Combatentes

27 Interceptação


Notas iniciais
Yo! E lá se foram quase dois anos para sair uma atualização. É, eu sei, mas digo que não consegui antes. Bom, espero que apreciem a leitura, meus amores. E perdão pela ausência, espero que eu possa continuar por aqui. Porque uma vez fanfiqueira será para sempre uma HAHAHA. Lembre-se: atente-se para o inicios dos parágrafos, pois sinaliza onde se esta e quando, visto não seguir uma linha temporal os capítulos.

Grupo de apoio psicológico a soldados expostos por longo período em área de conflito – 4 anos atrás.

— É necessário minimizar, sempre que possível, acesso a gatilhos emocionais. — A voz da terapeuta grupal estava longe. Não tinha necessidade de contar quantas pessoas estavam participando do grupo, pois frequentava tempo o suficiente para conhece-los superficialmente.

A cabeça ruiva, a barba por fazer e a neuras por portas fechadas persistiam mesmo depois de tanto tempo ao ocorrido. Não cedeu importância quando a cadeira de mental posta ao seu lado naquele círculo de depoimento e deu autoajuda fora ocupada. Também não se deu o trabalho de olhar para o lado para constatar sua dedução. Sabia que era o seu colega das forças especiais e não entendia o porquê do franco atirador ceder atenção a seu trauma. Talvez, porque formavam uma ótima dupla e sentia falta de Gaara nas operações, visto que não eram amigos tão próximos.

— Gaara, gostaria de falar um pouco hoje? – Elevou os olhos verdes aos olhos azuis da profissional que mediava o grupo e toda semana ela fazia aquela pergunta. E a resposta sempre foi a mesma.

— A ideia é falar sobre. – O costumeiro boné na cabeça, uma camiseta xadrez dobrada até os cotovelos e o mesmo apontamento de sempre, entretanto Gaara nunca falava. – Colocar para fora, sabe.

Via Neji o incentivar com um gesto de mão ao mesmo tempo que a terapeuta aguardava pacientemente. Em sua cabeça se tornou alvo de atenção de diversos pares de olhos. O ar estava prensado e tinha dificuldade para respirar. Alternou os olhos de Neji para suas mãos. Estava tremendo. Não estava pronto, ainda não era a hora, mas forçou a voz sair e não obteve resultado.

— Eu. – Travou. A visão embaçou e a sensação era de um grande buraco abrindo abaixo de seus pés. Silêncio. – Não consigo lidar muito sobre com o que aconteceu.

Uma pausa eterna, não questionável. Todos fuzileiros que estavam naquela sala estavam por um determinado acontecimento. Inclusive os que vinham ceder apoio. Negou com a cabeça a perceber que não conseguiria prosseguir.

— É um processo. – Apontou a terapeuta após uns segundos. – Mais alguém gostaria de compartilhar?

Outro membro do grupo começou e a atenção de terceiros fora destinada a este, todavia a cabeça do Sabuku permanecia longe. Flash do ocorrido corroía sua saúde mental. E o dia de superar estava longe. Sentiu a mão pensar em seu ombro e fitou o Hyuuga afirmando com a cabeça.

— Segura firme. – Tratou de fitar as pontas dos pés. Se sentia um fraco e desistente. – Até a próxima semana.

Não o respondeu, não se despediu. Um zunido insistia em permanecer em sua cabeça e apenas era interrompido por um som. Um som bastante característico, um som que Gaara se recorda bem, claro e límpido. Inconfundível.

O ladrar dos cães.

*****

Serra Leoa – atualmente

Calculado. Cada passo, cada ação e função a ser executada em campo. Entretanto não estava com sua parceira fiel ao seu lado – a tranquilidade. Sentia-se nervoso, mas mesmo assim sua concentração era inquestionável. Já não tinha mais espaço para as dúvidas e qualquer reflexão sobre a missão foi deixada de lado.

A infiltração do franco-atirador havia resultado em uma intervenção em grupo.

Não tinha mais tempo para criar estratégias e contava seriamente com o profissionalismo de seus colegas.

— Nara.— A voz feminina inconfundível no fone de comunicação soou. E ela era música para os seus ouvidos, pois significava duas coisas. Primeiro: Não era todo dia que caças aéreos sumiam de suas bases e escutar Hinata no fone significava que ela tinha dado um jeitinho neste pequeno, mas importante detalhe. E segundo: Iria ter o apoio aéreo que provavelmente iria necessitar. Não queria surpresas e precaução poderia ser seu sobrenome. — Aguardando ordens, câmbio.

No momento que iria responder sentiu uma mão pousar em sua perna compreendendo que não era para responder. A comunicação deveria ser mínima. Corriam o risco de interceptação a qualquer segundo e Temari o lembrou disso.

— A equipe de infiltração estará dentro em três, dois... – O ar da Sabaku faltou. Observavam através de microcâmaras instaladas no uniforme de dois combatentes que se infiltravam sorrateiramente na base. Quando passaram pelo grande portão principal sentiu o peito aliviar. – Especialistas em combate estão dentro.

A segurança realmente era exacerbada, mas graças ao Hyuuga que tinha ido a frente naquela missão, muitas informações validas chegaram aos ouvidos dos coordenadores daquela equipe, inclusive movimentações atípicas e realizações de testes.

Suas teorias estavam se concretizando. Apenas precisava confirmar todos os detalhes. No que aquilo se definia? Nuclear ou bioquímica?

— Perfeito. – Shikamaru pontuou. Coordenavam a infiltração e a operação de longe. Exatamente atrás de um furgão a alguns quilômetros da base terrorista. E ali permaneceriam até o momento de participarem da ação, caso necessário.

O objetivo era simples. Iria descobrir a qualquer custo ou quase qual era o objeto de trabalho daquelas organizações governamentais e sociais e de quebra o intuito dessas pessoas. E depois de informar o exército americano iria pedir umas férias.

A tal da Iniciativa C fritava o seu cérebro na manteiga e já havia criado tantas teorias junto da Sabaku que chegou o momento de confirma-las.

— A desarmista e a médica serão as próximas. – Os olhos se encontraram e um sorriso genuíno brotou no rosto do Nara. A segurança que Temari lhe passava era gritante. E se por acaso ele tivesse sangrando e Temari lhe dissesse que não precisaria se preocupar não iria questionar. Confiava em seu potencial e acima de tudo em sua inteligência. Por isso Temari que montou a estratégia de infiltração.

— Não me pergunte como, mas teremos apoio aéreo. – Temari afirmou com a cabeça. Isso lhe trazia um alivio.

— O franco-atirador? – Temari questionou. Era cautela não sair falando os nomes dos membros da equipe. Deixou o computador de lado para fitar Shikamaru, o qual se demorou na resposta, visto estar com a atenção prendida em sua tela.

— Deve estar no ponto de apoio leste. – Temari deixou sua tela para ir verificar o que prendia a atenção de Shikamaru de forma extrema a ponto de nem olhar em seus olhos. – Diga que estou delirando.

— Você está delirando. – Temari proferiu quando viu um comboio de carros chegando pela outra entrada. E achou que invadir satélites para roubar dados não era de nada ruim. Ação que os ajudava bastante na infiltração e monitoramento da ação.

— Até o momento está previsto. – Murmurou para si. Era obvio que aquilo iria complicar a intervenção. Tinha uma certa convicção que teriam que acessar o laboratório, o qual provavelmente existia visto o envolvimento de uma grande corporação farmacêutica.

Suspirou, pois os pequenos detalhes que lhe tirou o sono durante semanas resolveram surgir novamente. Não tinha como dar errado. Não iria.

— Em posição. Repito em posição. — Novamente outra voz inconfundível surgiu rente a sua orelha. Agora não havia como mais abortar. A única opção era prosseguir e quem sabe sair com informações concretas e com a integridade física intacta.

Era o plano.

*

Sentiu a mão deslizar do frio mental onde se agarrava. Iria reclamar da lama que voou em seu rosto alvo, mas desistiu a ouvir o som do motor do automóvel diminuir. Olhou para Gaara, o qual também se segurava nas ferragens embaixo do caminhão de campanha que cessou para averiguação no portão principal.

Observou pares de pés rodear o caminhão. Sentiu o ar faltar quando visualizou um joelho sendo posto no chão. Iriam verificar embaixo do caminhão.

A atenção da Yamanaka fora redobrada. Estava pronta para se soltar e sair rolando para literalmente sair no soco, quando escutou batidas na lataria e comando de voz. Gaara viu o homem retornar a postura anterior. Salvos por pouco!

Quando o caminhão passou o portão começou-se a contagem mental. Era apenas seguir as instruções do Nara. Cerca de trezentos metros teriam que se soltar e se abrigarem na primeira instalação que vissem. E segundo informações tinha uma entrada de esgoto justamente um pouco à frente do portão principal.

Ino foi a primeira a ver a grade. Agora vinha a parte difícil. Foi a primeira a soltar do caminhão e quis praguejar quando percebeu a solda do metal. Puxou uma pequena parafusadeira e trabalhou rapidamente sobre os parafusos que prendiam o metal.

Gaara forçou o mental em seguida e Ino adentrou o buraco rapidamente sendo seguido pelo Sabuku.

Olharam-se quando o caminhão aparentemente cessou viagem. A garganta da Yamanaka ressecou quando escutou com dificuldade o som da porta do caminhão bater.

Alguém estava vindo.

Gaara puxou a grade para o seu local de origem a encaixando perfeitamente. A claridade ainda era pouca devido o amanhecer do dia. A notar a aproximação do soldado fez sinal para Ino soltar-se da escada de mental. O túnel na vertical era estreito e não cheirava bem.

O menear positivo foi a última coisa que Gaara viu da loira e logo soltou-se também.

Cerrou os olhos ao sentir o baque seco contra o chão e rapidamente rolou para o lado ao lembrar que Gaara estava caindo feito um saco de batatas como ela caiu.

Por segundos não foi esmagada pelo corpo que adorava sentir, mas não daquela maneira.

— Só posso dizer que manda muito bem com ferramentas de construção. – O viu fechar os olhos pela dor gerada por conta da queda. Sorriu, pois ainda não tinham ferrado com tudo. Ino agachou-se e retirou a blusa da farda, a qual estava completamente suja e Gaara preferiu permanecer com a dele.

— Obrigada. — Ativou o microfone de comunicação após ligar uma lanterna. Até o momento estavam sob a luz fraca que adivinha da entrada do sistema de esgoto. – Em posição. Repito em posição.

Gaara retomou a seriedade. Agora vinha a parte que não desejava. Se separaria de Ino.

— Ei, te vejo daqui algumas horas. – Murmurou para Ino e foi inevitável o sorriso pequeno da Yamanaka. Aquela era a pior missão que já esteve. Era certeiro que as coisas saíssem do planejado e tinha medo de perder Gaara por isso, mas acreditava nas capacidades do homem.

— Exatamente três horas. – Ino complementou. – Nem um segundo a mais ou a menos.

— Sim, senhora. – Limpou um resquício de lama da face feminina. – A seu sinal.

Ouviu o som característico do revolver sendo destravado, observou os lábios bonitos murmurar rente ao comunicador o tão costumeiro “aguardando ordens” e sentiu falta do “não ferre com tudo”. E estava ansioso para aquela operação acabar por duas coisas. Desejava beijar os lábios que se comunicava através do aparelho e ouvir o franco atirador depois de duas longas semanas.

E por esses motivos e tantos outros não ferraria com tudo.

*

4 horas antes – base aérea aliada.

Havia ocorrido uma mudança de plano. Algo pequeno, de baixa importância, entretanto de fator muito decisivo. Quando o Capitão Jiraya não conseguiu mexer os “seus pauzinhos” e invadir uma base área sem esse apoio ficou um tanto arriscado demais. Risco de morte, sabe? Com direito a vala rasa e tal. Foi então que ela resolveu dar um jeito nesse pequeno problema, o que resultou um atraso na execução da missão de uma semana para duas.

Mas a seu ver seu primo não iria se importar de ficar enfornado em uma base terrorista por este período. Acreditava que era uma das suas atividades favoritas e tinha convicção que ele iria compreender, afinal um ou dois caças de alta performance fazem a diferença. Imagina três! E esse tempo de observação e permanecia nos arredores trouxeram informações muito valiosas! Inestimáveis. Isso tinha que ser posto na ponta do lápis no fechamento das contas.

Não se recordava exatamente o porquê de ele ter vindo junto, melhor deles lhe acompanharem. Não estava achando ruim a companhia e a ver os caças na base recordou-se do porquê.

Hinata não conseguiria roubar três. E por isso lá estavam Uzumaki e Uchiha. Não foi difícil ingressar na base originaria que estava locada antes de ser emprestada para a Marinha, afinal foi somente usar sua credencial.

Vamos dizer que a famosa piloto canário azul tinha lá sua moral. E isso ficava muito visível para o piloto raposa vermelha com o passar dos segundos.

— E como pretende fazer isso? – Ouviu Sasuke questionar próximo demais da Hyuuga na conversa privativa deles enquanto Naruto permanecia alguns passos atrás.

— Iremos pegar emprestado. – A Hyuuga respondeu com o nervosismo comichando no seu interior. Afinal, caças de alta performance não se empresta. Ah! Mas somente se ela não fosse Hyuuga Hinata.

Sorriu a ver o amigo de anos, exatamente quando ingressou na Aeronáutica a amizade se formou. Aburame Shino estranhou a ver a Hyuuga trajando os macacões próprios para pilotar e estranhou ainda mais a ver dois homens suspeitos a acompanhando.

O sol estava quente naquela altura do dia e talvez estivesse lhe causando vertigem. Porque fazia um bom tempo que não a via.

— Hinata? – Naruto nunca viu um sorriso tão largo da piloto e franziu o cenho. E sua curiosidade para saber como isso iria dar certo já estava o torturando. – O que devo a honra?

Brincou, mas viu o sorriso dócil acabando e a seriedade retornado, presumiu que não era por coisa simples a presença da mulher.

— Preciso de três caças sem localizador. – Realizou o comando e fitou o relógio de pulso. – Em cinco minutos. O tempo que você tem para me fornecer antes que notem minha presença e percebam que você me auxiliou nesse pequeno delito.

— Pequeno delito? – Naruto questionou incrédulo ao mesmo tempo que Sasuke aparentava ter uma arritmia cardíaca e Shino assimilar a solicitação pirada da sua superior.

De todas as formas de pedir julgou aquela a melhor. Naruto não concordava muito com a abordagem, mas a ver olhos fuzilantes para si preferiu calar-se.

— Hina, creio que não posso te ajudar com isso. – O homem estava incrédulo e espalmou as mãos em frente ao peitoral. – Irei ser exonerado e perceberão o extravio dos caças em segundos.

— Não, não. – Hinata reforçou com o dedo indicador sua fala. Cada detalhe tinha sido pensado. – Por isso sem rastreadores e você vai ligar para a torre central falando de testes longos.

— Sabe que não tenho autoridade para isso. – Retorquiu rapidamente. Era verdade, não era simples desta maneira e Hinata sabia disto.

— Por isso você vai pedir com jeitinho para o seu namorado. – Inclinou a cabeça para o lado dedicando um sorriso dócil ao amigo como se tivesse resolvido todos os detalhes do seu furto. – E além do mais você sempre quis ver o piloto raposa vermelha pilotando, não é? Peço para ele fazer um show particular para você quando voltarmos do nosso pequeno passeio.

Retorno que não iria acontecer. O homem olhou para Naruto, direção que Hinata apontava escancaradamente. Como se fosse um produto a venda. As informações eram tantas que Shino negou com a cabeça. E ao assimilar a menção do Raposa vermelha a sua frente o sorriso foi inevitável.

— Vou ganhar um autografo? – Hinata sorriu vitoriosa, pois o questionamento era um sim no auxílio do deu furto.

E pela primeira vez amou ter Uzumaki Naruto a menos de três metros de distância. O seu codinome de piloto o precedia e não fazia mal fazer mau uso disso.

Hyuuga Hinata conseguiu três caças, um Sasuke atônito, um fã do raposa vermelha feliz e um Uzumaki preocupado.

Afinal, até que ponto ia o poder de convencimento e barganha daquela mulher? Questão para ser respondida em outro momento.

Não demorou nem sequer uma hora inteira e três caças rasgaram o céu com coordenadas exatas prontos para ingressar em combate aéreo e curiosos para saber quem iria vir tentar abate-los.

*

A música nos fones era audível a terceiros, estava roendo o resto das unhas que tinha e tentava se distrair. Sakura olhava para a morena um tanto preocupada. Não fazia nem duas horas que tinham chegado no ponto estratégico seguindo a orientação de Shikamaru e Temari.

Estavam no aguardo para auxiliar na infiltração de Gaara e Ino, na verdade na retirada de ambos e para isso deveriam aguardar Temari chegar no posto localizado no outro extremo da base. Permaneciam bem camufladas e mantinham se estiradas no chão.

— Acha que vai demorar? – Retirou os fones e realizou a questão, a qual diga-se de passagem, não foi a primeira do gênero. – Admito que sou um pouco ansiosa e estou ficando com fome.

A Haruno olhava paciente para a mulher pertencente ao esquadrão anti-bombas e admitia que era muita responsabilidade para ela, bem como era para si própria. Mas ao menos podia contar com a sorte para ninguém ficar gravemente ferido.

A ideia era essa, Sakura iria ceder suporte medico para os membros da equipe e suporte direto a Yamanaka, pois a pretensão era a divisão da dupla de infiltração e suporte de TenTen a Gaara.

Por que? Porque ela podia simplesmente explodir tudo se nada saísse como planejado. O alvo era o laboratório e como não sabiam exatamente sua localização teriam que procurar.

Sakura era medica e saberia identificar elementos bioquímicos. Não diferente de Tenten, a qual conhecia muito bem a tabela periódica e umas coisinhas a mais. Devido a isso e outras especifidades agiriam na intervenção.

— Não sei. – Sakura fitou o relógio de pulso e depois desviou os olhos para a mochila gigante nas costas da Mitsashi. – A previsão de execução são de três horas, vamos levar em consideração o horário. E por Deus, não me diga que vai com isso para lá?

Apontou para a mochila e questionava internamente como TenTen conseguiria correr com aquilo. Era pedir, no mínimo, para levar dois tiros e um funeral de brinde. TenTen negou e suspirou. Tinha exagerado.

— A sua não fica muito atrás.

— Mas são utensílios cirúrgicos e medicamentos caso seja necessário. – Justificou o tamanho de sua mochila e já era habituada com ela, visto atuar por longo período em área de conflito e geralmente acompanhar o esquadrão. O suspiro foi em conjunto.

Sakura sentia falta da tranquilidade de Sasuke e TenTen da segurança que Neji passava mesmo sabendo que ela que se metia em encrenca a cada cinco segundos.

— Não se preocupe comigo. – Retomou o diálogo. – Eu quase passei no teste de batedora da equipe do esquadrão anti-bombas cinco vezes.

Sakura deixou arregalar os olhos e Tenten percebeu. Estava incrédula.

— O que foi? Eu não passei, mas eu fazia isso no esquadrão que estava. – Tentou se convenceu e esperava que não fosse necessário desarmar nada. – Por isso corro todos os dias. Sou uma batedora.

— Tenho certeza que é. – Sakura sorriu a ver o nervosismo de TenTen. Batedores, são soldados que percorrem o perímetro para localizar explosivos e derivados na finalidade de desarma-los. É necessária agilidade, muita velocidade e condicionamento físico, para que, se tivesse necessidade, poder correr por horas carregando peso. Tenten estava mais para uma incendiária.

— Equipe de apoio, na escuta?— Iria continuar o diálogo, quando ouviu Temari pelo fone.

— Na escuta. – Sakura respondeu e Tenten forçou o foco. Olhou para a paisagem, uma região montanhosa e cheia de arvores. Onde ele estaria?

— Avancem para o próximo passo. — Sakura deixou o cenho franzir. Algo saiu dos planos? Não questionaria para não deixar TenTen mais nervosa e consequentemente deixa-la mais nervosa.

— Positivo, câmbio – Par de olhos castanhos a olhava curiosa. – Vamos lá!

— Positivo. – A Haruno viu TenTen pegar sua placa de identificação e depositar um beijo murmurando algo incompreensível visto ter falado em outro idioma. Foi então que caiu a ficha que não usava a sua. Se fosse morta em combate nem identificada seria. Os mesmos olhos castanhos se deslocaram para as pernas da Haruno, a qual estava com várias baionetas para facas e depois para a cabeça de fios rosas.

— Sakura. – A Haruno se assustou pela forma que foi chamada, mas segurou o grito. Sentia-se tensa e Tenten não ajudava muito na situação. Precisava forçar o foco e a concentração, pois havia permanecido muito tempo fora de área de conflito. – Coloca este boné.

— Por que você está com o boné do Neji na sua mochila? — De tantas perguntas a com menor importância surgiu. O acessório era inconfundível.

— Eu tenho muitas coisas na minha mochila. – Tenten disse. — Não querendo ofender, mas a tonalidade do seu cabelo não passa despercebido. E porque esta sussurrando?

Esticou o boné em direção a Haruno, a qual tinha uma certa convicção que iria morrer a ser pega usando o acessório pelo verdadeiro dono. Entretanto já desconfiava que iria morrer de qualquer maneira.

— Não estou sussurrando. – Agarrou o boné derrotada. Tenten tinha razão. Suspirou quando saíram da floresta e ficaram rente ao muro.

Afirmaram com a cabeça, iriam se separar. Conforme o planejamento.

— Espero não precisar de seus cuidados. – Tenten piscou após passar a alça do rifle que carregava pelo tronco. Precisar de Sakura significava precisar de cuidados médicos.

— Não vai. – Firmou o boné na cabeça, regulou a alça da mochila e olhou para a Mitsashi mais uma vez.

Seguindo o plano traçado somente se veriam no final da missão. Aquilo podia tornar-se uma despedida. Iria depender de uma series de fatores, principalmente no que consistia o trabalho criminoso realizado naquela base.

E ao ouvirem o escandaloso alarme da sirene berrar a quem quisesse ouvir a incerteza que se encontrariam novamente começou a surgir.

O combate era certo.

*

A escuridão a engolia e não conseguia ver a luz no fim do túnel. Uma, porque não estava em um e sim permanecia no esgoto. Yamanaka Ino se arrastava na agua nojenta ao mesmo tempo que segurava com a boca a lanterna pequena. O seu único foco de luz. Foi assim que chegou em um dos acessos principais. Iria subir e sair dentro de uma edificação.

— A seu comando, cambio. – Subiu sem dificuldades metros de altura e lá novamente estava uma grade, que cedia acesso ao corredor iluminado. Fitou o relógio de pulso, já tinha passado uma hora desde o início da operação e ainda não tinham sidos descobertos.

Concluía, visto não estar perdendo sangue ainda e ter escutado a sirene disparar sinalizando que estavam sob ataque, a qual iria soar dentre minutos.

No exato momento que Shikamaru ordenasse para atingir o corredor a Sabaku iria derrubar o sistema de segurança. Caso tivessem tomado estratégia diferente, como primeiro derrubar o sistema de segurança e invadir em sequência seriam alvejados facilmente.

Por isso a infiltração, mas isso não significava que estaria isenta do combate. Novamente desparafusou a grade e se pendurou nela por um momento para retirar o revolver da cintura. Apoiou os pés na parede.

E o típico alarme gritando se fez ouviu. Não precisaria de comando de voz, abriu as pernas para apoiar-se e retirou a grade larga do lugar, agarrou-se na extremidade e segundos depois estava no extenso corredor. Apoiou na parede e posicionou o revolver sobre uma mão.

Estranhou. Estava silencioso demais.

— Nara! – Gritou quando percebeu uma movimentação atípica pela vidraça. – Irei subir.

— Positivo.— Escutou e começou a correr. Uma sensação desagradável começou a lhe roer as entranhas com o passar dos segundos. Onde estava o inimigo?

E como se fosse uma previa de como seria as próximas horas pode ver, novamente, através das vidraças cães de laboratório.

O chão iria se abrir e o inferno estaria logo abaixo para alguns.

Não efetuou um disparo como achou que faria a ver o primeiro soldado ainda desnorteado pelo alarmar da sirene. Aumentou sua velocidade, para que conseguisse pegar no cano do rifle do desatento. O soldado efetuou disparos acidentais, os quais atingiram o teto e Ino usou a arma para desferir um golpe na face do homem enquanto fazia força para segura-la.

Firmou os pés quando a imobilizou por completo, desferiu uma joelhada no estômago fazendo o arcar e com o próprio rifle do soldado o apagou atingindo na nuca.

Retornou a correr pelo extenso corredor. A sirene zombava de sua cara, gritando que seu tempo estava escoando e como aquele viera acreditava que outros virão.

E o recado que sua solidão tinha terminado foi anunciado pelo ricochetear de uma bala que atingiu a parede.

Estava acompanhada e para o seu azar mal acompanhada.

*

Como esperado aconteceu. Assim que derrubou o sistema de segurança destravando qualquer porta de segurança máxima o alarme indicando anormalidades disparou. Como sabia disto? Ela estava berrando em seus ouvidos. Shikamaru e Temari estavam se aproximando da base e a proximidade permitia escutar a sirene.

— Nara.— Escutou a voz de Ino pelo seu fone. Temari os sintonizou e isolou o do restante. — Irei subir.

— Positivo. – Ouviu Shikamaru, este que dirigia velozmente concordar atento. – Seguimos para a próxima etapa. Tenho uma aposta de quem vai vir nos abater.

— E dobro o valor sobre. – Temari sorriu rapidamente. Estava tensa e preocupada com os detalhes. — Gaara, na escuta?

— Positivo.— Ambos escutaram o ruivo.

— Ino está subindo os andares. – Cessou a fala por um instante devido o baque seco do carro ao passar por uma valeta. Fitou Shikamaru, o qual não cedeu importância. – O que significa que você vai descer. Copiado?

— Copiado, cambio.

Olharam-se quando estacionaram o carro em um local estratégico. Proximidade suficiente para ver as muralhas. Temari iria comentar sobre a dupla de apoio quando ouviu uma enorme explosão.

Silêncio. O que tinha sido aquilo? Como se fosse para auxiliar na resposta visualizou através da janela do furgão um helicóptero de uso militar sobrevoando a localidade.

O desespero já dava o ar da graça, entretanto ainda estava dentro do previsto.

— Vou acionar o apoio aéreo. – Shikamaru mencionou e julgou ser música para os seus ouvidos.

Eles estavam preparados para sobreviver. E nem um momento ninguém disse que sairiam inteiros. São coisas diferentes.

— Você não sabe excitação que deu ouvir você falando isso. – Shikamaru desviou os olhos do computador para fita-la. Sorriu e acendeu um cigarro.

— Agora imagina a minha. – Temari sorriu devido a brincadeira, mas logo concentrou-se no acontecimento recente. O que tinha sido explodido e quem havia explodido? Questões que também preocupava Shikamaru.

— Permissão para ingressar em combate se necessário, senhores. – Comunicou através de um aparelho especifico. – Quando ingressarem no perímetro delimitado sinalizem, cambio.

— Positivo, câmbio. — Escutou junto de ruidosas e não soube dizer de quem era a voz, provavelmente de Sasuke que foi elegido para seu o alfa da formação de três.

— Shikamaru, a Haruno conseguiu infiltrar-se na base. – Comentou com o parceiro após Sakura lhe posicionar. – A sete horas, edificação leste. Suba os andares, Ino estará lá.

— Copiado. – Permitiu se respirar ao ouvir a voz da Haruno. Procurou os olhos negros em seguida.

— Diga que não foi Tenten que causou essa explosão. – O Nara negou. Não sabia responder porque Tenten não respondia o chamado. Poderia dizer que era típico da combatente e isso significava somente uma coisa.

Tenten e silêncio não combinavam. Ela estava com problemas.

— Hyuuga, na escuta? – Questionou rente ao comunicador e sob olhos avaliativos de Temari.

— Positivo. — Fazia um tempo considerável que não escutava aquela voz.

— Algum combatente na sua mira? – Inquiriu para o franco-atirador e quem sabe ele não conseguia ter notícias visuais de Tenten.

— Negativo.— Suspirou ao ouvir. — Movimentação atípica a leste, desligo.

Voltou para o computador diante da informação e por meio de imagens insuficientes pode verificar um esquadrão montando artilharia.

Estranho. Porque montar guarda como se o inimigo já estivesse infiltrado? Deveriam estar medindo esforços para localiza-lo e não aguardando-o sair.

— Estamos com problemas. – Chamou a atenção da Sabaku. Algo estava errado, esquisito e torto.

A probabilidade de sair tudo como planejado começava a decair.

*

A falta de uso do equipamento lhe cedia a sensação de sufocamento e por um momento cogitou em pedir transferência para a Marinha, e não era apenas porque o capacete de piloto apertava sua cabeça.

Sasuke estava mal-acostumado. Observou o painel do caça de alta performance e localizou o seu fiel beta e a famosa canário azul em sua retaguarda.

— Permissão para ingressar em combate se necessário, senhores.- Era atípico receber ordens daquele gênero, quando já saia com a missão e o planejamento delimitado. Não respondeu de imediato o Nara, pois uma interferência na sua comunicação a atravessou.

— Identifique-se, cambio.— Permaneceu em silencio. A sensação era de que o capacete comprimia todas as suas ideias. Havia sido pego no flagra. — No aguardo da resposta, cambio.

A torre de comunicação e rastreamento o havia pegado. O que diria? Poderia dar tantas respostas! E outros dois aviadores aguardavam-no atento. Dependendo da capacidade de convencimento do Uchiha aquela não seria a hora do combate

— Canino branco – base aérea aliada. Averiguação e reconhecimento, cambio. – O Silencio dominou e par de olhos escuros foram para o radar.

— Não tem se permissão para esta atividade. – Escutou a resposta da torre. — Retorne para a base, cambio.

— Positivo, cambio. – Respondeu ambos, tanto Shikamaru quanto a torre de comando, entretanto continuou com a invasão do território aéreo. Em outra tela pode ver o mapeamento da base de edificação antiga. Estavam próximos e não acatar o comando apenas indicava uma coisa: iriam ser interceptados.

Algo que não lhe desceu bem pela garganta. A passividade da torre de comando era derivada do uso de caças de forças aéreas que provavelmente já cobriram o território. Isso é, um fato, bastante preocupante.

— Acate o comando, cambio. – Novamente a interferência em seu fone, foi neste momento que recebeu uma notificação do sistema sobre a aproximação de uma formação furtiva de caças. — Ultima ordem, caso contrário será abatido. Desligo.

*

Hinata interceptava a conversa da torre de comando com o seu alfa e naquela altura do campeonato já estava estranhando as faltas de misseis. Era atípico, e a sensação de estranhamento dobrou de tamanho quando do seu radar sumiu a formação de caças, a qual acreditava que era para si e para os outros dois.

Hoje seria o seu dia de sorte? Não houve tempo para a resposta.

— Beta 1 e 2!— Sentiu o arrepiar de sua pele a perceber a exaltação de Sasuke. — Manobra evasiva a 12 horas. Recuar!

Não houve tempo hábil para pensar. Por qual motivo Sasuke estava a mandando recuar? Pode ver Naruto agir tão rápido quanto a si. Seus olhos se arregalaram e firmou as mãos no controle.

O que estava acontecendo? Seus olhos a traia? O radar de seu caça dizia que não. Sasuke estava em queda.

— Chamando Alfa, cambio.— Disse rapidamente no microfone e aguardou a resposta junto a ruidosa. — No aguardo, cambio.

Tentou novamente, mas a aflição já segurava a sua mão. Estavam sendo interceptados, mas não havia caças. O que poderia ser? E rente a sua orelha a resposta apareceu.

Os lábios se estre abriram, o aperto no peito foi inevitável e desejou ter voltado no tempo a ouvir o piloto raposa vermelha lhe tirando do escuro.

Estavam mortos.

*

Elaborava uma teoria do que o porquê Sasuke estar em queda livre no seu radar. E desejou do fundo da sua alma que fosse uma ação similar a das suas habituais inconsequências, entretanto a seu ver Sasuke era certinho demais para isso até nos treinos.

Acatou o comando sem pensar e captou a instabilidade no caça que estava utilizando. Por azar estava mais próximo de Sasuke do que Hinata e desejou socar o painel de tanta angústia.

— Sasuke?! – O desespero o tomou quando a voz do amigo sumiu completamente que ainda desferia comandos. Ouvia Hinata em sua plenitude convocar o Alfa da missão e igualmente a ele não obtinha resposta.

Aborte a cobertura!— Escutou com dificuldade devido o equipamento de comunicação estar prejudicado. — Pulso eletromagnético. Repito: uso de pulso eletro...

O seu peito comprimiu. A radiação havia prejudicado todo o sistema do caça do Uchiha o fazendo perder o controle e automaticamente cair. E danificado parcialmente o seu.

Canário azul, cambio. — Naruto gritou para quem quisesse ouvir e não aguardou retorno. – Estão em uso de pulsor! Bater em retirada.

— Copiado, cambio.— Não poderiam permanecer um minuto a mais sequer naquele espaço aéreo.

Não poderia socorrer Sasuke e teria que chorar por ele outra hora. Seu irmão de guerra estava morto.

*

Arrancou o capacete e o ar retornou para os seus pulmões. As luzes vermelhas de alerta nos painéis do caça o atordoava e o ar ficou rarefeito segundos depois. Voltou a encaixar a máscara de oxigênio após desacopla-la do capacete.

— Beta 1, retaguarda ao segundo beta. — Ordenava mesmo permanecendo em queda. Não obteve resposta e duvidava se seu comando os havia alcançado. Tentou desprender os apetrechos de segurança, mas nada funcionava ou era o medo lhe atrapalhando?

Não conseguia pensar, não conseguia desacoplar o teto do caça, não conseguia acionar o comando de ejetar.

Sua mente estava aérea, sua respiração pesada e concluía que era devido à queda. Seria assim o seu fim: Desmaiar e morrer no impacto.

A altitude diminuía, o coração acelerava e lembranças fora de momento surgiam. O desespero o fez agarrar os guidões no intuito de tomar o controle. Sentia frio mesmo usando o típico macacão de combate.

Mas não havia controle, não havia volta e não havia saída.

Uma explosão chamou a atenção de alguns combatentes, mas o desespero consumia apenas dois.

Uchiha Sasuke, situação: Interceptado em combate.

Notas finais
Muitas emoções, incluindo nos próximos! Matei o Sasuke gente, que situação. Notinha: Não sei se procede sobre pulso eletromagnético derrubar caças, mas para todos efeitos em CBT derruba. Sobre o termo Batedor: tbem não sei se tem isso não, mas achei que cabia. Goxtei e usei! Ate o próximo! XOXO