Começo, Meio E Fim
116 Capitulo 116
Notas iniciais
Pov Roberta
Levantei-me da cama ainda exausta, meu corpo estava dolorido e pesado, como se tivesse passado um trator por cima dele... Na verdade, apenas um imbecil, com nome e sobrenome... Já se passava das quatorze horas, tomei um banho relaxante, saí vestindo um short jeans e uma regata branca... Tentava não pensar em nada, muito menos em alguém, exceto Rafael... Queria-o aqui, junto a mim, queria ouvir sua vozinha que me acalma e me faz feliz, em qualquer circunstância, mas optei por não telefonar para ele, não suportaria ter que falar com qualquer um pudesse atender ao telefone, que não fosse o meu filho... Preparei algo para comer, porcarias e guloseimas, tudo aquilo que evito ingerir durante a semana e deixar que Rafael coma com frequência, estava ali jogado sobre minha cama, assim como meu corpo... Tentei de todas as maneiras bloquear qualquer pensamento sobre os últimos acontecimentos, mas eles pareciam não querer me deixar, estava pela milésima vez tentando achar algo que me agradasse e prendesse minha atenção na TV, mas nada, até que sou desperta dos meus pensamentos com o barulho da campainha, merda, tinha até me esquecido que estava esperando por elas...
– Boa Ta... – começaram a dizer em uníssono, assim que abri a porta do meu apartamento, mas calaram-se, imagino o porquê – nossa, o que houve com você? – perguntou-me Carla.
– Péssimo dia – respondi sem ânimo.
– Da pra ver, pela sua cara – disse Alice, fazendo-me revirar os olhos, dando passagem para que elas entrassem, ficamos em silêncio por alguns minutos, uma encarando as outras.
– E? – indagou Carla, arqueando as sobrancelhas para mim.
– E o quê? – perguntei.
– Roberta, você tá bem? – perguntou Alice, assenti, fazendo com que ela e Carla se entreolhassem – sua expressão está péssima – bufei, indo em direção ao meu quarto, seguida por elas, obviamente.
– O que foi? – perguntei a elas que me encaravam com as sobrancelhas arqueadas, joguei-me de volta na cama, pegando a vasilha de pipoca amanteigada.
– Carla, acho que viemos ao lugar certo – Alice retirou os sapatos e jogou-se ao meu lado, ri revirando os olhos, observando-a servisse de pipoca doce.
– Será que da para alguém me explicar o que tá acontecendo?! – perguntou Carla seriamente.
– Nada, nós só estamos sendo felizes – dei de ombros e Alice concordou sorrindo.
– Ok, então felicidade agora virou sinônimo de encher a cara de comida? – assentimos – barras de chocolate, baldes de pipoca doce e salgada, torradas temperadas com azeite, latas de refrigerante – Deus, como a Carla consegue ser chata quando quer... e perceptiva, infelizmente – pra mim isso é coisa de gente frustrada que prefere afogar as magoas na comida, vai por mim, disso eu entendo – merda...
– Enfim, você não vai comer Carlinha? Só pra saber – a careta da minha comadre, diante da frase de Alice, me fez rir, Carla sentou-se à cama, a nossa frente saboreando uma torrada.
– Quando você chegou de Petrópolis?
– Hoje de manhã – deu de ombros – saí de lá com um pouco de chuva ainda.
– Aqui parou de chover bem cedinho – comentou Alice – o tempo abriu, nem parece que choveu ontem o dia todo.
– Não choveu por lá ontem? – perguntei.
– Só no final da tarde, ainda bem, assim não foi uma viagem perdida – sorriu – o ensaio ficou bem bacana, afinal, o que eu faço que não fica esplendido?! – gabou-se, fazendo com nós gargalhássemos, convencida e ridícula...
– Fiquei sabendo... – então Alice calou-se, encarando-me de um modo estranho – Roh, você já deu uma olhada no estado do seu pescoço e colo? — perguntou calmamente.
– O quê? – disse sem entender, então Carla arregalou os olhos, assim como Alice.
– Eu ia perguntar se você havia levado socos, mas pela proporção acredito que tenha sido uma boca nervosa – bufei, enquanto Alice riu – e já tenho uma ideia de quem tenha sido.
– Não estava assim ontem, amiga.
– Ontem?! – merda, Carla – isso ocorreu ontem?
– Eu não contei a ela – bufei novamente revirando os olhos.
– Que interessante, enquanto os gatos saem os ratos fazem a festa – zombou minha ridícula comadre – o que eu deveria saber sobre ontem?
– Nada que seja da sua conta – ralhei – muito menos da sua, Alice!
– E eu que pensava que depois de uma trepada você ficaria um doce.
– Vá a merda, Carla! – gargalharam, ridículas...
– Foi quase uma trepada, Carlinha, eles não chegaram aos finalmente.
– Hum, entendi agora o porquê do péssimo humor – bufei – mas não consumaram por quê? – ok, não acredito que ia falar sobre isso, não de novo...
– Eu acabei empatando a foda deles – Carla riu, enquanto deitei-me sobre os travesseiros e deixei que Alice se encarregasse de contar a amiga os acontecimentos do dia anterior...
– Serio, Roh, eu não acredito – disse divertida – Alice, foi muita maldade da sua parte, coitada, e eu nem digo pelo Diego, mas puxa, acabou com o momento de felicidade que a Roberta não tinha em anos – zombou, antes de novamente gargalhar...
– Já pedi mil desculpas por isso – riu – da próxima vez, eu juro que não atrapalho – riram.
– Não haverá próxima vez – disse seriamente.
– Você diz isso agora, mas no fundo você sabe que está doida para terminar o que vocês começaram aqui ontem e esse desejo não é de hoje nem de ontem...
– Eu transei com o Diego ontem à noite, pela madrugada e esta manhã – disse sem ânimo algum, agora suas expressões não estavam mais divertidas e zombeteiras e sim surpresas, mas permaneceram caladas – não haverá mais nada entre nós, não depois do que ocorreu.
– Vocês discutiram e se magoaram novamente – as palavras de Carla, provavelmente, respondeu o que Alice pensou em perguntar, pois a mesma calou-se ao ouvi-las, assenti.
– Isso não muda o que vocês sentem um pelo outro.
– Mas também não muda o que aconteceu, ele deixou bem claro isso, que nada havia mudado.
– Roberta, ele deve estar confuso, sabe?! – respirou fundo – eu tento me colocar no lugar dele às vezes, é complicado, você mentiu para ele todos esses anos, todos mentimos e o enganamos.
– Eu sei, Alice – Senhor, até quando isso iria continuar...?! – eu disse a ele que não posso mais gerar filhos – suas expressões se alteraram, Alice chocada, surpresa e compadeceste e Carla...
– Oh Meu Deus – Alice me abraçou – eu não sabia, por que você nunca me contou?
– A pergunta correta, Alice é, por que você tocou nesse assunto com o Diego? – merda, não devia ter tocado nesse assunto com elas, permaneci calada e ela entendeu o porquê... Cristo, a Carla precisava ser tão perceptiva diante das coisas? – sua burra – exasperou-se, me assuntando um pouco assim como à Alice – Senhor, como pode haver pessoas tão idiotas nesse mundo?! – bufou irritada, me olhando seriamente, mas ignorei-a, não era da conta dela.
– Carla, você não ouviu o que a Roberta acabou de dizer?
– Eu entendi, querida, mas não sei se você prestou atenção aos detalhes, mas eu vou detalhar para você – respirou fundo – a nossa querida amiga burra aqui – apontou para mim – disse ao nosso querido amigo também imbecil – referiu-se ao Diego, me segurei para não rir – que ela não pode ter filhos, mas a questão é por quê dela tê-lo dito isso – ok, admito que estava sendo engraçada aquela situação – simples, obviamente eles transaram novamente sem camisinha, o que poderia ter gerado consequências se...
– Se a Roberta pudesse engravidar, o que ela não pode – concluiu Alice, fazendo Carla bufar – o que o Dih te disse sobre isso, Roh? – abracei Alice, Graças a Deus, ela não era como Carla...
– Nada – sorri fracamente para ela, que retribuiu – ficou em choque, mas não disse nada.
– Sinto muito, amiga, eu nem sei... – calou-se, não sabia o que dizer... Carla revirou os olhos...
– E ele acreditou, assim como a Alice? – já disse que tenho vontade de bater na Carla?! Pois é!
– Como assim?!
– Deixa de ser idiota, Alice, essa transa sem camisinha deles poderia ter gerado um filho se a Roberta estivesse fértil, o que ela não está, pois há três dias essa idiota estava menstruada – fato – acontece que para tranquilizá-lo a imbecil da sua amiga disse que ser tornou estéril.
– Carla! – repreendeu-a, ok, ela já foi mais rápida de raciocínio – você mentiu?! – acusou-me.
– Não necessariamente – dei de ombros – eu não terei mais filhos!
– Mas isso não significa que você não possa gerá-los – finalmente, Senhor... – e então?
– Decidi que não irei engravidar novamente, não vou passar por tudo aquilo de novo!
– Você quase perdeu o Rafa – assenti.
– Eu poderia ter morrido, meu filho quase morreu, não irei engravidar novamente! – respirei findo – recomendações medicas.
– Os médicos recomendaram que você não tentasse engravidar dentre os dois anos seguintes – Carla, a ridícula intrometida – já se passaram cinco.
– Eu tenho ao Rafa, não irei tentar, você estava lá, você viu o que nós passamos!
– Sim – suspirou – mas as condições eram outras, você era jovem demais e seu corpo não estava preparado para abrigar uma criança – lembrou-me – mas com o passar dos anos você poderia tentar de novo e dessa vez, com calma e sem estresse, os ricos seriam menores, com uma gravidez tranquila, você e o bebê ficariam bem e não houve nada que comprovasse sua esterilidade.
– Não importa, não haverá uma nova gravidez!
– Ok – disse Alice, quebrando o silêncio que se instalou — o Rafa estava animado para o jogo?
– Um pouco – dei de ombros – ele tem gostado de estar com o Diego.
– Pelo menos algo bom nisso tudo – sinceramente hoje não é o meu dia...
Continua...
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