Começo, Meio E Fim
57 Capítulo 57
Notas iniciais
Pov Roberta
- Eu estou falando sério, Carla Ferrer – disse a ela rindo, estava com ela no telefone a alguns minutos.
- Eu sei, sua ridícula – ela gargalhava, ouvi a campainha tocar incessantemente.
- Carla, eu tenho que desligar, tem um idiota tocando a campainha aqui, não se esqueça de dizer ao Rafa que eu já estou com saudades e lhe mandando um beijo, ok?!
- Pode deixar, beijo.
- Beijo – desliguei o telefone sorrindo e corri para abrir a porta, meu sorriso se desfez assim que vi quem estava parado diante dela, sua expressão não era das mais amigáveis, seus olhos pareciam queimar de raiva?!
- Acho que chegou à hora de termos uma conversa – Diego disse friamente, cedi espaço para que ele entrasse – o Rafael está?
- Não – disse calmamente – estava com o Tomás, você não quer se sentar?
- Não!
- Bom... – comecei dizendo, mas me calei quando ele levantou um envelope branco – o que é isso? – perguntei confusa, mas ele não respondeu, ao invés disso entregou-me o envelope, que peguei incerta.
- Leia, apesar de eu ter certeza de que você já sabe do que se trata – disse ríspido, eu estava confusa, quando bati o olho no envelope, meu coração disparou, sim eu sabia do que se tratava, olhei para ele de relance, seu olhar estava sobre mim atento e frio, olhei rapidamente o conteúdo do envelope, apenas para confirmar do que se tratava, e sim, havia chegado à hora que eu tentei evitar o máximo que pude – o que significa isso Roberta?
- Exatamente isso que está descrito nesses papéis – disse tentando me manter calma.
- Então, segundo esses papéis eu tenho direitos legais sobre o Rafael e direitos financeiros sobre os bens do menino também – ele riu debochado – se eu entendi e li direito o seu falecido marido me deixou o meu filho como herança, não?! – disse sarcasticamente.
- Não é bem assim, ele...
- Ah e como é? Explique-me, porque eu não devo ter entendido direito – zombou.
- Você apenas tem o direito sobre os bens financeiros do Rafael se conseguir provar que há algum parentesco entre vocês – ele riu debochado – e não há nada que te dê direitos legais sobre ele – agradeci a Deus, por minha voz ter saído firme, porque eu estava com um aperto no peito e uma vontade louca de chorar.
- Claro, afinal se fizéssemos um teste de DNA, o resultado não apontaria que eu sou o pai biológico do menino, não é? – zombou novamente – o que seria um parentesco, não? – meus olhos estavam lacrimejados e minha respiração estava falha – o que você pensava, hein? Que eu abriria mão do meu filho? – estava exasperado – você voltou para me contar sobre o Rafael, apenas pelo testamento, não é? Por que de qualquer forma eu saberia do menino? Por que o seu marido, resolveu me nomear tutor do meu filho, NÃO É?!
- Sim – dessa vez minha voz saiu como um sussurro, ele andava de um lado para o outro, lágrimas rolavam pelo meu rosto.
- Que tipo de mãe você é? – sua pergunta me paralisou – porque para o seu marido não confiar em você para cuidar do menino, deve ser das piores – suas palavras me atingiram como uma bofetada, não, uma bofetada teria, sem dúvida, doído menos.
- VOCÊ NÃO SABE O QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO? – tentei me defender – VOCÊ NÃO PRECISOU PASSAR PELO QUE EU PASSEI, VOCÊ NÃO ESTAVA LÁ, VOCÊ NÃO SABE DE NADA, VOCÊ NÃO SABE O QUE É SER MÃE, VOCÊ NÃO SABE NEM O QUE É SER PAI – esperava que as minhas palavras doessem nele também, de alguma forma – ENTÃO NÃO ME VENHA FALAR SOBRE QUE ESPÉCIE DE MÃE, EU SOU!
- VOCÊ NÃO ME DEU A CHANCE DE ESTAR! – estávamos exaltados – VOCÊ SIMPLESMENTE FOI EMBORA SEM ME DIZER UMA PALAVRA! VOCÊ NÃO ME ESPEROU!
- EU NÃO TE ESPEREI?! VOCÊ QUE SIMPLESMENTE FOI PARA NOVA YORK E ESQUECEU QUE EU EXISTIA!
- CLARO, O FATO DE EU TER VOLTADO DUAS VEZES POR VOCÊ, COM CERTEZA PROVA QUE EU ME ESQUECI DA SUA EXISTÊNCIA! – duas vezes?
- Você voltou apenas uma vez, anos depois!
- Meu Deus, não se finja de desentendida! Sua mãe me disse, que mesmo você sabendo que eu estava voltando ao Brasil, você ainda sim preferiu ir para Itália! – Como? Quando? – mas isso não muda o fato de que eu quero o meu filho, comigo! – estava atordoada – nenhum juiz negará o pedido de guarda a um pai que foi privado de conviver e, pior, até mesmo saber que tem um filho – meu maior medo estava ali, exposto a minha frente, ele tiraria meu filho de mim.
- Você tiraria o Rafael de mim? – perguntei num sussurro.
- Não tenha dúvida que sim! – disse convicto.
- Mesmo que eu te implorasse e suplicasse para não fazê-lo? – sussurrei e ele me olhou intrigado.
- Roberta...
- Eu peço, imploro e suplico – seus olhos se arregalaram, deixei que as lágrimas caíssem em abundância e fiz algo que jamais pensei que faria na vida, mas pelo meu filho e para tê-lo junto a mim, eu seria capaz de tudo, então me ajoelhei diante do homem parado a minha frente, o homem que um dia eu amei com toda a intensidade que havia dentro de mim – por favor, não tire o meu filho de mim, por favor! – meu olhar se prendeu ao dele, o olhar dele tão firme e ao mesmo tempo confuso? Em choque? Não sei descrever, eu estava confusa, com medo e fraca – por favor...
Continua...
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