Começo, Meio E Fim
117 Capitulo 117
Pov Diego
– Nossa quanta felicidade – zombou Tomás, quando estávamos apenas, Pedro, ele e eu, na sessão de jogos do shopping, viemos para cá depois do jogo, Rafa estava com os tios, os gêmeos, jogando em uma maquina.
– O que foi? – perguntei ainda sorrindo ao observar meu filho se divertindo – não posso estar feliz, exclusividade de vocês dois?
– Retiro o que eu disse – bufei.
– Querem saber – suspirei – estou muito feliz mesmo, meu final de semana está sendo maravilhoso, estou passando um tempo com meu filho, meus irmãos e uns amigos mais ou menos – eles riram – sem contar que o Mengão venceu e o Rafa estava lá.
– Claro – disse Pedro divertido – o Rafa estava lá com o paizão do ano – revirei os olhos.
– O super-papai, como isso aconteceu Diego?
– Não sei – sorri feito bobo, mesmo sabendo que estava sendo zoado – ele apenas começou a me chamar assim, papai – riram – a próxima será Sophia, agora só falta você desempatar, Tomás – sorriso do meu amigo se desfez.
– Eu digo isso a ele sempre.
– Vocês precisam dizer isso a Carla, não a mim – bufou – sempre que eu toco no assunto ela recua, diz que ainda é cedo.
– Pensava que essa era o sonho dela.
– Eu também, mas acabou que se tornou o meu e não mais o dela – suspirou – ela sempre diz, nós temos ao Rafa e em breve também teremos a Sophia.
– Não – corrigi-o – eu tenho ao Rafa e o Pedrão aqui, tem a Sophia, já você...
– Tecnicamente, eu tenho mais ao Rafa que você – provocou-me, qual é a dele?! – Carla e eu o vimos primeiro – que ridículo – até mesmo antes da Roberta, somos os padrinhos.
– E daí?! Roberta e eu o fizemos, somos os pais.
– Você não tava lá, chegou agora – estava pronto para responder, não muito educadamente quando Pedro nos cortou.
– Chaga, já deu, né?! – disse calmamente – vocês não vão ficar competindo pra ver de quem o Rafa gosta mais, isso é ridículo – Tomás e eu reviramos os olhos.
– É você tem razão, foi mal Diego – pareceu sincero.
– Tá tudo bem, compadre – sorrimos um para o outro.
– Agora sim, é assim que eu gosto de ver as moças – zombou Pedro.
– Tomás – recordei-me de algo – você comentou que viu o Rafael antes mesmo da Roberta – assentiu, visivelmente sem entender onde eu queria chegar – a Carla me disse que estava com ela, quando ele nasceu, que presenciou o parto da Roberta.
– E você quer saber como foi? – assenti – cara – respirou fundo – foi complicado, muito complicado – merda – eles quase não sobreviveram, as chances eram mínimas, principalmente para o Rafa – sua expressão estava séria e distante, como se recordasse de algo desagradável – foi num momento como aquele que eu aprendi a dar valor a vida, acho que todos nós, agradecermos a Deus – riu – fiz inúmeras promessas naquela época, ainda cumpro uma.
– Como assim? – Pedro fez a pergunta que me passou pela mente.
– Carla e eu ajudamos entidades carentes, anualmente.
– Belo ato, promessa? – perguntei interessado.
– Sim – ouvíamos atento – nós prometemos que caso a Roberta e o Rafa sobrevivessem faríamos doações a algumas entidades, intituladas aos Arcanjos do Senhor, como maternidades, orfanatos e abrigo para necessitados.
– Então, vocês doam a todas as entidades que são intituladas aos três Arcanjos? – sorriu.
– Não, apenas as que não recebem amparo, localizadas no Brasil e no Sul da Itália.
– Que orgulho desse menino – Tomás sorriu negando com a cabeça, diante da frase de Pedro – é serio, é um ato muito bonito, por que você nunca disse nada?
– Caridade é para ser feita, não exibida.
– Gostaria de ajudar também – comentei.
– Dois, então, quanto maior a ajuda melhor – assentiu meu compadre, mas não disse nada.
– Por que os arcanjos? – ok, pergunta obvia.
– Nossa Diego, essa até eu sei, São Rafael, São Gabriel e São Miguel – disse um tanto quanto desconfortável o ultimo nome, que...
– O Rafael sabe sobre essa historia, sua caridade? – assentiu – é por isso que ele gosta do nome Miguel? – fazia sentido se fosse... Talvez não, Tomás hesitou antes de responder...
– Essa é a historia preferida dele – explicou-me – ele já a ouviu umas mil vezes e ainda assim é a preferida dele – o encarei confuso.
– A batalha do céu – disse Pedro – o bem contra o mal, a luta entre os anjos, historia clássica.
– São Gabriel, arcanjo mensageiro, amigo de Deus – refleti – São Miguel, arcanjo guerreiro, o herói da batalha entre os anjos, mas e São Rafael?
– O anjo da cura – respondeu-me Tomás – o arcanjo da morte...
(...)
– Então, você não subiu ao apartamento da Roberta para deixar o Rafa? – Lizie perguntou-me, enquanto estava retratando minha pele, passava um pente fino sob ela, a fim de livrar-me dos chupões, ridículo ela estar fazendo isso, eu sei...
– Sim, primeiro deixamos os gêmeos em casa, depois deixei os rapazes com ele, já que suas mulheres estavam lá e inventei uma desculpa para não subir.
– Você é um idiota, Diego!
– Aii... – passou com força os dentes do pente sob minha pele – por que isso?
– Pela maneira como você vem se portando – bufou, enquanto eu revirava os olhos – se fosse comigo eu nunca mais olharia na sua cara.
– Tudo isso por que eu discuti com a Roberta hoje de manhã?
– Você não soube entendê-la, nem se importou com o estado emocional dela, ela estava frágil.
– Frágil?! – perguntei indignado.
– Você...
– Chega, Elizabeth! – a repreendi, céus, como eu fui arrumar uma namorada defensora da Roberta?! Eu mereço... Respirei fundo, encarando-a – nada mudou, nem irá mudar – merda, ela desviou seu olhar do meu...
– Se vire, deixe-me ver o estado das suas costas – ri, virando-me ficando de costas para ela, quando a mesma começou a passar-me um creme – nossa, tem certeza que foi uma mulher que fez isso em você? Parece mais que foi atacado por uma loba – ri, uma leoa, pensei, merda!
– Suas mãos são tão delicadas – comentei, sentindo-a massagear minhas costas – e precisas.
– Obrigada, faz parte do meu trabalho.
– Você deveria ter ser tornado massagista profissional – riu – é um desperdício usar essas em objetos que não podem apreciá-las.
– Obrigada, mas amo o que faço – apertou meus ombros – e você está desviando o foco.
– Você quer falar sobre o meu dia, então? – me virei ficando frente a ela agora, que assentiu – ótimo, então vamos falar sobre o pedido que o Rafael me fez mais cedo.
– Que pedido?
– Pediu-me para levá-lo a New York, para visitá-la, porque você está indo embora – acusei-a.
– Eu ia te contar – suspirou.
– Quando? Semana que vem, quando você já estivesse com as malas prontas?
– Dih olha, nós sabíamos muito bem que eu não poderia ficar por muito tempo – escutava-a com atenção – meu trabalho terminou por aqui, não tenho mais o que fazer no Rio, no Brasil.
– É claro que tem – olhei no fundo dos seus olhos azuis reluzentes – você tem a mim, sempre.
– Eu tenho uma vida em New York, não posso ficar, não mais.
– E nós?
– Sempre estarei ao seu lado, para o que precisar – suspirou – sabe que sempre podará contar comigo, não sabe?
– E nós? – perguntei novamente, não queria que ela... Que nós...
– Nós ficaremos bem – sorriu – sempre ficamos – puxei-a para meus braços, apertando-a contra mim.
– Eu vou voltar também, em breve, ok? – ela não respondeu, apenas ouvia-a suspirar – quando vai?
– Na próxima terça-feira.
– Ainda tenho uma semana com você? – riu.
– Sim, você tem – beijei topo de sua cabeça – acho melhor irmos dormir – disse saindo dos meus braços, colocando o pente e seu creme sobre o criado mudo.
– Vem cá – deitei-me sob a cama, convidando-a para aconchegar-se em meus braços, assim ela fez – amanhã, você poderia me acompanhar até a casa do meu pai, durante o treino do Rafa.
– Tá – concordou – você voltará a treiná-lo diariamente?
– Sim, nós já havíamos combinado que eu ficaria com ele algumas manhãs durante a semana, o levaria para casa do meu pai, depois no final da tarde o deixaria em seu apartamento.
– Sim – ficamos em silêncio, por alguns minutos, pensei que ela já havia adormecido – Dih...?
– Hum...
– Você sabe do que o marido da Roberta morreu?
– Infarto – respondi sem pensar, na verdade, eu não sabia, mas não queria falar sobre isso, ficamos em silêncio novamente, até que...
– O que você tem dito ao Rafa?
– Como assim? – perguntei sem entender.
– Ele me disse que eu serei a mãe do irmão dele – o quê?!
– E quem mais poderia ser – disse depois de um tempo, a Roberta que não seria, não mais, pensei, merda!
– Boa noite, Diego.
– Boa noite, Elizabeth – beijei o topo de sua cabeça, ainda pensando na frase que ela havia pronunciado a pouco e no que descobri esta manhã, “a mãe do irmão dele...”
Continua...
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