Combatentes

28 Mission Failed


Notas iniciais
Ai, gente. Cap. sem revisão. Espero que gostem do capitulo. Boa leitura.

Aponta, mira e atira. Passos simples para manter sua integridade física intacta. Então porque estava tão complicado de se fazer aquilo no momento? Não tinha tempo para responder suas questões pertinentes, entretanto fora de hora. Mas a cabeça de fios rosa coberta pelo acessório masculino tentava focar no trajeto em sua corrida atlética.

Correr.

Uma das últimas opções a se fazer, afinal costuma obter um resultado satisfatório, todavia limitado. Entretanto não via muito alternativa, quando ao dobrar um corredor encontrou um inimigo atípico. Daqueles que não apenas ladravam, mas também mordiam.

— Socorro! – Não conteve o desespero quando um cão de laboratório atropelou o outro que iria lhe agarrar. Ouviu uns disparos e largou o resolver quando percebeu que as balas haviam acabado. – Cães de laboratório!

Gritou para quem quisesse ouvir. Visualizou uma porta e ela aparentava ser sua última saída. Caso contrário iria virar churrasquinho de gato e a gata da vez seria ela.

As condições para Sakura não eram propensas a desdobramentos favoráveis quando jogou o corpo contra a porta e a mesma não abriu.

Os olhos verdes se arregalaram rapidamente.

Sair pela tangente já não era uma opção. Sakura Haruno: Encurralada.

*

Aquele gosto característico nunca mudava. As vezes era mais forte, outra mais suave, entretanto sempre metálico. Cuspiu o sangue que juntou na boca e forçou a visão retornar ao normal.

Gaara não lembrava exatamente quando começou a apanhar, apenas sabia que doía e que tinha que dar uma solução para aquela surra que tomava.

Estava no subsolo e por azar encontrou um grupo de soldados, os quais aparentavam estar deixando o local. Acertou alguns com balas e outros com facas e infelizmente havia sobrado outros para dar alguns socos.

— Até rimou. – Balbuciou a levar uma joelhada no estomago e apoiou a mão no piso gelado. Onde estaria sua parceira da equipe de apoio? Uma pergunta pertinente a seu ver.

Ficou vendo o cano reluzente da arma ao ser sacada. Tinha que agir rápido e de imediato. O cara era grande, mas não era dois. E como odiava aquela boina vermelha.

Avançou na direção da arma de fogo. Foi ágil. O disparo acidental fez seus sentidos se aguçarem.

Mais um tiro.

Trincou os dentes quando o sangue quente começou escorrer do buraco gerado pelo projetil que atravessou o seu antebraço.

Outro tiro.

Travou os braços de seu oponente o agarrando por trás. Forçou, uma, duas, três vezes o mesmo levar o cano do revólver para baixo do queixo.

Era questão de segundos ou suas fracções até pipocar os miolos de seu oponente. Não era um cara mau, era apenas uma questão de preservação corpórea.

Cerrou os olhos ao som do disparo e em seguida sentiu o peso ao sustentar o falecido nos braços. Não obteve muito tempo para pensar ao ouvir frases desconexas rente a sua orelha e muito menos para regular a respiração. Havia sido um embate difícil.

— Cães de laboratório.— Assimilou rapidamente a informação, a qual aparentava ser uma anunciação, entretanto um tanto atrasada. Ainda segurava o corpo másculo no automático e engoliu a seco a ouvir outro som extremamente característico, diria até familiar.

A nuca estava rígida e custou forças para girar a cabeça para trás. Já sabia o que iria encontrar.

Os olhos verdes o via vir de encontro consigo. Os ouvidos conseguiram captar o arranhar das unhas no piso escorregadio ao tentar se firmar numa corrida em curso reto para pular e agarrar o seu pescoço.

E tudo o que conseguia pensar era que tudo iria acontecer outra vez.

A ação, novamente, tinha que ser rápida. Não tinha tempo para sacar o revólver e geralmente o cachorro apenas morria no quarto tiro. Próximo demais. Os latidos estavam próximos. As alucinações táteis de sua costela sendo destruída estava perto de ser real. De novo.

E desta vez não teria ninguém para salva-lo.

*

Em sua pequena solidão chegou à conclusão que realmente silencio não combinava com ela. Eram antônimos.

— Gaara. – Falou em um sussurro ao andar com cautela em um corredor mal iluminado. – Na escuta?

Os olhos castanhos arregalaram-se ao ouvir passos naquele escorredor sombrio. Encostou na parede e levou o rifle para próximo do corpo. E em sua cabeça a questão permanente era por que ninguém falava com ela? Precisava encontrar Gaara e dar sequência na ação.

Estranhamente nada vinha em sua direção e começou a crer que havia ido para direção errada. Apenas a sirene gritando em sua orelha parecia algo normal.

Se saísse viva dessa missão iria ouvir horrores de reclamações a respeito do seu senso de direção. Era péssimo.

— Na escuta? — Escutou e uma felicidade sem tamanho a tomou. Seu aparelho de comunicação estava em funcionamento.

— Positivo. – Respondeu sem mesmo reconhecer a voz do outro combatente e aguardou pela sequência. Porém o aumento da claridade chamou sua atenção. De repente encontrou-se em um corredor totalmente branco e de iluminação fluorescente. As sobrancelhas se juntaram e no automático inclinou a cabeça para o lado a ver a porta de alta vedação.

— Shika. – Deferiu passos em direção a porta lentamente deletando da cabeça onde estava. O lábio se entreabriu e os olhos arderam ao chegar numa vidraça. – Estamos com um grande problema.

*

No automático os braços foram para frente do rosto e firme no punho permanecia uma faca de combate pronta para atravessar com afinco pescoço do colossal cão que adquiria altitude com a mesma intenção que Sakura: rasgar o pescoço dela.

Não conseguiu sustentar os olhos no cão os fechando com força. Começa a criar o mesmo medo por cães que Gaara possuía. Todavia não sentiu o peso que esperava do animal ou muito menos a dor que teria um aumento gradativo por conta da adrenalina. Apenas ouviu um grunhido fino típico de cachorros quando são agredidos.

Rapidamente abriu os olhos e viu estirado no chão e assimilou que era obra do franco atirador. Iria sorrir por ter sua cabeça a salvo sem maiores esforços quando a porta se abriu e bateu o quadril no chão por estar apoiada na mesma até então.

A cena que captou não foi uma das melhores. Rapidamente afastou a ver a Yamanaka prendendo um braço do oponente no vão da porta e a fechando com força contra o batente. E porque não fechava? Bem, havia um braço atrapalhando.

Logo Sakura escutou grito agudo do oponente da loira e a fratura exposta. Torceu o rosto ao pensar como seria a dor gerada pela fratura e logo tratou de fitar sua companheira. Ino estava ofegante e tinha uma fileta fina de sangue escorrendo da testa.

— Me passa o revolver. – Acatou o pedido sem pensar visto permanecer no chão. Agarrou a arma de fogo que pertence ao oponente e cedeu a loira que permaneceu segurando a maçaneta da porta. Estabeleceram contato ocular e Sakura sentiu a tensão aumentar. – Estamos lidando com uma infestação de cachorros. Provavelmente tem alguns do outro lado da porta.

Sakura engoliu a seco. Ino aparentava ter levado uma surra e permanecer em estado de alerta.

— Na hora que quiser. – Puxou duas facas da baioneta presas em suas pernas, firmou o boné em sua cabeça e afastou-se consideravelmente da porta.

Um: Ino empurrou a porta com força e disparou uma bala na cabeça do seu oponente.

Dois: Se jogou contra a parede do corredor para livrar-se do cão saltando e livrando-se de ser o seu alvo em consequência deixando-o para ela: Sakura.

Sakura lançou a faca após dobrar um dos joelhos atingindo perfeitamente a região desejava. Todavia o cão a alcançou e ela foi obrigada a segurar na lâmina da faca ao encaixa-la na boca do animal. Sentiu o sangue quente respingar em sua face e percebeu a força do cão se esvaindo.

A respiração parou. Tinha morrido em seus braços. Não tive tempo de joga-lo de lado, pois o corpo do animal era a única coisa que impedia pares de dentes afiados de lhe alcançar.

Outro disparo e o peso sobre seu corpo dobrou. E se fosse morrer gostaria que fosse de outra forma e não prensada por cães.

— Ino! – Ouvir Sakura gritando o seu nome não foi uma das melhores sensações porque não fazia milésimos que tinha checado a situação da rosada. Então presumia que o grito era para alerta-la sobre o perigo que vinha para si.

Rolou pelo chão rapidamente para se livrar das balas e rapidamente prostou-se de joelho efetuando disparos com sua arma. Aquilo estava ficando cansativo. Disparou diversas vezes até os projeteis acabarem.

Foi justamente quando apertou o gatilho que seu oponente caiu sem vida no chão. Ambas se olharam e afirmaram. Sakura levantou-se primeiro no intuito de verificar a ferida na cabeça da Yamanaka.

— A ferida foi superficial. – Comentou um tanto aérea. Se perguntando internamente o tanto de embate que Ino tinha tido naquelas duas horas corridas, tempo passado que refrescava sua memoria que o tempo estava escoando. – Sei que gostaria de ver fios de tonalidades diferentes, mas tem que se contentar com esses. Ele deve estar bem.

Tentou tirar a tensão de Ino e pode ver o sorriso da mesma na sequência. Sakura referia-se a Gaara. Ino agarrou a mão esticada em sua direção e agarrou sem cerimônias um tanto contente. Contudo era perceptível o tanto que estava tensa. Se para ela estava ruim para Gaara deveria estar o dobro. Estava preocupada.

— O tempo está acabando. – Começaram a andar enquanto Ino ativava o seu comunicador. – Temari, não encontrei nada. Solicitação de permissão para ir para o subsolo.

Aguardou retorno a sua solicitação, a qual não veio com o passar dos segundos. E junto a ruidosa do fone veio uma notícia que não desceu muito bem pela sua garganta. Rapidamente virou-se para ver o rosto da outra combatente que estava a poucos metros atras de si.

— Sasuke. – Sakura sussurrou. A Sabaku não trazia boas notícias.

*

— Perdemos o suporte aéreo. – Shikamaru saltou do furgão rumando até a traseira. Temari suspirou fundo e negou. – Vamos torcer para não ter nenhuma baixa.

— Tarde demais. – Os olhos se encontraram e Temari negou com a cabeça. – Sasuke esta desaparecido. Os outros foram buscar o nosso avião.

— Tenha um pouco de otimismo. – Shikamaru se confortava. – E desaparecido não é morto.

Ajustou o colete e passou o rifle pelo ombro. Iriam ceder suporte direto aos outros combatentes.

— É quase a mesma coisa. – Temari rebateu. – Vou notificar o restante da equipe. Perdemos o apoio aéreo. Repito: perdemos o apoio aéreo.

Shikamaru fez sinal de pare com a mão fazendo Temari cessar na sua comunicação.

— Shika. – Era Tenten. – Estamos com um grande problema.

— Prossiga. – Respondeu rapidamente e Temari resolveu sintonizar o seu comunicador ao do Nara para ouvir o montante de informações de Tenten.

Fitaram-se. Estavam muito encrencados. Algumas coisas estavam começando a fazer sentido. Shikamaru assimilou as informações rapidamente. Viu o negar de cabeça firme de Temari.

Começaram a correr em direção a estrutura quando Shikamaru cerrou os olhos e gritou em pleno pulmões.

— Bater em retirada. Agora!

*

Cogitou que não necessitava de muitos neurônios para entender o que era aquilo: uma porta de alta vedação. E muito menos para que elas serviam. Fitou a vidraça de observação e com o passar dos segundos seu peito se comprimia. As luzes vermelhas de alerta faziam seus olhos lacrimejarem e a aflição a tomava. Nenhum combatente conseguiria sair vivo daquela missão.

— Prossiga. – Escutou em seu fone e tentou afastar os pensamentos negativos. Teria que ser rápida. Tão rápida quanto o cronometro que ao findar sua contagem dissiparia o conteúdo das capsulas de contenção: 30 minutos.

— Quero te falar que eles têm péssimos gostos para nomes. – O silencio se fez do outro lado do fone. E uma sensação a fez crer que todos os seus amigos de combate estavam ouvindo-a. – Projeto Cartase.

Sibilou para si própria ao espalmar às mãos no vidro. O cenho se franziu ao recordar do lugar onde tinha ouvido aquele nome anteriormente e o desespero segurou a sua mão.

— Iniciativa C? – Fez uma expressão chorosa e não precisava ser um gênio feito quem coordenava a equipe que fazia parte. – Arma biológica programada para dissipação em 30 minutos!

Retornou para a porta de alta de vedação e tentou viola-la, porém sem êxito. E ao mesmo tempo vinha um montante de informações em sua cabeça. Onde estava Gaara? Em trinta minutos não conseguiria sair do subterrâneo, não conseguiria sair do raio de 14 km para fugir do provável vírus de propagação aérea. Fatos que constatava ao avaliar o laboratório e os itens que tinha no ambiente.

Entendia o porquê não estava encontrando oponentes e o fato de ter uma infestação de cachorros. O inimigo estava testando sua arma e eles seriam os ratos de laboratório. E seu coração se apertou ao lembrar-se do vilarejo que tinha passado. A infeção também atingiria as pessoas da vila.

— Bater em retirada! Agora!— A voz do Nara a despertou do transe que estava submetida. Começou a correr velozmente pelo corredor extenso, mas abruptamente parou depois de metros.

A esperança ainda segurava a sua mão. Algo bem característico seu veio a mente.

*

Prendeu o cabelo em um rabo de cavalo alto e alguns fios azulados ficaram grudados na face. Estava suada e exausta após a corrida intensa que dividiu com Naruto. Assim que encostou o corpo rente a muralha fitou os olhos azuis. Não sabia porque Naruto estava lhe passando tanta segurança, talvez pelo fato de o mesmo ter livrado o seu caça do pulsor com o seu comando de voz veloz.

— Acredito que roubar um helicóptero é a melhor alternativa de saída. – Naruto se posicionou. Quando ejetaram dos caças e se encontraram o meio da floresta coma ajuda dos localizadores da equipe decidiram que era viável buscar o avião de pequeno porte, mas era muito fora de mão. Então o Uzumaki resolveu correr em direção ao inimigo sem comunicar nada a sua parceira.

— Concordo. – Hinata nem mesmo questionou, pois também seria a sua sugestão e achou melhor atualizar Temari sobre a estratégia que ambos formularam, mas uma questão de maior angustia a consumia. – O caça que utilizei apontou o local da queda do caça onde Sasuke estava.

Começou um tanto receosa quando Naruto estava escalando a muralha feita de pedras. O Uzumaki colocou a faca de combate na boca por um instante afim de estender a mão para a Hyuuga em situação igual.

Após fincar a faca no vão das rochas para usar como suporte e soltar a mão de Hinata afirmou positivo. Hinata olhou para aquilo com paciência. A comunicação de Naruto havia tirado férias após a queda de Sasuke. Estava preocupado e Hinata desejava sanar a questão.

— Se ele estiver vivo. – Engoliu a seco quando Naruto a encarou. – Não podemos deixa-lo para trás. Quero dizer, posso pedir permissão para verificar o caça e você intercepta o helicóptero.

— Não perca o seu tempo com isso, Hinata. – Escutou e não associou a dura frase com o inconsequente piloto raposa vermelha. – Se Sasuke está vivo, como sei que está, o filho da mãe não vai estar nas imediações da queda do caça.

— Você não sabe! — Hinata disse entre dentes. Sentia uma angustia e uma tristeza fora de tamanho apenas por cogitar a morte do Uchiha. – E se ele não conseguiu ejetar?

A questão que Naruto evitava até então foi realizada e apoiou a testa nas costas da mão. E iria rebater até ver o semblante duro da canário azul se desmanchando com o passar dos segundos. Entretanto a habitual dureza vinha regressando junto do montante de informações rente a sua orelha. O comunicador havia entrado no perímetro de funcionamento.

Olharam-se. A preocupação em relação a Sasuke já não era prioritária.

*

— A comunicação está sem restrição. Quero a equipe de infiltração e a de apoio fora da base agora!— Escutou a informação e manteve o restante de calma que tinha. Shikamaru gritando não era sinal de boa coisa. Atirou em um cão que corria atrás de Ino e Sakura e uma questão fora de hora surgiu em sua cabeça: Porque seu boné ficava transitando por aí sem sua concessão e muito menos permissão? E agora estava na cabeça da rosada.

Outro tiro e um suspiro longo. Sentia-se cansado e mais cansado ainda de como tudo havia descarrilhado em segundos. Aparentemente Sasuke estava morto ao ouvir a conversa aparentemente nada amistosa entre os pilotos segundos atras.

Entretanto outras questões mais urgentes o tomavam. Do comboio militar que viera mais cedo restaram poucos soldados de boinas vermelhas. Estavam com a moral tão baixa assim? Ou era devido ao fato de um protótipo de arma biológica estar preparada para ser liberada daqui exatamente 25 minutos?

Os olhos claros penderam no relógio de pulso e depois na lente da mira da arma de tiro potente e de longo alcance.

— Gaara, na escuta? – Convocou, mas não obteve retorno. Novamente o olho na mira e o dedo no gatilho. Começou a contagem mental e logo efetuou um disparo acertando um desaviado qualquer. Deixava transparecer calmaria, mas a angustia já o sufocava a algum tempo. Exatamente quando Sakura começou a ter problemas com os cães. E se ela obteve, provavelmente Gaara não estava em situação similar.

— Estou subindo.— Escutou e permitiu a sorrir. — Ouviu a sua morena, não é? Então espero que já esteja fora do seu posto.

Ouviu o som dos disparos e os latidos. Sua previsão fora certeira. Era estranho como conseguia sentir o medo de Gaara e a força que o mesmo fazia para mostrar que estava tudo sob controle. Não estava.

— Sabe que sou o primeiro a chegar e o último a sair. – Respondeu simplório. – Assim que você entrar na minha mira nenhum deles vai te alcançar.

Firmou o dedo no gatilho e engoliu a seco quando a resposta não surgiu. Agora o medo o abraçava também. Medo de Gaara não chegar como da última vez.

Fechou um olho lentamente quando algo chamou atenção através da sua lente. E pelo visto a sorte decidiu não ser uma aliada naquele dia.

*

Algo bem singelo o fazia retomar sua consciência. Algo que foi ficando mais acentuado e mais acentuado. Abriu os olhos um pouco tonto e quando a visão desembaçou pode ver o que o fez despertar.

Desejou praguejar, mas apenas cerrou os dentes. Preferiu não gritar e por isso mordeu o espesso macacão de piloto. O seu caça não estava muito longe e não se recordava como conseguiu ejetar a poucos mil pés do chão. Altitude extremamente baixa que impossibilitou que o paraquedas abrisse por completo resultando na perna quebrada de fratura exposta.

Respirou fundo ao tentar se arrastar e percebeu que não conseguiria mover-se por metros. Olhou o relógio no pulso tomando ciência que demoraria exatamente uma hora para o termino da operação. Iria sangrar até morrer.

Sasuke tateou o peitoral permanecendo estirado no chão. Achou o bolso e pegou o seu celular. Procurou alguém em especifico em seus contatos.

Colocou o celular rente a orelha quando este chamava. Fitou o céu azul aguardando pacientemente a pessoa do outro lado da linha. Não atendeu.

— Sobrevivi a queda do caça. – Começava a se irritar. – Para morrer de hemorragia externa. Se é que existe isso. Naruto, seu desgraçado, não vai vir me procurar?

Tentou levantar o tronco, mas não conseguiu. Arqueou uma sobrancelha se questionando se os amigos ainda estavam vivos. Foi então que resolveu ligar para quem deveria ter ligado desde o início. Um alivio o tomou ao escutar o tom de voz que tanto gostava.

— Sasuke.— Sorriu ao ouvir Sakura e parou ao ouvir as balas e aparentemente uma pequena explosão. Pelo visto, a melhor situação era a sua.

*

— Sasuke! – A Yamanaka agarrou o corpo estático no corredor rapidamente e se lançou ao chão afim de evitar a explosão gerada por uma granada. Sakura havia enlouquecido? Sentiu a cabeça girar ao bate-la no chão.

Desde que Shikamaru literalmente gritou em seus ouvidos e a noticia do abate do Uchiha estava encontrando muita dificuldade para descer os andares. E Neji que estava lhe cedendo um ótimo suporte resolveu evaporar igual a sanidade de Sakura naquele momento.

Iria ralhar com Sakura quando percebeu o telefone rente a orelha e os olhos verdes reluzirem. Sakura acenou positivo com a cabeça diversas vezes respondendo a questão que a loira não fez.

— Você precisa estancar o sangue. – Arrancou uma faca da baioneta e lançou rapidamente no olho do adversário enquanto Sakura levantou e seguiu para um lugar mais silencioso para orientar o Uchiha. Novamente Ino apertou o gatilho e a arma não disparou.

Sem balas.

— Só pode ser sacanagem. – Jogou a mesma longe e pegou impulso em uma pequena corrida. A joelhada no rosto do homem foi potente e ambos foram ao chão de forma abrupta. Ino ficou por cima e iniciou o enforcamento do oponente enquanto este segurava seus pulsos na tentativa de se livrar. – Neji!

Pediu por auxilio e não obteve o suporte desejado. Na verdade, o Hyuuga havia evaporado feito a sanidade da medica. Começou a perder a força e resolveu golpear a cabeça com a sua após deixa-lo elevar minimamente o corpo. Não soube o quão tonta ficou pelo golpe, mas que o mesmo havia resolvido.

Estava exaurida e esperava que Gaara estivesse com um pouco mais de sorte. Lembrou da pessoa que estava cederia suporte ao Sabaku a ver a medica passando orientações firmes pelo aparelho de comunicação. As sobrancelhas loiras franziram-se quando em sua visão apareceu uma duplicação de Sakura.

Sakura cessou as orientações de como realizar o torniquete quando escutou o baque seco de algo encontrando o chão. As esmeraldinas se arregalaram e outros combatentes em situações mais favoráveis cederam atenção ao alarde da Haruno.

— Ino! – O corpo suado e com alguns machucados estava estirado no chão. Sakura desligou o celular e correu até o corpo inerte. – Ino desmaiou! Sasuke apresenta fratura externa em membro inferior direito. Preciso de suporte.

*

Estava sendo um deleite ver o quanto era certeira aquela mira e quanto Temari era ágil com armas de fogo. E cederia total atenção ao estardalhaço que a loira fazia ao acessar o pátio principal, entretanto hora e outra vinha informações desgostosas de se ouvir.

Temari agachou a seu lado e fitou os olhos escuros. Os caras eram poucos, mas eram bons. Estavam lhe dando uma canseira.

— Temos 20 minutos! – Começou, mas parou na finalidade de disparar no adversário. – Eu pego o Uchiha, você a Ino.

— Discordo. – Shikamaru rebateu rapidamente. – Ele é pesado demais para você carregar. Vamos fazer o contrário.

Acendeu um cigarro e aguardou a resposta áspera, mas ao virar percebeu que não a teria, pois olhos fulminantes já o queimava. A verdade era que nenhum dos dois desejavam fazer aquilo sozinho: ter que carregar o fardo de colocar a vida de um combatente a risco de perda por uma ordem mal dada.

— Não. – Temari elevou o dedo indicador próximo a seu rosto. – Você vai dar conta. Vou levar a Hyuuga comigo e você permanece com a maior parte da sua equipe.

Uma pequena explosão não deixou Temari ouvir o posicionamento de Shikamaru. Era obvio para ele o receio dela. Aquela velha história de se achar inferior ao Nara. E ao encontrar os olhos verdes suspirou. Não tinham mais tempo para aquilo.

— Volto para te buscar. – Jogou o rifle para Shikamaru e sacou o revólver da cintura. – Me cobre.

Fez sinal com a mão para qual direção iria correr após escutar Hinata pelo comunicador em sua conversa paralela com o Uzumaki. Sorriu e juntou coragem. Olharam-se mais uma vez e um simples acenar com a cabeça foi o suficiente.

Shikamaru lhe cedeu cobertura como haviam combinado e Temari correu em direção a saída principal. Antes de sair pelos portões resolveu que iria diminuir a distancia e furtou o carro de campanha ao fazer ligação direta. As balas começaram a chicotear no metal e franziu o cenho quando uma lhe aparentou ser precisa de mais, porem deixou uma observação de lado ao ouvir um grunhido masculino pelo fone do comunicador.

A pele dos braços expostas se arrepiou e uma aflição a tomou. Desconfiava a quem pertencia a manifestação de dor.

— Gaara.

*

— Ino desmaiou! Sasuke apresenta fratura externa em membro inferior direito. Preciso de suporte. — Escutou a voz da medica pelo fone. O rifle que roubou metros atrás estava literalmente salvando sua cabeça. Controlou a respiração e o laminado da escada começava a machucar suas costas, mas não sentia a dor.

Adrenalina.

O par de olhos verdes estavam firmes, os nó dos dedos esbranquiçados devido a força ao segurar o rifle na horizontal dentro da boca do cachorro. Estava cansado e a ferida aberta em seu braço ria da sua cara gritando que não conseguiria segurar por mais tempo. Fechou os olhos quando a saliva do cão atingiu sua face e pares de olhos azuis vieram a mente. E gostaria de fazer suas típicas piadinhas porque sabia que apenas Ino poderia apagar-se, mas não conseguia mover um musculo do corpo, não conseguia arejar os pensamentos e permanecia estático pelo medo.

Do outro lado da porta conseguia ouvir as unhas arranhando-a. Mesmo se livrasse daquele outros iriam vir. E o fato lhe atordoava. Era apenas subir alguns degraus e estaria no próximo andar em consequência na mira do franco-atirador. Em consequência mais próximo a Yamanaka.

Um clarão tomou o ambiente repentinamente e um gosto amargo desceu pela garganta do ruivo. E não era somente a luz que vinha pela passagem.

Precisava reagir, caso contrário seria o seu fim. Gritou por puro desespero quando dentes afiados rasgavam a espessa farda junto do seu abdômen. A adrenalina bloqueava toda sua dor.

Estava a ponto de colapsar, mas algo dentro de si gritava que precisava reagir. Precisava chegar ao andar de cima. Precisava chegar até Ino. Era questão de metros. Não tinha mais tempo e as forças começavam a esvair.

*

Correr. Sempre foi o seu estilo de vida. Correr de assaltos, correr após dar fuga do orfanato, correr após pinchar o muro da escola, correr e correr. Ótimos tempos! Deslizou pelo piso facilmente. Sua bolsa outrora pesada e cheia estava a ponto de ficar vazia.

Fios vermelhos e dedos doloridos. Cortava, encaixava e lá estava: mais um explosivo.

Permanecia no subsolo e acaba de sincronizar uma de suas ultimas bombas. Iria colocar todo o setor abaixo ou melhor para cima.

Sua teoria era simples: altas temperaturas costumavam matar muita coisa. A combustão do uranio no laboratório irá potencializar a combustão da explosão que ela iria proporcionar e em consequência causar efeito retardatário do vírus.

E quem sabe assim alguns combatentes poderiam sair vivos e o vilarejo intacto. Em relação a si não possuía muitas esperanças, mas possuía, afinal era ou não uma batedora.

— Era. – Sincronizou a ativação para a explosão junto a dissipação do vírus. – Porque vou morrer.

20 minutos.

Não havia mais tempo para si. Escutou o urro de dor pelo fone reconhecendo a voz. Deixou uma expressão torcida na face. A maioria dos combatentes estavam em péssimos lençóis e não desejava ter que dar mais uma noticia explosiva, entretanto não tinha muita opção.

Levantou-se e começou a correr. Afinal velhos hábitos nunca mudam: Tenten correria pela vida mais uma vez.

*

Primeiro o teto branco e em sequencia os olhos verdes preocupados, os quais logo seguiram outro rumo.

— Vou explodir toda uma estrutura.— Uma voz similar vinha de longe, mas ao mesmo tempo estava tão próxima. – Ocorrerá em sincronia com a dissipação da arma biológica. Usem como mais um incentivo.

— Mais um incentivo, Tenten! – Quis sorrir ao ouvir o usual tom de repreensão do franco atirador ao imaginar que a morena deveria estar com um olho fechado por isso. E estava mesmo.

— Acredito que foi apenas um desmaio. – Sakura falou para Shikamaru que havia chegado a pouco.

— Ótimo. – Shikamaru ajudou Ino a sentar e exalava apreensão. Uma porque nem vivo com sequelas poderia cogitar em sair da base pelo simples fato de Tenten resolver explodir tudo, mas compreendia a intenção. – Precisamos localizar Gaara. Hinata e Temari já devem estar vindo e Naruto já deve ter furtado um helicóptero.

— Ainda não!— Ambos se olharam ao ouvir o Uzumaki. — Mas quase!

Afinal qual era a dificuldade do loiro? Shikamaru estava preste a suspender Ino em seus braços quando tiros de um provável revólver chamou sua atenção. Estava próximo e por isso mirou em direção da onde o som vinha. Do mesmo lugar que seu oponente. Sakura depositou álcool na gaze e aproximou sem cerimonias do nariz perfeito na Yamanaka, a qual cerrou os olhos com a consciência custando a retornar.

— Sakura! – Os olhos verdes saíram de Ino ao chamar incisivo de Shikamaru. O que estava acontecendo? Olhou na mesma direção e o desespero gritou mais alto. A camisa branca usual da farda estava tingida por um tom igualmente aos fios escarlates.

Completamente ensanguentado.

*

Gaara apoiou na fria parede do corredor. Havia perdido muito sangue, mas havia acabado com todos eles mesmo que eles estivessem acabado consigo também.

A dor era latente e a respiração pesada. O chão estava terrivelmente atrativo e seus joelhos já não conseguiam sustentar seu próprio peso. Estava estado de morto vivo.

Através da visão turva pode ver os fios loiros igualmente no chão e as botas do Nara vindo em sua direção rapidamente.

A inconsciência começava o ninar nos braços. Ao menos tinha conseguido superar-se, pena que não tinha sido o suficiente.

*

— Sakura! – Shikamaru gritou e começou a correr em direção a Gaara. O mesmo foi ao chão. – Acredito que ele perdeu muito sangue.

Cogitou antes mesmo de chegar ao corpo. Sakura deixou Ino de lado para ir até o Sabaku, mas cada musculo do seu corpo paralisou. Tudo estava acontecendo muito rápido.

Por que Shikamaru estava no chão? Por que estava pressionando a perna na finalidade de estancar o sangue? Quem o havia alvejado?

Jogou-se no chão velozmente e se arrastou pelos cotovelos até Ino. Precisava tirar a cabeça loira de qualquer mira. Subiu sobre o corpo de Ino e tentou regular a respiração.

Precisava chegar até Gaara o mais rápido possível. Precisava prestar socorro a Shikamaru de imediato, mas sua intuição a dizia que não poderia mover um musculo.

Estavam paralisados. E com o passar dos segundos as coisas se encaixavam em sua cabeça.

E ao ouvir Neji por meio do aparelho de comunicação a esperança de sair viva diminuiu drasticamente.

*

— Imediatamente todos saiam de campo aberto. Abriguem-se. – A voz do Hyuuga soa no interfone. Pela mira de longo alcance vê Sakura arrastado Ino para um abrigo.

— Segundo atirador de elite em campo. Repito atirador de elite. – O suor escorre pela testa do Hyuuga. Estava apreensivo e já havia captado aquela movimentação a um tempo. Apenas precisava confirmar. Shikamaru havia sido ferido e tinha certeza que não era por outro oponente qualquer.

O tiro havia vindo de longe.

Cerrou um olho e aproximou o outro da mira. Era quase lei, uma tática infalível e que usou muitas vezes. Era simples: O outro atirador não matou Shikamaru de propósito. Pelo visto estava disposto a caça-lo e sabia que cada disparo seria uma emboscada.

O franco-atirador desejava a sua localização para abrir um buraco a bala e depois brincar de tiro ao alvo usando os membros da equipe.

Se Neji atirasse sua localização seria descoberta. E precisava imediatamente achar o outro franco-atirador. Não estava em condição de ceder cobertura para ninguém.

Outro disparado fora efetuado. Neji trincou os dentes.

Não tinha ninguém a vista da sua equipe no perímetro. Viu pela mira de longo alcance um inimigo cair.

— Não se movam. Disparo não efetuado. Isso é uma armadilha. – Alertou o mais rápido possível. Shikamaru em um lugar segurou levantou a cabeça minimamente. Tentando ver qualquer coisa que estivesse sobre aquelas torres.

Neji olhou em direção da onde tinha vindo o tiro certeiro. O atirador era da velha escola. Daqueles que sacrificam o próprio soldado para conseguir desnortear o adversário. O outro fizera o disparo afim de fazer os membros da equipe invasora pensar que estavam sendo cobertos e em consequência deixar o abrigo tornando-se alvos fácies. A única coisa que podia fazer era ganhar tempo. E relevar a sua localização.

Não tinha muitas opções na manga. Na verdade, estava limitado somente a uma.

15 minutos.

O relógio não ajudava muito em sua escolha. Era clara e lembrar das palavras de TenTen decidiu.

— Entrando em combate direto. – Informou rente ao fone. Da torre onde estava Neji realinhou um dos rifles. Teria que ser como antigamente. – No primeiro sinal. Batam em retirada.

Shikamaru cerrou os olhos. Aquilo era muito arriscado. Sentiu a respiração falhar. Se o Hyuuga revelasse sua localização de proposito não teria saída para ele no final. Ficaria para trás.

— Ao seu sinal, Hyuuga.— Shikamaru disse assim que estancou o seu machucado. Neji concentrou-se. Seguiu rastejante para outro rifle. Iria disparar a esmo. Iria revelar sua localização.

O som do disparo foi majoritário. A bala caminhou a esmo, sem um alvo especifico. Uma linha curvilínea apareceu no rosto do segundo atirador de elite. Havia descoberto a localização do Hyuuga seguindo o percurso que a bala fez.

Outro disparo fora efetuado e Neji se escondeu atrás de uma pilastra. Dependendo da mira do outro atirador seria um alvo fácil. Aquele embate seria longo, digno de dois franco-atiradores.

*

— Helicóptero pronto para decolagem, senhores!— A Haruno não cedeu muita atenção a ótima noticia do loiro. Ao sinal do Hyuuga saiu em disparada até Gaara. Devido ao piso deslizante se jogou e travou os cotovelos no chão.

A consciência de um se foi e a outra retornou abruptamente. O cheiro do álcool queimava suas narinas. Primeiro visualizou Shikamaru em um canto e posterior Sakura deslizando pelo chão. Um desespero a tomou completamente ao vê-lo inerte no chão. Frases confusas soavam em seu fone e juntou todas as suas forças para levantar-se.

Via os lábios de Shikamaru movendo-se, mas não o ouvia. Seus sentidos estavam bloqueados. Levantou e começou a correr em mesma direção de Sakura.

— Se joga no chão! – Foi instinto ou não era o seu dia de morrer. Acatou o comando de voz sem mesmo pensar ou assimilar completamente. Olhou para o buraco feito a bala após tirar os braços da cabeça. – Outro atirador de elite.

Shikamaru explicou e mostrou o ferimento em sua perna. O tempo estava escoando rápido e o desespero apenas aumenta. Não sabia a condição dos outros membros e não enxergava saída para outros.

— Soldado gravemente ferido. – Sakura murmurou em seu microfone. – Não podemos nos locomover. Peço aproximação do transporte de retirada.

Ino escutava Sakura dizer. Estirada no chão via ela rasgar a camisa do ruivo. Ele estava morto, não tinha mais tempo. Viu os olhos verdes de Sakura olha-la após verificar os batimentos cardíacos do ruivo. Negou com a cabeça. E Ino ficou sem entender.

— Afaste-se! – Sakura gritou para Ino quando a mesma se desesperou e fez menção de levantar-se. Os olhos ardiam e o peito estava comprimido.

Sakura entrelaçou os dedos e fechou o punho. Os sinais vitais estavam ausentes. Desceu o braço sobre o tórax de Gaara com toda força que tinha. Contou. Não obteve resposta. Repetiu novamente o mesmo gesto. Ele não iria morrer. Não em suas mãos.

Retirou uma injeção de adrenalina. Aquela era a última opção. Ino ficou observando Sakura retirar um bisturi da barra da calça. Efetuar um corte na lateral esquerda do corpo de Gaara. Os olhos azuis viram Sakura abrir o corpo do Sabaku e logo enfiar a injeção com cuidado no miocárdio.

Com delicadeza e após banhar a mão no álcool inseriu pela abertura que fez e começou a bombardear imitando os batimentos cardíacos. Fazendo o sangue circular outra vez.

— Vai, vai. – A médica estava concentrada em sua tarefa. Shikamaru levou as mãos no rosto. A cor de Gaara já havia ido e o inconformismo de Ino já havia chegado. Sakura contava, o cenho franzido, o punho cerrado. Era apenas uma questão de técnica. Gaara não iria morrer em suas mãos. Pelo menos não naquela missão.

— Solicito a localização!— A voz da Hyuuga fez presente junto ao som das balas. Shikamaru, novamente, espreitou e pode ver o caminhão de campanha em alta velocidade sendo chamariz próximo a saída principal. O amado resgate havia chegado.

13 minutos.

Os olhos azuis retornaram para a cena de Gaara estirado no chão. Viu o sorriso mínimo de Sakura e soltou todo o ar preso nos pulmões. Aquilo apenas podia significar que ele estava bem.

— Vamos dar um fora! – Shikamaru ordenou. Ino tentou retomar sua postura firme ao mesmo tempo que Sakura tentava controlar a condição clinica de Gaara. – Temari, vamos usar a saída planejada.

— Positivo.— Preferiu não informar o quadro de Gaara e a condição dos outros combatentes. Estava alheia devido a cobertura limitada dos comunicadores. — Estaremos lá.

— Meninas, vamos sair. – Apertou o torniquete em sua perna e agora vinha a parte difícil. Como saíram com Gaara em estado de coma? E na mira de um atirador de elite?

Uzumaki Naruto e Hinata Hyuuga tinha a solução para suas questões.

*

— Naruto, na escuta? – Os olhos firmes na estrada alternavam entre o trajeto e modo de socorrer de Temari. Tinha certeza absoluta que Sasuke preferia estar morto. A Sabaku tentava alinhar o osso fraturado sem dó ou piedade. Medica talvez não foste o seu forte.

— Positivo.- Escutou segundos depois.— E antes que você questione sim, eu já consegui o helicóptero. E mais, o seu primo está um pouco enrolado então não conte com cobertura.

— Obrigada pela informação. – Desejou revirar os olhos, mas sentiu-se aflita por isso. Seria tiro ao alvo e o alvo era ela. Não conseguia pensar direito e Sasuke tentando suprimir o grito de dor não ajudava. – Me concede suporte?

Questionou assim que atropelou um montante de caixas e sentiu o vento gerado pelo helicóptero.

— Só se for agora. — Conteve o sorriso e jogou um rifle para Temari. Iriam entrar ao sinal do Uzumaki.

— Não vá a lugar algum. – Temari ordenou a Sasuke e a expressão de desacreditado era impagável. Agarrou o rifle no ar e acenou positivo para a Hyuuga.

— Temari, vamos usar a saída planejada. – Escutou Shikamaru e o respondeu. Concentrou-se e estranhou o silencio exorbitante, o qual foi preenchido pelo som das hélices e logo pelo som da metralhadora acoplada no helicóptero de uso militar.

— Essa é nossa deixa! – Hinata gritou e ambas saltaram do automóvel.

Este era o tal do suporte.

*

*

Um silêncio colossal. Tudo se decide em quão silencioso você pode ser. Um mínimo movimento, um mínimo barulho definiria com exatidão onde você está. Então um disparo seria efetuado e um corpo cairia no chão fazendo um último barulho. Seco e oco. E caso sua mira fosse excelente não seria o seu corpo.

Eram assim os raros embates entre franco-atiradores. Um apenas esperava um deslize do outro. Um movimento precipitado. Ou algo que o faria tirar sua atenção, por um milésimo, por um centésimo e tudo novamente se definiria em um tiro. O embate poderia ocorrer por horas a fio, como se fosse uma matilha de lobos aguardando pacientemente sua presa.

Com um olho fechado e outro na mira da lente ele observava, esperava com paciência, fitava a ponta do rifle do adversário amostra propositalmente. Sorriu. Entrar em combate com outro franco atirador formado através da velha escola era no mínimo interessante e sem dúvida preocupante. Por sorte, todos que poderiam ser usados como alvo para desnorteá-los estavam longe.

Foi então que escutou outro disparo e não foi ele a efetua-lo. O franco atirador adversário tinha saído de sua posição e estava atirando em algo. Neji partiu para a outra arma com cuidado e a ver Hinata e Temari franziu o cenho. Alguém estava com mais problemas que ele.

E diante do silencio tão atípico a área de conflito lembrou-se de Gaara. Devido as palavras desconexas de Sakura em sua atuação desconfiava que o amigo estava gravemente ferido.

— Velhos hábitos nunca mudam. – Comentou para si após afastar o comunicador. Gaara estava praticamente morto e novamente os demônios eram de quatro patas.

*

11 minutos.

Atirou com perfeição. Estava escuro e usava a lanterna da arma de longo alcance naquele trecho sem iluminação. Sentia-se cansada e temia estar perdida. Estava com medo, a mascara de proteção a atrapalhava e a solidão a acompanhava.

Escutava as conversas pelo fone e sua aflição somente aumentava.

10 minutos. Precisava sair, mas não encontrava a saída. Retomou a sua corrida ao regressar para a luz. Soltou a arma pesada no chão e aumentou a velocidade. Não tinha mais tempo e mais uma vez havia se enrolado.

E não teria mais ninguém por ela. Ino, pelo o que lembrava havia desmaiado. Gaara estava morto, Sasuke desaparecido, Naruto a uma distância considerável, não estava ferida então não seria prioridade para Sakura: droga! Médicos e seus juramentos! Shikamaru baleado, cogitava que nessa altura do campeonato se Temari viesse lhe salvar seria somente para mata-la depois. Era mal compreendida e Hinata sempre foi tão ocupada!

— Neji! – Gritou no fone quando o desespero dobrou de tamanho. – Estou próxima a edificação leste. Caminho certo?

Esperou por um retorno ao colocar as mãos nos joelhos, mas nada veio. Levou as mãos no cabelo ao tentar lembrar do mapa, mas o esforço foi em vão. Retornou a correr ao ouvir o disparo da potente arma.

Estava sozinha e precisava sair.

*

Efetuou o disparo e forçou o braço para segurar o coice da arma. Pela lente da mira visualiza a maioria dos combatentes batendo em retirada. Engoliu a seco quando a arma adversaria mudou o foco. O outro franco-atirador iria abater um membro da sua equipe facilmente.

Tomou uma medida drástica. Precisava findar com aquele embate de imediato.

De seu ombro o sangue começou a escoar. Para tomar a atenção do seu adversário tirá-la de cima de Gaara, Neji ficou exposto e como esperado levou um tiro no ombro. Era para ser na cabeça, mas se escondeu a tempo.

— Sakura. – Arrumou o fone no ouvido. Sua respiração estava pesada. – Ele vai sobreviver?

O silencio se fez. Era uma questão difícil de responder. Era precoce responder que sim.

— Sim.— Mas não foi Sakura a respondeu. — Saia do seu posto. Não sabemos o tanto de área que será afetada pelo vírus.

Ouviu Shikamaru. Neji pôs, novamente, o olho na mira. Iria derrubar aquele atirador. O Sangue escorria do seu ombro e fazia curso pelo seu braço, logo banhando sua mão.

Não havia mais tempo para correr e outro atirador de elite não o deixaria sair.

— Estou próxima a edificação leste. Caminho certo? – Fechou os olhos ao reconhecer o tom de voz. A frase estava entrecortada feito quando costumavam correr juntos e a morena não parava de falar ao mesmo tempo que corria. Porem era perceptível o medo e aflição. Novamente a movimentação do outro atirador. Precisava agir e preferiu por não responde-la.

O momento havia chegado. O vento estava propenso, não desviaria o curso da bala. Ajustou a mira, novamente se expôs. Sentiu o calafrio atingir sua espinha.

— Continue a correr.

Ambos disparos. Um certeiro. Um atirador vitorioso. Um corpo sem vida.

*

— No três! – Gritou e suspendeu o corpo de Gaara junto de Temari e por milésimos admirou como a Sabaku conseguia manter as emoções sob controle. Subiram no helicóptero por último e Hinata seguiu para a cabine ocupando o assento do co-piloto.

— E a Tenten? – Ino questionou. Seu semblante era pesado e de cansado. Estava sujo de sangue e lama. A morena não havia chegado e o tempo havia acabado. – Neji.

7 minutos.

— Estamos sem tempo. – Naruto respondeu em um fio de voz. – A contagem regressiva para dissipação está se findando e tudo irá ao ares. Não sei iremos conseguir escapar da explosão.

Sentia que estava violando um de seus lemas: ninguém fica para trás.

— Tenten, na escuta? – Hinata segurou firmes nos guidões. Chamou pela garota nos explosivos e a garganta ressecou quando a resposta não veio.

Resolveu ir para o segundo chamado.

— Neji, na escuta? – A força dobrou de tamanho. O silencio entre os combatentes era absoluto. Sem resposta.

Era o característico funeral daqueles que morrem em batalha.

A hélice já estava girando. As mãos permaneciam firmes no controle do helicóptero. Via Sasuke sangrando e com a mandíbula trincada sentado quieto e Shikamaru tentando ficar acordado. Ele tinha perdido tanto sangue.

5 minutos.

— Positivo.

*

— Continue a correr.— O grito involuntário rasgou sua garganta. 5 minutos. Tinha apenas cinco minutos para deixar a estrutura e ainda ter que passar pelo pátio. As sirenes trocaram de cor e soube que algo terrivelmente errado havia acontecido.

Sentiu a respiração falhar e o coração parecia estar na boca. Estava sendo intoxicada. Precisava retardar a dissipação com a explosão.

— Tenten, na escuta? — Sentiu uma felicidade fora de hora lhe consumir, a qual dobrou de tamanho a ver a luz da saída.

— Positivo. — Olhou para trás e pode ver alguns cães desmaiando. Seria questão de segundos para ser totalmente intoxicada. – Naruto!

*

— Temos que sair agora! – Temari gritou ordenou assim que atingiram o tempo limite. Os olhos azuis foram para o painel da aeronave quando o mesmo alertou sobre o aumento de partículas no ar. Hinata e Naruto se entreolharam. A arma havia sido acionada.

— Positivo. — A surpresa tomou o rosto de alguns. Tenten havia respondido o chamado, mas não conseguiam vê-la. — Naruto!

Escutou o chamado e não pensou duas vezes. Abriu a porta do helicóptero e saltou. Não a deixaria para trás. Começou a correr a esmo. Teria que contar a sorte, mas apenas deduziu que correria na direção contraria da qual o inimigo estava indo. O que sanava suas dúvidas sobre o acionamento do dispositivo.

— Ela está vindo da edificação leste. — Outra voz inconfundível no fone. Sentia que o coração iria rasgar o seu peito. Quis agradecer Neji, mas usou todas as energias para direcionar o curso.

3 minutos.

— Vai, Hinata. – Gritou em plenos pulmões. – Te encontro no avião.

Pulou alguns corpos e pode vê-la correndo em sua direção. Julgou ser um dos sorrisos mais lindos que virá dela. Do helicóptero Sasuke olhava a cena. Naruto nunca deixaria ninguém para trás.

A corrida da Mitsashi cessou no momento que o piloto a agarrou pela cintura freando bruscamente. Agora era vez de ele ser um batedor antes que tudo foste para o ar.

*

Hinata iria arrancar o fone de comunicação a fim de colocar os fones do helicóptero, quando um suspiro pesado soou e sua consciência pesou. Se caso saísse dali iria quebrar o seu lema.

Hinata levantou voou após ver Naruto correr com Tenten nas costas. Sakura observou os seus dedos tremerem. Ela sabia que ele ainda estava lá e que estava ferido. E não gostava nada do que estava fazendo.

Estava deixando Neji para trás.

Todos sabiam disto, mas ninguém se contrapôs. Não tinha como. O tempo havia acabado.

— Neji. – A voz da Hyuuga soou tremula. – Você ainda está aí?

Todos escutaram a frase baixa de Hinata e aguardaram uma resposta. Gaara iria morrer quando soubesse.

— Estou.— Conteve o choro. O que adiantaria ele ainda estar lá? Eles não podiam retornar para busca-lo. – Tenten está com vocês?

O silencio perpetuou-se, quando através do fone escutou a tosse do Hyuuga. Hinata apertou ainda mais as mãos no controle. Se afastasse mais a aeronave iria perder a conexão.

— Está sim. – O suspiro de alivio foi audível. Não precisava saber dos detalhes. Ela estava com Naruto. Nada daria errado. – Está ferido?

O peito estava comprimido e os olhos marejados. Achava-se tola por querer conversar com ele justamente quando não podia.

— Ótimo.— Ignorou a pergunta de Hinata. Shikamaru trincou os dentes ao ouvir aquilo. Aquelas seriam as últimas palavras de Neji. Sakura engoliu a seco percebendo que iria interferir.

— Temos que ir. Gaara precisa ser estabilizado. – Murmurou baixo. Não poderiam nem mesmo se despedir do companheiro e amigo.

Neji já era um homem morto, mas Hinata não partia.

1 minuto.

— Hinata, meu pai costumava a dizer uma coisa.— A frase veio entrecortada. Hinata cerrou os olhos. Ao distanciar estava perdendo a comunicação. Aquele assunto era muito delicado. Era a reconciliação e seria a despedida.

— O que ele costuma a dizer, Neji? – Hinata questionou no microfone. Seriam engolidos pela explosão.

47 segundos.

— Ele costumava dizer muitas coisas.— O fone falhou segundos depois de Hinata escutar a voz. Ele tinha morrido. Se afastou ainda mais do local. Cerrou os olhos por um instante e sentiu uma mão pesar em seu ombro. Adquiriu altitude.

0 segundos.

Uma explosão enorme adquiriu potência. A missão tinha falhado e desta vez obtido uma baixa.

Notas finais
Ficou muita coisa sem mostrar no cap. né, mas ele já estava massivo de escrever. pooois bem. É isso mesmo que você leu. Não é pegadinha da autora. O amor da minha vida morreu. Que inferno. Se vocês não sabem eu tenho um filho. Então por empatia a ele não venham até minha casa me matar. Beijos amores. Muito obrigada pelos comentários. Leio todos, mas não tenho tempo para responde-los como gostaria.