Combatentes
25 Senhores de ninguém
Notas iniciais
Em capítulos anteriores
— Finalmente boa parte dos arquivos foram descodificados. – Shikamaru começou calmo. – E graças a eles ficamos sabendo de algumas coisas e precisamos confirmar outras.
— Estamos indo para o próximo passo, pessoal. – Temari prosseguiu e descruzou os braços. Shikamaru puxou uma cadeira a ver que Temari iria tomar a frente das explicações, mas ao sentar-se recebeu um olhar inquisitório e fulminante. – Eu e Shikamaru iremos dizer o que obtemos até o momento.
— Primeiro precisam saber de que como o nível de codificação é muito alto o sistema não conseguiu todas as informações. – Temari fez uma pausa. – E por isso podemos estar saltando no escuro.
*
— San Pedro, Costa Rica
— Eu deveria ter desconfiado que continha uma segunda intenção naquela frase. – Tenten brincava ao lembrar as palavras ditas pelo Hyuuga ao constatar a situação em que se encontrava.
— Não questionei se você seria a minha garota para poder te levar para cama. – Ele viu o sorriso largo, a sua camisa branca no tronco feminino servindo de única veste superior. – E além do mais você já estava na minha cama.
Fez questão de refrescar a memória de Tenten, a qual ergueu uma sobrancelha e elevou a cabeça do peitoral masculino.
— Arremate perfeito. – Manifestou e afastou-se do parceiro, o qual viu a suspirar segundos depois. – Sabe...
Tenten não prosseguiu com sua fala a ver Neji virar o rosto para o lado e suspirar igualmente a ela já prevendo o assunto que seria abordado pela Mitsashi: Hyuuga Hinata.
— Deixe-me falar ao menos! – Protestou. – Nem sabe do que se trata.
— Tenho uma boa ideia. – Neji retrucou. – E pense está tudo ótimo para você vir com esse assunto agora, não?
Tenten fez questão de formar um bico em protesto mesmo concordando redondamente com o Hyuuga. Aquele momento era deles e seria uma pena estraga-lo, contudo qual melhor hora do que aquela para iniciar um assunto delicado?
— Concordo. – Retornou a deitar-se sobre o corpo seminu sentindo o peso do braço masculino em suas costas. Neji sorriu por tê-la perto novamente e por pensar que o assunto mal começado havia se liquidado. Grande engano.
— Mas sabe, acho que Hinata não seria uma informante. – Começou, não de forma calma e lenta, pelo contrário: bastante afoita. Como se fosse sua única oportunidade de expressar-se. O que não era verdade e Tenten sabia que Neji escutava cada palavra que saia de seus lábios. Até mesmo as mais desnecessárias. – Ainda mais depois de tudo o que foi dito. Sei que você é esperto suficiente para perceber e obteve tempo para esfriar a cabeça.
Neji escutava cada palavra, via ela gesticular com uma mão depois de novamente afastar-se dele, observava sua camisa e a pele bronzeada pelo sol enquanto Tenten tentava o fazer regredir em suas conclusões. A mesma cessou, quando notou que Neji não estava prestando tanta atenção assim no que ela dizia e sim nela própria.
— O que foi? – Não ficou brava, pelo contrário. Pela primeira vez sentiu-se envergonhada e até inibida por ser contemplada de tal maneira. – Tem alguma coisa nos meus dentes?
Não havia nada em seus dentes, mas mesmo assim resolveu levantar e seguir até o lavabo para verificar os mesmos, mas Neji bloqueou a sua tentativa de fuga.
— Não tem nada de errado com eles. – Era estranho vê-la agir de modo tão reprimido, quando costumava ser bem espontânea. – E você tem razão.
Aquilo era extraordinário ou ainda estava imersa ao mar de sensações pós sexo para estar ouvindo aquilo. O simples fato de Neji concordar que ela tinha razão. Franziu as sobrancelhas e sorriu fino.
— Sabia que você iria enxergar pelo mesmo ângulo. – Tenten passou o dedo na corrente que sustentava a plaqueta de identificação sendo avaliada neste meio tempo. – Confesso que não faço ideia da onde está a minha.
Mudou de assunto novamente e segurou a plaqueta. Neji viu ela estranhar e sabia que o semblante demonstrando curiosidade era devido à falta da segunda plaqueta, pois as plaquetas de identificação se constituem em duas unidades. Uma informando os dados do soldado e ao outra as substâncias que causa reação alérgica no indivíduo.
— Não tenho a segunda visto que meu organismo reage a qualquer substância de forma oposta. – Viu o afirmar positivo. Tenten já detinha conhecimento sobre essa informação.
— Hyuuga. – Leu o sobrenome na plaqueta de forma pensativa. Será que era tão negativo carregar aquele sobrenome?
— Esse sobrenome combina com você, não acha? – Ouviu a questão afirmativa e observou ele retirar do pescoço. – Fica bem melhor em você, senhora Hyuuga.
Tenten olhou a plaqueta pender sobre seu colo e analisou o nome platinado. Hyuuga? Bem nela? Neji esperou pela piada, mas está não veio. Aquele gesto poderia ser interpretado de várias maneiras e Tenten escolheu a sua mesmo sabendo a verdadeira.
— Está querendo fugir das responsabilidades que este sobrenome comporta? – Tentou, mas não conseguiu. – Sinto-me lisonjeada, mas não obrigada.
— Não sou homem de fugir de responsabilidades. – Neji rebateu ao mesmo tempo que a puxou pelas pernas para cima do seu tronco. – Eu só quero que você fique com ela, pois acho que esse sobrenome cai muito bem em você.
Tenten riu e levou a mão na nuca desviando dos olhos claros. O que aquilo significava? Ele podia ser mais especifico, não? Bem, ele já tinha questionado se ela queria ser sua garota e a entrega da plaqueta já deixava as coisas bem claras. Um pedido de namoro ou até mesmo algo mais sério a modo dele e Tenten não achou ruim.
— Bem, posso guardá-la para você.
*
Era inacreditável e comovente a informação que haviam acabado de obter. Shikamaru fechou o notebook e suspirou. A informação sobre a intervenção da Interpol já não era primordial. Temari cruzou os braços um pouco atônita e suas palavras ditas a Hinata estava adquirindo peso.
— Caso está informação fosse descodificada anteriormente aquela discussão toda seria evitada. – Disse reflexiva. Temari não era de se arrepender na maioria de suas decisões e atos, entretanto a discussão ocasionada por ela, agora parecia um grande equívoco.
Shikamaru socou a mesa delicadamente e afirmou positivo. Não podia discordar do que foi dito mesmo querendo.
— Ao menos essa confusão toda serviu para os primos arrebentarem um com o outro. – Temari o encarou. Ouvir aquilo não ajudava muito. – E talvez agora eles se resolvam já que um conhece o ponto de vista do outro.
— Olhando por esse ângulo. – Temari massageou a nuca. De certa forma ouvir aquilo ajudava-a um pouco. – Droga de codificação.
— Droga de computadores. – Temari sorriu fino sentido se para baixo. Tinha cometido um equívoco e não tinha certeza se conseguiria resolve-lo após as palavras direcionadas a Hinata. Foi neste mesmo tempo que pode, pela vidraça da janela, visualizar Hinata e Naruto numa discussão assídua.
— Parece que tem coisas que nunca mudam, não é? – Shikamaru chamou a atenção de Temari ao comentar sobre Naruto e Hinata.
— Fico mais aliviada por vê-la e saber que a Interpol não conseguiu pôr as mãos nela. – Shikamaru meneou positivo e levou dois dedos sobre os lábios olhando-a fitar a janela.
— Não se culpe por toda aquela discussão. – Temari virou para olha-lo. – Foi uma decisão conjunta colocar Hinata sob avaliação. O equívoco não foi apenas seu.
— Contudo quem perdeu a paciência foi eu. – Temari admitia o seu equívoco. – E não acho que ele irá acarretar nada de positivo para a equipe.
— O que? – Shikamaru questionou de forma mais descontraída e Temari olhou-o de maneira confusa. – Naruto se ofereceu para ir com o Sasuke atrás dela. Isso já é um grande benefício para equipe.
Temari negou desacreditada, pois o homem que nem estava dialogando com ela tinha resolvido tentar convence-la de não se culpar.
— Só não quero que você fique mal com isso. – Shikamaru manifestou diante do silêncio de Temari. – Liderança envolve isso, as vezes acertamos e outras nem tanto. O importante que eles continuam acreditando em você o tanto que eu acredito.
Temari surpreendeu-se. Aquilo era deveras bom de se ouvir.
— Não quero que se responsabilize pelos meus equívocos. – Temari mudou o rumo da conversa e Shikamaru elevou as sobrancelhas. – Eu os cometi e irei resolve-los.
— Não pretendia fazer isso. – Shikamaru levantou-se. – Foi exatamente por isso que disse que acredito em você.
— E o que fazemos com essa informação? – Temari, novamente, tentou mudar o rumo da conversa. Estar ciente de que Shikamaru acredita nela e em suas decisões era no mínimo embaraçoso e ao mesmo tempo reconfortante. E de certa forma trazia um sentimento de aprovação que Temari sempre buscou mesmo sem necessitar.
Acreditar em uma pessoa era o mesmo que torna-la sua religião.
— O que você propõe? – As mãos foram para os bolsos da calça. – Confesso que estou impressionado com o conteúdo desse vídeo.
— A meu ver ele tem que vir à tona. – Temari proferiu e Shikamaru concordou. Aquela informação mudava o curso da investigação e esclarecia alguns pontos. — Mas não acho que este seja o momento ideal. Vamos esperar algumas horas.
— Concordo. – Shikamaru parecia incerto, mas não pela sugestão de Temari. A incerteza era por outro motivo. – Primeiro deixamos eles absorverem o impacto da Interpol e vamos ajustar algumas coisas.
— Acho justo. – Temari mordeu o lábio inferior. Não sabia da onde surgia a necessidade de falar sobre o “nós”. Sobre eles, mas decidiu não manifestar-se sobre esse assunto particular.
— Então vamos trabalhar? – Shikamaru encostou a porta e Temari afirmou positivo. O Nara puxou sua cadeira e retornou abrir o notebook. – E quem sabe depois de tudo podemos pedir uma pizza?
Abaixou a cabeça minimamente. Era estranho convida-la daquela maneira, naquele momento e naquelas circunstâncias. Provavelmente iria ouvir que o momento era inapropriado ou algo do gênero.
— Podemos beber vinho, o que acha? — Temari virou a cadeira para olha-lo nos olhos. Adorava a parceria com Shikamaru e acima de tudo como ele era compreensível com determinadas questões.
— Acho uma ótima ideia.
*
Estava retirando o jaleco e colocando-o sobre a cadeira. Estava exausta e sentia dores no pescoço. Estava massageando a nuca, quando a porta do seu improvisado laboratório se abriu de supetão.
O riso fora imediato.
— Acho que você deveria aceitar o meu convite para sair. – Sasuke começou e Sakura franziu o cenho. Sasuke estava diferente, como se tivesse presenciado um fenômeno fora do comum. Extraordinário. – Porque trouxe sua amiga de volta.
— Achou a Hina? – Sakura levou uma mecha do cabelo para detrás da orelha com um sorriso lindo nos lábios. – É uma ótima notícia, mas não venha se valer disso para convidar-me.
— Você tem razão. – Sasuke concordou. – E que tal esse argumento? Vamos sair para continuar de onde paramos.
Sakura deixou os lábios entreabrirem-se. A atitude de Sasuke não condizia com o seu comportamento habitual. Algo estava errado. Sasuke arrependeu-se. Talvez a falta de cautela que estava tendo até então tivesse impressionado Sakura de maneira negativa.
— Não é porque nos beijamos que eu esteja afim de transar com você. – Sakura inclinou a cabeça para o lado e Sasuke chegou a sua conclusão: rápido demais. Caso Naruto presenciasse a cena iria repreende-lo sobre sua noção de tempo. As vezes ágil demais, outras uma lentidão questionável.
— Não quis dar a entender. – Sasuke crispou os lábios e cruzou os braços enquanto Sakura sustentava um sorriso fino nos lábios.
— Acredito em você. – Sakura soltou os fios capilares curtos. Repentinamente o humor de Sasuke tinha diminuído drasticamente.
— Bom, vou ver qual é a rodovia mais próxima. – Sakura franziu o cenho enquanto Sasuke apontava para porta. – Sabe, para ver se consigo um caminhão para atropelar-me depois deste fora que você me deu.
Sakura, novamente abriu a boca. Não era essa intenção: de dispensar o Uchiha. Teria ela sido sincera demais?
— Até mais! – Sasuke virou e Sakura esbarrou na cadeira para poder alcançar o ombro do moreno não podendo ver o sorriso do Uchiha.
— Ei! Isso não foi um fora. – Sasuke virou para fita-la nos olhos. – Apenas achei repentino, mas ao expressar daquela maneira não quis dar entender que não estou interessada.
Sakura desviou os olhos. Era a primeira vez que estava dando a entender que gostaria de transar com um cara. Diretamente a ele a menos de um metro de distância.
— Sei, apenas repentino demais. — Sakura meneou positivo e mordeu o lábio inferior a ver a aproximação sorrateira do rosto do Uchiha. Foi um estalo que a despertou.
— Você consegue virar o jogo de maneira fácil, não? – Praticamente sussurrou próximo aos lábios atrativos. Sasuke concordou sem pensar direito até sentir as palmas das mãos de Sakura em seu peito afastando-o.
— Então vamos beber. – Sakura afastou-se e abriu a porta enquanto Sasuke sorria. A seu ver não conhecia nem dez por cento de Sakura. E o interesse para conhece-la por inteira estava acrescendo. – E desta vez não deixe nem um loiro bronzeado me levar para longe.
Sakura sorriu e bateu a porta logo depois. Sasuke fechou um olho ao recordar-se do acontecido. Desta vez não deixaria nenhum cara afasta-la de si. Sorriu e bateu uma mão na outra.
— Fico te devendo essa, Gaara. – Agradeceu o ruivo, o qual em uma conversa trivial tinha mencionado sobre a tática de atirar-se em uma rodovia para mudar uma situação. O que de fato tinha acontecido, contudo porque Sakura quis.
Para ela era obvio que aquilo fugia da personalidade do Uchiha e para ele era obvio que iria passar apertado na mão da Haruno. Sasuke era apegado a coisas boas e coisas boas não costumam ser de fácil obtenção.
*
— Incrível como está demorando lá dentro. – Gaara, impacientemente estava próximo ao quarto do amigo. – Será que ele dormiu?
— Está brincando comigo, não é? – Ino questionou sem paciência. Era obvio que Neji não estava dormindo enquanto Tenten permanecia no mesmo quarto. Era uma missão impossível. Gaara levou a mão no queixo e sorriu tirando suas conclusões.
— Onde está a Tenten? – Ino o encarou e negou com a mão afastando-se da porta. Isso fora o suficiente para Gaara finalmente ligar os pontos. – Impossível!
Seguiu Ino ainda olhando para a porta. Franziu o cenho e Ino riu. Será que a ver de Gaara, Neji era conservador a este ponto?
— Pessoas relacionam-se ao tempo todo, Gaara. – Ino manifestou-se enquanto descia a escadas. Gaara concordou.
— Eu queria relacionar o tempo todo também. – O ruivo arriscou-se e Ino parou para olha-lo. Ela tinha sido sutil ao tentar dizer que pessoas têm relações sexuais e não a nada de anormal nisto.
— Engraçadinho. — Ino revirou os olhos e sorriu. Gaara era mesmo agradável e a leve discussão que tiveram por conta da discussão entre primos já tinha se liquidado não deixando nem um clima desagradável entre o casal. Porque eles são um casal!
— Sabe o motivo do estresse de Naruto? – Gaara apontou com o polegar a ver o loiro negando repetitivamente enquanto permanecia sentado no sofá. Ino curvou os lábios e jogou os ombros para cima.
— Talvez seja devido ao retorno de Hinata. – Gaara negou com a cabeça, mas a hipótese era válida. – E alias, Neji não sabe sobre seu retorno ainda, não?
— Pois é. – Gaara escorou os cotovelos no balcão e fitou os olhos azuis. – Resolveu enfornar-se no quarto se é que me entende.
— Espero que ao menos esteja de bom humor. – Gaara riu e Ino também mesmo a situação sendo séria. As palavras trocadas entre primos foram felpudas e abriram feridas.
— Provavelmente vai estar. – Gaara recebeu uma cotovelada ao fazer um gesto obsceno. – E apenas a título de informação minha ferida foi fechada com sucesso.
Levantou a camisa para mostrar a cicatriz. Ino arqueou ambas sobrancelhas. Sabia o que ele queria dizer com aquilo.
— Que ótimo! Agora você pode retornar para suas atividades aquáticas. – Ino afastou-se e Gaara a seguiu.
— E entre outras coisas. – Ino virou com um sorriso no rosto e concordou.
— E entre outras coisas. – Jogou um par de luvas boxeadoras para o ruivo. – Vamos treinar.
*
Passou as mãos no lençol branco da cama onde estava sentada. Visualizou suas unhas perfeitas pintadas em um tom de vinho viciante. Era lindo o contraste da pele alva com aquela cor.
Os olhos de cor peculiar fecharam perante ao silêncio daquele quarto. Aquele tom de esmalte apertando o lençol branco a trouxe memórias remotas. Não soube dizer porque a lembrança das fotos que tivera acesso retornou a sua mente. Aquele tom de vinho lembrava a cor de sangue concentrado.
Era o mesmo sangue que seu, mas ele não corria em suas veias. Corriam nas veias do seu pai.
Hinata abriu os olhos ao ouvir tristes e cálidas batidas na porta. Não veio ninguém a sua mente. Talvez Sakura viesse de encontro, mas pela brecha da porta pode ver lindos olhos verde água.
O silêncio que já berrava em seus ouvidos resolveu se manifestar ainda mais com a presença de Temari. Hinata levantou-se da cama sem demonstrar brutalidade ou qualquer indicio negativo a Temari.
A Major permaneceu no meio fio da porta. Não soube porque veio de encontro com a Hyuuga. Talvez pela característica predominante em sua personalidade de não deixar nada em haver para depois.
— Não sei o que dizer a você. – Hinata prestou atenção nas palavras fortes de Temari. – Não espero também que aceite minhas desculpas.
— Primeiro se desculpe. – Hinata a interrompeu surpreendendo Temari. – Então lhe digo se irei aceita-las.
Não era algo complicado de se fazer e na cabeça de Temari estava sendo fácil demais. Não era apenas pedir desculpas.
— E o que lhe fez mudar de ideia? – Hinata lhe deu as costas quando o vento soprou pela janela naquela tarde quente de veraneio. – A Interpol?
Diante do silêncio de Temari Hinata manifestava. A situação toda deveria ser incomoda. Aquela conversa, naquele lugar, com aqueles personagens. No entanto tudo o que era presente naquele quarto era um sentimento estranho. Não era dolorido, não era de arrependimento. Era apenas uma conversa que levaria a um fim naquela situação.
Temari sentou numa cadeira próxima a janela. Era incrível o bom gosto do decorador da casa, mas seus pensamentos pairaram em outra questão. Hinata a viu acender um cigarro e expulsar a fumaça de seus pulmões em seguida.
— Primeiro desculpe-me. – Temari mordeu o polegar a ver olhos tão belos e cheio de expressões para si. – E em seguida espero que o acerto entre vocês seja mais pacífico que este.
Hinata não demorou a perceber de quem Temari falava. A Sabaku estava ciente de algo. Hinata deixou os lábios se abriram, quando Temari elevou-se e apoiou o cotovelo no beiral da janela. A Hyuuga cruzou os braços pronta para questionar Temari sobre suas palavras, no entanto Temari se adiantou.
— O Canário Azul certamente era incrível tanto em combate como fora dele. – Temari mencionou o codinome de Hizashi Hyuuga, o qual carregou o mesmo nome de batismo de Hinata na força aérea. O leve repuxar no lábio da Hyuuga foi perceptível. A menção de seu tio a trazia memórias nostálgicas. – No entanto o Coronel conhecido como Kinky Tail não ficava muito atrás.
O vento assoprou os fios de cabelo em frente ao rosto de Hinata. Exatamente ninguém sabia sobre aquilo. Tinha dúvidas se Neji sabia sobre. Temari referia-se a um apelido bobo que seu pai carregará por um tempo. Uma brincadeira entre irmãos que Hinata tivera a sorte de presenciar apenas uma vez.
— Como sabe disto?
A pergunta foi seca e rápida. Aquelas memórias eram invioláveis e intocáveis. Ninguém tinha direito de traze-las à tona a partir do nada.
— Vamos. Tenho algo para mostrar a você.
*
Foi uma sensação estranha ao ingressar na sala de reuniões. Todos estavam lá em seus respectivos postos. Como exceção de si e Temari. Parou no vão da porta esperando por algo que não veio.
Julgamento.
Onde estava o julgamento de anteriormente? Nem nos olhos similares ao seu ele estava presente. Hinata seguiu para o lado do Uchiha mais introspectivo do que o normal. Bem diferente de anteriormente.
Algo estava errado. Não.
Para ela tinha chegado aqueles momentos. Aqueles momentos que verdades vinham à tona. Tinha convicção sobre isso a levar em conta a menção de Kinky Tail feita por Temari.
Esse era um desejo de seu pai e de seu tio. Desejavam que Neji e Hinata fossem leões, irmãos inseparáveis como de certa forma eles foram. Como naquele documentário que assistiu quando era criança. Sobre uma coalisão de leões, onde dois deles eram inseparáveis. Mister T. e Kinky Tail. Eram selvagens, ferozes, inescrupulosos diante dos olhos dos humanos, no entanto no mundo selvagem onde impera o mais forte eram formidáveis.
Escutava a voz de Shikamaru ao longe, mas suas memórias a traíram e a levava para aquele dia. Porque mesmo ela estava lembrando disso? Lembrou como um dos leões morreu e seu corpo arrepiou. Era isso. Suas conclusões de outrora casava perfeitamente com o que aconteceu com os leões.
Seu pai era feito Mister T.
Chegava a ser cruel em suas funções. Mas por alguma razão morreu como Kinky Tail. O braço direito de Mister T.
Um sorriso doloroso brotou na sua face assim que as palavras do Nara invadiram seus ouvidos, as luzes foram apagadas e um vídeo falho começou a rodar.
Era o seu pai que aparecia na imagem corroída. Era Mister T.
E por premonição tinha ciência. Aquilo seria o último golpe que a vida iria lhe dar.
*
Aquilo o deixava impaciente. Não tinha passado horas desde que tivera que beijar a senhorita desdenho no aeroporto. Apelido carinhoso que ele havia lhe dado pelo modo que ela lhe olhava. Sempre com aqueles olhos superiores, com ar de superioridade. E se tinha uma coisa que Naruto realmente detestava era essa questão.
Exatamente ninguém era superior ao outro em sua concepção. Contudo não era aquilo que o atormentava enquanto aguardava sem paciência nenhuma na sala de reuniões ao mesmo tempo que aguardava uma pessoa. Exatamente quem? Ela mesmo! A senhorita desdenho.
Suspirou chamando a atenção do narcisista do Sasuke. E para Naruto Sasuke era narcisista com razão, afinal não era todo embrião que gerava um belo rapaz como Sasuke.
Naruto balançou a cabeça ao chegar nesses pensamentos sem pé e nem cabeça. Todavia ele sabia porque variáveis tipos de pensamentos surgiam aleatoriamente em sua cabeça.
Era apenas para se distrair.
Para esquecer algo que havia ocorrido. E admitia que em suma não tinha sido nada ruim misturar aquela sensação de perigo com a sensação de lábios macios.
— E venenosos. – Comentou para si mesmo chamando a atenção de terceiros. Limpou a garganta e se ajeitou na cadeira após ver o negar de Sasuke.
O Uchiha era debochado demais para seu gosto. E o sorrisinho fino dele era para mostrar a Naruto que ele sabia. Sabia exatamente o que o Uzumaki deslocado da realidade estava pensando.
E para Sasuke era ótimo! Porque sabia que ele pagaria por tudo o que fizera consigo e com todas boas meninas com corações inocentes que cruzaram o seu caminho.
Naruto iria levantar exatamente quando a porta fora aberta. Olhou para o Nara que cessou no abre e fecha do seu isqueiro.
Tenten observou Temari por uns segundos, depois a viu olhar para o Nara e sequência viu Hinata sentar próximo a Sasuke.
Em seguida o silêncio perpetuou-se.
— Chegamos à conclusão que está informação era inadiável. – Shikamaru olhou para Hinata e em sequência para Neji. – Estou incerto se esse conteúdo deveria ser exposto a todos combatentes.
A partir daquela frase o raciocínio de Gaara foi ligeiro. Piscou algumas vezes como se estivesse despertando de um estado de transe. Rapidamente seus olhos voaram até o amigo.
Era isso. O que viesse a seguir seria uma questão entre primos.
— Hinata. – A ouvir o seu nome ela despertou para o momento. Shikamaru posicionou o indicador sobre a tecla do play. Algo seria exposto. – Prefere ver sozinha?
A mulher demorou-se a responder. Não saberia se conseguiria controlar suas emoções. A simples menção de Temari a fazia corroer internamente. Um conflito tinha estabelecido dentro de si. Uma parte ansiava saber, a outra não queria ver, ouvir e sentir. Porque sabia que seria doloroso.
— Não, não prefiro. Tenho certeza que será algo relevante sobre a missão. – Olhou para Sakura rapidamente e a médica ainda com o jaleco branco tentou conforta-la com os olhos.
Mesmo sem saber do que veria a seguir, mas Hinata já tinha passado por tanta coisa naquela missão. Era admirável sua força e sua integridade permanecia intacta apesar de toda acusação.
Shikamaru acenou positivo após decorridos alguns segundos. Tinha chegado o momento.
Iniciou o vídeo. Primeiramente apareceu uma tela escura e ruídos que levavam a crer quem estava de espectador que o sujeito estava posicionando a câmera. Logo em seguida imagens interrompidas e sinais de corrosão na imagem. Sinal de que a o formato original fora gravado em um dispositivo mais antigo e depois repassado aos dispositivos de vídeo atuais.
Um rosto.
Um par de olhos. Tão similares aos seus, tão similares aos deles. Hinata queria vê-los. Ver os olhos de Neji, para que pudesse capturar algum resquício de emoção a ver aquele rosto, mas não. Ela não conseguia desgrudar os olhos da tela.
Era ver, era ouvir a pessoa que ela amou independente de todo transtorno e dificuldades que passaram quando ainda estavam juntos.
Quando Hiashi Hyuuga ainda estava vivo. Feito naquela imagem. Negou. Não feito aquela imagem. Seus olhos eram opacos.
Ficaram daquela maneira após o adeus de certo alguém. Alguém que apesar de todos os anos, apesar de seu estado Hiashi nunca o deixaria morrer.
O silêncio na sala apenas era interrompido pela própria respiração capturada no vídeo. Aos olhos de todos o homem estava cansado, em estado preocupante. Aparentava estar um pouco alucinado, mas na verdade demonstrava procurar palavras para se comunicar. Como se ele soubesse quem fosse assistir aquela gravação.
— Hinata, provavelmente se você estiver assistindo este vídeo. – Engoliu a seco. – Significa que estou morto. Não acredite em nada no que venham a te dizer. Talvez seja um pouco tarde para te dizer isso, afinal não sei quando verá esse vídeo.
Hinata olhava para imagem e tentava relacionar aquela voz ao momento. Era surreal ouvi-la após tanto tempo, naquele momento.
— Estou convicto que tenha seguido o mesmo caminho de seu herói. – Hiashi referia-se ao irmão e a admiração que Hinata tinha por ele. – Deve ser uma ótima combatente.
Era estranho ouvir elogios e suposições de seu pai quando o mesmo estava morto e nunca o fizera em vida.
— Mas não estou gravando esse vídeo para falar sobre o futuro e sim sobre a operação Cadillac 52. – Hiashi fez uma pausa como se estivesse tentando organizar as ideias. – Era meados de julho ou agosto. Não me recordo perfeitamente do dia em que recebi uma notificação que meu esquadrão iria dar suporte as forças áreas. Uma convocação atípica no meio das forças, levando em consideração a minha patente. E me vali dela para saber tudo que podia antes de entregar meus homens de bandeja para o inimigo. Afinal ser Coronel me serviu em algo.
Sasuke esboçou um fino sorriso e cruzou os braços. Era evidente o misto de arrependimento e amargura na voz daquele homem. Expressava-se de uma maneira que levaria os leigos a pensarem que aquela patente era o mesmo que o nada.
Um simples soldado raso.
— Contudo não obtive muito acesso a informações concisas até a operação, caso contrário meu irmão estaria vivo. – As palavras tão leves adquiria um peso enorme em alguns ouvidos. – Apenas mais tarde que fui compreender que a operação Cadillac 52 foi uma grande queima de arquivo. Direi coisas que talvez você não entenda de primeira, mas será necessário ser desta maneira, para que, não sigam atrás de você também. Não me recordo quando recebi a convocação, mas lembro-me perfeitamente do dia da união de dois braços das forças armadas. Seu tio estava lá. Impressionando meus soldados e os seus valendo-se de sua gloria. Ninguém os informaram que não haveria gloria depois do fim.
Hiashi passou a mão no rosto, esfregou os olhos e ajeitou a câmera. A conexão foi interrompida e por alguns segundos a imagem ficou turva causando desespero em Hinata.
— Dia 09 de setembro estávamos invadindo o Cazaquistão por terra. Minha tarefa era impedir o avanço de um suposto grupo terrorista que estavam realizando contrabando de urânio. Não é preciso ser um gênio para subentender o que se faz com urânio além de usinas de energias: bombas nucleares. Chegamos na base terrorista no meio da noite com quatro baixas. O sinal de contato com a base de comando estava ruim e muitas informações caíram por terra. Foram perdidas. ‘
“Aquele lugar tinha algumas peculiaridades como câmaras de nitrogênio e o batalhão, o qual imaginei que estaria nos esperando estava ausente. A segurança era fraca e não demorou muito para notar o quão deserto aquela base estava.
Eles tinham abandonado a base por algum motivo. Uma explosão no céu esclareceu-me. Com ela pude chegar a duas conclusões: o apoio aéreo tinha ingressado em um combate e a operação não passava de uma emboscada. Foi quando o sniper da minha equipe me notificou sobre uma movimentação estranha a leste. ”
“Eles estavam deixando a base. Estavam fugindo, mas não era de nós. Algo de errado estava acontecendo. Foi quando decidi abortar a missão. ”
Uma pausa em sua pesada narrativa. Parecia uma tortura relembrar aquele momento.
— Ordenei a base de comando para retirar a força de aérea de combate. Até hoje durmo com a incerteza se essas ordens foram repassadas. Os melhores pilotos de uma geração estavam naquele combate. Seria um dano inestimável perde-los naquela emboscada. Não obtive retorno do meu comando. Apenas torcia, para que, aqueles clarões no céu naquela noite chuvosa fosse o caça inimigo sendo abatido. Mas tarde recebi a triste notícia que não. Eram os nossos homens. Era o meu irmão. No turbilhão de adrenalina pensei ter visto um caça ir de encontro com a base terrorista. Foi a pior imagem que pude ter.
Algo tinha fugido de controle. Alguma coisa não cheirava bem. Três anos passaram desde aquele dia e nem um dia sequer consigo esquecer aquela imagem. Perdi homens naquele dia. Perdi pessoas que eram importantes em minha vida. Estava inconformado com aquele fim.
De repente a operação Cadillac foi arquivada e ninguém mais mencionava sobre ela. Homens de alta patente tentaram me enfiar a goela abaixo que a operação havia sido um sucesso, entretanto nunca me desceu bem. Pedi reabertura do caso junto ao Tribunal Superior Militar e foi então que as coisas ficaram estranhas. Você estava acabando de se tornar uma mulher, Hinata. Achava estranho o meu comportamento anormal de superproteção e depois de afastamento total. Diversas vezes meu veículo foi sabotado e diversas vezes troquei suas refeições sem você notar. Afinal você merecia um final de adolescência comum. Não foram atrás do seu primo. Achei prudente não me aproximar, para que, ele não viesse ser alvo.
Provavelmente quando me matarem irão lhe dizer que cometi suicídio. O que casa bem com o meu comportamento doentio. Contudo digo que todos os que foram convocados para aquela operação deveriam estar mortos. Serei apenas uma queima de arquivo. Hi-na...”
O vídeo começa a falhar. Abruptamente Hinata levanta da cadeira sem consciência chamando a atenção de alguns para si. Seus olhos sustentam um brilho estranho, seu peito armazena uma sensação estranha como se algo a apertasse violentamente por dentro.
— Peça perdão a seu primo por mim. – A frase vem entre cortada e ela sente que perdeu um mundo, uma vida naquele trecho. – E sabia, filha. Ninguém, exatamente ninguém é senhor de ninguém.
O homem sorri e no vídeo é perceptível o som do local sendo invadido. Os espectadores o assistem sacando uma arma. A imagem volta a sumir e retorna feito um raio.
— A morte de Kinky Tail não será em vão. – Hiashi mencionou o apelido que dera a seu irmão em uma tarde fria de inverno, quando ambos assistiam a um documentário da vida selvagem e Hinata os acompanhava. – Tenho minhas especulações quem está por detrás de tudo isso. E sei que você também já elaborou as suas. Lembre-se sempre: O maior inimigo é aquele....
A gravação cessou. O silêncio se fez majestoso. A gravação não havia mostrado, mas Hinata sabia que a vida de seu pai tinha acabado exatamente ali. Ela balbuciou. Todos sabiam o que ele iria falar, afinal era um ensinamento base das forças armadas.
— O maior inimigo é aquele que não podemos ver. – Hinata manifestou atônita. Seus olhos penderam diretamente para Neji e este não demonstrava nenhuma emoção.
*
Alguns anos atrás.
Era a terceira da fileira do seu batalhão. Estava suando devido ao calor extremo resultante do sol do meio-dia. Já nem se recordava mais quanto tempo estava em pé e naquela mesma posição.
Apenas que estava cansada.
— Repitam comigo! – Escutou o superior berrar em seus ouvidos e sua atenção saiu do alambrado direto para seu superior. Os fios azulados grudavam em seu rosto. – O maior inimigo é aquele que não podemos ver!
— O maior inimigo é aquele que não podemos ver! – Berrou feito os outro quarenta recrutas na formação.
— Muito bem! – O superior manifestou. – No caso de vocês isso vale para caças.
— E no nosso caso para snipers. – Hinata olhou para farda do Major que interrompia o treinamento de seu comandante. Seu comandante acenou positivo e sorriu fino.
— Positivo! – Berrou mais uma vez. – Dispensados!
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