Começo, Meio E Fim
121 Capitulo 121
Notas iniciais
Pov Diego
– Todas as minhas malas estão prontas – disse Elizabeth, sentando-se ao meu lado no sofá, deixei o notebook sobre a mesa de centro e a encarei seriamente – melhore essa cara, Diego.
– Já te disse que essa é a única cara que eu possuo e não tenho motivos para estar pulando de alegria, você está me deixando! – acusei-a, fazendo-a rir, bufei.
– Já falei que não estou te deixando, você poderá sempre contar comigo, para o que precisar.
– Eu sei – dei de ombros – o que você queria conversar comigo? – perguntei e a mesma suspirou, já imaginava o assunto, que sinceramente não me agradava nem um pouco, ela estava me deixando... Elizabeth passou os últimos dias distante, mas ao mesmo tempo próxima e atenciosa, como sempre, hoje mais cedo disse que não me acompanharia a casa do meu pai, pois tinha um compromisso, qual não quis me dizer, e depois que cheguei da Gallery disse que precisávamos conversar seriamente... – pode falar.
– Eu não sei por onde começar – segurou em minhas mãos, olhando-me intensamente.
– Então não comece, por favor – merda!
– Mas eu preciso, nós precisamos esclarecer as coisas – sorriu fraco, apertei suas mãos.
– Está tudo bem claro para mim, nada irá mudar!
– Você está confuso – respirou fundo – você acha que as coisas não irão mudar, mas já mudaram, você que não consegui admitir a si mesmo, que nada mais será como antes.
– Eu não quero que acabe, nós dois...
– Já acabou há muito tempo, Diego, você só não percebeu – interrompeu-me dizendo – acabou na noite em que você me contou que havia reencontrado a Roberta, que vocês dois tinham um filho – não acredito que ouvi isso, estava pronto para protestar quando... – nosso namoro acabou naquela noite, não há o que contestar.
– Você está fazendo escolhas por mim – soltei suas mãos, pouco exasperado – mas você veio...
– Não vim ao Brasil como sua namorada – interrompeu-me novamente – mas sim como sua amiga, pois eu sabia que você precisaria de mim, de alguém com quem contar, eu nem ao menos precisava estar aqui – suspirou.
– Mas você veio a trabalho também.
– Essa proposta foi oferecida a Suzan, que não se importou de trocá-la comigo, eu teria ido a Califórnia e ela ao Brasil, mas eu havia lido suas correspondências e sabia que você precisaria de mim, então eu vim, por você.
– Por que você não me contou? – estava incrédulo, chocado e um pouco irritado também.
– Não achei que fosse importante – deu de ombros.
– Oh claro, minha vida e meus problemas são mais importantes do que você – ironizei.
– Eu não vejo assim! – levantamos ficando frente a frente.
– Céus, você jogou tudo pro alto, deixou sua vida de lado para ficar ao lado de um imbecil que não te merece – atirei-lhe as palavras, enfurecido – um egoísta que só pensa nele mesmo, que não te valoriza como deveria, que não sabe cuidar de você...
– Eu gosto desse imbecil e não me arrependo do que fiz – acredito que meus olhos estivessem tão lacrimejados quanto os dela.
– Ele também gosta muito, muito mesmo de você – sorriu – e eu o odeio – sequei uma lágrima que escorria no canto de seus olhos – você tem razão – respirei fundo – eu não mereço você, você não merece estar com alguém como eu, você merece alguém muito melhor, alguém que...
– Não fale assim – interrompeu-me, sequei mais uma de suas lágrimas – não é bem assim...
– É claro que é, você deveria me odiar.
– Mas não odeio, não conseguiria nem que tentasse muito – riu – devo ser masoquista – sorri.
– É sem duvida, você deve ser mesmo.
– Você sabe que nossa relação não irá mudar, não sabe? – assenti – ainda seremos amigos se você quiser – suspirei, céus, como eu queria beijá-la, mas acredito que ela não permitira, então me limitei a abraçá-la, a mesma correspondeu meu ato instantaneamente, beijei o topo de sua cabeça.
– Eu te adoro tanto – apertei-a em meus braços.
– Eu sei – suspirou – eu também te adoro, muito – ficamos alguns segundos assim, até que Elizabeth se afastou sorrindo, fui até sua bolsa, tirando de lá um envelope e estendendo-o a mim – para você – sorriu, peguei-o incerto.
– O que isso? – perguntei só então reparando, que se tratava do um resultado de exame.
– Meu teste de gravidez – acho que foi impossível esconder meu espanto, estava em choque, surpreso, sem saber o que dizer, Elizabeth parecia divertir-se com a situação.
– Você... Er... – merda!
– Abra-o – encorajou-me sorrindo, não podia ser, acho que nunca estive tão ansioso por algo, talvez apenas por algum encontro que teria com o Rafael, meu filho, enfim... Merda, filho...
– Negativo – sussurrei a palavra escrita em negrito itálico, no papel em minhas mãos, confesso que fiquei um pouco aliviado e ao mesmo tempo decepcionado, não seria tão ruim assim ter um outro filho, principalmente se fosse com Elizabeth...
– Eu não estou grávida.
– É, eu percebi – mostrei-lhe o exame – mas o por que disso?
– Para que não houvesse duvidas de que a historia poderia se repetir, não estou indo embora grávida, muito menos levando um filho seu – fui impossível não gargalhar, assim como ela.
– Não se preocupe, não seria tão ruim assim – admiti, fazendo-a sorrir – onde você esteve essa manhã?
– Ah sim, já estava esquecendo-me disso – respirou fundo – almocei com a Roberta hoje.
– Como?! – acho que não entendi direito o que ela disse.
– Roberta e eu almoçamos juntas hoje – deu de ombros – algum problema?
– Depende do que você tenha dito a ela.
– Não disse nada de mais, apenas lhe pedi que cuidasse de você.
– Você o quê?! – Senhor...
– Isso mesmo que você ouviu.
– Eu não preciso de alguém para cuidar de mim, muito menos ela!
– Você precisa sim – disse firme – e acredito que ela precise também de você – bufei – espero verdadeiramente que vocês se acertem de uma vez, superem o passado e sejam felizes.
– Eu sou feliz!
– Você entendeu o que eu disse.
– Isso não irá acontecer, mas também não quero falar nem discutir mais sobre o assunto.
– Tudo bem, mas antes me prometa que irá tentar se acertar com a Roberta, e seja como for.
– Elizabeth, eu...
– Por favor – interrompeu-me – o modo como vocês vem se tratando incomoda ao Rafa.
– Ele te disse isso? – assentiu, merda! – tá, vou ver o que posso fazer, mas isso não significa que nós iremos ter alguma coisa a mais, ok?!
– Ok – sorriu, como se não acreditasse muito em minhas palavras, nem mesmo eu estava certo sobre elas.
– Ótimo – retribuí dando-me por vencido – amanhã então te levarei ao aeroporto, certo?
– Sim – assentiu – mas antes eu preciso passar em um lugar, sozinha.
– E eu posso saber onde você precisa ir sozinha? – negou com a cabeça, sorrindo, tinha uma ideia de onde poderia ser...
Continua...
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