Começo, Meio E Fim

11 Capítulo 11


Pov Roberta

...

- O senhor não está me entendendo – disse um pouco agitada – eu preciso muito falar com ele, preciso -lo.

- Roberta – Leonardo me disse com calma – penso que não seja o momento certo, ele está bem, se adaptando, seguindo o caminho que ele escolheu – respirou fundo – deixe-o como está, será melhor para vocês dois, não estrague a vida de vocês e o que tinham juntos precipitando as coisas...

...

- O Leonardo está certo, filha – Eva disse, enquanto fazia um cafuné em meus cabelos, eu estava em seu colo aos prantos – vai ser melhor assim, por um tempo, é claro, deixe que o tempo dirá se vocês deverão ou não ficar juntos...

...

Havia chegado à hora, me levantei do sofá, respirei fundo antes de ir até a porta, quando a campainha tocou. Lá estava ele, com o mesmo ar de superioridade de alguns anos atrás, não aparentava ter envelhecido muito, seus olhos transpassavam uma mistura de raiva com ódio, nos encaramos por alguns segundos, até que liberei a passagem para que ele entrasse, ainda não havíamos trocado nenhuma palavra, estávamos frente a frente.

- Acho que me deve uma explicação – ele disse quebrando o silêncio entre nós – a minha família.

- Não devo nada ao senhor, talvez ao seu filho apenas.

- Não deve?! – riu debochado – claro que deve, e muito! – não respondi – onde o menino está?

- Saiu...

- Claro, você não quer que nós nos aproximemos dele, não é?! – não foi uma pergunta, permaneci calada – isso não vai acontecer, temos o direito...

- Seu filho tem o direito – o interrompi – não o senhor...

- Eu sou o avô daquele garoto, que você nos escondeu durante anos, por que...

- Pensei que não era o momento certo, preferi deixar como estava – respirei fundo – para não estragar com nossas vidas e com o que tínhamos vivido juntos precipitando as coisas – disse olhando pra sua expressão de choque ou surpresa, com minhas palavras, ele havia entendido, sei que havia.

- Eu não sabia... – fez uma pausa – você deveria ter me dito, poderíamos dar um jeito...

- Dar um jeito?! – ri debochada – o senhor sempre desprezou a idéia de eu ser a mãe do seu neto – ele me olhava incrédulo, mas permaneceu calado – quando ainda estávamos no colégio e eu ganhei um anel de compromisso, já deduziu que eu estivesse grávida, e se eu me lembro bem o senhor deixou bem claro sua opinião naquela época, que era contra a vinda daquela criança, que só existia na sua imaginação.

- Era diferente – não respondi, nos calamos por um tempo – ele sabe? O menino sabe?

- De tudo.

- E o que seria esse seu tudo?

- Ele sabe que tem uma outra família, de um pai que ele não conhece, sabe porque nos separamos, sabe de tudo que ele precisa saber.

- Ele entende? – perguntou incerto.

- Sim.

- E não quis conhecer a família do pai dele?

- Ele já conhece a família do pai dele – respirei fundo – a família do meu marido.

- Que não era o pai...

- Meu marido foi o pai do Rafael, o pai que ele conheceu, que cuidou dele, o pai que ele amou e que o amava independente de ser ou não o pai biológico – fiz uma pausa – se o senhor quer saber ele nunca se interessou em saber nada sobre vocês, nunca teve nenhuma curiosidade, sempre teve tudo o que precisava – respirei fundo tentando me acalmar – vocês nunca fizeram a menor falta... – ele não respondeu, apenas me olhava com raiva, quando achei que iria dizer algo a porta se abriu e meu pai e meu filho entraram por ela.

Continua...