Começo, Meio E Fim

135 Capitulo 135


Pov Diego

– Mas o assunto é sério – queixou-se Tomás, pela nossa falta de interesse sobre seu assunto sério – são os preparativos para o meu casamento.

– Nós já sabemos – disse Pedro ao estacionar o carro em uma vaga, de um restaurante – você já disse isso umas vinte vezes, só essa manhã.

– Tomás, porque a Carla te deixou incumbido dessas tarefas? – perguntei a caminho do estabelecimento – esse não é tipo de coisa que as noivas fazem?

– Sim, mas eu me voluntariei para ajudá-la – deu de ombros – sou um noivo muito prestativo – gabou-se, fazendo-nos rir – além de que a Carla anda meio estressada de uns dias pra cá – fez uma careta, fato, também havia percebido isso, desde domingo, quando falei com minha amiga, depois de ler a carta que a mesma me entregou há algum tempo atrás, ela estava estranha, se irritou comigo... – enfim.

– Acho que você deveria pedir ajuda a Alice e a Roberta, Tomás, afinal ambas já se casaram – valeu Pedrão, não precisa ficar me lembrando que a Roberta já se casou...

– É talvez eu peça a ajuda da Alice, a Roh eu acho que não daria em nada – por que não? Quis perguntar, mas me contive – em pensar que o único que queria se casar é justamente o único de nós que não se casou, hein Diego – zombou.

– E não vou – disse firme, fazendo-os rir, estávamos à procura de uma mesa, quando avistei algo que me fez sorrir por alguns segundos, diante do sorriso do meu filho, antes de perceber com quem ele estava acompanhado, Roberta cuja qual estava de costas para nós, e um homem que estava com Rafael sob seu colo, quem era aquele homem? Engraçado, sua fisionomia não me era estranha, já o havia visto em algum lugar, Rafael havia me dito que eles receberiam a visita de um amigo da família, um tio sabe-se lá quem.

– Ih, olha o Rafa e a Roh ali – disse Pedro, só então os notando – e o Jake? – caminhamos em direção a eles, Rafael notou minha presença e sorriu, não pude deixar de retribuir, principalmente quando o ouvi dizer papai, saindo de onde estava correu até mim, que o acolhi em meus braços firmemente, depositando um beijo em sua testa que me foi retribuído na bochecha, me distraí com meu filho mal percebendo que Pedro e Tomás cumprimentaram Roberta e o homem, que pareciam conhecer, que ótimo...

– Papai, esse é o tio Jake – Rafael fez o favor de me apresentar ao homem, que não deveria ter mais que uns trinta anos, antes de ir cumprimentar o padrinho e o tio.

– Jacob Renfrew – o homem alto, de olhos e cabelos claros, sorriu formalmente estendendo-me a mão, claro que eu o conhecia, ele era o artista da exposição na Gallery.

– Diego Maldonado – disse firme, endireitando minha postura ao apertar sua mão firmemente, um pouco mais que o necessário...

– É um prazer conhecê-lo, tudo bem?

– Vou bem, obrigado – ok, talvez eu estivesse sendo um pouco grosso ou mal educado, mas ele estava grudado na minha família, no meu filho e na minha... Enfim...

– Bem, vocês já se apresentaram – Roberta quebrou o clima tenso que se instalou, encarou-me seriamente, ela estava... Repreendendo-me, era só o que me faltava – agora podemos ir?

– Estou as tuas ordens – sorriu para ela, que retribuiu, ah que ótimo ele está às ordens dela, controlei-me ao máximo para não bufar, ridículos...

– Ótimo, filho, nós já vamos – chamou pelo menino, que assentiu meio contrariado.

– Não vai trabalhar hoje? – perguntei, fazendo-a arquear a sobrancelha irritada.

– Tenho assuntos a resolver, mais tarde passo na galeria – deu de ombros – Pedro, diga a Alice que a espero as oito – o mesmo assentiu dizendo “pode deixar” – você fica com ele essa noite.

– Ok – eu direcionei minha atenção ao meu filho, enquanto Roberta e Jake se despediam dos rapazes – te pego mais tarde, campeão – abracei-o e ele retribuiu.

– Estarei esperando pelo senhor, papai – sorri, beijando o topo de sua cabeça.

– Acredito que nos vemos ver em breve, então até logo – disse-me Jacob cordialmente.

– Até breve – respondi-lhe seco, Roberta passou por mim revirando os olhos, mas para aumentar o meu desgosto, Rafael saiu do restaurante de mãos dadas com aquele cara, sorrindo e conversando animadamente, ah eu mereço...

– O que foi isso, meu filho? – perguntou Tomás, quando já estávamos sentados e o garçom saiu com os pedidos, que havíamos feito.

– Isso o quê? – fiz-me de desentendido.

– Diego, nós nos conhecemos há anos e nunca te vi tratar uma pessoa assim, sendo tão frio e arrogante, principalmente com uma que você não conhece.

– Disse bem, Pedro, eu não o conheço, não preciso ser simpático com o cara.

– Diego meu filho, você é simpático e amável com todos – rebateu Tomás – tava era com ciúmes do Jake – bufei, eu não estava com ciúmes... Tá, talvez, um pouco...

– Ele é um cara bacana, era amigo do Giuseppe e o principal, o Rafael adora ele.

– Percebi – dei de ombros, tratando de mudar o assunto para outro mais agradável...

*****

Cristo, eu não acredito que tratei mal um artista da galeria, teria que ver isso depois, havia assuntos mais urgentes, um deles que eu ainda estava levando em consideração era se falaria ou não com Roberta sobre a carta que recebi de seu falecido marido, talvez, mas não estávamos num bom momento, não sei como ela reagiria se lhe contasse, talvez ela não se importasse e nada mudaria entre nós, merda, teria que tomar uma atitude e já sabia por onde começar...

*****

– Sabe, Dih, eu já esperava por essa sua decisão – disse-me Elizabeth, senti que deveria contar a ela primeiramente o que havia feito, devia isso a ela de algum modo – acho que você fez uma escolha sensata, fico feliz por você, espero que tudo saia bem.

– Eu também espero Lizie – suspirei, sentia falta de conversar com ela, da presença dela – eu ainda estarei aí, ainda irei te ver – ouvi-a rir.

– Sei que virá – sorri – então, mas você não gostou do Jacob Renfrew? – ah, não...

– Sem graça, é isso que ele é – disse convicto – sempre te disse isso, não sei qual é a graça que vocês mulheres veem nele.

– Ele é lindo – queixou-se rindo – ele tem aqueles olhos azuis, aquela pele bronzeada, os cabelos loiros escurecidos, aquela barba que o deixa ainda mais sexy, ele poderia ser um astro de Hollywood – bufei revirando os olhos – além de ser extremamente talentoso.

– Infelizmente, nisso eu tenho que concordar, ele tem talento.

– Viu? Não é feio admitir e além do mais você só está inseguro assim, porque ele é amigo da Roberta.

– Quem te disse que estou inseguro? – gargalhou, merda!

– Não vou questionar suas inseguranças, ok? – ri também – não acredito que eu sou a única que não conheço o Renfrew, até a Marta o conhece – suspirou.

– Te garanto que não está perdendo nada em não conhecê-lo.

– Mesmo assim ainda quero conhecê-lo, a Roberta disse que irá me apresentá-lo.

– Quando? – perguntei interessado.

– Na exposição que vocês estão organizando, das obras dele – não acredito...

– Você vem? – perguntei-lhe entusiasmado.

– É claro, diferentemente de você, a Roberta me convidou para o evento – revirei os olhos, mas estava feliz que ela viria – ela até me desejou felicidades no meu aniversario.

– Eu também te desejei felicidades no seu aniversário!

– Você se esqueceu, Diego, quase não ligou.

– Eu sei, mas eu liguei te expliquei o que houve e te pedi desculpas.

– Sim, tudo bem – suspirou, sorri – você já conversou com a Roberta?

– Sobre? – fiz-me de desentendido, mas eu sabia a que ela estava se referindo, a carta, a nos... Havia contado isso a ela também.

– Diego – repreendeu-me – fale com ela, acerte-se com ela, por Deus.

– Vou ver o que posso fazer – dei de ombros – onde você irá passar o Natal?

– Onde mais poderia ser? Em Londres, oras.

– Queria que você estivesse aqui.

– Eu sei – suspirou novamente – vou ver o que posso fazer – rimos – será o seu primeiro Natal com o Rafa, ele está animado, ele me disse... – fez uma pausa – vocês estão bem?

– Sim, nós estamos bem, por quê? – perguntei intrigado – você tem falado com ele?

– Por nada e sim, nós falamos às vezes, ele é um bom menino.

– É ele é sim – tenho que admitir, Roberta tem feito um bom trabalho ao educá-lo.

– Dih, eu preciso desligar agora, nós falamos depois, tudo bem? Ah, não se esqueça dos Adams amanhã – ri.

– Não me esquecerei, eu te ligo, cuide-se Lizie.

– Cuide-se também e juízo – sorri – beijos, Dih – encerrou a chamada, eu ainda tinha que trabalhar mais meia hora, antes de ir à casa do meu pai buscar o Rafael...

*****

– Pronto, já está com os dentes escovados – depositei Rafael sobre a minha cama, sentando-me ao seu lado – agora é hora de dormir.

– Não posso ficar acordado só um pouquinho? – neguei com a cabeça – por favor, papai.

– Nada disso, campeão – passei a mão por seus cabelos negros – já está tarde, se sua mãe souber que ficou acordado até tarde um pouquinho que seja ela vai é brigar comigo.

– Prometo que ela não irá saber – sorriu travesso – sou bom em guardar segredos da mamãe – como? Arquei as sobrancelhas – vamos brincar papai, por favor – insistiu.

– Amanhã Rafa, amanhã nós brincaremos mais, tudo bem? – assentiu cabisbaixo – hein – chamei sua atenção para mim – que historia é essa de você guardar segredos da sua mãe? – seus olhinhos se arregalaram levemente, tinha alguma coisa aí... – você não pode me contar? – negou com a cabeça, incerto – eu sei guardar segredos também – pareceu ponderar – que tal um segredo em troca de outro, hein? Eu te conto um meu e você me conta o seu, hein? – assentiu sorrindo, meu lindo... – ok, eu começo – pensei em algo para lhe contar... – quando eu tinha a sua idade meu pai me deixa tomar sorvete antes das refeições às vezes, mas eu não podia contar pra minha mãe, era segredo nosso – riu, sorri.

– O vô Léo me deixa fazer isso também, mas não posso contar pra vovó – sorriu.

– É isso que você esconde da sua mãe? – pela sua reação, que voltou a ficar tensa não era – hey filho, você pode me contar, prometo guardar segredo também – encorajei-o a falar, o que provavelmente não seria nada de mais, mas fiquei curioso em saber.

– Eu guardo segredos da minha mãe, que eu não posso contar – disse incerto.

– E quem lhe pediu para não contar a ela?

– Algumas pessoas...

– Algumas pessoas pediram pra você mentir para sua mãe?

– Não minto para minha mãe – disse firme – só não conto coisas e ela me nunca perguntou.

– Ok, e o que você não pode contar a sua mãe de tão importante? – insisti para que ele continuasse, levou alguns segundos até que...

– Eu sei o que minha mãe veio fazer no Brasil – encarei seu olhar, não ele não sabia...

– Ela veio porque decidiu me procurar, para que pudéssemos nos conhecer – essa era a historia que ela havia contado a ele, disso eu sabia.

– Ela veio porque o babbo pediu isso em uma carta – merda!

– Quem te disse isso? – sim, ele sabia...

– O babbo – hesitou antes de responder – ele me contou, ele me contou muitas coisas.

– O que mais ele lhe contou? – ótimo, meu filho de cinco anos sabe mais do que devia.

– Eu sei que ele deixou um monte de coisa na carta pro juiz, que não é de futebol – tive que rir, não, ele não era, ele estava se referindo ao testamento – deixou para mim, mas para o senhor cuidar, isso só para a mamãe falar com o senhor sobre mim – fez uma pausa – ele queria que ficássemos juntos – não contive minha vontade de abraçá-lo, o puxei, mantendo-o firme em meus braços, beijei o topo de sua cabeça.

– E nós iremos filho – suspirei – você deveria contar isso a sua mãe – me encarou serio.

– Não posso e o senhor prometeu não contar – repreendeu-me.

– E não vou, é você que irá contar – enrugou a testa para mim, sorri – quando achar que deve, é importante e ela deve saber – assentiu contrariado – o que mais você sabe?

– Sei que tem outras duas cartas, uma para o senhor e outra para a minha mãe.

– Você sabia que havia uma carta para mim – assentiu – e tem outra para a sua mãe? – assentiu novamente – seu babbo te contou?

– Sim, ele me pediu para que entregasse a minha madrinha, para que ela entregasse a vocês.

– Claro, e você não tem segredos com a sua madrinha? – riu.

– Tenho – arquei a sobrancelha descrente, Senhor... – meu padrinho disse que não poderia contar a minha madrinha que ele a pediria em casamento, era segredo, e eu não contei – ri – ele até me levou junto para escolher o anel – beijei sua testa.

– Você tem mais algum segredo para dividir comigo – ele arregalou os olhinhos cansados, sim ele tinha – Rafael – incentivei-o.

– Contei ao nonno que vi o senhor e a minha mãe se beijando, na cozinha da casa do vô Léo – merda, minha fez de arregalar os olhos, merda – ele disse que poderia acontecer e que eu não deveria me ligar, pois se fosse importante vocês me contariam, mas ninguém disse nada – merda – ele disse para me comportar bem com os dois, que era segredo nosso e que deveria continuar espionando – não sabia o que dizer, eu não me importava que ele contasse coisas ao avô ou sobre espionar, seja lá o que for, mas ele havia nos visto juntos, merda, continuei perdido no seu olhar por algum tempo, merda!

– Você contou a sua mãe o que viu? – negou – Rafa escuta, sabe, às vezes, bom, na grande maioria das vezes os adultos são complicados, e o que não queremos é colar crianças nessa complicação – merda, não estava falando nada com nada, visivelmente o confundindo – o que eu quero dizer é que você é muito novo para entender os adultos, sua mãe e eu não queremos que você se envolva em coisas que não é para a sua idade, entende?

– É como guardar segredos? – perguntou incerto.

– É sim, é isso, é como guardar um segredo por um tempo, só que complicado e nós iríamos contá-lo quando ele deixasse de ser complicado – que merda de explicação, Diego!

– O senhor está namorando a minha mãe?

– Não – disse quase como num sussurro – não estou namorando a sua mãe.

– Eu gostaria que o senhor namorasse a Lizie – ah filho... – mas eu prefiro a minha mãe – de um meio sorriso e eu ri fraco, eu também prefiro a sua mãe, campeão... – se o senhor namorasse a minha mãe nós ficaríamos juntos? – ah, merda!

– Nós permaneceremos juntos, independentemente de qualquer coisa, não importa o que seja sempre estarei com você, tudo bem? – assentiu.

– Mas se o senhor namorasse a minha mãe, nós poderíamos morar juntos – havia certo brilho em seu olhar, que me fez sentir um aperto no peito, ele também tinha olhos lindos, não eram da mesma cor dos da mãe, mas era a mesma forma de dirigi-los, a mesma intensidade... – poderíamos morar em Roma, tenho uma casa enorme lá... – abracei-o novamente, fazendo-o depositar a cabeça sob o meu peito, silenciando-o com meu ato.

– Isso não dependeria apenas de mim, Rafa, existem outros fatores e outra pessoa envolvida.

– O senhor não gosta da minha mãe?

– Eu amo a sua mãe, filho – ele iria dizer algo, mas cortei-o antes... – só não conta pra ninguém, é segredo nosso – sorrimos – agora nós vamos dormir, o senhor me enrolou e já passou muito da hora – riu negando, deitou-se na cama – amanhã será um dia cheio – ajeitei-o entre os lençóis – será seu primeiro dia no psicopedagogo, ainda teremos suas lições e eu irei te apresentar aos meus amigos, se der tempo.

– Já conheço seus amigos, papai... – bocejou, sorri.

– Esses são outros amigos – deitei-me ao seu lado – agora durma moleque – beijei-lhe a testa – eu te amo.

– Também amo o senhor, papai...

Continua...

Notas finais
Olá :D Espero que tenham gostado, gostaria saber a opinião de você, por favor ;)