Começo, Meio E Fim
103 Capitulo 103
Notas iniciais
Pov Roberta
Estava me perguntando, o que mais pode acontecer no meu dia?! Além de reencontrar e passar um tempo com velhos conhecidos, no meu antigo e amado colégio, Elite Way... Bem, fora o fato de não estar muito confortável com toda essa situação, ainda fui recebida de braços abertos pelos meus antigos diretores, não que eu esperasse outra coisa vinda da Leila, mas o abraço e o comentário que recebi do Dr. Jonas, me surpreendeu muito, “Ah Roberta, que falta você nos faz... Nunca mais tivemos alunos com você, não é verdade Vicente?... Pergunte a Leila e ela confirmará, alunos determinados e de pulso firme... Como você está, querida?” Me segurei ao máximo para não gargalhar, assim como ToCar, PeLice e Diego, esbocei apenas um sorriso educado... Sem contar o quão desconfortável estava sendo para mim e visivelmente para Eva, estarmos no mesmo ambiente, ela não falou muito, sinal de que eu não era a única incomodada com a situação, ela estava inquieta, era perceptível, tentei ao máximo não olhar em sua direção, mas sempre sentia seus olhos sobre mim...
Já fazia algum tempo que estávamos apenas nós mulheres conversando, Leila contou-nos sobre as ultimas aventuras da mãe em Buenos Aires, Dona Ofélia se mudou para a Argentina, há pouco mais de um ano, abriu um bistrô por lá e parece não estar disposta voltar. Mas, o assunto em pauta agora era filhos, devido as reclamações que Alice vez ou outra fazia, de que a Sophia estava agitada, não parava de se mexer e blábláblá...
– Quanto tempo Alice? – perguntou Márcia.
– Vinte e três semanas –respondeu Alice sorrindo – quase seis meses já.
– Nossa tudo isso – disse Leila – parece que foi ontem que você descobriu que estava grávida.
– Pois é, o tempo passa rápido demais, já faz um mês que eu descobri que era menina – olhou para mim – já faz um mês que você está aqui – sorri e ela piscou para mim.
– E a Sophia está bem, Alice? – Pilar perguntou.
– Sim, a Selma – sorri ao ouvi-la pronunciar o nome da minha antiga ginecologista... – disse que a bebê está ótima, apesar de que ela está um pouco grandinha para um bebê de cinco meses e por isso talvez nasça um pouco antes do tempo – suspirou.
– Mas isso pode fazer algum mal a vocês? – Silvia questionou.
– Não, nós estamos bem, estou dentro do peso ideal para o período e a Sophia está se desenvolvendo bem, só está um pouco apertadinha dentro de mim, por isso não para quieta.
– Agradeça a Deus por ela estar inquieta – disse a Alice que sorriu para mim, entendendo o que eu queria dizer, assim como Carla.
– O Rafa tão era inquieto nesse período? – Becky e suas perguntas, Carla ia dizer algo a irmã, mas lhe sorri, demonstrando que estava tudo bem.
– O Rafael era quieto demais, mais do que o normal – Becky não foi à única a ficar intrigada, suspirei antes de contar sobre minha gravidez a elas, que pareciam em choque, surpresas e compadecestes, as únicas que conhecia minha historia além da Carla, obviamente, era Alice e Eva, mas todas pareciam não saber o que dizer.
– Mas vocês estão bem agora – Becky foi a primeira a se pronunciar, depois de um tempo e assenti sorrindo levemente – sabe o que é engraçado – a olhamos sem entender – é vocês três, Alice, Carla e Roberta, frequentarem a mesma ginecologista – rimos do seu comentário.
– Ela não é mais minha ginecologista – dei de ombros.
– E acabou de deixar de ser a minha – disse Carla – imagina se me acontece o mesmo que com essas duas – desdenhou, fazendo-nos rir.
– Eu quero mais netos, moça – disse Leila divertida a nora que sorriu.
– Anotou o pedido da sua madrasta direitinho, não é Pilar? – rimos.
– Já passei a minha fez, já dei minha contribuição à família, sua vez Carlinha – minha comadre bufou, revirando os olhos.
– E antes que alguém diga algo – Márcia sorriu – também estou passando a minha vez, por enquanto.
– Seu pai não irá gostar muito disso – comentou Silvia.
– Tenho certeza que ele não irá se importar, ele tem ao Rafa – elas riram, apenas suspirei, eu tenho ao Rafa...
– Então Carla? – Leila insistiu.
– Eu também tenho ao Rafa – gabou-se rindo, ridícula... – Tomás e eu – piscou para mim, revirei os olhos – então contenha-se com o Gui e a Lari – sorriu para a sogra, que negou com a cabeça sorrindo – ah, eu tenho a Lana também – deu de ombros.
– E você Becky? – perguntou Silvia.
– Apenas a Lana, ela é impossível – sorrimos – Roberta? – Meu Deus, qual o problema dessa mulher? Tinha que ser a irmã da Carla... Todas me olharam ansiosas, eu diria.
– Eu estou ótima – sorri, como se não entendesse a pergunta, ela iria dizer algo, mas...
– Becky, vem comigo procurar as meninas? – Pilar a chamou, agradeci mentalmente – faz algum tempo que elas não passam por aqui – a loira assentiu, esquecendo ou simplesmente deixando para lá o que iria dizer, assim criando-se uma situação perfeita para...
– Eu vou com vocês – disse Márcia, afastando-se também.
– Vou dar uma olhada em como está a preparação do almoço – Leila sorriu – Silvia?
– Claro – assim, restou apenas Alice, Carla, Eva e eu...
– Preciso ir ao banheiro, Sophia apertando tudo dentro de mim – sorriu, desculpa – Carla, você...
– Você precisa dela para te ajudar ir ao banheiro?! – ironizei e ela me fuzilou com os olhos.
– Vamos Alice – me ignoraram, mas sabia que elas, assim como as outras, tinham em mente, o olhar que minhas amigas me lançaram confirmava-me isso... Situação perfeita para me deixar a sós com a Eva... Estava pronta para me sair de lá também, quando...
– Você vai continuar me evitando – a primeira frase que Eva pronunciou depois de minutos, horas, em seu silêncio inquietante, não foi bem uma pergunta, me virei para encará-la, diante do seu olhar, precisei me manter firme para não desabar em lágrimas e suprir minha saudade dela em um abraço... – você jamais irá perdoar o que eu fiz, não é?!
– Já disse que está perdoada – agradeci a Deus pela firmeza em minha fala.
– Você jamais entenderá o que eu fiz – algumas lágrimas já escorriam pelo canto dos seus olhos – sei que foi um grande erro, se eu pudesse voltar no tempo, talvez eu não tivesse feito o que fiz, não daquela maneira, mas eu pensava que daquela forma eu estaria assegurando o seu futuro, que de alguma forma estava fazendo o que era certo...
– Certo?! – debochei, tentando conter as minhas lágrimas – você pensava que estava fazendo o certo, interferindo na minha vida?! – estava um pouco exasperada também.
– Eu fiz o que achei que seria melhor para a minha filha – merda – fiz tudo o que pude por você... – sabe aquela frase de que, “você só entenderá quando tiver seus próprios filhos”, aquela que toda ou a grande maioria dos pais jogam na cara de seus filhos, pois é, com as palavras da Eva, eu entendi que aquela não era apenas uma frase feita, era uma espécie de profecia de vida, eu verdadeiramente havia entendido o que ela fez, o que ela foi capaz de fazer pela filha dela, por mim... Não que tivesse aceitado, não, jamais aceitaria, mas entendi... Afinal eu também havia feito algo, errado, pelo meu filho, por ele... Talvez, sim, até mais incorreto do que a minha mãe foi capaz de fazer, achando que estava agindo da melhor maneira, por mim... Ali eu a havia compreendi e a perdoado, de mente e coração, só espero que um dia meu filho me perdoe também... – Roberta, eu... – não a deixei terminar de falar, abracei-a fortemente pegando-a desprevenida, mas ela correspondeu, envolvendo-me em seus braços... Céus, como senti falta deles, falta disso, a falta dela... – filha...
– Mãe – falei com a voz embargada pelo choro, que já não conseguia mais conter, ela cobrir meu rosto com beijos, enquanto secava minhas lágrimas...
– Você tem certeza de que vocês estão bem – era a milésima vez que Eva me perguntava se Rafael e eu estávamos bem, fazia algum tempo que estávamos sentadas conversando e recuperando-nos do excesso de choro, as outras ainda não haviam voltado, acredito que nem apareceriam tão cedo, para nos dar mais liberdade e espaço.
– Sim, estamos e ficaremos melhores a partir de agora – sorri para ela que retribuiu.
– Awn, meu bebê – beijou me rosto – acho melhor procurarmos pelos outros.
– Tá, sou vou dar uma passada no banheiro antes, quero jogar uma água no rosto.
– Quer que eu vá com você?
– Não precisa – sorri – vai procurar as outras que já encontro vocês...
Quando estava saindo do banheiro esbarrei em três pessoinhas, que corriam pelo corredor do colégio, espera aí, três?!
– Oi Roh – disseram em uníssono ao passarem por mim.
– Hey, aonde vocês vão com tanta pressa? – perguntei.
– Estamos procurando o Rafa, ele sumiu – as palavras de Danilo fizeram meus olhos arregalarem levemente.
– Como assim sumiu?!
– Estávamos brincando de pique-esconde e não conseguimos achá-lo – respondeu Guilherme.
– Achamos que ele se perdeu – disse Bruno, Meu Deus...
– Quanto tempo faz isso? – perguntei um pouco aflita.
– Já faz um bom tempo – ok, não vou entrar em pânico... – mas ainda não procuramos em todos os cantos do colégio – comentou Guilherme – ele é bem grande.
– Ok, então vocês procuram por aqui e eu irei procurar lá fora – disse a eles, indo em direção ao jardim, sem me importar com a frase, “mas você nem estava brincando...”, que algum deles disparou.
Era só o que me faltava o Rafael se perder no colégio, mas confesso que me preocupou bastante esse sumiço dele, o procurei por vários cantos do jardim, até que os avistei... Paralisei no instante que os vi juntos, pareciam se divertir... Observei-os por um tempo, eles nem pareceram perceber minha presença, estavam ali, justo ali, juntos na piscina... Água e nós, nós e água... Foi então que me notaram, sorriram, foi impossível não corresponder ao sorriso de ambos... Tão lindos, tão meus...
Continua...
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