Combustão
12 Capítulo 11
Notas iniciais
Flashback on
Mary Margareth engoliu em seco quando viu Tinker, Hook e Emma sentados nas primeiras fileiras dos bancos de madeira da igreja. O padre fazia um sermão preciso sobre o amor leal, sobre a lealdade entre marido e mulher, e Mary perguntou-se se algo estava entrando na cabeça da amiga. Tinha esperança que sim. Regina não era uma boa companhia para ela. Um sorriso vitorioso se instalou em seus lábios. Tinker ia se dar conta de que Mary era uma amiga melhor do que Regina e tudo ia voltar ao normal.
David a cutucou com o cotovelo.
“Do que está rindo?”
“Nada. Preste atenção no padre, querido.”
David não se importava com a merda do padre, mas ele não diria aquilo para sua esposa. Seus olhos estavam pregados em Tinker. Ele a observava, atencioso a cada movimento dela. E sentia-se deturpado e sujo por almejar a mulher de seu amigo na casa de Deus.
Você não a quer, David. Ela é sua amiga.
David repetira esse pensamento por anos, anos e anos. No começo, ele fizera efeito e amortecera sua paixão proibida. No entanto, estava cada vez menos eficiente.
“Que surpresa você aqui!” Brincou Mary, abraçando-a alegremente. Tinker retribuiu com a mesma intensidade, sorrindo timidamente. A missa já havia acabado e a maioria dos presentes se dispersava para as suas casas, enquanto pequenos grupinhos se formavam ali pela calçada.
“Eu me mudei para algumas ruas mais longe. Não mudou muita coisa.”
“Tinky, vou esperar no carro.” Resmungou Emma, afastando-se logo em seguida com o rosto voltado para a tela do celular.
“Como está a vida na alta sociedade?”
“Muita coisa para lavar, passar e cozinhar.” Resmungou Tinker, sorrindo. Mary Margareth não era uma pessoa ruim. Era uma boa amiga, animada, divertida – possivelmente, estava se sentindo trocada ou insegura e isso explicaria seu comportamento infeliz. Era nisso que Tinkerbell tentava focar, embora ouvisse Hook resmungando o tempo todo sobre como Mary era chata, grudenta e ciumenta. “Passa lá em casa para a gente conversar e beber alguma coisa.”
“É um plano ótimo.”
“Tinker, precisamos ir agora.”
Hook parecia impaciente, e sorriu para Mary antes de se afastar, indo na direção do carro.
“O que ele tem?”
Tinker olhou para trás, incerta. Mas sorriu para a amiga, e deu sua melhor desculpa. “Ele tem trabalhado muito. Só está cansado. Nós possivelmente vamos fazer uma viagem para a casa do lago no próximo final de semana, o que acha?”
“Quem vai para a casa do lago?”
A voz de David atingiu Tinker como uma lufada de ar quente, mas ela manteve o sorriso imóvel. David encarou-a com o semblante sério, pois se sentia da mesma maneira e nenhum dos dois assumiria. “Tinker e Killian nos convidaram para a casa do lago, querido. Acho que não temos nenhum compromisso no próximo final de semana, não é?”
“Não, não temos.”
“Considere o convite como aceito.” Cantarolou Mary Margareth. “O que quer dizer que já estamos atrasados com os preparativos. Ei, Granny Rogers! Não vá embora, eu preciso falar com você.” Gritou ela para uma senhora de cabelos grisalhos que estava prestes a atravessar a rua. “Tinker, eu preciso tirar uma dúvida do refogado com a Granny. Mas eu te ligo depois, tudo bem?”
“Estarei esperando.”
Mary Margareth os deixou ali, sozinhos e se afastou. Tinker o encarou por alguns segundos, os últimos acontecimentos repassando pela sua mente como um filme num loop automático. David sorriu para ela, e embora ela estivesse fascinada pela maneira como o lábio dele se curvava quando sorria, havia algo ainda mais intenso que fazia seu ar passar rarefeito pela traqueia.
“Não é certo o que está fazendo com ela.”
“Como?” Os olhos azuis arregalaram-se instantaneamente. Ela sabia. Sabia que ele a desejava, e o estava rejeitando e pior, o achava um porco imundo. David sentia a pontada de uma terrível enxaqueca se aproximando.
“Você e Regina.”
Ele sorriu.
“Você não sabe do que está falando, Tinker.”
“Eu vi você saindo da casa dela ontem à noite, e sei que o Robin não estava em casa também.”
David sorriu. Era óbvio para ele que ela estava com ciúmes e a sensação que isso lhe causava era deliciosa.
“Eu...” Tinker relutou, engolindo suas palavras. Havia muito que ela queria dizer, mas Hook a estava esperando e ele ficava ainda mais insuportável quando irritado. “Preciso ir. Killian e Emma estão me esperando.”
David observou-a caminhar até o carro e depois deu meia volta, sorrindo satisfeito.
Flashback off
Faltava pouco mais do que alguns minutos para a aula acabar e uma minoria de alunos permanecia na sala. Aos poucos, eles se aproximavam da mesa de carvalho enegrecida de Humbert Graham, deixavam seus testes e saíam em direção ao corredor animado, recheado por risadas e gritos, uma atmosfera adolescente repleta de segregação e despreocupação. Graham ergueu a cabeça apenas o suficiente para fixar os olhos em uma das alunas.
Emma o encarava de volta, mordiscando a ponta da caneta. Ela já tinha terminado, ele podia jurar. Era inteligente demais para ter levado todo esse tempo com um teste que não fora sequer bem bolado. Os testes prontos eram uma afronta para ele, uma piada em forma de avaliação e Humbert Graham era o primeiro da extensa lista de professores a desprezá-los. Mas ele não se preocupava com isso no momento. Sua mente gritava que ele deveria ter bom senso e não se envolver com uma aluna. Sua mente berrava estridentemente que ele precisava ter consciência de que ela era uma adolescente. Linda, sensual, provocante. Mas ainda sim uma adolescente.
Ele se perguntava o que poderia estar passando naquela belíssima mente. Emma Swan Jones era uma criatura precoce e prodigiosamente abençoada. Seu portfólio de leitura era invejável, mas ele jamais diria isso a ela. Planejava conservar a delicadeza e humildade dela com suas sufocantes e autoritárias exigências. Queria que ela se tornasse promissora, uma precedente de seu tempo. Ele só não tinha ideia de ficar perto dela seria como se aproximar do fogo, e sem que percebesse, ele já estaria queimando. Lenta e profundamente.
A sala estava se esvaziando com rapidez, mas Emma continuava lá sentada, encarando-o. Vez por outra, ela sorria e isso o enfurecia, este era um jogo que ele não seria capaz de vencer e esse fato não passava despercebido a ela.
O sinal tocou e Graham suspirou aliviado.
“O tempo acabou, coloquem os testes sobre a mesa.”
Os alunos saíram exasperados e jogaram as folhas sobre a mesa dele, mas Emma arrumou sua bolsa e colocou-a sobre o ombro lentamente, esperando que todos saíssem da sala. Ela não tinha pressa. Assim que seu último colega saiu do recinto, Emma levantou e caminhou até ele com lentidão. Seus cabelos loiros estavam soltos e balançavam com leveza, brilhantes e cheirosos. Ela sabia o que estava fazendo, e por um minuto, sentiu-se no controle.
“Está brincando com fogo, senhorita Jones.” Questionou Graham assim que ela se aproximou da mesa e colocou seu teste sobre o montante.
“O que eu fiz?”
Um sorriso ordinário traçou os lábios finos dela enquanto o olhava atentamente.
“Emma, isso é errado.”
“Eu entreguei meu teste, professor. Não colei de ninguém. Não vejo onde isso está errado.”
Ele a fitou, surpreso. Emma desempenhava o papel de jogadora com destreza e isso era intrigante.
“Tudo bem, senhorita Jones. Espero que tenha feito um bom teste.”
“Eu espero ter passado no seu teste, Graham. Porque no meu, você não passou.”
“Como?”
Emma debruçou-se sobre a mesa, e deixou que sua boca encostasse de leve na orelha dele, sentindo-o arrepiar sob seu toque. Ela adorou aquilo. Foco! Seu busto ficou na altura dos olhos dele, e ela sabia que ele não ia perder a oportunidade de espiar para dentro. Com cuidado e com a maior sutileza que pode, Emma sentenciou-o com algumas palavras. “Eu vejo a maneira que você me olha, Humbert. E nós dois sabemos que não é como professor.”
O sussurro eriçou todas as células do corpo dele, mas assim que abriu os olhos Graham percebeu que ela estava quase saindo da sala. “Emma!” Chamou ele, apreensivo.
“Não se preocupe, professor. O seu segredo está a salvo comigo.”
David desceu as escadas logo atrás de Regina. Em silêncio, ele observava tudo com avidez, desejando talvez guardar cada ínfimo detalhe em sua memória. O veludo bordô atiçava seus instintos, e a atmosfera ao redor deles estava carregada. Era impossível não estar envolvido pelo que aconteceria a seguir.
Regina abriu uma das salas do extenso corredor iluminado pelo feixe de luz vermelha.
“Por aqui.”
Eles adentraram uma sala climatizada com alguns apetrechos almofadados. A sala era revestida pelo familiar veludo bordô, com algumas bancadas de mármore branco onde variedades quase infinitas de acessórios eróticos estavam expostas – apenas esperando para serem utilizadas.
“Você tem alguma dúvida, David?”
David olhou para ela em silêncio. Regina Locksley era um enigma. Ele jamais a entenderia, jamais entenderia Robin mas ao mesmo tempo, era profundamente agradecido à eles por serem quem eram, afinal, como ele se libertaria? Nada daquilo podia realmente fazer parte da sua vida. Sua esposa era uma pessoa doce e delicada, e imaginava que seu marido era um homem bom e decente, detentor de boa moral e bons costumes. Ele não ousaria decepcioná-la. Mas ao mesmo tempo, estava cansado de decepcionar a si mesmo. Sob a própria ótica, sentia-se um fracassado. Não podia ser ele mesmo. Não fazia o que tinha vontade. Não se sentia no controle de sua vida. Sentia-se em um barco sem remo; como se as rédeas de sua vida mudassem constantemente de mãos – mas nunca estivessem nas suas.
“Não.” Respondeu, e observou enquanto Regina desatava o nó de seu robe e deixou que este caísse no chão. Seu corpo esbelto parecia uma pintura renascentista erótica sob o ponto de vista boudoir. O tórax protegido por um corpete de couro amarrado em suas costas, os seios perfeitos despidos e à mercê de seu toque, a calcinha minúscula e a cinta liga firme, que puxava as meias 7/8 para o topo das coxas torneadas. Regina estava sempre de salto alto, mas naquela situação era um afrodisíaco dos mais potentes e letais. Ela sorriu quando percebeu a maneira que David analisava seu corpo. Ah, essa sensação! Estava sentindo falta dela. Regina piscou para ele e caminhou em sua direção, parando na sua frente. Com cuidado, ela deslizou as mãos pelo tórax dele até chegar à barra de sua calça jeans. David não se moveu. Parecia hipnotizado por ela e apenas assentiu quando Regina abriu botão por botão da sua camisa social e a derrubou no chão, analisando o abdômen duro e dividido em tabletes de músculos. Mary Margareth tem um belo pacote em mãos. “Assim fica melhor.”
“Como faremos?” Perguntou ele, tentando parecer o mais indiferente possível embora fosse extremamente fácil para Regina farejar seu nervosismo.
“Está vendo aquele arco suspenso? Você vai prender minhas mãos ali com a algema.” David balançou a cabeça, afirmativamente. Um sorriso perverso nasceu nos lábios da morena. “Há uma barra na bancada com duas tornozeleiras, mas fica a seu critério. Depende do quão imóvel você precisará dos meus membros inferiores.” Regina virou-se de frente para ele e pensou em como aquele homem era bonito. Injustamente perfeito. Os olhos eram claros, límpidos como a própria água e combinados ao cabelo loiro liso e ao sorriso perfeito. “Minha palavra de segurança vai ser Maçãs.”
“Maçãs?” Riu ele.
“Elas são doces e suaves, exatamente o mesmo gosto do meu suor quando estou excitada.” Provocou ela, deliciando-se quando notou que ele engoliu ruidosamente. “E David?”
“Sim?”
Regina enfiou a mão na nuca dele e puxou-o para si, beijando-o. Sua boca faminta adentrou a dele, puxando-lhe a língua, saliva, ar e tudo mais, mordiscando-o e lambendo-o de dentro para fora. As mãos dele imediatamente desceram para o quadril dela, que ele apertou desejoso. Regina respirou fundo assim que suas bocas se afastaram.
“Não se esqueça de se divertir. Estamos aqui para libertar o seu prazer.” Sussurrou ela contra a boca dele, sorrindo.
Um lampejo de dor fez com que Regina retraísse os pulsos algemados acima de sua cabeça. Ela mordeu o lábio, analisando pela pancada o chicote que ele escolhera. Cerdas curtas, couro legítimo, prazer iminente. Seus olhos vendados não permitiam que ela previsse onde e quando ele a acertaria, e isso aumentava a intensidade da espera, a expectativa urgente do próximo passo.
David salivou ao fitar Regina a sua frente. O corpo dela era um rebento de desejos, carne em abundância nos lugares certos, curvas acentuadas prontas para derrubar homens no precipício de seu sabor. A respiração dela soava rouca e ofegante, desritmada e ele vez ou outra notava que ela mordia o lábio inferior à espera de seu toque.
Ela sentiu as cerdas firmes e ardentes contra os seus seios descobertos e mordeu o lábio inferior. Podia sentir a umidade preenchendo lentamente o tecido da sua minúscula calcinha. David era um cavalheiro apesar de tudo. Podia sentir na maneira que ele batia o chicote que ele sentia prazer em lhe infringir dor, mas ao mesmo tempo, preocupava-se com a intensidade do golpe de modo a não causar dor demais. Regina se perguntava o que Mary Margareth pensaria dessa situação, o que ela diria ao ver seu marido chicoteando outra mulher seminua e algemada.
Longe de ser frágil, Regina tinha alma de leoa. Poucas vezes permitira-se esse tipo de atividade. O homem a fazê-la submissa tinha que ser imponente, porque o prazer dela era particularmente em dominar, em estar no comando. O chicote não era um velho conhecido de sua pele, mas aquele em particular lhe era familiar.
“Eu quero que gema para mim.”
A voz de David estava embargada pelo tesão e Regina odiou-se por estar vendada. Queria ver aquela transformação. Queria ver o relutante e inseguro David retomando o controle, queria ver seus ombros alinhados, o tórax alinhado, aqueles olhos escurecidos pelo poder e pela luxúria. Merda, ela queria ver. O chicote acertou-a com força na virilha, e ela gemeu, o corpo pendendo e puxando as algemas.
“David...”
“Senhor. Me chame de senhor.”
Eu não vou chama-lo de senhor. Ainda não.
“Eu quero mais, David.”
Ela podia senti-lo sorrindo. Sabia o que ela estava fazendo. Forçava-o a ir além, pressionando-o para que a punisse sem medo, eles estavam em território seguro, ele estava no comando e ela submetera-se à isso.
David deu a volta nela, encostando seu tórax na costa dela e puxando-lhe o cabelo para trás com força. Isso, David. Me domine. Mostre-me do que é capaz. “Senhor, Regina. Eu quero mais, senhor.” Ele enfatizou a palavra senhor, e Regina sorriu, certa de que ele não poderia ver seu sorriso malicioso. David pegou uma das cerdas e passou pelos lábios dela, que a sugou e lambeu-a com devoção. Os olhos dele fitaram o movimento da língua dela ao redor do couro, e ele precisou focar no que fazia a fim de ignorar a vontade que crescia ao redor de seu umbigo, uma vontade visceral de acabar com aquilo e simplesmente fodê-la.
Regina não se lembrava de ter se sentido tão deliciosamente excitada, tão perdidamente entregue a alguém estando no papel de submissa. Mas algo em David, algo na maneira como ele a subjugava era hipnótico e fazia com que a libido dela crepitasse ensandecida. Ele lambeu seu pescoço enquanto deslizava o chicote pelo seu corpo, acariciando-a.
Em algum momento, o estalo das cerdas contra seu corpo fez com que o coração dela sobressaltasse. Com o cabo do chicote empunhado em sua mão, David sentia-se completo. Ele sentiu como se respirasse novamente após anos de privação do ar. Regina era perfeita, submissa a ele de corpo e alma. Ela estava entregue ao seu delírio, e David mordia o lábio toda vez que seus pensamentos iam muito além do que ele poderia, porque ambos sabiam que não se tratava de sexo. Era bem mais do que isso.
As cerdas batiam com força na pele cintilante, e Regina puxava os pulsos, de modo que a algema tilintava ao tocar no arco de aço suspenso. Era gostoso bater nela, e ele pensou nas razões pela qual seu peito ardia. Tinkerbell Jones. A mulher que não era sua. A mulher que jamais seria sua. A mulher pela qual ele nutria sentimentos profundos e perigosos – os quais era obrigado a engolir como se fossem pílulas de vitamina B6. Seu braço endossou sua dor, e David passou a inferir golpes um tanto mais fortes, acompanhando seus pensamentos miseráveis a respeito da mulher inalcançável.
Regina sentira o exato momento quando ele passou a intensificar os golpes e lembrou-se porque Robin a impedira de continuar com a brincadeira de submissa. “Você precisa parar de ser orgulhosa, Regina. Vai se machucar ao recusar-se a usar a palavra de segurança. Isso é idiotice.” A cada golpe firme de David, Regina podia sentir sua pele arder, o sangue formigar por baixo da sua epiderme, correndo de um lado para o outro em ebulição constante. Ela era mesmo orgulhosa demais para pedir que ele parasse. Ela era forte. Ela era uma leoa.
“Sim, senhor...” Gemeu ela, de modo que as chicotadas vinham com bastante ferocidade e a faziam gemer alto, os olhos alagados com lágrimas tímidas. Ele ia esfolá-la.
“Geme mais alto, sua puta.” Resmungou David, o tom de voz rouco e sombrio. Era quase irreconhecível. Regina sorriu mesmo quando as lágrimas deixaram um leve gosto salgado em seus lábios. Ele tinha atingido seu ponto. O ponto aonde sua fantasia mais sombria vem à tona e tudo que você precisa fazer é vivenciá-la. Era isso o que ele estava buscando, e era isso que Regina prometera a ele.
“David...” Gemeu ela, fraca. Regina estava um tanto fraca, inerte pela dor que agora se apoderava do seu corpo. Use a palavra de segurança. Use a palavra de segurança. Use...
O antebraço de David estava dolorido, mas ele continuava levantando-o a fim de tomar impulso para o próximo golpe. A pele vermelha e a maneira como Regina gemia baixo estavam enlouquecendo-o, e ele sentia que ia gozar ruidosamente em seus jeans a qualquer momento. “Geme gostoso, cadela.”
“Sim senhor.” Respondeu Regina, retomando as forças. David soltou o chicote no chão e abraçou-a por trás, lambendo seu pescoço. Regina mantinha-se quieta, embora o rosto ainda estivesse uma bagunça por contra das lágrimas que ali escorriam. As mãos dele massageavam seus seios, com vontade e desejo enquanto a boca dele acariciava sua jugular com os dentes e língua. “Você é deliciosa.” Regina mordeu o lábio inferior. Não responda, não responda, não responda...
David era gostoso e a havia dominado como ninguém nunca o fizera, e isso havia tirado Regina de sua zona de conforto. Ela estava em seus braços, sendo tomada pelas suas carícias. Fechou os olhos e deixou que o tesão a abraçasse. David deu a volta nela e retirou a barra de suas pernas. Regina sentiu quando ele pegou suas pernas delicadamente e colocou-as ao redor da cintura dele. Sua respiração cessou quando ela sentiu uma boca quente e molhada em volta de seu mamilo, e no instante seguinte, um par de dedos que a penetrou delicadamente, passando a entrar e sair com força. "Você está encharcada... Seu corpo está implorando por mim, Regina."
Ela estava com todo o corpo a um passo da explosão de sensações, e a ferocidade dele em penetrá-la com os dedos era sufocante. "Diz que eu sou melhor que ele..." Sussurrou David e Regina apenas gemeu, permitindo que David conduzisse a fantasia usando seu corpo. Não fazia ideia de quem ocupava a mente dele nesse momento, mas isso também não importava. Ele a penetrava com velocidade, e ao adicionar mais um dedo, começou a forçá-los contra ela. "Eu sei que você me quer... Eu vejo a maneira que você me olha..." Sussurrou David contra a boca dela, sentindo as costas dela arqueando no seu colo; enterrou o rosto no pescoço dela e mordeu sua jugular, passando a língua em seguida. Os dedos dele se misturaram à cabeleira negra e ele gemeu na orelha dela. "Seja minha, Tinker. Me faça teu."
Regina abriu os olhos no exato momento em que ouviu o que ele sussurrava, e suas coxas contorceram-se involuntariamente, enquanto seus gritos se misturavam as ondas descontroladas que o orgasmo causado por ele provocaram. "Maçãs, David! Maçãs, maçãs..."
David esperou que a respiração de Regina voltasse ao normal. Com cuidado, ele colocou-a em pé e soltou as algemas, pegando-a no colo. Regina estava exausta, completamente frágil. Ele sentou-a sobre a poltrona macia e acariciou seu cabelo, encostando seus lábios nos dela num beijo leve e carinhoso.
"Obrigado. Você não faz ideia de como isso foi importante para mim."
Regina sorriu, encarando-o. "O prazer foi meu, literalmente."
David parou de sorrir quando olhou para os pulsos dela, dilacerados pela fricção da pele contra o frio alumínio das algemas. "Regina! Olha para os seus pulsos, merda. Eu machuquei você!"
"Calma garotão!" Sorriu ela. Ela acenou para que ele pegasse o robe dela, caído no chão e ele o fez. "Eu sei meu limite. Se não eu não disse nada, é porque eu aguento."
"Então estamos bem?"
Regina gargalhou. David estava de volta, solícito e inseguro. Era incrível como a rapidez da mudança. "David, querido. Isso foi ótimo, delicioso. Eu transaria com você se pudesse mas acho melhor mantermos isso profissional, não?"
"Você está certa." Respondeu ele.
"Estou sempre certa."
Resoluta, Regina levantou-se e o ajudou a se vestir. Seus dedos delicadamente ataram os botões de volta às suas casas, e minutos depois, David estava recomposto.
"Quer ajuda por aqui?"
"Não. Eu me viro. Você precisa se apressar antes que Mary desconfie da sua demora querido."
David estava a caminho da saída quando voltou-se para trás e observou a morena recolhendo a barra de espaçamento e tornozeleira do chão. "Regina..." Ela virou-se para ele. "O Robin sabe que..."
"Sabe o que iria acontecer, só não sabe que seria com você."
"Você se importaria em não dizer o meu nome?"
"Tudo bem, David. Posso fazer isso."
David caminhou até ela e a puxou para si, deitando a cabeça dela em seu tórax e acariciando seus cabelos. Ele beijou o topo de sua cabeça.
"Você é a pessoa mais confiável e maravilhosa que eu já conheci. Obrigado."
Ele se afastou e se dirigiu para a saída sozinho.
Regina estava prestes a subir para o seu quarto quando a campainha tocou. Não esperava ninguém; David já havia saído há algum tempo e Robin só chegaria na madrugada.
Sua pele ardia toda vez que roçava no tecido fino do robe, assim como sua mente ardia toda vez que se recordava de David gemendo o nome de sua vizinha. Ardia ao pensar que aquele tinha sido o ápice do seu orgasmo.
Com maestria, Regina caminhou até a porta, checando no reflexo dos espelhos decorativos se algo estava aparecendo demais. Ela usava apenas o robe o e cabelo estava preso em um coque frouxo, mas estava apresentável.
"Tinker?"
Por incrível que pareça, Regina estava surpresa com a presença da loira ali. Já era tarde da noite para qualquer que fosse a ocasião.
"Precisamos conversar." Sibilou a loira, entrando na casa sem ser convidada e passando por ela com uma irritação transparente no rosto.
Regina revirou os olhos e fechou a porta, imaginando o desgaste emocional que essa conversa causaria.
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