Começo, Meio E Fim

120 Capitulo 120


Notas iniciais
Espero que gostem ;)

Pov Roberta

– E eu já disse que Rafael e eu permaneceremos aqui, vá para sua casa você!

– Não sem o Rafael! – exasperei-me também, Senhor, que homem irritante!

– Hoje é sábado, meu dia de ficar com ele.

– Você praticamente passou mais tempo com ele durante a semana do que eu, então ficarei com o meu filho o restante da tarde.

– Não foi isso que combinamos!

– Não mesmo! – encarei seus olhos escurecidos de raiva, tão próximo a mim, merda, nós estávamos próximos demais um do outro, quando isso aconteceu? Conseguia sentir sua respiração ofegante bater de encontro ao meu rosto, merda, não estávamos sozinhos, acho que ele também se lembrou, pois nos afastamos instantaneamente – Rafa...

– Onde eles estão? – olhei para os lados, então avistei Elizabeth a poucos metros de nós, conversava com meu filho, que Graças a Deus ou a própria Lizie, ele estava de costas para onde nos encontrávamos e não presenciou... Isso... Merda, Elizabeth... Fomos até eles – oi...

– Amor, vamos? – perguntei, sentando-me ao seu lado.

– Já, mamma? – ótimo, a falta de vontade de ir embora do Rafael, fez com que Diego me lançasse um sorrisinho cínico, ridículo...

– Sim, vamos!

– Ele não quer ir embora, viu?! – Senhor, dai-me paciência...

– Roberta, fica – disse Elizabeth calmamente – vamos fazer um programa completo – sugeriu – ficamos aqui por mais um tempo, nós duas no quiosque enquanto eles vão ao mar, se você preferir, depois pegamos um cineminha para finalizar o dia, então Diego e eu deixamos vocês dois em seu apartamento no final da tarde, que tal? – não iria aceitar, não estava nem um pouco disposta a continuar na presença dele... Que visivelmente não me queria ali – por favor.

– Ok, tudo bem – disse por vencida, diante do sorriso radiante de Elizabeth.

– Ótimo, vem filho – assim Diego e Rafael nos deixaram a sós.

– Como você o aguenta? – perguntei a ela que gargalhou, ri, seu riso era contagiante...

– Eu que deveria te perguntar isso, como você o aguentou? – sorriu e eu suspirei – gostaria de conversar com você – merda, a única coisa que veio a minha cabeça, final de semana passado...

– Pode falar – tentei sorrir naturalmente, falhei obviamente, merda de culpa...

– Não aqui, não agora – sorriu – vamos aproveitar nosso final de semana – assenti incerta – me fale sobre a Gallery, Diego me disse que você tem um artista em mente para a exposição.

– Sim, eu tenho – sorri – um velho conhecido...

Meu final de semana se passou tranquilamente, mesmo tendo que aguentar estar na presença dele... Insuportável. Tudo saiu bem, tenho que admitir que me surpreendi comigo mesmo, a forma como as coisas fluíram entre mim e Elizabeth tão bem e naturalmente, que me fez sentir-me mal por tê-la magoado, eu diria, estar em sua presença me fez perceber que estava errada, pior, que agi de maneira indevida, culpa... Acabei aceitando seu convite para almoçarmos juntas, hoje, segunda-feira... Admito que estava nervosa...

– Oi – cumprimentou-me assim que chegou ao restaurante, sorriu – desculpe-me o atraso, você chegou há bastante tempo?

– Não, imagina, não faz nem dez minutos que estou aqui – retribuí seu sorriso, então fizemos nossos pedidos... – então, você retorna para New York amanhã?

– Sim, logo cedo – assenti, servindo-me do pedido que o garçom nos trouxe há alguns instantes.

– E você não pretende retornar ao Brasil?

– Não em breve, depois dessa temporada longe de casa pretendo sossegar um pouco, estava em Londres antes de vir para cá – comentou.

– Ah sim, sua família é de lá, não é?! – assentiu – e o que uma inglesa faz na América? – riu.

– Vim para sair das saias dos meus pais – nossa – vim atrás da minha independência, digamos.

– Eles eram contra você sair da Inglaterra?

– Mais ou menos, eles me apoiaram, me apóiam, mas não entendem – suspirou.

– O que os seus pais fazem? – perguntei interessada.

– Meu pai é designer de jóias, a família dele possui algumas joalherias no país – Os Hansen, claro – minha mãe é letrada, leciona para universidades e trabalha na redação de uma editora, na parte de traduções – assenti – e os seus, eu sei que sua mãe é uma grande cantora, e seu pai?

– Meu pai é um dos advogados de uma multinacional italiana — assentiu.

– E quais são seus planos, Roberta? – perguntou-me – o que pretende para o futuro? – merda!

– Retornarei a Itália, em breve, espero – sorri.

– Você pretende mesmo voltar para lá? – assenti – apenas você e o Rafael? – merda, sabia a que, quem, ela estava se referindo – eu retornarei a New York, amanhã, sozinha – por que seu olhar me deixa tão desconfortável? Seus olhos azuis, se encarados fixamente é quase possível lhe enxergar a alma, eles refletem quem ela é, sua sinceridade... – sabe um dos principais motivos que me fizeram deixar minha casa, minha família, minha estabilidade em Londres e me aventurar no “novo mundo”? – permaneci calada, olhando no fundo dos seus olhos – eu queria algo que fosse meu, apenas meu, que eu o tivesse conquistado e não que tivesse me sido entregue, ou que por mais que eu tivesse conquistado por mim, no fundo pertencesse à outra pessoa, você entende? – respirou fundo – acho que sim, tenho certeza que sim.

– Elizabeth, eu...

– Quando eu o conheci, ele era tão sozinho – interrompeu-me dizendo – eu havia acabado de me mudar, havia deixado tudo para trás, estava sozinha, assim como ele, só que diferentemente dele, eu ainda falava com os meus amigos, às vezes – a escutava com atenção – fazíamos cursos semelhantes, acabou que tínhamos algumas aulas juntos, passamos a frequentar os mesmos ambientes, nos tornamos amigos – sorriu – eu sempre soube de você, sempre, ele falava tanto de você, chegava a ser chato, tinha vezes que precisava mandá-lo calar a boca – riu e eu sorri – em todos os momentos ele encontrou um jeito de falar e encaixar você naquilo que ele estava fazendo – suspirou – eu me lembro com exatidão do dia em que ele me contou a historia de vocês, e eu me perguntei o que faltava para que ela tivesse um final feliz, vocês dois estarem juntos, talvez...? Mas ele não tinha noticias suas, nenhuma se quer e era terrivelmente angustiante aquilo, vê-lo esperar por algo que ele ansiava tanto, com tanta força e vontade – céus – o tempo passou, ele reencontrou os amigos – PeLice e ToCar – e lá estava ele novamente, cheio de esperanças de te reencontrar, de saber ao menos como você estava, mas nada aconteceu, até que ele retornou ao Brasil, ele estava convicto de que alguém teria noticias suas e assim que ele soubesse onde você estava, iria até você – respirou fundo, enquanto prendia minha respiração, sabia o que viria a seguir... – foi então que ele soube que você havia se casado – me lançou um olhar intenso, um bolo se formou em minha garganta – ele retornou a New York arrasado, bem mais do que arrasado, eu diria, ele não entendia e acima de tudo não aceitava, eu nunca o tinha visto daquele jeito – lágrimas de culpa e arrependimento se formaram em meus olhos, segurava-as, não iria chorar, não queria chorar – ele se tornou frio, tão distantes de tudo, como se nada mais além da Universidade e o trabalho o importassem, levou meses até que eu o visse sorrindo naturalmente de novo, foi um momento difícil para ele, foi quando... – suspirou interrompendo-se.

– Foi quando vocês começaram a se relacionar? – perguntei depois de um tempo em silêncio.

– Não – negou – nosso envolvimento só veio a acontecer alguns meses depois – respirou fundo – ele já estava um pouco mais conformado, digamos, com a situação de vocês.

– Então o que aconteceu?

– Ele estava mantendo a pose de que estava tudo bem, mas era tão perceptível que não estava nada bem, que estava sendo difícil superar aquilo tudo – seus olhos estavam lacrimejados também – levou um tempo até que as coisas melhorassem, até que ele voltasse a viver.

– E você estava ao lado dele? – assentiu – foi então que vocês dois...

– Eu tive um relacionamento antes de me mudar para os Estados Unidos, terminamos pouco antes da minha viagem, meus pais sempre foram contra o meu namoro, o rapaz era mais velho, eles diziam que era coisa de criança e estavam certos, hoje eu os entendo – suspirou – meu ex-namorado, começou a se relacionar com uma antiga colega minha, eu a detestava nos tempo de escola e ele sempre soube, então eles começaram a namorar, meses depois que me mudei – nossa – mas apenas quando eles ficaram noivos, foi que eu acabei me deixando levar ou a viver, não sei, você já estava casada há quase um ano, meu ex estava noivo, então Diego e eu nos deixamos levar, pela carência, necessidade, enfim, foi tão louco e rápido, nunca havia imaginado nós dois, mas acabou acontecendo e o resto da historia você deve imaginar.

– Elizabeth, eu gostaria de lhe pedir desculpas pelo modo como venho me comportado, você tinha razão, nós deveríamos ter nos conhecido melhor...

– Você não tem o que se desculpar – sorriu – está tudo bem.

– Não, eu preciso, você não faz ideia...

– Sim, eu faço – interrompeu-me rindo– sinceridade e companheirismo são as características principais da minha relação com o Diego, sem contar que seria impossível não perceber suas marcas pelo corpo dele – merda, senti-me ruborizar, enquanto ela ria – está tudo bem.

– Não, não está – disse envergonhada – eu sinto muito, me sinto mal pelo que eu fiz.

– Não deveria – advertiu-me – já fui à outra do meu ex, enquanto ele estava namorando e até mesmo durante o noivado, apenas uma, mas fui – ok, fiquei surpresa.

– Mesmo assim, desculpe-me – pedi sinceramente – e eu não te odeio ou detesto – sorri fraco.

– Ok, desculpas aceitas e obrigada – retribuiu meu sorriso – mas isso não responde minha pergunta inicial, quais são seus planos agora que o Diego está solteiro? – merda!

– Não tenho planos pessoais que envolvam o Diego – disse firme.

– Pois deveria – suspirou – eu sei o que ele sente por você, ele nunca me escondeu ou tentou omitir, como te disse, sinceridade é a base da nossa relação, mesmo antes de começarmos a namorar – respirou fundo – ele te amava, te ama e continuará te amando, mesmo que ele negue, é algo que vem de dentro dele, que ele não tem controle, ele apenas te ama e isso não irá mudar – merda – mas a questão é, o que você sente por ele? Você ainda o ama? – merda!

– O que deveria importa é o que você sente por ele e ele por você – disse a ela – você o ama?

– Amo – respondeu depois de alguns segundos, acho que ela percebeu o modo como fiquei tensa com sua resposta – mas não é o tipo de amor que se deve haver entre um casal que pretendem “ficar junto para sempre”, não é um amor avassalador como o de vocês, é uma variação de afeto, carinho, de bem querer – respirou fundo – eu sei o que é amor entre um homem e uma mulher que foram predestinados a ficarem juntos, cresci presenciando esse amor – merda de olhar sincero – o amor dos meus pais, que eu tanto desejei sentir um dia, eu sou filha de um casal que tem uma relação incrível de amor e companheirismo, não os imagino separados, longe um do outro – riu – acho que eu não suportaria se um dia o casamento deles viesse a acabar, meu pai venera a minha mãe, que o adora de corpo e alma – suspirou – não é a mesma coisa que sentimos um pelo outro e mesmo que tentássemos não chegaríamos nem perto senti-lo, pois ele já pertence a você e eu espero do fundo do meu coração que você também pertença a ele – merda de vontade de chorar.

– Eu... – merda de palavras que não saem...

– Não precisa dizer nada – segurou em minha mão, sobre a mesa – só quero que pense no que eu te disse e se um dia você decidir, se vocês decidirem, tentar novamente, faça-o feliz, por favor, não o faça sofrer de novo, por favor.

– Tudo bem – disse a ela, por fim.

– Ótimo – sorrimos uma para outra – agora vamos terminar de comer, porque você precisa trabalhar e eu ainda tenho que pegar o resultado do meu teste de gravidez – merda...

Continua...

Notas finais
Pela centésima vigésima vez... Não deixem de comentar, por favor! Obrigada ;D