Combustão
11 Capítulo 10
Notas iniciais
"Onde você estava?" Perguntou Robin, abraçando a esposa por trás enquanto plantava um beijo na base da sua nuca. Regina apertou as mãos dele contra a sua barriga, murmurando algo em resposta.
"Eu estava lá embaixo, dear."
"Planos para nós?" Murmurou ele, mordiscando a orelha dela. Ela suspirou enquanto sentia a boca dele quente contra o seu pescoço novamente.
“Na verdade, não.” Ela se afastou dele e virou-se para ele, suas mãos acariciando aquele rosto belíssimo, os dedos deslizando sobre os cabelos lisos, arrepiados. “Eu tenho um convidado.”
“Conhecido?”
“Sim.”
“Frequentador assíduo?”
“Não.”
Robin sorriu, as sobrancelhas formando um arco. “Novato?”
“Conosco, é. Mas não sei dizer se é novato na prática, tenho minhas dúvidas.”
Regina sorriu ao senti-lo puxar a bainha da sua roupa, os dedos dele acariciando a nuca dela até ela amolecer com o contato. No minuto seguinte, Robin apertou a bunda dela com força e beijou seu colo, a língua preguiçosamente molhando a pele. “Estou com fome da minha esposa…”
“Acho que ela também sente sua falta.” Resmungou ela, e enfiou a boca na dele, sorrindo. Robin era seu sabor preferido. Ela jamais se cansaria de beijar aquela boca, de sentir os toques daquelas mãos, do calor daquelas pernas ao seu redor. E esse era o maior tesouro do seu relacionamento: ela poderia conhecer milhares de sabores, o dele continuava sendo único. Continuava sendo o melhor. “Quanto tempo temos?” A voz dela era suave contra a orelha dele.
“Tempo suficiente.”
Regina revirou os olhos quando sentiu Robin deitando-a sobre o balcão e seus olhos fixaram no visor do rádio relógio posicionado na prateleira da cozinha. O tempo seria ineficiente, e ele se atrasaria para o trabalho. Ela sorriu.
Regina caminhou apressadamente até a porta. Não esperava ninguém, e o toque da campainha a deixou em alerta. Robin já havia saído para o trabalho, e ela estava sentada sobre o sofá assistindo alguma porcaria televisiva. Vestindo um macacaquinho azul turquesa e saltos, ela estava definitivamente pronta para eventualidades.
"Emma?"
A jovem loira estava à sua frente, com um visual que mais parecia uma fantasia sexual. Saia plissada, meias até o joelho... Era intrigante.
"Olá, Regina."
"Entre." Regina sorriu e mediu-a da ponta dos saltos até a cascata dourada feita pelos seus brilhosos fios de cabelo enquanto ela passava. Uma vez do lado de dentro, elas ficaram frente a frente e Regina sorriu. "Aconteceu alguma coisa? Sua irmã... "
"Minha irmã não sabe que eu estou aqui." Disse Emma, cortando e atropelando-a com as palavras, numa rapidez impressionante. "E eu gostaria que ela não soubesse que eu estive."
Os olhos de Regina ganharam um tom mais escuro, e ela balançou a cabeça, afirmativamente. "Como quiser."
Emma a acompanhou até a cozinha. Seus olhos não estavam habituados a este nível de sofisticação. A casa era estonteante e com certeza, decorada com requintes europeus. A cozinha era bonita e prática, móveis de aspecto colonial em madeiras pesadas e pintadas num tom branco fosco que contrastava com os eletrodomésticos de ultima geração. Emma sentou-se numa banqueta e apoiou os cotovelos no balcão enquanto observava a morena em movimento.
"Café? Suco? Ou algo mais pesado?"
"Eu sou menor de idade, você sabe disso não?"
Regina sorriu e pegou duas taças de cristal. "Não precisa mentir para mim, Emma. Eu sei sua idade. Mas também sei que você bebe até cair quando está longe da sua irmã."
"Como você pode saber disso?"
"Eu conheço uma pessoa festeira pelo olhar."
Emma engoliu em seco. Regina sorriu e preencheu as taças com suco de morango, bebendo alguns goles do seu logo em seguida. Emma pegou sua taça e bebericou alguns goles antes de começar a falar.
"Eu... Preciso da sua ajuda."
"Como eu posso ajudar você, Emma?"
Como ela iria dizer aquilo? Não havia maneira fácil.
"Eu quero que me ajude a ser mais como você."
Regina sorriu, mas não tirou os olhos da loira. "Como eu? Em que sentido? Você precisa ser mais específica, para começar."
"Eu vejo a maneira como minha irmã olha para você e como meu cunhado olha para você. Você sabe do que estou falando. Quando você passa, as pessoas olham para você como... Como..."
"Como se me desejassem."
Emma ruborizou imediatamente e repensou aquela ideia, que agora parecia bem idiota. Regina era uma mulher complexa, poderosa, segura de si. Por que ela toparia esse jogo com uma adolescente?
"Não tenha vergonha, Emma. Você quer ser desejada, isso é normal e muito aceitável."
Emma mal conseguia olhar em seus olhos sem hesitar. Mas Regina fincara os olhos nela como uma águia fitando sua caça.
"Me permita perguntar uma coisa, Emma. Quem é a pessoa?"
"Que pessoa?"
"A pessoa que a atormentou a ponto de você pedir ajuda para mim. Me desculpe mas eu conheço as pessoas. Você não faria nada disso sem um impulso."
Emma a encarou por alguns segundos e então expirou ruidosamente. Regina sorriu, satisfeita. "O nome dele é Humbert Graham, e ele é meu professor do curso extra de literatura estrangeira."
"Eu o conheço."
"Puta merda! Isso não vai dar certo."
"Já está desistindo, Emma? Você acha que vai fisgar um homem como Graham com essa determinação minada? O fato de eu o conhecer é uma vantagem. Sei do que ele gosta. Se quiser desistir, pode ir. A hora é agora."
Emma levantou-se, mas surpreendeu Regina ao caminhar até a morena, ficando perigosamente próxima. "Eu não vou embora, Regina."
"Então me mostre o que sabe fazer, Emma. Me seduza."
Emma mordeu o lábio e apoiou as mãos nas coxas nuas e macias. Posicionando-se entre as pernas semi abertas, Emma acariciou-lhe o pescoço. Afastando o cabelo, Emma lhe deu um beijo leve no pescoço, e deixou que seus dedos deslizassem pela pele pálida, numa carícia suave. Emma nunca havia feito aquilo. Ela não era inocente mas nunca havia beijado uma mulher, muito menos houvera uma mulher à sua mercê. E justo esta mulher.
Aos poucos, Emma deixou seus lábios trilhar caminho acima, roçando o maxilar delicado e por fim roçando seus lábios, degustando ainda que simbolicamente da textura aveludada dos seus lábios. Regina suspirou e Emma a soltou. Rápido demais. Regina enfiou a mão nos cabelos loiros, entrelaçando-o aos fios longos e puxou-a com a força para si, fechando as pernas ao redor dela e a outra mão voou para a nuca dela, segurando com força. Regina roçou o nariz contra o nariz dela, e então deslizou a língua sobre o lábio superior da loira, que abriu a boca delicadamente, almejando o beijo. Regina sorriu e segurou o lábio inferior dela entre os dentes, para depois os sugar com os lábios.
Emma ja havia esquecido como respirar, mas o ar voltou como um soco quando Regina a soltou e levantou do banco. No entanto, a morena passou por trás da loira e puxou seu cabelos, fazendo o pescoço pender para trás enquanto beijava o pescoço dela e sussurrava.
"Se quer me impressionar, vai ter que fazer bem mais que isso." Regina a soltou, e Emma abriu os olhos. "Me desculpe, mas tenho algumas coisas para resolver. Fique a vontade." Regina afastou-se, indo na direção dos quartos.
Tinker estava lavando as persianas quando viu sua irmã saindo pelo portão lateral dos Locksleys. A esponja caiu das suas mãos e ela soltou a mangueira. Emma não a viu, entrando pela porta dos fundos da casa.
Isso já era demais. Regina estava ultrapassando os limites, primeiro David, agora Emma. O que ela estava pensando? Que ia destruir todo e qualquer relacionamento por conta da sua luxúria sem tamanho? Não mesmo.
Tinker entrou para dentro da casa, apressada. Subiu as escadas, e sem parar para respirar, abriu a porta do quarto de Emma, deparando-se com ela vestida apenas com jeans e sutiã, procurando uma camiseta na gaveta.
"Bater na porta é uma ótima ideia, deveria tentar." Brincou Emma.
"O que você estava fazendo na casa dos Locksleys?"
"O que tem de mais?"
"Tem muita coisa. O que você foi fazer lá?"
"Nossa, Tinky. Por que está tão brava?"
"Eu só quero saber que assunto você tem para tratar com eles."
Emma colocou a camiseta, sorrindo. "Regina é inteligente, moderna, articulada... Eu gosto da companhia dela. Qual o problema? Ela não pode ser minha amiga porque já é sua amiga? Quem é a adolescente aqui?"
"Emma!" Gritou Tinker e a irmã paralisou, observando-a com incredulidade. "Eu não quero você perto da Regina."
Emma deu uma risada amarga. "Por que não? Está com medo de eu ficar obcecada por ela como você está ficando?"
"Cale a boca."
"Sai do meu quarto e leva o seu ciúmes com você."
"Eu não estou com ciúme."
"Está e sabe disso. Mas se eu quiser, eu vou continuar frequentando a casa dela. Você não é minha mãe. Mamãe morreu. Pare de tentar ocupar o lugar dela."
Antes que Tinker respondesse, Emma colocou a mochila nas costas e saiu, deixando-a para trás.
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