Combatentes
29 Filler - O teste positivo
Notas iniciais
Costa Rica – alguns minutos depois do teste.
A luz solar queimava os seus olhos verdes e por isso resolveu poupa-los colocando o antebraço sobre a face, mas antes de realizar o ato uma sombra o encobriu. Gaara abriu apenas um olho e através deste pode ver fios castanhos ao longe, calculava um metro e sessenta e poucos e sabia exatamente quem sabia a altura de TenTen sem dúvidas.
Não era ele.
Permaneceu deitado na areia e virou o rosto do lado a ver a morena se jogar ao seu lado sem muita cerimonia, afinal naquela altura do campeonato já se classificavam como amigos. Aos olhos do Sabaku ela estava apreensiva.
Virou o rosto a perceber que nada sairia dos lábios bonitos e soube que então algo estava errado. Terrivelmente errado. TenTen e silêncio eram antagônicos. Inimigos declarados e viviam em pé de guerra.
— Qual é a sua opinião sobre bebês? – Ainda estava cedo para estar bêbado e a seu ver não havia tomado tanto sol assim a ponto de estar tendo alucinações auditivas ou delírios, então o porquê da questão sem pé e nem cabeça?
— Não tenho uma opinião formada sobre. – Respondeu segundos depois e a curiosidade por conta da questão da especialista em desarmamento o atiçou. – Porquê?
— Por nada! – TenTen tratou de retorquir rapidamente e Gaara franziu o cenho. – É apenas uma questão aleatória.
— Sei. – Sentou-se e apoiou os cotovelos nos joelhos imitando a postura da jovem mulher. TenTen a perceber os olhos atentos em seu rosto engoliu a seco. Teria se denunciado? Preferiu o silêncio. – Não vai me dizer que...
— Não vou te dizer que...? – TenTen encarou o amigo o imitando na frase. Estava começando a ficar nervosa e não sabia muito bem o porquê. Talvez pela conclusão do amigo.
— Neji vai morrer. – Gaara concluiu antes mesmo de expor verbalmente a possível gravidez da morena. Era certo que TenTen falava coisas sem pé e nem cabeça na maioria das vezes. Mas apenas algumas coisas a deixavam apreensivas e geralmente quando essas coisas eram relacionadas ao Hyuuga.
— Não! Não. – TenTen balançou as mãos rapidamente reforçando sua fala arrancando um sorriso preocupado do ruivo. – Não estou gravida.
Gaara viu o cenho se franzir e concluiu que aquele estava sendo o momento de reflexão da Mitsashi. Primeiro ela sentiu medo e segundo tentou lembrar a última vez que sua menstruação havia vindo. E bingo! Não fazia ideia.
— É um assunto aleatório. – Rapidamente proferiu a ver o semblante masculino reflexivo. Quando TenTen pensava em suas teorias, Gaara refletia as suas. E a ideia de ser pai não descia muito bem pela sua garganta. Estava tão absorto que não percebeu os olhos castanhos atentos a análise que realizava de suas feições.
Como se quem foste ser pai fosse Gaara.
— Tenho certeza que é. – TenTen fechou a boca rapidamente ao receber a resposta do amigo. Meneou positivo, mas já não deixava um ar de preocupação escapar pelos poros como deixava e a vez de se preocupar foi de Gaara.
TenTen alternava bem na maioria do tempo e isso era preocupante, pois não tinha a habilidade de interpreta-la feito outro homem, entretanto sabia que quando o assunto era aleatório era indicio certo que algo estava errado ou acontecendo.
E isso não se delimitava a ela.
— Sabe que não precisa guardar segredos para mim, não é? – Gaara levantou-se e tratou de tirar o máximo de areia do corpo com as mãos. TenTen fez bico e levantou-se para ajuda-lo batendo as mãos nas costas largas do ruivo.
— É que tive um sonho estranho. – TenTen não pode ver o revirar de olhos de Gaara. E achou que estava pegando aquela mania da Hyuuga. – Sabe, pode ser uma mensagem.
— Não acredita mesmo nessas coisas, não é? – Gaara abaixou a fim de pegar a prancha largada na areia e aguardou a resposta que não veio. – E bem, como pode ver, acredito que sabia que não posso ficar gravido.
O primeiro riso da morena o presenteou e Gaara sorriu por isso. Algo comichava em sua orelha que tinha coelho naquele mato.
— Não é isso o que você está pensando. – Gaara ouviu e relaxou. Havia entendido a mensagem e o pedido de auxilio com aquela situação. – É apenas um assunto aleatório.
— Claro que é! – Aumentou a voz a ver que TenTen iria deixa-lo sozinho para seguir para o salão no fundo da casa.
Havia chegado em suas conclusões e um pouco da apreensão da morena pousou em seus ombros. Afinal, não conseguia projetar como seria a reação do amigo.
*
San Pedro – Horas depois do teste.
O boné estava encobrindo os fios lisos e extensos. Os olhos claros alternavam para a arma desmontada na mesa de centro, para a peça que limpava no momento e para a Yamanaka sentada aérea no sofá.
Algo bastante peculiar em sua personalidade.
— Está com algum problema? – Curto e direto. Em sua concepção deixava os rodeios para TenTen. E como ela sabia dar voltas! Ino parou de morder o polegar a perceber que a pergunta era para si. E olha que tinha apenas os dois na sala.
— Ah. – Ino colocou os pés no sofá reflexiva. – Nenhum.
Não cedeu atenção a feição inquisitória do Hyuuga ao destinar atenção a tela do celular. Neji observou o sorriso genuíno e ficou curioso pelo conteúdo que a loira prestava atenção.
A Yamanaka parecia outra mulher. Ino ao ouvir a chaleira acusando o fervor da agua largou o celular no centro da mesa despreocupada e aérea afim de ir passar o café na cozinha.
Neji foi pegar outra peça da arma ao deixar Ino para lá, foi quando a tela do celular lhe captou a atenção. Quem viste sua feição no momento acharia que o mesmo estaria visualizando a pior imagem do mundo.
— Roupinha de bebê? – Questionou para si, desviou os olhos da tela do aparelho a tempo de ver Ino se queimando com a água quente. Não demorou muito a relacionar o estado aéreo da loira com o conteúdo do celular. – Gaara vai morrer.
*
San Pedro – Horas antes do teste.
Não conseguia se concentrar no trabalho e nem era devido ao fato do Nara resolver trabalhar sem camisa. Afinal estava muito calor e era compreensível a necessidade de permanecer sem vestes quentes. E era compreensível também o mal-estar que sentia devido ao calor extremo.
Uma ânsia rasgou sua garganta e Shikamaru pode ver Temari esbarrar na cadeira rumo ao banheiro em uma corrida veloz. Soltou o notebook e tratou de segui-la rapidamente. Temari limpou os lábios com as costas das mãos e quis apoiar a cabeça no vaso sanitário. Que vexame!
— Quer água? – Shikamaru questionou um tanto perdido e muito preocupado. Pelo visto Temari estava mal e não sabia o que fazer. – Está com febre?
Temari levantou-se, seguiu para uma cadeira e largou o corpo na mesma. Que raio estava acontecendo consigo? Logo a mão masculina pousou em sua face, seguiu para o pescoço e por último pairou em sua testa. O Nara tentava verificar a condição febril de Temari.
Os olhos negros capturaram os verdes água e Temari tratou de olhar a fisionomia do companheiro de trabalho.
Como era companheiro de outras coisas também.
— Acredito que não. – Respondeu a sentir o mal estar retornar. Tapou a boca e pediu a lixeira por meio de um gesto desesperado a Shikamaru. Assim que o homem cedeu o recipiente pode ver Temari colocar tudo para fora.
— Acho melhor você ir visitar a Sakura. – Shikamaru sugeriu. – Deve ser alguma virose.
— É uma ótima ideia. – Respondeu assim que conseguiu.
E esperava que aquela virose fosse embora rapidamente.
*
Costa Rica – Horas antes do teste.
Os olhos tão similares a de Neji a observava atentamente. Hinata parou de ceder atenção ao romance barato que lia quando o barulho da Haruno gritou mais alto. Sakura podia ver a amiga através do espelho e não entendia porque suas calças não estavam fechando.
Sakura forçou as laterais do jeans na finalidade de fechar o zíper, mas desistiu quando não conseguiu. A calça já não estava servindo em si.
— Calma aí. – Hinata levantou-se da cama diante do semblante de derrota da Haruno. Estava adquirindo peso quando era tão trabalhoso perder. Hinata agarrou Sakura pelo cos da calça abraçando a rosada por trás. Mordeu o lábio a fazer força para a calça fechar enquanto Sakura tentava subir o zíper.
Outra tentativa sem sucesso.
— Impossível que não sirva! – Hinata se assustou com a alternância emocional da Haruno. Do calmo para o furioso. Era para tanto? Era sim. – Ela servia mês passado.
Sakura saiu do quarto após tirar a calca furiosa e seguiu para o quarto onde usava de laboratório. Hinata a seguiu a curtos passos observando a silhueta da medica. Nada a seus olhos pareciam diferente no corpo coberto somente por vestes intimas.
A Haruno subiu na balança e seus olhos se arregalaram. Diante do silencio de Sakura, Hinata tratou de olhar o visor e negou com a cabeça.
— Ganhou tanto peso assim? – Questionou desentendida e não obteve resposta imediata.
— Vou virar uma bola se continuar assim. – Sakura respondeu derrotada. A seu ver havia engordado horrores mesmo cuidando da alimentação e realizando exercícios. Não entendia o porquê do ganho significativo de peso.
— Pode ser retenção de liquido, não é? – Hinata tentou ajudar, mas a ver a feição de Sakura acreditou ter piorado a situação. – Quero dizer, ninguém engorda mais de 3kg em tanto pouco tempo.
Não. – Foi simplória em sua resposta. – Deve ser a retenção de liquido.
Complementou rapidamente, mas tarde demais para tentar esconder o rompante de preocupação da perspicaz piloto. Os olhos se cruzaram e Sakura engoliu a seco.
— Tenho que fazer uma coisa. – Sakura iria prosseguir quando viu Temari apontar na porta do quarto e a Sabaku estar sem cor.
— Talvez devesse testar a metade da equipe inteira. – A Hyuuga sussurrou a ver Shikamaru segurando os cachos loiros enquanto a dona deles vomitava novamente na lata de lixo.
— Deve ser uma virose. – Sakura colocou a camiseta preta masculina rapidamente antes que Shikamaru viste sua parcial nudez. Hinata arqueou as sobrancelhas a perceber de quem era a camiseta: Uchiha Sasuke e como Sakura já tentava se confortar. – E com certeza é retenção de liquido.
Claro que é. — Hinata cruzou os braços a olhar o estado da Sabaku e analisou mais um pouco o corpo da rosada. Ligeiramente um desconforto lhe atingiu e não soube o porquê do mesmo surgir.
Afinal com ela a possibilidade era nula, pois não ficava se divertindo da maneira que as colegas ficavam, não é?
Era sim.
*
Costa Rica – Hora do teste.
Temari batia o pé impaciente no quarto onde Sakura usava para trabalhar em suas pesquisas e cuidados com os membros da equipe. Porque estava ali mesmo? Era de manhã e o seu mal-estar havia diminuído drasticamente após tomar algumas medicações prescritas pela Haruno.
A Hyuuga também estava ali e via Sakura reflexiva em um canto totalmente absorta ao que fazia. Deu graças a Deus a ver TenTen entrando despreocupadamente pela porta e Ino a seguindo de perto. Aparentemente as duas iriam correr como era de praxe nas manhãs e TenTen sempre desejava companhia.
— Gostaria de brevidade. – Ino começou um tanto séria. – Caso não o sol irá me torrar.
Parou de sugerir a ver Sakura com pequenos coletores, exatamente cinco, e com luvas de silicone nas mãos. Hinata arregalou os olhos ao entender o que a medica pretendia e achou valido a realização de testes, mas até a página dois.
— Chamei todas vocês aqui para a realização de exame de rotina. – Sakura engoliu a seco a ver pares de olhos inquisitórios, feito os de Temari e outros nem tanto, feito os de TenTen. – Considerando a atividade sexual que a maioria estabelece.
Um silêncio pairou no ar e apenas sumiu devido a uma tosse repentina da Hyuuga. Ino não demorou a ligar os pontos e a boca perfeita começava a formar um círculo de puro desespero ao tentar recordar-se quantas vezes havia usado preservativo em suas relações sexuais com Gaara.
Nenhuma.
— Acredito que não preciso me submeter ao teste de gravidez. – A voz firme e forte se fez ouvir e os olhos verdes de Sakura encararam os de Temari. – Faço uso de pílula anticoncepcional.
Sakura olhou para Hinata. Ino levou as mãos na face e Tenten franziu o cenho. Temari observou a reação de cada uma e desejou espanca-las em seguida.
— Vai me dizer que vocês não?! – Bravejou e um silencio preocupante tomou a sala. E ficou claro que a resposta era negativa.
— Não querendo jogar um balde de agua fria não, mas nenhum método contraceptivo é 100% seguro. – Sakura começou incerta. – E você está apresentando um sintoma de início gestacional.
A vez de formar um circulo perfeito com a boca foi de Temari. Uma preocupação a tomou por completo, mas estranhamente foi Ino que suspirou fundo.
— Mas é 99% seguro! – Hinata tentou confortar as outras combatentes e a maioria não entendia a sua aflição. Como se também estivesse naquela enroscada.
— Noventa e Nove? – TenTen questionou aérea. Era ter tanta falta de sorte para fazer parte do grupo que ficava no 1%?– E por que está tão preocupada, Hinata?
A Hyuuga ao ouvir desatou a rir e tampou a boca com as mãos para conter-se ao ser questionada. Alguns pares de olhos aguardavam ansiosos para a resposta.
— Empatia, é claro! – Hinata se recompôs. A verdade era que também sentia-se um pouco nervosa pela situações que as amigas estavam, entretanto a dona dos fios rosados fez uma nota mental interna. Achou aquela reação um tanto estranha. – Faz muito tempo que não tenho relação sexual, não me olhem assim!
Defendeu-se quando em algumas feições ficou sugestivo o provável envolvimento carnal da Hyuuga em seu tempo livre.
— É verdade. – Ino começou desatenta. – Se você estivesse transando com alguém esse alguém seria o Uzumaki e essa possibilidade é nula.
Sakura arqueou as sobrancelhas e o restante nem pensou ao tomar aquela colocação como verdade absoluta.
— Isso jamais iria acontecer. – Hinata retomou a seriedade que costumava a ter e Sakura deixou sua aflição lhe consumir por completo. – Bom, vou sair pois não preciso fazer o teste.
— Não vai não! – Sakura a segurou pelo ombro. – É rotina, mesmo que não tenha parceiro fixo ou esteja em um relacionamento.
— Não apresento nenhum sintoma. – Ino negou com a cabeça. – Minha menstruação também está em dia.
Cessou em sua colocação a tomar ciência de um fato. Olhou para rosada a encorajando para continuar.
— Com fluxo menor, mas está regular. – Complementou.
— Não me recordo quando foi a última vez que menstruei. – TenTen murmurou, mas o silencio era tanto que todas escutaram sua colocação.
Era difícil, angustiante e em algumas relações afetivas poderia desencadear uma serie de fatores negativos e positivos. Os pares de olhos penderam nas fitas de teste rápido e Sakura deu uma para cada combatente.
Hinata fez pouco caso com a sua. Era obvio que o resultado era negativo.
Para Sakura faltou coragem e desejava que os quilos a mais fosse mesmo retenção de liquido.
Temari estava sendo consumida pela ansiedade com o passar dos segundos.
Ino não sabia o que fazer com a carga emotiva que surgia com a possibilidade. Reconhecia o vacilo de não estar se cuidando naquela relação recente que estabelecida.
E TenTen? Não sabia nem elaborar aquela hipótese.
— Estou um pouco nervosa! Sem motivo, mas estou. – Sakura quebrou o silencio colossal que se formou e era visível sua aflição. – Façam o teste e deixem na bandeja laminada. Demora alguns minutinhos para sair o resultado. Vamos ver juntas!
Temari achou desnecessária aquela sugestão. Se realmente estivesse gravida ao descobrir preferia estar sozinha para poder surtar, todavia não se contrapôs.
Minutos passados os cinco testes estavam na bandeja laminada, mas a coragem para ir verificar o resultado faltava em algumas. Sakura engoliu a seco ao receber permissão com os olhos de algumas.
A Yamanaka próxima a bandeja mordia o polegar com os olhos fixos no relógio posto na parede totalmente absorta em seus pensamentos. A maternidade era algo que sempre almejou. Não conseguiu se segurar a perceber que o tempo hábil para o resultado havia chegado e muito menos percebeu Sakura vindo na direção dos testes.
O choque entre testas foi grande quando Sakura inclinou-se para olhar o resultado e Ino levantou-se com o mesmo intuito. Ao levar a mão na testa Ino acabou dando uma cotovelada na bandeja, a qual foi-se ao chão.
A ver a cena Temari cerrou os olhos com força e ambas mulheres ao se recuperarem da colisão procuraram pelos testes. Hinata usava o restante da paciência que tinha para com aquilo. Os testes estavam misturados.
Sakura pegou o ultimo em mãos e engoliu a seco ao vislumbrar o resultado. Diante da paralisia da Haruno, Ino tomou o teste das mãos da loira. Novamente levou a mão na testa e o rosto começou a avermelhar no aparente choro.
A próxima ao tomar o teste das mãos da Yamanaka foi a Sabaku e Tenten esticou os olhos para fitar o mesmo.
— O que quer dizer? – Perguntou baixo próximo ao ouvido da loira. Temari a olhou incrédula. Pelo visto era o primeiro teste de gravidez de Tenten. – São dois bebês?
Ao ver a linha de controle e a linha que acusa o hormônio a Mitsashi questionou. Não tinha familiaridade com aquele tipo de coisa. A Hyuuga ao ouvir a questão retornou a rir e tentou se controlar ao escutar Sakura murmurando coisas incompreensíveis.
— Não, Tenten. – Temari engoliu a seco ao sentir o mal estar regressando. – Uma linha e de controle e quando aparece a segunda é porque tem um bebê! Pena que não sabemos de quem é porque as desesperadas misturaram os testes.
— Desculpa! – Ino e Sakura disseram e uníssono. Aos olhos castanhos as duas estavam em estado de choque porque tinham culpa no cartório, afinal nem sabiam se o teste era de uma das duas.
— É só repetir, Temari. – Hinata intercedeu diante da instabilidade emocional da Sabaku. Aparentemente estava todo mundo a flor da pele. – Pega outros, Sakura.
Ordenou, mas a rosada permaneceu parada em frente a janela do quarto. Fitava a paisagem reflexiva sobre a vida, sobre o que era maternar e se Sasuke era dos perfis dos pais que iam comprar cigarro e nunca mais voltavam.
Tenten agarrou uma almofada e jogou na cabeça da medica sem cerimonias, pois a ficha tinha caído, afinal aquele teste poderia ser o dela. Seu referencial de família era prejudicado e ao olhar a centrada piloto descompensada cogitou sobre a descompensação do outro Hyuuga.
— Para de rir, Hina! – Desesperou-se e sentiu os olhos arderem. – Neji vai me matar!
O silencio se fez novamente. E cada uma pensou na reação do companheiro. Temari jogou os ombros para cima ao chegar em sua conclusão. Caso estivesse gravida, porque ela não estava, ela poderia cuidar daquela missão sozinha.
Daria conta. Estava convicta. Nem precisava contar para o Nara.
— Você nem sabe se o resultado é o seu. – Ino tentou ajudar Tenten, a qual gostou da ideia. – Alias, ninguém sabe. Procuramos ter calma.
Respirou fundo e suas orientações não condiziam com o estado de nervo que se encontrava. Sakura afirmou positivo e Tenten se jogou no sofá derrotada.
— Não faz assim! – E a repreensão veio em uníssono novamente. Caso estivesse gravida não era a maneira mais correta de se sentar. E toda calma que tentaram juntar se dissipou.
— Bom, é apenas repetir o teste. – Hinata bateu as mãos nas coxas e levantou-se da cadeira. – Vamos acabar logo com isso, Sakura.
— Não. – A maioria estranhou a posição da Haruno e solicitaram uma explicação com os olhos. – Quero dizer, vamos. Contudo vou fazer o beta de sangue, afinal os testes rápidos podem dar falsos positivos. Difícil acontecer, mas acontece.
— E só agora que você me fala isso? – Temari acendeu um cigarro e absolutamente nenhuma obteve coragem para ser invasiva e tirar o cigarro da Sabaku. Toda aquela aflição podia ser devido a um teste danificado.
— Vou fazer a coleta. – Sakura trocou o seu estado de espirito e pegou os utensílios necessários. – De todas!
Elevou a voz a ver Hinata saindo de fininho do ambiente. A piloto a fuzilou com os olhos e Ino estranhou aquela fuga da Hyuuga. Afinal, o que ela tinha a temer?
— Dois dias! Serão apenas dois dias para sair o resultado. – Sakura falava mais para si do que para as outras ao mesmo tempo que começava a coletar o sangue.
— Até lá. – Temari em seu estado mais normal cessou a fala quando a agulha perfurou a sua veia. – Nenhum “piu” desse assunto para os homens. Combinado?
— Sim, senhora!
*
— Você não vai acreditar! – O sorriso de canto do franco-atirador foi instantâneo ao ouvir a declaração do ruivo. Quem não iria acreditar seria Gaara! – Tenho um segredo para te contar.
— Agora é fofoqueiro também? – Neji o encarou parado no centro da sala ainda sem camisa e com resquício de areia no corpo. Se Hinata visse aquilo iria quebrar a vassoura nas costas do ruivo por encher o tapete de areia, algo que passava na cabeça de Neji. Enfim, parentes! Pensamentos similares.
— Pensando bem não é um segredo. – Gaara levou a mão no queixo. Estava louco para ver a cara do amigo com a notícia da provável paternidade. – Estou mais para um mensageiro, acredito e a entendo, pois nem eu que te conheço a anos consigo projetar sua reação.
O silencio se fez e Neji franziu o cenho. O “ a entendo” de Gaara, remetia a uma situação, que provavelmente envolvia uma mulher e sendo mulher Gaara estaria se remetendo somente a uma quando Hyuuga Neji estava envolvido: Tenten.
— O que foi desta vez? – Diante da fala do homem Gaara, novamente, revirou os olhos. Algo característico de outra mulher o que fez Neji torcer a feição. O que estava acontecendo com Gaara?
— Agora a entendo ainda mais. – Fala paralela e reflexiva. – Cara, nem sei por onde começar.
— Pelo início é uma ótima ideia. – Gaara o fulminou com os olhos e Neji conteve o sorriso. Não via a hora de Gaara terminar para ele começar: sobre Ino e suas pesquisas.
— Sabe o quanto Tenten é aleatória, não é? – Apoiou os cotovelos no encosto do sofá e Neji elevou a cabeça para fitar os olhos verdes. – E que sua aleatoriedade sempre está relacionada a algo bem sério.
— Sei. – A fala veio com tanto desgosto que chegava ser palpável. Neji abriu uma cerveja e aguardou pela continuação.
— Ela está gravida. – Cuspiu o liquido todo que tinha na boca com a declaração repentina do ruivo, o qual ria de forma singela. A ideia era dar voltas e voltas no assunto, mas não resistiu. Neji olhava o tapete da sala sujo e concluiu que a vassoura seria quebrada em suas costas.
E Gaara ficou vendo o homem se recompor rápido demais enquanto negava com a cabeça.
— Qual é o motivo dessa conclusão? – Voltou a postura para encarar o amigo que jogou os ombros para cima.
— Ela veio com esse assunto “aleatório” – Fez aspas com os dedos e exalava paciência e compreensão. – E claro que ela me contaria primeiro, pois provavelmente não saberia como te contar. O que acarretaria no que está acontecendo agora e estou te preparando para a noticia mais importante da sua vida.
Neji escutou, assimilou e começou a rir fazendo Gaara estranhar. Esperava todo tipo de reação, mas não aquele rompante de riso. O Hyuuga havia chegado em outra conclusão.
— Calma, vamos analisar alguns fatos aqui expostos. – Gaara afirmou com a cabeça e se jogou ao lado do Hyuuga. – Primeiro: Ela não ia ter a capacidade de esconder essa informação de mim. Segundo: Eu não seria descuidado a tal ponto e terceiro: Esse caminho de informações está um pouco inverso porque quem não saberia lidar com a noticia seria você, meu amigo.
Gaara assimilou o montante de informações e a ficha foi caindo com o passar dos segundos. A mão foi para os fios escarlates e logo para o queixo. Reflexivo.
— Ino me contaria.
— Não contaria não. – Neji respeitou a aflição do ruivo. E ao ouvir o franco atirador e a teoria dele fazia mais sentido. Ino contaria para Tenten e ela tomaria a iniciativa de alerta-lo para evitar uma reação menos desastrosa do que aquela. – E além do mais agora a pouco ela estava vendo roupa de bebês. Estava tão aérea. Já viu Ino aérea?
— Não. – A noticia estava sendo difícil.
Neji segurou no ombro de Gaara e iria continuar quando uma figura conhecida chamou a atenção de ambos.
— Não se preocupe eu crio a criança. – Neji sorriu e Gaara levou a mão no rosto. Naruto riu da situação, se recompôs e suspirou alto. Havia ouvido toda a conversa. – Sua vida acabou, cara.
Não era bem assim, mas para Naruto era. E bem, em que sua colocação iria prejudicar?
*
A sobrancelha esquerda perfeita foi elevada de forma inconsciente ao mesmo tempo que os lábios bonitos encontravam a borda da xicara de café. Como Sasuke conseguia beber café naquele inferno de calor? Estratégia de sobrevivência.
Os olhos negros observavam do balcão da cozinha descaradamente Hinata colocando um boné e óculos escuros. Onde a Hyuuga pretendia ir? E por que estava tão aflita? Pensou em dizer algo, mas manteve se quieto a vê-la pegar as chaves do carro de Neji.
Pausa.
Hinata nunca faria isso devido ao conflito frágil, mas existente entre ela e Neji. Ação que significava que algo estava extremamente errado.
— Você não vai acreditar. – Saiu de sua observação quando Hinata saiu em disparada pela porta e outra coisa bem incomum tomou sua atenção. Olhou de esguelha para o loiro ao seu lado.
Por que raios Naruto estava murmurando? Olhou para a xicara de café se questionando mentalmente se estava adulterado. Muitos comportamentos incompatíveis com determinadas pessoas.
— Já não estou. — Naruto franziu o cenho e fez pouco caso da falta de interesse do Uchiha. – Desembucha.
— Não estou mais com vontade de falar. – Naruto escorou os cotovelos no balcão naquele costumeiro drama típico de sua personalidade. Diante da falta de reação do amigo revirou os olhos dando se por vencido. Era obvio que iria falar. – Mas vou falar mesmo assim. A gente vai ter um bebê.
— Que? – Sasuke questionou confuso. Do que Naruto estava falando? E pior: da forma que estava falando. – Não sei se reparou, mas eu não tenho um útero e acredito que você também não.
— Acordou com a capacidade cognitiva rebaixada, foi? – Naruto retrucou ao sarcasmo do Uchiha.
— Presta atenção da maneira que você fala. – Sasuke o viu refletir. – E você que está com a capacidade reduzida sempre!
Sorriu e a ver Naruto fazer uma careta e a frase sem nexo de Naruto começou a fazer sentido quando visualizou a Haruno descendo as escadas com material de laboratório. Sakura estava linda como sempre, mas estava faltando sua habitual calma e serenidade.
Parecia descompensada.
Pausa. Novamente algo muito suspeito estava acontecendo. Olhou de soslaio para Naruto enquanto comtemplava Sakura vascular o móvel da sala ampla em busca de algo.
— Onde está a chave do carro?! – Gritou. Seu nervosismo estava palpável e a Haruno não havia captado os seus espectadores.
— Desculpe, mas vocês sabem da chave? – Limpou a garganta constrangida ao captar o semblante preocupado do Uchiha.
— É disso que estou falando. – Naruto, novamente, murmurou e saiu de cena. Logo a mente rápida de Sasuke tentou assimilar as informações. Agora entendia o porquê do “a gente vai ter um bebê” porque se Sakura estivesse gestante a criança automaticamente teria dois pais. E obviamente Naruto seria o pai (de consideração) mais legal.
— Mas que porr* está acontecendo? – Engoliu a sua frase e não sabia se ia esclarecer os pontos com Naruto ou iria atras da Haruno evadindo pela porta.
Preferiu bebericar o café atônito. O que Naruto poderia prejudicar com aquela manifestação?
*
A brisa vinda do mar refrescava superficialmente o calor da tarde. As pernas brancas estavam expostas e os cachos presos de qualquer modo no alto da cabeça. Os cigarros estavam sendo consumidos rapidamente enquanto Temari permanecia sentada em um banco de praça da cidade mais próxima do local onde chamavam temporiamente de casa.
Olhou para barra do vestido florido e cerrou os olhos quando pensamentos inconvenientes surgiram. Aquela cena seria típica de uma família comum. Mamãe no banco da praça, papai vindo ao longe com sorvetes e a criança no parquinho.
Shikamaru franziu o cenho a ver de longe Temari jogar a cabeça para trás deixando aparentar o sentimento de derrota com aquele gesto. Esticou a garrafa da agua na direção da Sabaku após sentar-se e a viu cerrar o punho o encostando nos lábios.
— Vai vomitar no meu sapato ou me contar o que está te atormentando? – Esperou pacientemente desconsiderando o provável fuzilamento por se intrometer em assuntos pessoais.
— Posso fazer os dois. – Elevou a cabeça sentindo o mal estar socar o seu estomago. Pegou o saco de papel estendido pelo Nara, mas nada saiu dos lábios femininos. – Não quero te preocupar com isso também.
— Me preocupar com o que? – Escutou e arregalou os olhos. Não poderia ter dado aquela brecha. Frase que deixava entender que havia um problema, o qual automaticamente não estava ligado a missão, pois se estivesse Shikamaru saberia. Então presumia que era sobre ela e desconfiava que era um pouco sobre ele também.
Não precisava ser um gênio como de fato era para analisar a realidade. Desde que Temari havia saído do laboratório de Sakura algo na mulher havia mudado. Pairado uma nuvem de duvidas e preocupações sobre sua cabeça.
Tinha que ser uma noticia de abalar as estruturas para deixar Temari da maneira que estava e ainda tinha aquela terrível virose!
— Está relacionado a sua virose? – O menear positivo foi no automático visto observar a cena de uma mãe ao longe com uma criança birrenta. – Se fosse você iria arrancar a orelha do moleque.
— Com toda certeza. – Temari sorriu a se projetar na cena. – E a do pai também.
— Eu não conseguiria me defender. – Ambos riram e Temari suspirou longo em seguida. Havia perdido o jogo sem mesmo ter iniciado. – Não pretendia me contar?
— Não é nada concreto. – Justificou e não conseguiu fita-lo nos olhos. – É de cautela evitar qualquer comprometimento antes do resultado positivo que tenha meu nome em cima.
— Apenas não me parece justo ter que esperar por isso sozinha. – Shikamaru não estava a compreendendo. – Somos adultos. Lidaremos com isso independente do resultado e provavelmente será do seu jeito.
Temari permitiu-se rir ao sentir a mão máscula acariciar a sua. Nara Shikamaru topava qualquer missão onde a Major estivesse escalada. Não seria diferente naquela. Não seria diferente das outras diversas vezes que esteve lá por ela.
Exatamente a partir do momento que dividiram aquelas flexões naquele pátio da brigada.
— Se está esperando algum agradecimento não o farei. – Shikamaru sorriu devido ao tom autoritário. E nem era necessário Temari verbalizar a frase seguinte, pois já sabia. – Não está fazendo mais do que sua obrigação.
— Eu sei. – Sentiu os dedos se entrelaçarem aos seus e iria prosseguir em seu momento privativo com ela quando, ao longe do outro lado da praça, uma figura conhecida lhe chamou a atenção. – Hinata?
Temari desviou dos olhos negros para fitar na mesma direção e ao encontrar a Hyuuga olhando para todos os lados deixou um sorriso escapar.
— Ah! Pelo visto alguém tem culpa no cartório. – Shikamaru não compreendeu a declaração ao mesmo tempo que Temari achava graça na ação da Hyuuga. Era obvio que Hinata não iria se expor a uma revelação de um teste positivo que pelo visto poderia ser seu.
E Temari decidiu que a piloto iria ter que esperar feito ela.
*
Era estranho vê-lo treinar sozinho. O tronco suado, os pés descalços que deferiam vários golpes assertivos no saco de pancadas. Ino encostou na parede e prosseguiu em sua observação até que os olhos verdes a capturaram.
Eles estavam confusos. A ver de Gaara a loira estava realmente aérea.
— Uma ótima sequência. — Aproximou-se e pode ver a piscadela do ruivo para si. Estava muito apreensiva que estava vendo coisas como Gaara agindo de maneira diferente consigo. Não conseguia imaginar o recebimento da provável gravidez e como aquilo estava a corroendo por dentro.
Porque claro que iria amar e cuidar do seu bebê sozinha se fosse o caso. Os caquinhos do seu coração, caso Gaara a abandonasse, seriam juntados a cada sorriso e descobertas novas da criança.
— Ino, não está me escutando? – Despertou com o estralar de dedos próximo a sua face. Gaara passou a toalha na nuca e desmanchou o sorriso. O desgraçado do Hyuuga aparentava estar mesmo certo. Lembrou da conversa que tivera com ela naquele mesmo espaço e sabia o quão era importante para Ino a maternidade.
E ele? Não conseguia nem elaborar a questão, entretanto não conseguia ver pontos negativos em relação a gravidez. Era certo o sentimento que tinha para com ela, apenas não sabia como agir porque sabia e Ino aparentava não querer falar.
— Precisamos conversar. – Falaram em uníssono e Ino repuxou os lábios em um sorriso.
— Primeiro as damas. – Alargou-se com as costumeiras brincadeiras do ruivo. – Tem algo importante para me contar?
O contato visual perdurou. Gaara levou as mãos na cintura e mordeu o lábio inferior diante do silencio da Yamanaka.
— Não. – Regrediu na ideia de noticia-lo. Nem sabia se o teste era realmente seu! Entretanto diante do olhar firme do ruivo não suportou. – Acho que estou gravida.
Os olhos azuis marejaram diante do silencio e da feição fechada.
— E você é o pai. – Apontou desnecessariamente para Gaara e o ruivo olhou para trás e para os lados numa clara brincadeira. Apenas aquele gesto foi o suficiente para aliviar toda a aflição de Ino. Logo sentiu os braços em volta ao seu pescoço e os lábios em sua testa.
Não se importou com o suor e com o aperto forte demais. Aquela era a segurança que desejava quando viesse dar a notícia. Limpou os olhos lembrando se do pequeno desastre. Como diria Tenten: estava colocando a carroça na frente dos bois.
— Mas calma. – Se desvencilhou do abraço para fita-lo diretamente. – É apenas uma suspeita. Não tem nada certo. É que estou extremamente nervosa com a possibilidade e você sabe o que isso significa para mim.
— Eu sei. – Retornou a abraça-la. – Obrigado por confiar e me dar a “suspeita” mais feliz da minha vida.
Deixou-se por rir em um completo alivio, em uma nova felicidade. Gaara a suspendeu do chão por segundos e agradecia aos céus pela bom/falta de senso de Tenten. Estava devendo sua alma para aquela mulher.
— Agora me diga. — Ino tentava se recompor do rompante de sentimentos. – Esse tal de resguardo dura quanto tempo?
— Já esperava por essa questão. – Riram. Era incrível a sintonia e harmonia entre ambos. Gaara sabia exatamente como não estragar momentos perfeitos. Amava cada pedacinho de Ino.
E caso o teste não pertencesse a ela poderiam reverter a situação rapidamente.
*
Chegou a uma conclusão bastante valida sobre o motivo de toda aquela confusão. Era obvio que a máquina de lavar havia encolhido o seu jeans! Bem como era obvio que a balança estava desregulada.
Havia passado o dia tentando se confortar e estava exausta. Devido a isso Sakura permanecia de bruços sobre a cama ansiosa pelo resultado do teste que viria pela manhã. Era incrível como haviam conseguido enrolarem-se naquela situação. Sabia que tinha uma parcela de culpa, pois não tinha coragem suficiente para verificar o seu teste sozinha.
Apenas Sakura tinha a completa noção do que uma gravidez significava: as mudanças hormonais, físicas, de rotina, de relacionamento e entre outras mil coisas. Que a partir de um teste positivo você estaria vivendo em função de outra pessoa por integrais 24 horas!
— Socorro. – Abafou a voz no travesseiro no exato momento que o moreno parou no meio fio da porta. Aos olhos de Sasuke a rosada aparentava estar sob efeito catastrófico, entretanto não entendia o porquê e diga se de passagem não estava fazendo aquele esforço.
Pois o faria agora.
— Me diga. – Os olhos esmeraldinos apareceram entre os fios róseos ao elevar minimamente a cabeça. – Bati com a cabeça na quina da mesa por estar louco em achar que tem alguma coisa problemática acontecendo?
Ao ouvir o “Problemático” lembrou se da jura que tinha feito a Temari e se odiou por isso. Enfiou o rosto no travesseiro e sentiu a mão pesar em seu ombro numa caricia.
— Acho que tenho um problema. – Limpou a garganta após manifestar-se. Aquela não era a melhor maneira de pronunciar em relação a uma possível gestação. O que Sasuke pensaria?
— É possível resolver com dinheiro? – Estranhou a pergunta, mas passou refletir sobre. O pequeno sorriso de Sasuke surgiu. Adorava aquele tipo de conversa com a Haruno. Entre outras coisas a mais.
— Ajuda bastante. – Respondeu considerando os gastos financeiros que teriam caso viesse ser dela o exame positivo.
— Temos que matar alguém e esconder o corpo? – O riso surgiu fácil e Sakura cedeu espaço na cama para o piloto.
— Não. – Respondeu simplória indo para uma reflexão profunda, entretanto preferiu afastar aquele tipo de pensamento. – Com certeza não.
— Então não é um problema. – Fitaram-se e Sakura mostrou discordar daquele posicionamento. – A situação anterior é um problema, as outras são adversidades que geralmente nos pegam desprevenidos.
— Você já leu muito livro de autoajuda, não é? – Brincou e Sasuke sorriu e quando ele meneou positivo quem sorriu foi ela.
— Coisas necessárias quando se vive com Naruto 24 horas por dia. – Não era muito ruim assim, era? – Então, qual é a adversidade da vez?
Silêncio e os olhos verdes fitaram o teto. Iria ficar devendo uma para a Sabaku.
— Me diga em uma situação hipotética. – Começou incerta. – Devido ao aumento drástico de peso uma mulher achou prudente realizar um teste rápido de gravidez e devido a ansiedade dela e alguns outros fatores que não vem ao caso o resultado foi positivo, entretanto ela não sabe se é dela. Uma longa história. E ela não sabe como o seu parceiro iria reagir diante da possibilidade. Como você reagiria se fosse ele??
Naquele momento Sasuke preferia ter tido batido a cabeça na quina da mesa. Demorou alguns segundos para assimilar aquela situação hipotética com a noticia de fato que estava recebendo, pois era obvio a realidade. Os olhos verdes já esperavam ansiosos e temerosos pela resposta quando Sasuke apenas abriu os lábios.
— Bom. – Limpou a garganta e formulou uma resposta descente, afinal era uma possibilidade e dependendo que como falaria poderia colocar tudo a perder no seu recente relacionamento sério. – Acho que eu falaria para ela ficar tranquila e esperar de fato o resultado pensando também que ele estaria recebendo uma noticia bombástica, mas uma ótima notícia.
— Uma ótima notícia? – Sakura questionou. – Mesmo se eles estivessem numa missão de alto risco e estivessem em um relacionamento recente?
— É algo importante para se destacar. – Complementou após um silencio longo. Quando Naruto veio com aquele papo torto não achou que seria verdade e não estava sabendo lidar com aquilo de melhor maneira. – Provavelmente ele vá comprar cigarros após o resultado positivo.
Sakura deixou-se rir levando as mãos na face. Não sabia o porquê, mas era aquela conduta que casava perfeitamente com Sasuke.
— Isso seria bem a cara dele. – O Uchiha sorriu e fechou os olhos. Então era isso o que a Haruno temia que viesse dele?
— Seria. – Aproximou-se e passou o braço por debaixo do pescoço da Haruno a levando para o seu peito. – Se ele não fosse completamente apaixonado por ela.
Sussurrou devido a proximidade e Sakura sentiu o envolver dos braços. Sasuke jamais iria comprar cigarros.
— É que nem mesmo havia pensando sobre isso. – O afagar nos fios rosas já acontecia. – E nem mesmo havíamos chegado no nível de relação para conversar sobre filhos.
— Eu sei. – Sasuke transpassava uma segurança tremenda. – Isso se chama imprevistos. E nem sempre são ruins, apenas assustam de início.
Sakura se perdeu nos olhos negros e era perceptível o quão aquele possível imprevisto estava mexendo com o Uchiha. Estavam emocionados.
— Me empresta um livro de autoajuda? – Acabaram rindo de si próprios. Aquele momento exigia desconcentração. A carga emotiva estava deveras pesada.
— Pegue quantos quiser. – Começou. – Antes que ela rabisque tudo.
— Ela? – O sorriso de Sakura se abria mais a cada segundo. – Segundos atras você estava indo comprar cigarros e agora já está falando do sexo do bebê de uma possível gestação? Uau!
— Para você ver. – A sobrancelha perfeita se levantou novamente. – E ela será o meu xerox.
E por frações de segundos Sakura não achou que seria tão ruim o resultado ser positivo. Iria pra casa e não estaria mais sozinha. Nem sequer por um segundo.
— Vamos esperar para ver se esse positivo é meu mesmo e então retomamos essa conversa.
— Combinado.
*
— Ella hace todo por seducirme, Y yo voy, voy, voy, Haciendo lo que ella me pide* — Achou graça ao ouvi-lo cantarolar uma musica que ela cantou por semanas a fios. Já era de madrugava e Neji ainda estava no banho e TenTen embaixo das cobertas. O Hyuuga havia retornado da sua pescaria recentemente e pela primeira vez a morena desejou que ele tivesse ficado mais algumas horas por lá.
Exatamente que retornasse após o almoço, pois no café da manhã saberia se estava ou não gravida. E então, caso não estivesse gestante, poderia seguir belamente com a vida, caso contrário não conseguia nem projetar.
Bem como sabia que não iria conseguir segurar a língua dentro da boca e que em seu primeiro comportamento diferente as questões surgiriam. Logo os olhos claros captaram os castanhos e Tenten pode vê-lo sair enrolado na toalha com o tronco totalmente exposto.
— Ainda acordada? – A questão era retorica, mas na cabeça de Tenten teria que se esforçar para não deixar aparentar estar uma pilha de nervos.
— E dormir como? Com você fazendo os meus ouvidos sangrarem. – Sorriu por debaixo da coberta ao vê-lo sorrir e se vestir.
— Chumbo trocado não dói, não é? – Retrucou passivo, afinal aquele tipo de dialogo era comum. – E a culpa é sua por ficar cantando essas músicas chicletes 24 horas por dia em meu ouvido.
Não se enfiou embaixo das cobertas como TenTen esperava. Ela apenas desejava dormir como em todas outras noites – com as pernas sobre as dele, mas o viu sentar na beira do colchão e levar a mão até a boca.
A casa já havia caído para ela.
— Agora me diz o que está tirando o seu sono porque nessas horas sempre te encontro babando no meu travesseiro. – Não era mentira. Chegava ser estranho o tanto que ele sabia sobre ela.
— Eu não babo. – Outro bico de sinuca. Caso tudo estivesse em ordem Tenten iria ser direta mesmo amando rodeios. – Apenas estou sem sono.
— E... – Esperou pela continuação, mas a viu fazer bico e negar com a cabeça. – Vai, nunca é apenas isso. Qual é a situação da vez?
— Estou na TPM. — Achou valida a colocação, mas o viu negar pacientemente. E algo sussurrou em seu ouvido que Neji estava desconfiado de alguma coisa.
— Está mentindo porque já teria torrado a minha paciência por conta de chocolates. – Arrematou e Tenten ficou em silencio. Aquilo era uma verdade absoluta.
— Eu sou uma mulher independente. – E Neji sorriu com o revirar de olhos dela. – Eu posso ir comprar meus próprios chocolates.
— Repete para que eu possa gravar. – Acabou por rir. Ela estava mesmo estranha. – Para te refrescar a memoria na primeira oportunidade.
Finalmente o Hyuuga se deitou e chegou a suspirar de cansaço e Tenten o acompanhou no suspiro.
— Como o tempo passou. Não faz nem meses que furtei o chocolate que você ganhou naquele jogo quando estávamos na brigada. E olha a situação agora: te faço ir compra-los para mim.
Neji franziu o cenho ao ouvi-la e tentar recordar-se deste momento somada aquela frase reflexiva. E como gostaria de comentar sobre o reconhecimento dos abusos de Tenten para consigo. Aquilo não era nem a metade da reza.
— Ralhei com Gaara por ter me furtando achando que ele era o autor do delito. – Neji complementou. – E o tempo todo era você.
Repuxou um sorriso a vê-la sentar-se na cama. Sinal de que iria falar o que estava a deixando apreensiva.
— E você nem gosta de doces. – Comentou um tanto aleatória e a paciência escapava pelos poros do homem. – Preciso te contar uma coisa.
— Eu sei.
— Sabe? – Questionou surpresa. Será que o boato já havia chegado aos ouvidos de Neji? E aquela era a sua reação? Sentiu o nervosismo lhe atingir em cheio e por isso abraçou os próprios joelhos.
— Ino está gravida, não é? – O nervosismo já havia lhe atingido fortemente que apenas ouviu a metade da frase. Neji viu o rosto de pele bronzeada enrubescer mais ao desespero estampado.
— Sim, mas o teste positivo possa ser que não seja meu porque aquelas duas desesperadas misturaram todas as amostras e eu nem sabia ler aquela porcaria de teste. Daí a Sakura achou melhor fazer o de sangue para tirar todas as duvidas e não me recordo quando foi a minha última menstruação. Nunca me preocupei com isso porque não tinha vida sexual ativa então não foi proposital e se você quiser terminar comigo está tudo bem. Me desculpa.
Pausa. Estava completamente aflita e ao abrir os olhos encontrou outros surpresos. Era muita informação inconsistente em segundos. Neji arcou o tronco para frente no intuito de se aproximar. Naquela altura do campeonato o choro já era livre.
— Você está me dizendo que pode estar gravida? – Recebeu um acenar de cabeça ao mesmo tempo que Tenten limpava os olhos. – Isso seria muito para você. Quero dizer, você é jovem demais para isso.
— Não sei se sabe, mas não sou uma adolescente. – Irritou diante das reflexões do companheiro. Entretanto não discordava do mesmo. A maternidade seria um soco no estômago da jovem mulher. – Me deixa sozinha.
— Espera, Tenten. – Segurou a mão menor que a sua. – Só espera.
O viu passar as mãos na face e levar a mão na boca. A reação do Hyuuga estava condizente com o que ela esperava e foi por isso que optou por não contar.
— Não me peça desculpas. A responsabilidade não é apenas sua. – A viu morder o lábio e acenar positivo no automático. Se a noticia estava sendo um choque para ele, a voltagem estava maior para ela. – Quando o resultado sai?
— Amanhã.
— Quer esperar ou fazer outro teste rápido? – A olhou nos olhos e a viu negar. – Posso ir até a farmácia.
— São quase 5 horas da manhã, Neji. – Passou a mão nos fios mal presos. — Acho que tem como esperar mais algumas horas.
— Está bem. – Vê-la daquela maneira o deixava sem norte. Pelo visto a falta de tato para com aquele tipo de situação permanecia. – Posso ficar aqui com você?
— Só não sei mais o que pensar. – A puxou para próximo diante da afirmativa. – O que vou fazer com um bebê? Será que foi isso o que os meus pais pensaram quando me viram? Não desejo fazer igual.
— Não vai, não vai. – Havia esquecido se daquele detalhe importante sobre a vida de Tenten. Pais jovens com toda uma situação complexa haviam optado pela entrega protegida/voluntaria. A bebê era Tenten. – Estou aqui para você.
— Eu sei. – O abraço finalmente veio e sentir o aroma desprender dos fios castanhos trouxe uma sensação mágica. Para ela a gravidez não planejada envolvia uma seria de coisas complexas. Havia sonhado com aquele momento por diversas vezes. O momento que teria sua família.
— Tente dormir agora. – A puxou para cima do seu corpo sem cerimonias. – Vai ficar tudo bem.
— É exatamente isso o que as pessoas dizem e nada fica bem. – Neji repuxou um sorriso ao perceber o tom de brincadeira de Tenten.
— Sei. – A fitou nos olhos. – Mas desta vez vai ficar. Não confia?
— Confio.
*
Exatamente 5 horas da manhã.
Pagaria tudo para saber o que ele estava sonhando. Aparentava ser algo muito bom. O semblante relaxado, o peito nu e vestia apenas uma bermuda de tecido tectel. Como odiava aquelas bermudas! A seu ver ridículas.
Não demorou mais sequer um minuto e deferiu um belo tapa da coxa esquerda de Naruto o despertando sem dó e nem piedade. O loiro que sonhava com algo duvidoso arcou o tronco de supetão deixando escapar um grito.
— Put* que... – Interrompeu o palavrão a ver Hinata de braços cruzados. – Por acaso, apenas por descarte, o que eu fiz desta vez?
Ao ver o semblante irritadiço do Uzumaki a piloto suspirou forte. Não sabia nem por onde começar e se começava.
— Nas... – Preferiu deixar a provocação de lado diante do cenário problemático que se encontrava. – Preciso da sua ajuda.
— Não estou disponível.
— Não estou te dando escolhas. – Disse entre dentes na tentativa de não fazer mais barulho. Naruto a observou olhando para os lados como se o que viesse a ser dito fosse um segredo. – Preciso interceptar um exame e você vai me ajudar.
— Ah, não vou mesmo. – Naruto retornou a deitar na cama macia provocando a morte. – Exame de que? Qual a necessidade disso, Hinata? Pede ajuda das meninas.
— Para de ser quinta- serie, Naruto! – Puxou a coberta do piloto. A coisa tinha que ser muito séria para mudar o comportamento da Hyuuga. – Não vou responder suas questões e quando tudo isso acabar você não falara um A sobre o que aconteceu.
— Se não me contar. – Disse pausadamente. – Não irei colaborar.
Meu Deus! Hinata colocou as mãos na cabeça e Naruto percebendo a gravidade da coisa levantou-se da cama procurando a sua camisa laranja. Hinata mordeu o polegar aflita e não conseguia ver outra saída.
— Está bem. – Engoliu a seco a ver olhos azuis atento lhe observando. – É uma longa história, mas vai chegar um lote de exame de teste de gravidez com somente um positivo e esse positivo pode ser meu.
No quarto apenas era audível o som do relógio da parede. Naruto estava embasbacado e Hinata sem alternativas.
— Que- quem é o pai? – Naruto acabou gaguejando sentindo um desconforto crescer devido um determinado fato já consumado. E o fio de paciência de Hinata acabou.
— Quem você acha, querido? – Cuspiu entre dentes e a vez de levar as mãos na cabeça foi a de Naruto. – Está compreendendo a situação? Irão me zoar o resto da vida!
— A gente pode ter um bebê e você está preocupada de virar piada? – Estava incrédulo, não entendia que era o puro nervosismo da piloto que a desalinhava. – Transamos só uma vez, Hinata. E eu estava tão bêbado que tinha duas de você. Ah, eu estou passado mal. Foi um erro.
A Hyuuga cruzou os braços diante da declaração do Uzumaki. Passou a língua no lábio inferior e o fulminou com os olhos.
— Uma vez, Naruto? Não se comete o mesmo erro duas vezes! – Aproximou se do loiro para cuspir o restante das palavras. – Pelo visto não sabe nem contar.
— Até agora isso não era um problema para você. – Encurralou Hinata na parede, a qual inflou o peito. – E foi mal aí se desde que te beijei no aeroporto não consigo sair da sua cama.
Silencio. Bem como ela não conseguia tirar ele. Com a pausa na discussão o loiro pode ver o tanto de tensão de Hinata.
— Se eu estiver gravida devo estar aproximadamente de 11 semanas. – Naruto torceu o rosto coma informação. Não entendia aquelas contas loucas. – O que significa que você me engravidou na primeira vez e deste então a minha menstruação não veio mais. Mas como não senti nenhuma alteração e usamos preservativos nas outras vezes eu estava tranquila.
Explicou a sua aflição. E fazia todo o sentido.
— Fazer o que se tenho potencial. – Sentiu alguns tapas em seu peitoral devido a brincadeira fora de hora. – Ah! Irão me zoar o resto da vida!
Segurou os punhos da Hyuuga e ela aproveitou para encostar a testa no peitoral nu. A verdade é que a possibilidade era alta e estava sendo uma bomba para segurar sozinha.
— Eu tentei fazer o exame por conta, mas Temari me pegou em flagrante. – Suspirou. – É uma longa história.
— Meu Deus! E eu fui por minhoca na cabeça do Sasuke hoje pela manhã. – Comentou paralelo. – Irei usar tampões de ouvidos por 24 horas.
Hinata permitiu-se rir. Tudo aquilo era inacreditável. E era verdade também que o pé de guerra, na maioria do tempo, era quase teatral. Já haviam superado a fase de arqui-inimigo, a de coleguismo e agora estavam numa amizade colorida a ponto de ceder para algo mais concreto.
— O resultado vem quando?
— Daqui 2 horas.
— Não temos tempo hábil para fazer nada. – Comentou. Então Hinata não havia vindo até si com aquele proposito. Necessitava de acolhimento. – Eu assumo a criança, fique tranquila.
— Cala a boca, vai. – Hinata o abraçou e se sentiu abraçada.
— Assumo você também. – Escutou o riso e não conseguiu segurar o seu.
— Isso não vai acontecer. – Confortou-se e aproveitou para alfineta-lo.
— É claro que não vai. – Retorquiu baixo ao sentir os lábios desenhados roçarem nos seus. E como se segurava o dia todo para não toma-los para si.
— Ah! Mas estou torcendo para que aconteça. – Viraram a cabeça rapidamente em direção da porta aberta e o sorriso desmanchou a ver Sakura. A medica piscou para Hinata. – Te peguei!
Já estava desconfiada a algum tempo do envolvimento entre os pilotos. Apenas precisava de provas e com a aflição da Hyuuga com aquela história toda de teste aumentou sua desconfiança.
Situação: Hyuuga Hinata pega no flagra!
**
As unhas já haviam sido consumidas quando os olhos verdes foram para o relógio. O entregador estava atrasado. Temari fitou as outras combatentes na sala. Naquela altura do campeonato já não era mais segredo para ninguém. Como sabia? Estava explicito na face de cada um deles! De cada membro masculino daquela equipe. Quis rir ao ver Sasuke abrindo um buraco no chão da cozinha de tanto andar de um lado para o outro ao mesmo tempo que Sakura já estava na sua quarta xicara de chá.
— Pelo menos não vai ter infecção de urina. – Deixou o pensamento adquirir voz e novamente olhou para porta. E do lado de fora uma dupla lhe chamou a atenção e desta vez sorriu. Conseguia captar a tensão do irmão de longe, mas era engraçado como ele deixava transpassar serenidade quando a pilha de nervos era fato. Talvez, foste pelo fato de Ino estar totalmente em estado de agitação. Nem de longe aparentava ser a centrada especialista de combate direto.
— São os hormônios. – Novamente os pensamentos ganharam voz e os olhos foram para especialista em desarmamento e os homens das armas. Tenten estava sentada no tapete da sala permanecendo entre as pernas do Hyuuga sentado no sofá. A sobrancelha loira levantou-se ao vê-los sorrindo. Temari não esperava algo do gênero de ambos e sim uma total desarmonia. Repuxou o lábio em sorriso ao ter seus pensamentos roubados ligeiramente para como que seria o filho daqueles dois.
— Uma criança perigosíssima sem sombras de dúvidas. – Riu ao concluir e notar que estava em companhia. O Nara olhou o casal afastado e não demorou muito para entender a referência.
— Independente de quem iria puxar. – Shikamaru complementou o comentário e Temari concordou com a cabeça. – Agora me diga o que acontece ali?
Indicou com o dedo polegar e Temari virou-se para observar Naruto e Hinata em um canto. Era uma pergunta muito pertinente. Negou a ver o fuzilamento dos olhos claros para o piloto.
— Estaria muito louca em cogitar que também esperam um resultado? – Concluiu e Shikamaru jogou os ombros para cima.
— Com certeza.
Riram ao mesmo tempo que Ino agarrou uma pequena caixa velozmente. Do balcão da cozinha a Haruno levantou abruptamente saindo em disparada em direção a Yamanaka.
A hora havia chegado. Temari fez menção de levantar-se, mas cessou ao sentir a mão do Nara agarrar a sua.
— Independente do resultado. – Sentiu a firmeza na voz do marujo. – É uma missão que iremos cumprir.
*
Ver o seu nome no envelope lacrado foi um choque. Um choque tão grande que não conseguia abri-lo. Ino engoliu a seco e sentiu os dedos tremularem. Olhou para as outras combatentes e Sakura estava branca feito papel lendo o resultado do exame. TenTen mordia o próprio polegar ansiosa ao mesmo tempo que Neji lia o resultado. Temari e Shikamaru olhavam juntos o papel e Ino não soube ler a expressão facial de ambos. Próximo a escadaria uma dupla peculiar lhe roubou a atenção por segundos, mas achou que estava delirando.
— Ao seu sinal. – Escutou o encorajamento do ruivo e Gaara inspirou fundo. Que dia! Ino finalmente juntou coragem e abriu o envelope. Os olhos azuis cintilaram e logo pousaram nos esverdeados.
Sorriu.
*
— E o que diz ai? – Mais alguns segundos o dedo iria sangrar tamanha a aflição de TenTen. Fitou os olhos claros que alternavam para sua imagem e para o resultado. – Caso permaneça em silencio irei explodir.
Manifestou diante da demora e Neji apenas lhe estendeu o papel. Ele só podia estar brincando, não é? Estava ansiosa e nervosa demais para saber decifrar um teste de gravidez.
— Meus parabéns. – Tirou os olhos do papel para fita-lo e o pegou sorrindo automaticamente o copiando.
Era um resultado em tanto.
*
— Não esquece de respirar. – Murmurou próximo ao ouvido de Sakura e aproveitou para fitar sorrateiramente o papel. Sakura saiu do transe para olha-lo nos olhos. Ao ver o sorriso do Uchiha um alivio preencheu o seu peito. Cerrou os olhos e os punhos amassando o resultado na sequência.
— Não vamos desperdiçar essa chance. – Proferiu sem pensar muito e o abraçou na sequência. Sasuke sentiu o perfume característico de perto e o brilho da Haruno retornando. – E me lembre de procurar um vascular.
— Anotado.
*
— Acho que podia ser um pouco mais claro o modo como vem descrito. — Shikamaru comentou olhando para o papel. – Pode causar confusão.
— Concordo. – Temari viu os dedos das mãos afrouxarem e logo ir de encontro a mecha pendendo sobre o seu rosto, arrumando-a. – Por enquanto será nós.
— Gosto de números pares. – Sorriram. – Estou contente por isso e estaria também se fosse ímpar.
— Eu sei.
*
— Qual é a dificuldade de abrir esse envelope? – Levou as mãos na cintura vendo Hinara lutar para abrir o envelope. Observou terceiros rezando para não ser objeto de atenção de ninguém.
Viu Sakura e Sasuke abraçados. Temari e Shikamaru trocando caricias descaradamente. Onde estavam os modos hoje em dia! Gaara conversando com Ino seriamente enquanto a loira apenas afirmava com a cabeça. Chegou a conclusão que as coisas não estavam boas para a Yamanaka ao vê-la enxugando o canto dos olhos. Logo sua atenção foi para TenTen dando pulos de alegria no sofá e julgou ter visualizado a expressão mais relaxada do Hyuuga desde quando o viu pela primeira vez.
Sentiu um cutucão nas costelas e olhou Hinata estática lendo papel. Aproximou visualizando o conteúdo e não compreendeu.
— O que quer dizer não reagente? – Novamente julgou ser o sorriso mais lindo que já tivera visto da Hyuuga. – Deve ser coisa boa.
— Quer dizer negativo! – Animou-se demais em sua declaração chamando a atenção de terceiros. – Que não estou gravida e então não tem provas!
Estava delirando, desta forma Naruto concluiu ao vê-la em estado de frenesi e de mania. Era tão ruim estar gravida assim? Dele?
Era.
— Mas espera! – Hinata cessou em sua comemoração quando Sakura solicitou por atenção. Algo não estava certo, pois já estava ciente do resultado das outras. – O meu deu negativo.
— O meu também. – Temari complementou.
— Idem. – TenTen disse rapidamente e olhou para Ino.
— Negativo.
Hinata novamente olhou para o papel e Naruto a acompanhou. Fitaram-se na sequência. Um mal estar repentino assolou Naruto ao verificar, novamente, o resultado. O baque seco do corpo encontrando o chão veio na sequencia e a Hyuuga permaneceu observando o corpo estático no chão.
Naruto havia desmaiado.
Olhou novamente para o resultado e a interpretação era a mesma. Negativo.
— Provavelmente leu o campo errado. – Esticou o resultado para a Haruno e revirou os olhos a voltar olha-lo. – Não estou gravida.
— E se estivesse seria do Naruto? – o Uchiha estava quieto, quieto até demais, mas a ver que Hinata tinha perdido totalmente a descrição em relação ao seu envolvimento não conseguiu segurar-se. E o riso do moreno surgiu na sequência.
— Isso não importa. – Tentou mudar de assunto. Sasuke iria infernizar em tempo integral. – Explique o porquê todos os testes estão negativos, Sakura?
A rosada sentiu pares de olhos pesarem em seus ombros. Engoliu a seco. A verdade é que seu desespero somado ao de Ino havia gerado uma pequena confusão e aflição.
— Testes rápidos não costumam falhar, pois detectam o hormônio do crescimento. – Pausou ao ver olhos lhe queimando. – Mas falham, entretanto, seria importante solicitar o Beta quantitativo visto ter gente com o ciclo bastante atrasado.
Frisou a palavra “gente” e encarou Hinata, a qual já iria literalmente soltar os cachorros. Temari deixou a boca abrir e negou. Para ela chega de testes!
— Eu vou beber. – Proferiu e saiu na sequência. Tudo não havia passado de uma grande confusão.
— Então, alguém vai querer? – Sakura questionou aliviada apenas para observar as feições relaxadas evaporando.
— Não! – O coro da negativa veio na sequência. Por hora, a cota de testes de gravidez já havia sido atingida.
Teste rápido de farmácia: Negativo
Teste de sangue Beta HCG qualitativo: Negativo
Teste de sangue Beta HGC quantitativo: Positivo.
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