora ele iria chegar ao fim, então resolvi antecipá-lo, assim o Diego teria mais tempo para se preparar para a viagem sem ter a mim com bagagem, mas nada aconteceu como eu imaginará, o termino ocorreu na sexta-feira à noite, no domingo a tarde ele estava parado a minha porta dizendo o quanto me amava e que era um absurdo ficarmos separados enquanto ainda estávamos tão próximos, passamos o resto da tarde nos amando na sala do meu apartamento, já que a Carla estava com o Tomás no apartamento dos meninos e a Alice estava como o Pedro acertando os últimos preparativos para o casamento, ambas disseram que iriam passar a noite fora, então não me importei de passar a tarde ali com ele, tarde que se estendeu tornando-se noite, madrugada e manhã, só levantamos da minha cama na tarde de segunda-feira, passamos os dias que se seguiram assim juntos, mas não como namorados, mas tendo os fins de tardes, noites, madrugadas e inicio de manhãs mais prazerosas das nossas vidas...

...

- Ocupada – meu pai indagou, fazendo-me desviar minha atenção do notebook a minha frente.

- Não, eu estava apenas olhando os horários de voo do Rio para New York, para comprar minha passagem.

- Então você vai mesmo?

- Sim, já está decidido – respirei fundo – embarco na quarta-feira à noite.

- Você quer que eu vá com você?

- Não será preciso, prefiro que o senhor fique e cuide do Rafael para mim – sorri para ele.

- Tudo bem – retribui meu sorriso – ele está com o Leonardo? – perguntou-me e apenas assenti, não estava nem um pouco satisfeita com essa ida do meu filho a casa dos Maldonado, estava desde cedo angustiada, pressentindo que algo ia acontecer – você já sabe o que fazer quando chegar em New York?

- Não sei ao certo, mas o procurarei na quinta-feira, o Tomás me passou os endereços dele, mas prefiro que o nosso reencontro não seja no seu local de trabalho.

- Entendo, já sabe como irá contar tudo a ele?

- Eu... – minha frase foi interrompida pela campainha incessante – quem será?

- Deixa que eu abro – ele sorriu pra mim antes de ir abrir a porta – Olá meninas – o ouvi dizer, elas responderem algo e perguntaram por mim, caminhei em direção a sala.

- Roberta! – Alice exclamou um pouco afobada vindo até mim e dando-me um abraço, Carla permaneceu séria me encarando parada a minha frente – como você está?

- Bem... – havia algo errado – o que houve?

- O Diego está no Brasil – Carla foi direta, mas eu demorei alguns segundos ou talvez minutos para processar o que ela havia dito, meu coração acelerou de maneira incontrolável, estava imóvel, em choque com o que ouvira.

- Você tem certeza? – Leonel perguntou a Carla, que assentiu confirmando o que havia dito.

- Sim – ela respondeu ainda olhando para mim, esperando alguma reação da minha parte além do silêncio – ele mandou uma mensagem para o Pedro dizendo que estava no Rio e estava a caminho da casa da família dele – achei que o mundo fosse desabar nessa hora sobre a minha cabeça, meu coração acelerou ainda mais – ele já sabe – concluiu.

- Roberta fala alguma coisa – Alice disse segurando minha mão.

- Meu filho... – eu estava perdida e confusa – eu preciso...

- Amiga calma...

- EU NÃO QUERO ME ACALMAR – meus olhos já estavam lacrimejados – EU SÓ QUERO O MEU FILHO! – desespero era uma das palavras que poderiam descrever o que eu sentia no momento – Eu vou até lá...

- Não você NÃO VAI! – Carla gritou fazendo com que eu prestasse atenção nela – o Tomás está com o Rafa e eles estão a caminho daqui, já já eles estão chegando – tentou me acalmar.

- Eu vou pegar um copo d’água pra você – meu pai disse se retirando da sala, mas não lhe dei atenção, eu só pensava no meu filho.

- Como o Tomás soube? – perguntei tentando conter as lágrimas que caiam pelo meu rosto.

- Não sabemos ao certo, só sei que ele está vindo para cá com o Rafa – Alice respirou fundo – o Pedro recebeu a mensagem e quando a viu ligou para casa pra me contar, logo em seguida o Tomás telefonou para a Carla, foi tudo muito rápido e – respirou fundo novamente – ai Roh...

- Vai ficar tudo bem – Carla disse me abraçando não tive tempo de responder, pois a porta da sala se abriu...

Continua...

Notas finais
E ai querem mais? Comentem, por favor :)