Notas iniciais
Olá :) Eu sei! Ausência dói, né? Desculpem me, mas a vida é uma grande droga. É isso ai. Espero que apreciem o capitulo. Gostei muito de faze-lo. Espero que curtam ler. Grande beijos meu amores. I love vocês

Alguns dias depois – Costa Rica

O peitoral bronzeado era coberto por uma regata azul um tanto esburacada. Azul não era o seu forte ele preferia outras cores mais vivas como por exemplo laranja. Sorriu fino ao conseguir acochar uma porca (nomenclatura de um tipo de parafuso) com muita dificuldade e limpou o suor que escorria de sua testa. Iria explanar alguma perola como por exemplo “ essa seria uma típica cena sexy, caso fosse um filme”, contudo permaneceu calado ao notar que o barulho do metal sendo soldado cessou fazendo-o lembrar que não estava sozinho naquela tarefa.

Gostou daquele silencio imediato e pode ouvir o som das ondas visto que não conseguiram arrastar o avião, o qual, diga-se de passagem, ele havia detonado para um galpão para sua recuperação. Naruto teve sua atenção desviada para o rádio que sussurrava a programação de uma estação. Ao reconhecer a música largou a sua garrafa de cerveja afim de aumentar um pouco o som.

Olhou para os lados e ligeiramente começou a dar pequenos passos ao som de George Michael – Careless Whisper. Naruto simplesmente amava aquela música sem um motivo maior. Começou a cantarolar junto com o cantor e retornou a sua tarefa descontraído.

Encostada na carcaça do avião que o destemido raposa vermelha tinha lançado contra o chão ela observava a cena. Quando Naruto tirou a camisa e começou a cantarolar a música Hinata levantou a máscara protetora para visualizar melhor. Os fios azuis grudavam no seu rosto e os olhos estavam comprimidos devido ao mormaço.

Cruzou os braços a ver Naruto regressar para sua tarefa. Vê-lo se divertindo enquanto executava sua tarefa não a deixou irritada, pelo contrário. Naruto estava em paz e aparentemente feliz. Hinata também desejava estar na mesma sintonia. Estava cansada de toda aquela carga emocional, mas não conseguia relaxar. Não enquanto toda aquela situação existisse.

A música foi acabando e Naruto automaticamente foi parando sua dança com a chave Philiphs como companheira. Hinata deixou um breve sorriso aparecer.

Ambos estavam naquela tarefa alguns dias por ordem superior do Nara. Hinata porque entendia de restauração e de aviões. Naruto estava lá pelo mesmo motivo, apenas tinha um adicional a mais: ter derrubado o avião.

Nos dias decorridos poucas palavras foram trocadas e as que foram tratavam somente sobre a tarefa executava. Nenhuma farpa trocada, nenhum insulto, nem mesmo desculpas e muito menos beijos.

Os olhos azuis arregalaram-se ao lembrar deste fato e as sobrancelhas de Hinata franziram. Porquê Naruto tinha realizado aquela expressão? A cerveja gelada havia descido rápido demais?

Voltou a acochar os parafusos quando acidentalmente a chave escapou e acertou o seu dedo. Naruto rangeu os dentes de dor e automaticamente lançou a chave para longe.

Em qual direção? Sim, exatamente onde Hinata estava escorada.

A azulada abaixou rapidamente desviando da chave assassina voadora. O som do metal estralando chamou a atenção de Naruto e um pouco mais abaixo pode ver Hinata.

De todas as vezes que quis atirar, lançar, derrubar alguma coisa em Hinata aquele momento não tratava se de uma das vezes. Como dizia sua mãe: cuidado com as coisas que deseja hora ou outra elas se realizam.

— Não foi minha intenção acertar você. – Adiantou-se antes que sua tarde quente e agradável fosse para os quintos dos infernos na primeira palavra da Hyuuga. Hinata afirmou.

— Eu sei. – Naruto acenou positivo. – Faz alguns minutos que estava aqui, caso quisesse me acertar com a chave já teria feito.

De tudo o que Hinata falou Naruto apenas focou na parte do quanto tempo ela estava ali: minutos. Isso significava que Hinata tinha visto o seu momento de descontração. Naruto colocou as mãos na cintura, fez cara de paisagem e umidificou o lábio inferior.

Hinata riu efemeramente a ver o desconcerto do ousado Uzumaki, o qual era totalmente descabido a sua personalidade.

— Olha. – Naruto começou, mas parou. Hinata estava tirando o macacão próprio para a realização de soldas colocando em visão suas roupas habituais. Abriu o isopor de Naruto e sacou uma cerveja. Naruto observou a boca da garrafa indo de encontro com os lábios de Hinata.

— O que dizia? – Hinata inquiriu diante do silêncio do homem. Naruto negou e apontou para a cerveja.

— Apenas iria oferecer uma cerveja. – Hinata olhou para a garrafa pensando na sua falta de educação. – Está um calor de matar!

Naruto virou dando as costas para Hinata. O que estava acontecendo ali? Por que raios Hinata já não era a senhorita desenho? Por que aparentava que ela deseja manter ou iniciar um diálogo?

Eram coisas de sua cabeça? Chegou à conclusão que sim. Havia permanecido muito tempo debaixo do sol. Riu ao chegar em suas conclusões.

— Pensei que era apenas o deserto que causava alucinações. – Hinata olhou confusa ao ouvir parcialmente o murmúrio de Naruto.

— Acho melhor realizarmos uma pausa. – Manifestou e esperou concordância de Naruto, o qual largou a chave em sinal de concordância.

Silêncio.

Nunca tinham chegado naquele nível. O máximo de conversa descente que tiveram foi a um tempo onde Naruto tinha comprado um vídeo game e quase foi atirado para fora do automóvel por isso.

— A solda está ficando boa. – Hinata parou de fitar a ponta da bota que usava e ingeriu um gole de bebida. – Quanto tempo você estima para que seja finalizado?

Naruto referia-se ao corpo do avião de pequeno porte. Iriam usá-lo para sair da Costa Rica e ir para o próximo confronto.

— Amanhã ou depois. – Hinata crispou os lábios. – Ou até menos. Espero que Sasuke já esteja finalizando o motor.

— Tenho dúvidas se isso realmente vai levantar voo. – Naruto satirizou e Hinata sorriu. Certo que não se davam muito bem, entretanto caçoar de um amigo em comum era divertido. – Porque você sabe, não? A Sakura está na sala ao lado. Sasuke não bate muito bem quando tem mulher envolvida.

— Não fale assim de quem não está aqui para se defender. – Demorou! Mas havia chegado. Sua primeira chamada de atenção. – Provavelmente ele nem deve ter mexido no motor.

Hinata riu brevemente após a cerveja gelar sua garganta. E viu, viu como se tivesse a habilidade de enxergar em câmara lenta: o sorriso branco surgindo aos poucos. E chegou à conclusão que tinha tomado muito sol.

Enquanto na cabeça loira a imagem da senhora desdenho seguia por terra. Todavia quando o assunto era Sasuke os dois sempre se deram bem.

Outra espécie de silêncio se fez. Não era aquele desconfortável, era outro. Hinata jogou o longo rabo de cavalo para trás e um pensamento aleatório surgiu em sua mente.

— Acho que deveria corta-lo. – Naruto que olhava o mar focou nos fios azuis que Hinata segurava próximo ao peitoral. Algo estava diferente na Hyuuga. E acreditou ser efeito da verdade. Era massacrador e libertador. Pensou em Neji. Toda fúria que havia nos olhos de Hinata fora repassada para os olhos dele. O fardo havia sido dividido, mesmo ninguém tocando no assunto.

— Mudanças fazem bem. – Naruto opinou sem ser solicitado.

— Quem sabe depois de tudo isso acabar. – Hinata levantou-se da areia e olhou para o mar. Não sabia se haveria depois. Não tinha certeza se iria ver o pôr do sol novamente. – Talvez esse seja nosso último pôr do sol. Já parou para pensar nisso?

Naruto levantou-se e parou ao lado da Hyuuga. Estava serena e focada. Olhou para a carenagem do avião. Aquilo provavelmente iria leva-los a morte.

— Pensei. – Foi simplório. – E ele realmente está muito bonito!

Hinata sorriu com a empolgação, mas conseguia ver que suas palavras tinham surtido efeito. E se realmente acontecesse alguma fatalidade? Aquela equipe era diferente. Agora não era somente Sasuke que importava para si. Haviam os outros.

— Mas não tem o porquê temer. – Hinata fitou os olhos azuis. – Ninguém vai ficar para trás.

Deixou os lábios entreabrirem. Aquela frase. Um flash de memória regressou. Lembrou do dia do trajeto realizado com Sasuke, onde o mesmo mencionou que ouvia muito aquela frase “ninguém fica para trás” e soube que alguém falava feito ela. Apenas não imaginava que seria ele. Sorriu.

Aquela frase era a cara de Naruto. Após a verdade Hinata havia mudado aos olhos de Naruto e ele ponderou imensamente se deveria tocar no assunto.

— Sabe, fico contente que tenha descoberto a verdade. –Hinata afirmou com a cabeça. – Vamos pegar esses caras.

Naruto disse baixo a ver Shikamaru se aproximando com as mãos postas nos bolsos para avaliar o progresso do trabalho e como bom analítico como sempre foi não demorou para notar a passividade entre os dois. Hinata olhou mais uma vez para Naruto. A seu ver ele tinha compreendido a sua dor, a sua angustia. Ela poderia ter agido diferente todo esse tempo? Talvez tivesse sido possível, mas pássaros com asas quebradas não conseguem voar.

— E aí, meus pilotos como segue o trabalho? – Naruto parou de observar a Hyuuga para voltar a ser o idiota de sempre. Fitou o Nara e o reverenciou deixando Hinata de lado.

— Como ousas dirigir a palavra desta maneira a mim? – O Nara deixou o cigarro dependurado na boca. De que raio Naruto estava falando? Enquanto Hinata negou e revirou os olhos. A ver aquilo Naruto sorriu.

— Naruto o primeiro do seu nome, rei dos Ândalos e dos primeiros homens. Derrubador de aviões... — Shikamaru observou Naruto lhe das as costas e sair falando suas baboseiras.

— Ele está assistindo muito aquele seriado. – Shikamaru comentou com a Hyuuga.

— A distância de Sasuke afeta diretamente nos seus níveis de carência. – Hinata pontuou descontraidamente e Shikamaru assentiu. Não haviam conversado muito, na verdade nenhum membro estava sem foco após as revelações de Hyuuga Hiashi.

— E como você está? – Questionou um pouco incerto a Hinata. O contato que tinham deveria ser extremamente profissional, contudo deixou de ser desde que conheceu aquelas pessoas, e o estado emocional de Hinata pesava na execução da missão. Para ela sempre foi pessoal.

— Nunca estive melhor e respondendo sua outra pergunta. – Hinata apontou para a carcaça do avião. – No máximo até amanhã.

— Pelo visto vocês trabalharam muito bem juntos. – Shikamaru pontuou e Hinata concordou.

— Ao menos isso, Nara. — Prestou continência ao afastar-se. – Espero que tenha a mesma sorte com os outros.

Shikamaru assentiu. Hinata sabia que a situação para alguns estava complicada. Querendo ou não Hinata sempre lidou melhor com os problemas do que Neji. E aquilo tudo tinha um gosto bem amargo em sua boca.

— Espero ter. – Shikamaru olhou para o avião e depois para os pilotos. Ambos seguiam em direção opostas, mas no final estavam no mesmo barco.

E Nara estava trabalhando para que este não afundasse.

*******

O céu estava em várias cores. Era efeito do grandioso sol indo se deitar. Pensar e falar coisas poéticas nunca foi sua praia e era difícil definir o momento exato que passou a dizer e pensar desta maneira.

Para ele a vida não tinha nada de doce. Colocar as balas no revolver apenas aumentava sua convicção. Neji obteve sua atenção desviada pela cabeleira escarlate que surgia a frente. Bem onde estava o seu alvo. E vendo Gaara retrocedia em suas convicções de certa maneira. A vida não era de toda amarga, na verdade tinha lá os seus momentos doces.

— Precisamos conversar. – Gaara foi simplório e direto. Nunca tivera receio de falar coisas que surgiam em sua cabeça para Neji e nunca teve receio de lhe falar umas verdades, as quais até então nunca foram necessárias.

— Discordo. – Uma bala, um tiro, uma palavra. Gaara ouviu, sentou e apoiou os braços no joelho e viu todas balas serem descarregadas em sequência.

— Acabar com toda sua munição não vai resolver as coisas.

— Como se elas tivessem solução. – Neji retorquiu de imediato. – E antes que você diga alguma coisa não guardo rancor de ninguém.

Gaara viu Neji ingerir um gole longo de vodka pura e se perguntava se seria necessário dar, pela primeira vez, uns murros em Neji para desperta-lo.

— Não seria bem rancor o sentimento do qual quero tratar. – A camisa xadrez recebeu uns pingos de vodka e Gaara o viu lançar a garrafa vazia para longe. – Está mais para remorso, afinal odiar uma pessoa que você amava por motivos que não existiam deve ser corrosivo.

Neji suspirou fundo e a expressão relaxada de Gaara sumiu. O conhecia suficiente bem para saber que se dissesse mais uma palavra iria levar um tiro. Mas Gaara não se importaria, pois Neji era o seu amigo, sempre foi o seu irmão e não o perderia para aquele sentimento corrosivo. Bem que duvidada da existência de sentimentos no Hyuuga, mas sabia da existência deles por causa de si, por conta de Hinata e pelos olhos castanhos de Tenten.

— Não posso consertar isso, Gaara. – O maxilar de Neji endureceu. – Ou quer que eu saia daqui e peça desculpas a Hinata e em sequência fingimos ser uma família feliz?

Autocontrole sempre foi uma qualidade invejável em Neji, mas Gaara o conhecia profundamente para saber que o controle em sua voz não expressava sua fúria e sua magoa.

Afinal o buraco sempre foi mais embaixo e ele tinha acabado de ficar maior. Contudo todo o autocontrole que existia em um faltava totalmente no outro. Gaara levantou e negou.

— Não, nunca pediria para você fazer umas babaquices dessa. – Gaara manifestou, aproximou- se demais do amigo o encarando. – Só quero que você volte ao normal.

— Vou voltar. – Manifestou baixo demais. Os olhos claros estavam muito próximos dos verde água a ponto de sentir a respiração pesada do ruivo. – Depois de enfiar uma bala na cabeça de cada um deles. Pelo meu pai, pelo meu tio.

A arma sendo engatilhada despertou Gaara. Neji iria virar para continuar com o seu treino foi quando Gaara o segurou pelo braço.

A tensão era visível e Gaara entendia o sentimento de Neji. E sabia como aquilo era autodestrutivo.

— Não! – Aumentou um pouco o tom de voz. – Você não vai fazer isso por eles.

Neji cerrou os olhos por um momento. Tinha se passado tanto tempo sem ter aquela dor o sufocando. O tempo tinha amenizado a dor de perder um pai, amenizado a dor de ter um tio responsável pela sua maior perda – o que não era verdade. E agora, absolutamente tudo, até mesmo a verdade o estava sufocando, estava matando-o e induzindo-o a querer matar.

— Você vai fazer isso por você. – Gaara segurou a cabeça do Hyuuga e colou sua testa na dele. Não poderia perder Neji para eles. Nunca se perdoaria por isso e perde-lo iria destruí-lo. – Você vai fazer isso por ela, por mim e por todos aqueles que você se importa.

Neji engoliu a seco. Era muita dor, sentia o peito comprimir, sentia o ar lhe faltar porque prendia a respiração, sentia a mão forte no seu braço e os seus olhos arderem.

Não podia perder mais ninguém. E Gaara sabia que para Neji aquilo estava pesando. Seus mentores já não estavam nesse mundo, mas eles estavam. Hinata estava. Gaara estava e ela estava.

Não deixaria em hipótese alguma que a operação Cadillac arrancasse mais ninguém de si.

— Não vou perder mais ninguém. – Gaara sentiu o braço forte em suas costas e envolveu seu amigo com os seus. O aperto era recíproco e reconfortante. E nenhum deixaria que aquele abraço fosse o último.

— Vamos fazer diferente esta vez. – Gaara escutou Neji dizer e desta vez foi o seu peito a comprimir-se. Sabia do que o Hyuuga estava falando. – Irei na frente desta vez.

Gaara desfez o abraço. Observou Neji esfregar os olhos e a vontade de beber algo pesado o assolou.

Sempre era Gaara que ia na frente. Ele era o especializado em infiltração. Neji sempre estava lá em algum lugar lhe cedendo cobertura. As sobrancelhas ruivas juntaram e Neji deixou um efêmero sorriso escapar ao recordar-se de que até um tempo atrás Gaara removia suas sobrancelhas. Enquanto o Sabaku desejava discordar do Hyuuga.

Mas não tinha volta.

— Lembra quando você as tirava? – Neji passou o indicador na própria sobrancelha indicando a Gaara do que falava. – Parecia um demônio.

Neji não mentia. Gaara era outra pessoa, era um verdadeiro demônio principalmente em combate.

— Não mude de assunto. – A voz soou rouca, como se estivesse rasgando a sua garganta. E a pergunta que não queria fazer surgiu. – Quando parte?

— Daqui a dois dias. – Gaara perdeu-se em seus pensamentos. Nem se recordava mais da ausência de Neji. Anteriormente já tinham ficado separados, as vezes por vários meses, contudo era diferente agora.

O inimigo sabia o que iria fazer e até mesmo o que iriam comer no café da manhã. E de certa forma isso o assustava.

— Então acho que podemos ficar bêbados uma última vez antes disso tudo acabar. – Gaara sugeriu e viu Neji cessar o passo.

— Acho uma ótima ideia. – Neji o chamou com a mão e Gaara o viu se afastar ainda mais. – E alias eu não fico bêbado apenas levemente alcoolizado.

Gaara sorriu, colocou as mãos no bolso da calça e pôs a andar.

— Claro que não senhor Opala de seis canecos. – Gaara riu ao deferir um leve soco no ombro do amigo. Opala era um carro de alto consumo e Gaara fez uma comparação com o tanto de álcool que Neji ingeria antes de realmente ficar bêbado.

— Deixe esse comparativo para sua irmã. – Neji lembrou de Temari e Gaara concordou.

— Realmente é uma bela comparação. – Temari era uma ótima bebedora e realmente bebia feito carro velho.

*******

Puxou a leve blusa e cruzou os braços nesse processo. Estranhamente sentia frio enquanto estava um calor escaldante do lado de fora. A noite havia chegado e com ela aquela leve brisa gelada vinda do mar. Justificava seu frio com ela. E pela vidraça do segundo andar Temari pode contemplar a cena que corria no quintal dos fundos da casa. Os cílios compridos e delicados fechavam junto as pálpebras ao piscar. Foi em um desses intervalos que visualizou o abraço fraternal entre seu irmão e o Hyuuga.

Desde da revelação de Hiashi um ar estranho pairou no local. Ele continha apreensão. Os planos haviam mudado e algumas pessoas também. Massageou a nuca, tinha cansado de pensar em probabilidades, em prever o passo dos inimigos, em pensar e em andar em círculos.

Ouviu leve batidas na porta e o ranger da mesma. A porta foi aberta e através dela apareceram fios longos loiros. Temari sorriu ao vê-los. Recordava-se das planícies de trigo de um plantio em Roma, quando era jovem e sem preocupações maiores do que Rasa no Sabaku. Eram bons tempos, entretanto preferia agora. Fitou mais uma vez Gaara através do vidro antes de ceder total atenção a Ino.

— Senhora. – Ino brincou em um tom ameno. A ver de Temari todos aparentavam estar pisando em ovos ao andarem.

— Senhora. – Temari sentou-se e levou o olhar no termômetro nas mãos de Ino. – Acredito não estar com febre.

— Sinto muito em lhe dizer. – Ino aproximou-se com o semblante totalmente calmo. – Mas você não é de aço.

Os pares de olhos se encontraram quando Ino encaixou o termômetro embaixo do braço da Sabaku.

— Ainda. – Ino concluiu sua frase. Ambas sorriram. – Pois bem, Major. 38 graus, acho que temos alguém doente aqui.

— Sobrevivi a coisa piores. – Temari sorri ternamente. Uma sensação estranha pairava. Não sabia defini-la, não sabia o que ela queria dizer ou se desejava falar algo.

— Não tenho dúvidas disso. – Ino sentou-se. – Acho melhor você fazer uma pausa.

— Não posso sobrecarregar o Nara. – Temari rebateu e pegou impulso para levantar da poltrona, mas Ino pousou a mão sobre a sua posta no encosto.

— E não irá. – Temari a fitou. – Confio muito na capacidade laborativa e executiva do Nara, contudo confio muito em você. Preciso, nós precisamos de você 100%.

Ino estampou uma serenidade na face. O que aquilo queria dizer? A Yamanaka não acreditava totalmente em Nara Shikamaru? Temari assentiu e recordou-se das atitudes de Ino. No final das contas ela sempre estava a seu lado em suas decisões.

— Certo. – Ino levantou-se afim de buscar medicamento. – Não estamos longe das conclusões. Uma pausa não fara tão mal.

— Concordo. – Ino parou no meio fio da porta e sorriu fazendo Temari se perguntar o porquê. – Uma pena estar doente. Logo hoje que o Nara iria te chamar para comer pizza e beber vinho.

O sorriso largo de Ino foi aumentando a ver o rosto duro de Temari. Sim! Era bastante visível o interesse de ambos e já não se tratava de segredo para ninguém diferente da evolutiva relação de Sasuke e Sakura.

— Quero um diagnóstico médico. – Temari argumentou e Ino riu mais alto. Era vontade de comer pizza, beber vinho ou conversar com o Nara algo que não fosse a respeito de trabalho?

Os três.

— Tarde demais! – Ino manifestou quando já estava no corredor. – Alias eu não vejo ela algumas horas.

Ino murmurou e seguiu para a sala de Sakura. A abriu e não encontrou a rosada. Sakura estava afundada naquela sala a semanas e mal saia para comer. Trabalhava o tempo todo em algo importante.

— Bom, isso deve servir. – Ino pegou um medicamento. Não detinha muita informação a respeito de automedicação e bem sempre fizera isso com si própria. Errar logo na vez de Temari seria um grande azar.

**********

Sentia se solitária. Havia se habituado a companhias constantes. Ora Naruto, outra Gaara e na maioria das vezes Neji. O último tinha se afastado abruptamente de si e Tenten tentava entender e para não adicionar mais conflito onde não havia necessidade preferiu afastar-se também.

Entretanto admitia que sentia muita falta do Hyuuga, das suas balas, da sua cara amarrada e principalmente de sua atenção. De seus carinhos.

Fez bico ao recordar deles. Dos carinhos. Fitou a corrente da plaqueta que ele lhe dera e em seguida passou os olhos pela ampla sala. Não havia ninguém. Todos estavam ocupados em tarefas importantes. Tenten também tinha as suas, contudo como destruir era o seu trabalho e o mesmo era mais executado durante a missão, afinal ficar explodindo as coisas por nada não causava uma boa impressão.

Seguiu para o galpão, onde Sasuke terminava de montar o motor do avião. Viu o mesmo finalizado e notou a ausência de Sasuke. Reparou mais no conjunto do motor admirando-o até que algo incomum chamou sua atenção.

Primeiro viu uma camisa preta no chão. Não precisava ser um gênio para saber a qual galã ela pertencia: Sasuke. Aliás Tenten desconfiava que o moreno apenas tinha camisas pretas ou apenas aquela. Ficava com a primeira hipótese. Contudo não fora ela que chamou a atenção da morena e sim o jaleco de Sakura igualmente jogado no chão.

Preste bem atenção: O jaleco de Sakura no chão. Sakura mal tirava seu jaleco e quando tirava ele não ficava no chão.

— Ah! Algo de errado não está certo aqui. – Tenten fechou os olhos ao falar algo de sua adolescência novamente. Provavelmente se Neji estivesse ao seu lado diria: “O que?”

Deixou seus pensamentos de lado e seguiu sorrateiramente até a dispensa de material de limpeza. A porta estava entre aberta e Tenten ficou tentada em abri-la para saber o que estava acontecendo no recinto, contudo não havia necessidade. Os murmúrios falavam por si só.

Ficou rente a parede e começou a retirar-se do recinto foi nesse momento que a porta abriu de supetão.

— Meu jaleco está no chão, Sasuke! – Sakura chamou a atenção do Uchiha e Tenten comemorou, pois jamais aquele jaleco seria deixado atoa no chão pela medica. E contemplou a Haruno apenas de sutiã branco recebendo um abraço por detrás sendo segurada para não sair do momento de descontração dos dois.

Tenten levantou as sobrancelhas quando Sasuke afundou o rosto no pescoço da Haruno e a rosada alargou o sorriso. Em toda sua vida Tenten sempre quis fazer aquele típico barulho com a garganta para chamar a atenção.

E aquele momento havia chegado.

Não demorou muito para ambos cederem a atenção para o lado. Sakura assustou-se e ligeiramente tentou afastar o Uchiha, o qual apenas cessou o carinho.

— Tenten! – Sakura a chamou quando a morena deu lhe as costas. Sasuke apenas a soltou e sorriu. – Não é o que você está pensando.

— Tenho certeza que não, Sakura. – Tenten estava indo tão bem! Mas não! Sakura tinha que falar aquelas palavras – Vocês apenas estão se distraindo!

— Exatamente isso. – Sasuke manifestou-se. E se Naruto estivesse ali provavelmente diria que o maldito estava extremamente charmoso. – Hoje está muito calor.

— Ah, claro que está. – Tenten cruzou os braços. – Pegando fogo!

Sakura aparentemente estava constrangida. Tenten percebendo decidiu parar com a brincadeira.

— E Sakura. – A Haruno arrumava o cabelo, mas parou para ceder atenção a Tenten. – Apenas não deixe Naruto flagrar essa onda de calor.

Sasuke segurou o riso. Para ele não havia problema nenhum em tornar pública a amizade colorida entre ele e Sakura. Porque no final para ele já tinha deixado de ser isso a um tempo. Tenten aproximou-se de Sakura.

— Não tem o porquê do constrangimento. – Sussurrou para a Haruno. – Até a freira mais santa cairia em perdição por esse espécime aí.

Tenten apontou com o polegar para Sasuke e deu leves tapinhas nas costas da Haruno. Sakura a olhou uma última vez para a Mitsashi antes da mesma ir. Pegou o jaleco do chão e atirou em Sasuke.

— Não está tão ruim quando aparenta. – Sasuke argumentou. – Eu terminei meu trabalho, você terminou o seu.

Aproximou se após colocar o jaleco no troco nu arrancando um riso de Sakura. Aquilo nunca foi uma de suas fantasias, mas poderia tornar-se rapidamente.

— Estamos fazendo apenas uma pausa.

— Somente uma pausa. – Sakura reafirmou. Sentiu os lábios encostarem no seu e começou a negar entre o beijo. – Iremos ser piada dele por no mínimo quinze dias.

— Vale a pena. – Sasuke arrematou. Ele jamais iria para próxima fase da missão sem ter Sakura para si. Ela tinha se tornado um desejo a um tempo e seria um dos maiores, caso à vontade para o fim de toda a missão não fosse maior.

Estava cansado e queria ir para casa. Queria leva-la para casa.

Entretanto teria que fazer Sakura desejar isso também.

Estava tudo correndo bem. Bem demais.

*******

Precipitação. Segundo fontes de conhecimento precipitar-se é o ato de adiantar-se, afobar-se, de grande pressa. Geralmente a precipitação leva ao erro, ao equívoco. No entanto, nas forças armadas o lado que se precipita tem vantagem. Nas maiorias das vezes obviamente. Contudo precipitar sem estratégia o levara ao erro. Afinal estrategista não existem à toa.

— É exatamente porque estou aqui. – Findou seu pensamento solitário, fechou o notebook e fitou a porta. Nara Shikamaru era um estrategista nato e obviamente não deixava os mínimos detalhes lhe escapar. E se havia pilotos naquela equipe com certeza ele era um. Não exatamente de aeronaves e caças de última geração.

Era piloto de tempo. E para ele era chegada a hora.

Aquela operação já tinha extrapolado o seu tempo de execução. Colocaria um fim naquilo o mais rápido possível.

Olhou o horário. Entorno de quinze a vinte minutos todos os membros da equipe entrariam na sala de reuniões e receberiam seus respectivos comandos. Provavelmente iria ser questionado e suspirou prevendo que até mesmo ela faria isso. Temari.

Shikamaru atirou um lápis na lata de lixo posta no canto da parede. Por que alguém colocaria a lata de lixo de escritório tão longe da escrivaninha? Seus pensamentos eram aleatórios e Shikamaru já tinha levantado tantos a ponto de acreditar em loucura.

A porta rangeu e um a um foi atravessando-a. Todos estavam ali. Nara tentou captar alguma tensão no ar, contudo não conseguiu identificar nada do gênero. Alguns combatentes estavam diferentes, era visível. Outros pareceram compadecer com a revelação, porque no final, agora também tratava deles.

Tinha sido uma jornada juntos. E agora havia chegado o momento de algumas despedidas. Não definitivas, apenas temporárias.

Passou os olhos por cada um. Naruto quieto, Gaara reflexivo, Temari visivelmente abatida. Era um conjunto estranho. Olhou para Hinata, para Sakura. A Haruno acenou com a cabeça. Ela tinha feito um trabalho incrível.

— Bom. – Manifestou um tanto incerto por onde começar. Havia refeito tantas vezes aquela parte. A parte onde expressaria o que será feito. – Parece que nossa espera acabou.

— Aposto que alguns estão ansiosos para isso. – Temari manifestou-se de forma amena. Acionou um comando em seu celular e a luz do projetor acendeu-se. No projetor estava uma imagem de um país pequeno comparado a outros: Serra Leoa. – Acho que temos uma vantagem no final. E pretendemos utiliza-la.

— Como podem ver senhores. – Shikamaru prosseguiu. – Serra Leoa um pais localizado na África Ocidental. É de conhecimento amplo a pobreza e os conflitos civis nesse país. E bem, a longitude e latitude informadas no áudio que Tenten interceptou aponta para esse local.

Shikamaru ampliou a imagem do mapa focalizando em uma cidade.

— Está é Kenema, uma das maiores cidades do país. – Acreditamos que irão executar algum tipo de teste no local. Levando em consideração as informações obtidas no áudio e o envolvimento da corporação Hozai.

— Além da grande proximidade da base russa em Mongólia onde Gaara visualizou câmaras de nitrogênio. – Temari tossiu por um momento levando a mão na boca. – E pela simples coincidência de Tenten ver a mulher ruiva, a qual agora sabemos o nome: Mei Terumi em dois eventos distintos: Evento Hozai e na Cúpula realizada em Mongólia.

— Mei Terumi preside o comitê responsável por ações de cunho socioambientais. – Shikamaru deu sequência a explicação após um afirmar de Temari. – Até então não tínhamos realizado a ligação desta informação solta até ver que as coordenadas indicam para uma área ambiental protegida, onde provavelmente irão realizar os testes referente a iniciativa C.

Naruto levou a mão no queixo. Para ela ainda não estava claro no que se definia está iniciativa, contudo foste o que foste não era algo positivo.

— E iremos ir verificar. – Naruto adiantou-se em suas conclusões, contudo viu o menear negativo de Shikamaru.

— Como é de conhecimento amplo de todos estamos sendo sabotados facilmente em nossas operações. E desta vez decidimos realizar uma abordagem diferente.

Gaara abaixou a cabeça. Já detinha certa noção da didática que seria empreendida.

— Estamos na lista da Interpol. – Temari prosseguiu. – Qualquer passo em falso e estamos perdidos. Devido a isso deixaremos Costa Rica. Trata-se de apenas uma questão de tempo até sermos interceptados aqui e acredito que isso não tenha ocorrido ainda, pois estão esperando uma falha nossa.

— Por isso solicitei que Hinata, Sasuke e Naruto recuperassem o avião que nos trouxe até aqui. – Shikamaru prosseguiu. – E será o mesmo que nos levara até Serra Leoa.

— No entanto. — Os cabeças da equipe se entreolharam. Havia chegado o momento. – Um de nós irá na frente.

Hinata fitou Temari e de soslaio olhou para o primo. O sorriso de canto não fora percebido por ninguém. Era certo. Fácil abater um inimigo visível, entretanto é aquele que não pode ser visto? Desconfiava desta abordagem desde que obteve acesso ao vídeo feito por Hiashi Hyuuga.

— Por sorte temos um atirador de elite na equipe. – Neji nem mesmo se deu o trabalho de se fazer de surpreso, afinal já detinha essa informação. Tenten buscou os seus olhos. A informação não tinha lhe caído bem.

— Missão solo? – E foi ela que tratou de questionar. Neji negou adiantando o rumo da conversa.

— Negativo. – Shikamaru ampliou a imagem, a qual não possibilitava nenhuma visão do local. – Como pode ver não conseguimos acesso a área. Ela está com total sigilo. Neji primeiramente irá reconhecer o terreno, averiguar se existe a necessidade de uma abordagem em grupo, caso sim entraremos em ação.

— Entretanto precisamos saber com exatidão o que estão desenvolvendo. – Temari tomou a dianteira. – Sem o envolvimento da Hozai acreditávamos tratar-se de um núcleo radioativo similares a de bombas nucleares devido ao extravio de uranio, mas com o envolvimento da corporação passamos a imaginar que poderia ser outra coisa como um teste químico, afinal armas químicas nunca saíram da moda.

— Levando em consideração essa possibilidade a meu pedido Sakura trabalhou num antídoto a organismos bioquímicos. – Shikamaru pontuou e os membros aparte desta informação compreenderam o isolamento de Sakura nas últimas semanas. – Esperamos sinceramente que seu uso não seja necessário, contudo achamos melhor trabalhar com prevenção.

O silêncio na sala foi grande. Shikamaru esperou as possíveis constatações, contudo as mesmas não surgiram.

— Neji. – Temari o chamou de forma séria. – Estaremos cinco dias de atraso comparado com sua posição e apenas entraremos em combate após o seu sinal. Sasuke o levara até a proximidade de Kenema após isso você irá agir sozinho. Seu principal alvo é identificar de antemão a segurança do local e se possível em que consiste o teste da corporação Hozai. Conseguimos identificar uma tribo isolada localizada próxima a área de reserva ambiental. Seja lá o que consiste este teste não estão se importando com vidas alheias.

— A área isolada é bem ampla e devido a isso me faz cogitar da amplitude deste teste. Ambas suposições são de grande poder destrutivo como é de conhecimento amplo.

Shikamaru sentou-se por fim. Estava colocando a equipe em alto risco. Aquela intervenção poderia trazer vários efeitos colaterais. Neji cruzou os braços após arrumar seu costumeiro boné.

Realizar missões solo sempre fora algo trivial e corriqueiro na sua carreira militar e sabia do nível de dificuldade da missão quando os sniper seguiam na frente, pois franco-atiradores pertencem a famosa Forças especiais – os temidos boinas vermelhas.

— Após o retorno de Sasuke. – Temari o olhou esperando alguma objeção, no entanto apenas recebeu uma sobrancelha arqueada do moreno. – Iremos montar uma base em um deserto.

— Isso me traz boas recordações. – Gaara mencionou e recebeu uma cotovelada de Ino.

— Por que um deserto, Temari? – A própria Sabaku questionou a si diante da complacência de terceiros. — A 2400 km seguindo para o Oeste temos uma base.

— Uma base? – Naruto questionou. Sabia exatamente de que base Temari estava referindo-se, pois tinha permanecido um tempo na mesma.

— Isso, Naruto. Uma base da força aérea. – Temari sorriu para o loiro. – E o que temos em base da força aérea?

Quando Temari questionou e Sasuke pôs se a rir. A insanidade tão presente nos planos elaborados e executados por aquela equipe estava dando o ar da graça.

— Aviões. – Hinata arrematou.

— Iremos ter apoio aéreo. – Shikamaru prosseguiu. – E para isso precisamos de alguns caças. Na verdade, apenas três.

— É uma quantia razoável. – Naruto afirmava com a cabeça enquanto Sakura negava.

— Existe uma grande probabilidade de a base aérea se envolver quando notarem o extravio dos caças. – Temari crispou os lábios. – Mas eles não podem entrar em território aéreo de Serra Leoa, pois ele é monitorado pela força aérea americana. Devido a isso Jiraya foi notificado e esperamos que mexa seus pauzinhos.

— Infelizmente não podemos agir com total sigilo desta vez. – Shikamaru levantou-se novamente causando estresse em Temari. A apreensão no Nara chegava a ser palpável e era totalmente compreensiva.

Muita coisa estava em jogo naquela operação.

— Após fixarmos a base os três pilotos da equipe seguirão para a base aérea, mas o apoio aéreo será utilizado em último caso. – Shikamaru olhou diretamente para Naruto, o qual entendeu sua parte como um mero “castigo” visto que mandar o franco-atirador na frente dava margem de entendimento que se tratava mais de uma infiltração do que uma intervenção.

— Alguma objeção? – Temari inquiriu. Era muita informação de uma vez. Esperou, mas não surgiu nenhuma manifestação.

— Resumo rápido: Primeiramente identificamos o projeto e no que ele consiste. – Shikamaru começou a enumerar com os dedos. – Segundo: Após identificar o que é a inciativa C será avaliada a necessidade de intervenção imediata. Afinal testes costumam dizimar uma grande área e provavelmente seremos atingidos, caso não identificarmos os responsáveis diretos pela Cadillac 52 antes do inicio do teste. Dois deles já foram: Corporação Hozai e a Taurus Colt. Agora basta ver quem cedeu alvará para ambos agirem parcialmente.

— Provavelmente algum governo ditatorial, rapazes. – Temari o cortou. – Vamos dar nomes aos bois e entrega-los de bandeja ao governo mundial.

Alguns entreolharam-se. Estava extremamente perigoso e algumas cabeças poderiam rolar nessa investigação.

A hora havia chegado e naquela altura não havia mais volta. A tensão era palpável no ambiente. Shikamaru desligou o monitor indicando que a reunião havia acabado, todavia nenhum membro se dissipou.

Gaara e Ino entreolharam-se. Um sentimento novo perpassava em cada um deles. Aquela reunião poderia ser a última em qual todos estavam presentes. Hinata sentiu uma mão afagar a sua delicadamente e logo seus olhos capitaram um par de esmeraldas lhe encarando.

— Tome conta deles para mim. – Sakura murmurou no ouvido da Hyuuga. Referia-se a Naruto e Sasuke. Duas pessoas que viera ser importante para ela naquele curto espaço de tempo.

— Você sabe um é inconsequente demais e o outro centrado demais. Existe um equilíbrio. – Hinata brincou com a Haruno tentando dizer que tudo iria ficar bem. Sakura não estaria lá para estancar o sangue e curar as feridas. – Não se preocupe. Irei cuidar deles.

Hinata murmurou antes de levantar e encarou o primo ao sair. Talvez foste a última vez que iria vê-lo. Torcia pelo contrário.

— Uma última cerveja antes de toda essa loucura começar? – Naruto questionou a Sasuke, o qual jogou os ombros para cima.

— Não vai fazer mal. – Virou-se para rosada a seu lado. – Nos acompanha?

Demorou-se nos olhos de Sakura. Um sentimento habitual havia se instaurado no ambiente. Aquele sentimento antes das grandes operações onde colegas e novos amigos se separavam e alguns nunca retornavam.

O Uchiha viu o sorriso fino de Sakura e prestou atenção em cada detalhe daquela face.

— Sem sombras de dúvidas. – Sakura prestou continência a Nara e Temari. Ausentou-se da sala seguida por Naruto e Sasuke.

— Não demorem! – Naruto gritou do corredor. – Sakura revelou-se um tremendo carro velho.

— Naruto! – O restante sorriu a ouvir a repreensão da Haruno do corredor. Um ar melancólico tinha consumido os pulmões de todos.

Ino não sabia dizer se aquilo seria difícil. Não desejava separar-se de nenhum colega de equipe. Escorou no encosto da cadeira quando somente restou ela e Gaara na sala.

— Olha só. – Começou baixinho. – Somos fuzileiros.

— Especializados em combate direto. – Gaara encostou para ficar com a face na mesma altura que a de Ino. – Isso significa?

Sorriram.

— Significa que estarei um passo à frente – Ino começou.

— Ou um passo atrás de você. – E Gaara concluiu.

Estariam juntos.

*

— O que você temia aconteceu. – Shikamaru acendeu um cigarro enquanto andava ao lado de Temari no corredor. Ofereceu um cigarro a Sabaku e esta negou. – Os vínculos ficaram fortes demais.

— Acredito que saibam separar as coisas. – Temari falou. O fortalecimento de vínculos poderia incidir diretamente no resultado a operação. – Você não?

— Em partes. – Prosseguiram a caminhada. – Confesso que será duro aceitar algumas perdas caso elas venham a existir.

— Idem. – Novamente Temari parou e posou a mão no ombro másculo. – Vamos trabalhar o máximo para que isso não venha acontecer.

A mão do Nara pouso em cima da mão feminina que descansava em seu ombro.

— Não vai acontecer. – Shikamaru tragou o cigarro e Temari sorriu. Tirou sua mão debaixo da mão do Nara e acariciou o rosto do homem sentindo os fios da barba, a qual estava por fazer.

— Não vai.

*

Não sabia por onde começava ou se começava. Optou por não começar. Visualizava as costas largas a sua frente se distanciando. Tenten fechou a porta da sala de reuniões após sair e deixar Ino e Gaara a sós.

O Hyuuga iria deixa-la para trás como fazia no momento. Estava cada vez mais distante de si e entre dias estaria a quilômetros.

Cruzou os braços e fitou os próprios pés. Levantou o rosto e o encontrou parado no final do corredor que dava acesso a sala ampla.

Dividiu diversos momentos com Neji naquele ambiente, bem como dividiu com os outros também.

— Não vai falar nada? – Não se surpreendeu pelo questionamento do Hyuuga. Aliás até supunha que o mesmo iria faze-lo. Desencostou da parede e seguiu até Neji. O mesmo lhe olhava de um modo diferente. Tenten negou em resposta e quando estava próximo o suficiente o abraçou sem cerimônias.

Recebeu os braços do homem envolta de sua costas e logo a mão de Neji estava sobre sua cabeça e seus dedos entre os fios de cabelo. O lábio gelado foi de encontro da testa delicada e Tenten fechou ainda mais os olhos.

— Isso não se trata de uma despedida. – Sussurrou baixo enquanto apertava sua bochecha no peitoral masculino. Neji sorriu ligeiramente e negou. Logo viu os olhos castanhos um pouco abaixo do seu. – Se você morrer eu te mato e depois de te matar Gaara irá mata-lo novamente.

Os olhos castanhos estavam brilhantes e fecharam-se ao receber leves beijos superficiais em seus lábios.

— Estarei morto triplamente. – Tenten riu sem afastar os lábios do dele. – Se isso acontecer.

— Coisa que não vai. – Tenten o cortou.

— Explode tudo e cuida do Gaara para mim. – Tenten ficou séria. Seus olhos buscaram de forma frenética os olhos do Hyuuga. Deveras toda aquela operação estava saindo se cinematográfica demais e aparentava ser um belo matadouro.

— Não vou precisar. — Tenten murmurou. – Para ser sua garota você tem que estar aqui.

Neji a olhou e engoliu a seco. Lembrava-se do dia que tinha dito isso a ela. Abraçou suspendendo Tenten do chão.

Estava pensando de forma similar a Hinata.

A operação Cadillac não arrancaria mais nada de si.

A qualquer custo.

*

Costa Rica – Dois dias depois.

— Tenho que admitir. Vocês fizeram um ótimo trabalho. – Sasuke comentou e colocou óculos escuros novamente. Era final de tarde e o sol se deitava elegantemente no horizonte atrás do avião pronto para decolar.

Naruto e Hinata entreolharam-se. Tinham realmente realizado um ótimo trabalho.

— Vamos ver se o seu ficou no mesmo nível. – Naruto mencionava o trabalho de Sasuke no motor. O moreno apertou a mão do Uzumaki.

— E você tem alguma dúvida sobre isso? – Hinata sorriu e viu o moreno prestar continência ao se despedir. – Estou de volta daqui alguns dias e então decidiremos quem será o alfa da nossa equipe.

Novamente Naruto e Hinata entreolharam-se. Não havia parado para pensar naquilo. Quem seria os betas e o alfa na formação do apoio aéreo.

— E você ainda tem alguma dúvida sobre isso? – A Hyuuga explanou palavras similares a de Sasuke o que fez Naruto sorrir, mas antes de prosseguir fitou o piloto raposa vermelha. Tinham chegado a um consenso. – Nosso alfa não poderia ser ninguém menos do que Susano.

Sasuke ficou em silêncio. Nunca havia projetado ter dois pilotos, como Naruto costumava a dizer “bichões”, sobre o seu comando. A formidável canário-azul e o inconsequente raposa-vermelha. Iria dar muito pano para manga.

— Serei seu beta sempre. – Naruto afirmou e Sasuke assentiu. Hinata fez o mesmo gesto com a cabeça. Não havia mais nada a ser dito.

— Contamos com você. – Hinata arrematou no exato momento que Sakura chegou. Sorriu e deu as costas para o Uchiha.

— Por favor, não morra nessa simples missão. – Sakura piscou para o Uchiha ao usar um tom de brincadeira.

— Seu pedido é uma ordem madame. – Sasuke prestou continência a Haruno. – Até breve.

— Até breve. – Sakura o viu entrar o avião.

*

Assim que Sasuke entrou no avião Gaara saltou. Não trocaram palavras, apenas um simples gesto de cabeça. Neji terminava de colocar sua última bolsa no compartimento quando o ruivo aproximou-se.

— Não vai nem ao menos se despedir dela? – Neji sorriu e Gaara também. – Faz tempo desde a última vez, não é?

Gaara referia-se a missões solo de Neji, nas quais ele costumava a ficar para trás.

— Bastante. – Neji olhou para além de Gaara e pode visualizar Hinata olhando em sua direção. Olhou praia e viu mais alguns combatentes incluindo Tenten. Não era uma despedida permanente, ela dizia. Era apenas um breve até mais. – Estava pensando melhor sobre aquela nossa conversa.

Gaara olhou confuso por um instante até recordar-se.

— Parece uma boa hora, não acha?

A hora de ir para casa.

— Uma excelente hora. – Gaara apertou a mão estendida para si. – Te vejo mais tarde, irmão.

— Te vejo mais tarde, irmão. – Neji subiu no avião e Gaara se afastou rapidamente ao ouvir o som das turbinas. Logo o avião adquiriu velocidade e depois altitude.

— Caros senhores. – Sasuke comentou para si próprio enquanto fazia curva e pegava o curso para o seu destino. – Está na hora de arrebentar.

Os dentes brancos ficaram em evidencia. As frases de efeito de Naruto eram de certa forma encorajadoras e a ver de Sasuke aquele momento pedia uma.

Foste o que o destino quiser. Iriam partir para o nada e regressar.

Notas finais
E enton? Pois é! Quanta coisa! Até GOT foi mencionada bem de leve hahahahah. O que fazemos com esse piloto hein? Capítulos decisivos vem por aí, pessoal! E junto deles o final da fanfic. Estamos em reta final! Huhull Espero que tenham gostado de verdade e perdoem os erros. Capítulo está sem revisão. Um grande abraço e isso é tudo pessoal!