Começo, Meio E Fim

136 Capitulo 136


Notas iniciais
Olá, estou fora da previsão de postagem, desculpe-me, mas tá aí... Espero que gostem ;)

Pov Roberta

Então tu deixas o Rafa todos os dias com os pais do Diego?– perguntou-me Jake, estávamos em uma lanchonete, daqui a pouco ele estaria embarcando para Argentina, havia deixado Rafael na casa dos Maldonado, para que pudéssemos conversar a sós e porque depois de seu embarque ainda teria que resolver alguns assuntos da galeria, assim provavelmente não veria mais o meu filho hoje.

– Sim – assenti bebericando meu café – com a madrasta e o pai dele, na verdade, eles têm me ajudado bastante cuidando do Rafael – sorriu assentindo – como vai Barcelona, Jake? – fez uma careta engraçada, bebendo o conteúdo em sua xícara, não pude deixar de rir.

– Sinto falta de casa – contou-me sem ânimo – Barcelona é uma belíssima cidade, é claro, mas o Porto – suspirou – eu nunca encontrei um lugar que fizesse sentir-me tão bem e acolhido, como me sinto naquela cidade, tu sabes não é?!– assenti sim eu sabia, ele amava Portugal, fora o lugar onde ele crescera e nem mesmo aos dezesseis anos, quando o pai veio a falecer e sua mãe decidiu que voltaria a Edimburgo ele deixou o Porto, convenceu-a que o melhor era continuar onde estava, já que não faltava muito para que concluísse seus estudos, assim sua mãe e sua irmã se mudaram para a cidade da família, mas há um ano, quando o jovem escultor Renfrew firmou-se no mundo da arte, seu agente com muita persistência o persuadiu a mudar-se para Barcelona – sinto falta de tudo, até mesmo da senhora Faria e seus bichanos – tive que rir, senhora Faria era a vizinha de Jake, uma senhora implicante de sessenta e poucos anos, dona de uma quantidade absurda de gatos, que ele odiava, dizia-se alérgico a senhora e aos felinos que insistiam em aparecer em sua casa – Nouel bem sabe a falta que eles fazem-me – gargalhei.

– Como vai Nouel?

Bem, como sempre meio parado, está a ficar mais carinhoso, acredito, ou mais preguiçoso, não te sei dizer – deu de ombros, Nouel era o gatinho que Jake comprou para suprir a saudade de casa, mas reclamava de não ter escolhido um cachorro, pois quando pequeno seu cãozinho dava-lhe mais atenção que seu gato atual – mas ele tem se portado bem com as minhas amigas – comentou casualmente, ri – ah prometi ao Rafa que caso ele venha a procriar um filhote será delecomo?! Arregalei os olhos, fazendo-o rir.

– Só em sonho, não quero filhotes na minha casa, Jake, não invente, por favor – adverti-o.

– Não te preocupes, Nouel é castrado – suspirei aliviada e ele riu novamente – ele parece-me bem aqui, vocês parecem bem aqui – sorriu fraternamente, retribui.

– E estamos, eu já te disse que estávamos bem – assentiu.

Então pretendes ficar?

– Não sei – admiti – acredito que não, voltaremos para casa depois da sua exposição – sorri.

A Isa disse que o Enzo te quer de volta – comentou.

– Sim, eu sei, já falei com ele – dei de ombros, lembrei-me de algo... – Jake, eu acho que te devo desculpas – ele me encarou confuso – o Diego foi um grosso com você – aquele imbecil irritante, pensei – sem motivo algum.

Não te preocupes não me importei – sorriu – não acho que tenha sido sem motivo algum, existem homens que não gostam de ver seus entes queridos na companhia de outras pessoas, amigos, acho que os definimos como ciumentos, não? – sorriu de lado e eu ri.

– Ele não estava com ciúmes, ele estava... – marcando território, sim, ciumento – sendo um babaca mal educado, desnecessariamente.

Ele gosta de ti como?!foi perceptível, acredito que tenhas sido mais grossa com ele, mal educada – estava contendo o riso ao repetir minhas palavras – nem se quer o cumprimentou.

– Ele não... – interrompi-me, sem saber o que dizer ao certo – nós dois não temos nada.

– Vocês têm um filho juntos, já é muita coisa – merda! – Rafael gosta muito dele e pareceu-me ser recíproco.

– É sim, eles estão se dando muito bem – sorri fraco, recebendo de volta um de seus sorrisos, que me fazia sentir vontade de sorrir mais, Jake era cativante, esse era o charme dele, além de ser muito bonito, é claro, fazia sucesso com as mulheres, às “amigas”...

Vais trabalhar depois de eu embarcar?

– Sim, tenho uns anúncios para verificar com uns publicitários – dei de ombros – depois combinei de jantar com uma amiga, Alice esposa do Pedro, se lembra dela? – assentiu.

– Ela está grávida, não está?

– Sim, eles terão uma menininha em breve – sorri boba – ainda preciso ver se consigo falar com a Carla – disse mais para mim mesma do que para ele...

– A morena bonita? – ri assentindo.

– Você gosta de morenas, não é?

– Gosto de mulheres – rimos – mas sim, as morenas atraem-me mais – sorriu, retribuí com um sorriso travesso, acredito, pois ele me encarou com as sobrancelhas erguidas, sorria-me intrigado, morenas o atraem mais... Hmm que interessante...

*****

– Você não cansa de comer? – perguntei a Alice, que praticamente devorou a comida que encomendamos sozinha, sentamos sobre o meu sofá, havíamos acabado de comer, estávamos a espero do Pedro – não faz mal a você ou a Sophia esse excesso de comida?

– Não – deu de ombros – estamos bem, além de que eu preciso nos alimentar muito bem.

– É deu pra perceber que você está se alimentando muito bem.

– Ridícula – mostrou-me a língua – você não comia na gravidez do Rafa?

– Não muito, quase nada, tudo que comia voltava mesmo.

– Então, você gostou do quartinho da Sophia? – pensei em dizer não, mas desisti...

– Sim Alice, está ficando uma graça, principalmente ou milagrosamente não é totalmente rosa, com muitos e muitos laçinhos e rendinhas... – tacou-me uma almofada, ri.

– Ridícula você – riu também – mas eu não pude opinar totalmente – franzi o cenho – o Pedro disse que não queria que a Sophia vivesse num mundo fútil e superficial.

– Ele disse isso? – estava surpresa, esse é o tipo de frase que eu diria a Alice, não o Pedro...

– Claro que não com essas palavras – ri e ela deu-me um meio sorriso – mas foi o que eu entendi e no fundo ele tem razão – acariciou seu ventre, sorri – além do mais, minha decoradora disse que não faz bem para a harmonia criança cores muito carregadas e excesso de frescuras – rimos – e eu confio cem por cento dela.

– Sério? – Alice assentiu – mas eu ainda acho que tá pouquinho fresco, pra mim ainda tá parecendo quarto de boneca e continua sendo rosa – tacou-me outra almofada, rimos.

– Você precisa conhecê-la, Roberta, ela é maravilhosa, ta decorando a casa da Carla e do Tomás também, fez a ultima decoração da minha casa e...

– Eu já entendi – interrompi seu entusiasmo – e acredito que não vou precisar dos serviços dela, quando eu precisar de uma ajuda com decoração já tenho quem procurar – revirou os olhos – além de que eu não devo passar a ela uma boa impressão, é amiga do Diego – bufei, enquanto Alice gargalhava.

– É verdade, principalmente porque ela e a Lizie são bem próximas – revirei os olhos – o que foi Roberta?

– Nada – tentei ignorar, Alice incentivou-me a continuar, merda... – você acha que a Elizabeth é a melhor opção pro Diego?

– É para ser sincera? – assenti – acho, eu não diria a melhor opção, mas seria uma ótima opção, por assim dizer, se eles tivessem optado por continuar juntos.

– Ah... – não sabia o que dizer – entendi – revirou os olhos.

– Não, você não entendeu – suspirou – você não entendeu o bem que a Elizabeth fez para o Diego, enquanto você se encontrava perdida por aí e mesmo assim ele prefere você a qualquer outra pessoa – disse um pouco irritada, qual o problema com as minhas amigas?

– E o que ela fez por ele? – ela me encarou, visivelmente, na dúvida se responderia minha pergunta ou não – o que ela fez Alice? – incentivei-a.

– O Diego voltou a beber depois que descobriu que você havia se casado.

– Ele o quê? – oh merda, eu não esperava por isso...

– Ele bebia quando estava sozinho, começou a se isolar das pessoas, chegou a perder algumas aulas ou a estar em péssimo estado para assisti-las – meus olhos estavam lacrimejados, mas não queria chorar, muito menos sentir esse aperto no peito que parecia não me abandonar – eu não sei ao certo como aconteceu, mas Lizie resolveu que iria ajudá-lo embebedando-se com ele, já que falar não o estava ajudando – arregalei os olhos – eles se encontravam para beber depois do trabalho, ele não queria companhia, mas a Lizie tem um poder de persuasão e tanto – sorriu afetuosamente, verdade – então ela acabava sempre bebendo mais do que ele, embebedava-se mais rápido pela falta de costume e o Diego acabava tendo que cuidar dela, o que limitava a embriaguez dele.

– Então por ela ele parou de beber? – Alice assentiu, oh claro começou por minha causa e parou por ela, pela merda que você fez Roberta...

– O Dih só parou de beber quando a Lizie entrou em coma alcoólico – oh céus...

– O que houve com ela?

– Foi hospitalizada e o Diego ficou com ela, a fez prometer que nunca mais voltaria a beber, e que ele pararia também é claro – suspirei – entendei agora o porquê de a Lizie ser importante para o Diego? Ela estava com ele quando o mesmo precisou – sim eu havia entendido e acima de tudo me arrependido pela milésima vez do que fiz...

*****

...

Nossas respirações pesadas se misturavam, batendo de encontro aos nossos rostos, seu peito arfava, enquanto sentia seu corpo quente sob o meu, nossas peles suadas...

– Você abala todas as minhas estruturas – sussurrei com sua testa colada a sua...

– Você é meu ponto fraco – esfregou o nariz sobre o meu, roçando nossos lábios, mas não me beijou...

– Ponto fraco? – sorri sobre sua boca – música errada, não?

– Eu sei – chupou meu lábio inferior, antes de pronunciar quase que num sussurro a frase que fez meu coração se apertar desconfortavelmente – só que ainda não estou pronto para a nossa música...

...

Diego... Era nome que predominava em meus pensamentos há anos, jogada sobre minha cama, lembrava-me de frases ditas sobre ela, há alguns dias... Ele ainda não estava pronto... Ele ainda não sabia o que queria e esperava de nós... Ele não se sentia bem... Ele não conseguia esquecer, entender e perdoar o que fiz... Oh céus... E eu? Bom, teria que tomar uma atitude...

*****

Estava passeando com Rafael pelo shopping da Barra, há algumas horas, fazendo nossas compras de Natal, era noite de quinta-feira.

– Já pensou o que nós iremos dar ao seu pai, filho? – perguntei ao menino que segurava em minha mão, a que não estava sendo ocupada com diversas sacolas.

– Não sei mamãe, mas precisa ser algo muito legal – encarou-me pensativo.

– Que tal irmos jantar, enquanto pensamos em um presente bem legal para ele, hein? – sugeri e ele assentiu sorrindo, estávamos a caminho da praça de alimentação quando quase esbarramos em uma velha conhecida, acredito que nossas expressões fossem as mesmas, incredulidade e surpresa, rimos.

– Oh my God, eu não acredito – minha “amiga” foi a primeira a se pronunciar, antes de me abraçar por algum tempo um pouco desajeitada pelo número de sacolas em suas mãos, então se virou para o Rafael que sorria para ela e abraçá-lo – awn meu lindo – beijou a bochecha do meu filho – como vocês estão?

– Bem – Rafael respondeu por mim a belíssima morena alta de olhos verdes.

– O que faz aqui? – perguntei sorrindo para ela, que retribuía – está sozinha?

– Não, nós viemos para as festas de fim de ano e uns assuntos profissionais – explicou-me – e vocês, jamais pensei em encontrá-los aqui.

– Pois é, faz tempo que não nos vemos, nós estamos passando um tempo aqui – sorrimos.

– E onde está o Giuseppe? – perguntou-me entusiasmadas, merda!

– Ah...

Continua...

Notas finais
Então, o que acharam? :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.