Combatentes
16 Save Our Souls
Notas iniciais
Sete anos atrás – Operação Cadillac 52
— Iniciando OBFM. – Junto da ruidosa do fone a informação chegou ao ouvido do piloto. As Manobras Básicas de Combate Ofensivas iriam começar assim que os caças adentrassem território aéreo inimigo.
— Beta 3 entrando em modo furtivo, câmbio.— Informou o piloto ao seu comandante.
— Beta 4 entrando em modo furtivo. Boa caçada, senhores! — O comandante tentou sorrir com a animação do seu quarto beta. O mais animado da turma.
— Copiado.— Novamente a ruidosa soou e pela vidraça da cabeça do caça F15 raptor pode visualizar por segundos um caça do mesmo modelo saindo da formação. Iriam entrar em combate aéreo e talvez fosse esse o motivo de sentir falta de ar em seu capacete, mesmo com a máscara de oxigenação em uso. – Fique em posição DBFM, câmbio.
— Copiado.— Escutou, mas não respondeu e nem mesmo deu um comando direto. Seus companheiros já entendiam seus códigos e ainda mais o seu silêncio.
Como se fosse um grande mal presságio uma forte chuva despencou do céu. E o radar indicando que os famosos MIG estavam atrás da formação apenas piorava a sensação horripilante de tragédia em eminência.
— MIG 6 o’clock. Repito MIG a seis horas, câmbio. – Escutou a informação de um de seus betas. Aquilo apenas significava a morte. Os famosos caças MIG estavam em uma posição vantajosa. Exatamente na retaguarda, onde outros dois caças do quinteto haviam dispersado anteriormente no modo furtivo.
O inimigo estava atrás o que significava que são alvos fácies. Um míssil e tudo se findaria naquela noite chuvosa.
— Intercepção antecipada do inimigo. – Entretanto sua voz soou de forma calma. – Contra aérea defensiva, câmbio.
— Copiado. — Ambos Betas responderam e os caças entraram na formação. No radar ainda era visível três MIG’s ainda na retaguarda. E o comandante do apoio aéreo questionava onde estavam os outros caças da formação.
— Iroh e Gun’s. Aguardando contato. – Esperou pela resposta de seus dois betas, mas não obteve tempo de resposta, quando um míssil apontou no radar. E o típico e característico apito de alarme cantou sua adorável canção alarmando a possível morte, caso manobras evasivas não fossem realizadas.
— Beta 1 e 2 entrando em posição, câmbio. – Sentiu a responsabilidade pesar assim que o ponto vermelho ficava mais próximo do centro do radar. Minutos, segundos ou milésimos e seu caça iria despencar. — Scissors!
De comando da manobra e juntamente do seu F15 os outros dois caças curvaram no céu. A pressão do ar na cabine de piloto estava compactada. E além do míssil que seguia-o sem eficiência e ditava a sua morte a pressão também parecia querer explodir sua cabeça. As nuvens dificultavam a visão, mas de tanto ensaiarem aquela manobra evasiva para conseguir uma vantagem posicional tudo ficava mais fácil.
— Canário Azul. – Escutou seu codinome de piloto soar no fone. Aquilo apenas significava duas coisas.
Primeira: os betas estavam assustados demais.
Segunda: alguém tinha sido abatido.
— Na escuta, câmbio. – Esperou e cedeu atenção merecida ao radar. Cada ponto vermelho sussurrava em seu ouvido tragédias as quais ele não podia impedir. E cada ponto verde fazia seu coração falar.
Não estavam caçando. Não estava abatendo MIG’s. Estavam sendo caçados. Estavam sendo emboscados em pleno ar.
Pensar nisto fez surgir um estalo em sua mente: eles sabiam que seria hoje? Sabiam que a equipe Cadillac 52 iriam realizar uma operação? O ar foi puxado de forma mais voluptuosa para dentro de seus pulmões. O inimigo estava um passo à frente.
Iriam morrer. Todos. Sem exceções.
Sentia o sangue gelar suas veias. Arregalou os olhos claros e tão incomuns ao constatar aquele fato. Sim, era um fato. Era apenas uma questão de tempo. Estava morto.
— Perdemos a quinta beta, senhor! – Escutou a voz baixa do seu primeiro e fiel beta informando a queda da única mulher do quinteto. – Aguardando comando, câmbio.
Outro estalo o fez despertar. Câmbio. Essa palavra ficava ressoando em sua cabeça. Outra explosão o fez o seu corpo retesar. Tinha que assumir o controle da situação.
— Falcão negro. – Chamou o seu único beta disponível. – Tecer!
Indicou a manobra que iriam realizar. O zunido dos caças cortando o ar não era audível. A manobra consiste em uma tentativa simultânea de atingir a retaguarda do inimigo. Manobra a qual sempre foi a preferida do Falcão Negro e do Canário Azul — Weave.
— Iniciando DBFM. Beta 4, câmbio. — A informação chegou aos ouvidos da dupla de pilotos que faziam a manobra Weave. E imediatamente o sorriso surgiu.
— Copiado. Alfa, câmbio. – O comandante informou e logo obteve contato visual com um MIG, mas desfez a manobra visto que a retaguarda do inimigo estava sendo atacada pelo seu terceiro beta.
Logo o MIG explodiu. Hiashi Hyuuga concentrou-se na sua missão mesmo com Iroh dando um grito de comemoração.
— Reagrupar! – Ordenou em seu comunicador. – Temos mais dois MIG para abater.
— Sempre será um prazer. Beta 4, câmbio.
— Concentre- se, Iroh. – Hiashi escutou a conversa entre os betas buscando pela base no radar. Podia imaginar o sorriso torto do Falcão Negro. Homem que sempre adorou repreender Iroh: o piloto mais jovem da formação. — Lembre-se...
Um estrondo fora ouvido em ambos os fones. Novamente aquele anuncio mortífero regressou. Canário Azul viu o seu beta 1 rodando em queda.
— Comando direto ejetar! — Ordenou e esperou resposta. Cortou a comunicação com seu beta 4 com finalidade de tentar escutar melhor o seu beta 1.
— Mayday, mayday, mayday! – Escutou com clareza.— Fui atingido. Perda total do equipamento. Beta 1 – A ruidosa não impediu o canário azul distinguir a pausa feita pelo piloto. Como se fosse seu último minuto de silêncio antes do sono profundo da morte.
– Falcão Negro fora de combate.
Tentou ouvir se a cabeça de vidro do caça fora aberta. Aguçou seu ouvido afim de escutar o som da cadeira de piloto sendo ejetada. Tentou contatar o seu melhor amigo e seu melhor beta uma última vez. Estava morto.
Outro estalo o fez regressar para a realidade. Sentia a dor da perda tentar consumi-lo, mas precisava sair vivo para chorar pelos seus mortos mais tarde. Restabeleceu a comunicação e focou no painel.
Teria que dispersar, caso as coisas prosseguissem do modo que estava. Tinha que dar apoio aéreo para os fuzileiros. Tinham que invadir aquela base.
— Iroh, câmbio. — Disse em seu comunicador de forma centrada.
— Na escuta, câmbio.
— Contato visual com a base. – Informou focando no radar. Dois MIG ainda disputava o espaço aéreo e tentava abate-los. – Dizem por aí que você sempre quis ser o apoio de um alfa, câmbio.
— O que dizem é verdade, senhor. Câmbio. – Escutou o pequeno riso de nervosíssimo do beta 4. Essa manobra requer apenas dois caças e o segundo cobriria a retaguarda do primeiro enquanto este abate o caça inimigo.
— Sendo assim. – A garganta ressecou e aquele costumeiro silêncio perturbador dominou. — Supports.
Canário azul fitou o radar, o qual indicou a posição de seu único beta. Disparou um míssil no MIG, o qual tentava uma manobra arriscada para obter melhor posicionamento de ataque. E logo viu a aeronave arder em chamas e despencar dos ares.
— O abatedor de MIG’s! – Escutou o seu beta comemorar por si pelo abate assim que viu as enormes instalações.
— A setenta mil pés. HABFM, câmbio. – Informou ao seu beta sobre as manobras básicas de combate de alto aspecto.
— Entendido. – Escutou o seu beta. Desfazer a formação mesmo que por minutos era deixar-se vulnerável. Era tornar o seu beta um alvo fácil, entretanto apenas havia um MIG nos ares e este estava a sua frente. Não havia erros.
Os caças permaneceram na vertical por segundos e assim que atingiram a meta estabelecida de altitude o suporte fora restabelecido.
—Mayday, Mayday, Mayday. – Estava preste a dar uma ordem quando escutou o pedido de venha salvar-me. Viu o ponto verde falhar em seu radar e pela vidraça pode ver a claridade da explosão. Seu último beta havia sido abatido.
— Senhor! MIG de alta performance entrando em combate. – Escutou pelo seu fone a voz receosa do novo e divertido piloto de caça enquanto fazia manobras evasivas de retirar o fôlego.
— Tsc, esse é o canário azul. – Escutou a últimas palavras do piloto. – Foi uma honra voar ao seu lado, senhor.
— A honra fora toda minha. — Escutou a explosão pelo fone e logo o maldito apito que indicava a perda de contato. Iroh havia morrido sem ouvir suas palavras. Deveria ter abordado a missão, mas seria contra as ordens e agora era tarde demais até mesmo para si.
Olhou para o radar. Três pontos vermelhos indicavam que sua retaguarda estava repleta por MIG’s. Seus companheiros costumavam ocupar aquele espaço.
Visualizou a base e o prédio central assim que diminuiu a altitude em que voava numa manobra evasiva.
Mal se estabeleceu e a traseira do seu F15 fora atingida por um míssil. Tinha chegado a sua vez. Era um péssimo dia, afinal. Cerrou os olhos e arrancou a máscara de respiração. Viu as luzes vermelhas indicando os danos irreparáveis no caça. Tentou adquirir altitude logo depois. Olhou para baixo e deixou um fino sorriso escapar sabendo que seu irmão estava em algum lugar daquele chão.
Respirou fundo, quando outo míssil o pegou de raspão. Visualizou o prédio central e uma ideia perspicaz surgiu em sua cabeça. Tentou livrar-se dos cintos, mas não conseguiu. Estava completamente preso ao seu caça. Não que houvesse escapatória.
Olhou para o MIG ao seu lado e escutou as vozes dos pilotos entrarem em contato com o seu enquanto ele seguia em queda reta aparentemente sem um alvo especifico. Sorriu. Iria detonar aquele prédio.
Outro míssil fora lançado, quando perceberam sua intenção. Faltava pouco. Bem pouco. Os olhos de tonalidade tão peculiar e claro fecharam-se e nunca mais retornar-se-iam a abrir.
— Salve nossas almas, desligo.
Uma enorme explosão eclodiu junto da estrutura de concreto e aço.
***********
Dias atuais, San Pedro – Costa Rica.
— Seria prudente avaliar este local também, não? – Temari questionou apontando para uma área específica no mapa disponível em um dispositivo portátil. Shikamaru se esticou invés de levantar-se para poder visualizar a tela. Ato que Temari preferiu ignorar.
— Sim, mas ele tem cobertura aérea. – Shikamaru começou a explicar-se. – Um pé dentro deste território e morremos.
— Temos três pilotos na equipe. – Temari fitou-o. – Infelizmente não temos nenhum avião de combate.
— Isso faz-me pensar que teremos que resolver esse detalhe. – Shikamaru levantou-se e apontou discretamente para além da vidraça. – E outro também.
Temari seguiu a direção apontada e encontrou Hinata praticando Tai Chi na orla da praia. Solitária como sempre. Demorou-se um pouco naquela imagem. Demora que fez Shikamaru estranhar e observar melhor Temari, mulher a qual não tinha tocado sequer em nenhum momento na “animação” de dias atrás.
Temari desviou os olhos de Hinata ao longe para pôr sobre Shikamaru. E este viu os lábios abrirem num sorriso e logo fechar-se.
— O que foi? – E aquele tom característico de autoridade manifestou-se na voz da Sabaku. – Têm algo de errado no meu rosto?
Para você ficar encarando-me demais? Temari iria continuar com sua provocação, mas desistiu a ver o Nara arcar as sobrancelhas e puxar ar para os pulmões. Sabia o que vinha depois e por isso foi a sua vez de franzir o cenho.
— Se falar que saco atiro em você! – Temari bradou. Passava tanto tempo com Shikamaru que de ora em outra escutava “que saco” e até mesmo “que problemático”. Já tinha perdido a paciência para aquela mania do Nara, mas na verdade admitia que isso casava muito bem com a personalidade do mesmo.
— Que problemático. – Temari escutou, fechou os olhos e fingiu esquecer da presença de Shikamaru, o qual sorriu de forma contida.
— Ei, acho que podíamos fazer uma pausa. – Shikamaru, novamente sentou-se no sofá, entretanto não no outro e sim ao lado da Sabaku. Apoiou um braço no encosto do sofá e sentou-se de forma relaxada. Como se o nível de intimidade permitisse tal relaxamento. – Ir até alguns pontos turísticos, comer algo típico daqui. O que me diz?
— Está me chamando para sair? – Temari fitou-o e largou o dispositivo de lado. Shikamaru rapidamente saiu do modo relaxado para o mais tenso. Era isso o que estava fazendo? Chamando-a para sair no sentido romântico do convite?
— Como amigos, quero dizer. – Temari viu ele levar a mão até a boca e depois lubrificar os próprios lábios. Era inquestionável as habilidades de Shikamaru em várias áreas. O desempenho sempre fora notável, contudo no simples ato de convidar Temari sem dar brecha para outras interpretações parecia ser bem problemático.
— Somos amigos agora? – Temari inquiriu. Visivelmente querendo colocá-lo em péssimos lençóis sem a percepção de Shikamaru entorno de seus objetivos.
— Agora você complicou. – Shikamaru desistiu. Certo que apenas trabalhavam juntos, contudo isso não foi um fator que impediu o contato mais aprofundando a dias.
— Estou brincando, Shikamaru. – Temari começou a rir da cara do Nara. E a típica expressão de Shikamaru ficou estampada na face do moreno. – Se quer fugir do trabalho pode ir. Mesmo achando que isso não faz parte do seu perfil.
Shikamaru apoiou o cotovelo no braço do sofá, para que, seu maxilar pudesse descansar na palma de sua mão. Temari era mesmo perigosa e não dava tantas brechas como ele gostaria.
— Apenas estava chamando você para sair. – Temari escutou e conteve o sorriso. – Que saco. Se não quer ir é apenas dizer não.
— Sério que é só dizer não? – Temari questionou fingindo incredulidade. – Pensei que tinha que mandar um ofício informativo ou algo do gênero com pelo menos três dias de antecedência.
— Já entendi. – Shikamaru pareceu irritar-se e fez menção de afastar-se de Temari.
— Ei, estava brincando! – Temari adiantou-se em jogar uma perna sobre o colo do Nara para ele não se evadir do local. – Você leva tudo tão a sério.
— E não tem como levar? – Shikamaru disse num misto de irritação e impaciência. Algo bem atípico de sua personalidade. – Qualquer deslize estou levando tiros.
— Não exagere. – Temari o repreendeu de forma falsa com a maça do rosto um tanto rubras devido a contenção de risos. – São apenas ameaças.
— É assim mesmo que começa. – Shikamaru largou-se no sofá novamente após perceber que Temari estava apenas tirando uma com sua cara.
— Começa o que? – Temari perguntou, agora, um tanto desentendida. Visto que estava pensando em outras coisas. Assim que começa relacionamentos fadados ao fracasso ou assassinatos?
Shikamaru fitou-a e novamente os típicos movimentos antes do “que saco” ressurgiram e em consequência recordou-se do que havia gerado aquela conversa sem pé e nem cabeça. Temari vendo que não iria ter resposta retirou sua perna, a qual barrou a saída do Nara segundos atrás e levantou-se.
— As dez horas. – Temari saiu e Shikamaru acompanhou sua imagem até ela sumir completamente. Olhou para a paisagem através das enormes vidraças e contemplou o mar. Ele não chegava nem perto de quão tempestuosa Temari podia ser. Era a sua aposta.
E além das apostas aprendeu o modo de como Temari costumava dizer sim. E para o primeiro convite sem pretensão definida além do: quero apenas passar um pouco mais de tempo com ela, fora algo bem problemático.
Estirou-se no sofá e achou que a casa estava quieta demais. Olhou para alguns arquivos em aberto e dados obtidos nas operações passadas.
— Não é muito, mas já é um avanço. – Fitou o teto branco e logo uma dúvida surgiu. Afinal estava falando do que exatamente? Da Missão ou de Temari? – Que saco!
*
Fácil: Aponta e atira. Manual simples de como balear alguém, entretanto para Haruno Sakura estava sendo uma tarefa difícil. Neji olhava a mulher sentado em uma cadeira pacientemente enquanto Sakura tentava acertar um disco com uma dose.
— Pronto? – Questionou para médica que acenou positivo. Iria lançar os discos para Sakura abate-los no ar.
— Sim. – Respondeu concentrada. Três discos foram lançados simultaneamente e Sakura efetuou três disparos, dos quais abateram somente dois discos. – Ah! Acho que isso não é para mim.
— Você tem o seu potencial. – Sakura riu com o comentário. Era fato que sua pontaria era excelente, mas com armas havia controvérsias. Neji pegou a arma da mão da rosada e olhou pelo campo vazio onde estavam.
— O único problema é o coice que a arma gera. – Neji mirou em um alvo. – Por isso não colocamos tão próxima do rosto. Ainda mais esse tipo de arma.
Efetuou um disparo acertando em uma paineira majestosa ao longe a fim de verificar se tinha algo errado com a arma de fogo, contudo estava tudo perfeitamente normal.
— Quer tenta novamente? – Sakura mordeu o lábio inferior. Nem saiba por que estava ali treinando sua mira, quando deveria estar discutindo com Shikamaru sobre algo relevante.
— Está bem! Vou tentar mais uma vez. – Neji estendeu-lhe a arma e no mesmo momento Sasuke chegou sem pretensão alguma. Sakura sorriu e Neji retornou para sua cadeira. Especialmente naquele dia a temperatura estava amena. E por alguma ou nenhuma razão Sakura quis treinar pontaria junto de si.
— Pronto? – Inqueriu novamente e Sakura afirmou. Firmou o pulso e mirou nos discos que faziam curva no ar. Um, dois e três disparos. E o mesmo resultado da primeira tentativa: apenas dois alvos abatidos.
— Realmente isso não é para mim. – Sakura disse um tanto nervosa. Não que estivesse tentando impressionar ninguém, mas acertar os três discos também não faria mal a ninguém.
— Mais uma vez? – Neji questionou paciente e Sasuke cruzou os braços em total silêncio. Sakura negou e então o Uchiha resolveu manifestar-se.
— Naruto está chamando-a. – Sasuke apontou para a casa e Sakura virou-se para fita-lo nos olhos.
— Está bem. – Sakura voltou sua atenção para paineira e ambos homens cederam atenção merecida a mulher. – Vou tentar mais uma vez e já irei.
— Te espero. – Sasuke informou e Sakura franziu o cenho. Isso era novidade. Certo que passou o período da manhã inteiro com o Hyuuga, entretanto apenas atirando e conversando. Não tinha nada demais. Levantou uma sobrancelha e conteve o sorriso. Passar o tempo com outros membros da missão além de Naruto estava gerando ações interessantes.
Mirou na paineira, avaliou a distância e desceu o dedo no gatilho. Não iria errar. O único problema fora a arma disponibilizada a si. Neji prestando atenção na pessoa que surgia ao longe: Tenten, cedeu uma arma modificada, a qual tinha o coice mais potente.
Não que afetasse tanto no desempenho da atiradora, entretanto fora o suficiente para desalinhar totalmente a mira do alvo. O projetil metálico seguiu outro curso e Sakura foi empurrada para trás, contudo o solavanco não a derrubou.
Na mesma direção que o projetil seguiu vinha uma pessoa numa corrida atlética. Gaara viu a rosada mirando para a paineira a uns cem metros da sua localização. Não tinha com o que se preocupar, não é? Sakura não desviaria tanto do alvo assim. Certo? Errado.
Gaara viu a médica se desequilibrar e o cano da arma girar ligeiramente em sua direção.
— Irei ser baleado? – Questionou para si próprio. – Pela médica?
Gaara seguiu no mesmo rumo, afinal era obvio que isso não iria acontecer, entretanto se jogou no chão como se realmente tivesse sido baleado.
Sakura viu o Sabaku cair no chão e largou a arma imediatamente. Tinha atirado no seu colega de trabalho?
— Ai Meu Deus! Acertei o Gaara! – Sakura gritou e pôs-se a correr na direção do ruivo, mas fora impedida por Sasuke.
— Ótimo trabalho, Sakura. – Neji disse sério. – Mas não foi desta vez que você nos fez um favor.
Sakura deixou de olha-lo nos olhos para ver se Gaara estava bem. Este levantou o tronco e riu. Sakura fechou o semblante substituindo a preocupação exacerbada pela a fúria.
— Te peguei, Sakura! – Gaara gritou e levantou-se intacto. Sasuke riu e Neji abaixou a cabeça a fim de não rir da cara da rosada enquanto Gaara se aproximava rindo.
Chegou no grupo e apoiou a mão nos joelhos. Estava cansado depois dos oito quilômetros de corrida.
— Caramba, Sakura. – Gaara prosseguiu tirando saro de Sakura sem perceber o nervoso da mulher. – Quase me mata de parada cardíaca porque pelo tiro...
— Idiota! Pensei que tinha te acertado. – Sakura bradou alto com o semblante totalmente afundando numa preocupação e raiva.
Gaara parou de sorrir e Neji novamente regressou para sua cadeira e enquanto a Sasuke? Este preferiu largar os braços da Haruno.
— Você me assustou. – Sakura falou mais calma e o silêncio preponderou logo depois. – Mas foi engraçado.
Riu em seguida e Gaara acompanhou. Tenten chegou logo depois usando roupas próprias para exercícios físicos.
— Qual é a graça? – Inquiriu a ver os quatro rindo e a ver que não iria ter resposta seu foco mudou para as armas posta no chão juntamente com os discos. E entendeu parcialmente o que se passava ali.
— Chega de treino por hoje, Sakura. – Neji disse guardando o material. – Mas para sua primeira prática você se saiu muito bem.
— Obrigada, Neji. – Sakura comemorou e Sasuke levantou uma sobrancelha. Bem? Sakura tinha se saído bem? Era verdade, afinal ela acertou a maioria dos discos e quase matou Gaara.
— Acho que podia ser ator, Gaara. – Sakura comentou se afastando.
— Também acho, mas meu único amor são as armas. – Gaara levou o dedo até a boca como se estivesse esquecendo de algo. Pensativo. – E as loiras.
Seguiu em direção a casa deixando-os para trás, contudo olhou na direção dos mesmos e viu Tenten fazendo um gesto incompreensível, mas do qual ele subentendia. Tinha algo relacionado a apostas.
— Bom, vamos? – Sasuke chamou Sakura e a outra dupla de pessoas franziram o cenho. Aquilo era um pouco novo. Geralmente era Naruto a chamar Sakura para algo. – Naruto está nos esperando.
Tenten revirou os olhos ao perceber que suas deduções eram falhas. Uchiha aparentemente não estava nem aí para Haruno, os quais em sua opinião formava um par interessante.
— Então, até daqui a pouco. – Sakura se despediu e Tenten levou as mãos até a cintura olhando-a se afastar junto a Sasuke. Desviou o foco de sua atenção para o homem suspendendo uma bolsa do chão.
— Ensinando-a atirar? – Tenten questionou de forma passiva, mas na verdade estava um tanto interessada.
— Não, Sakura já sabe atirar. – Respondeu ainda com a paciência escapando pelos seus poros. Era um dia atípico. – Ela apenas estava com dificuldade para ajustar a mira.
Neji sorriu ao olhar para a paineira vendo o pequeno estrago, o qual seria superado pela regeneração da árvore tornando-se somente uma cicatriz.
— Entendo. – Neji franziu o cenho. Aquilo estava estranho e por isso virou-se com finalidade de encarar Tenten. – Ela apenas precisava um pouco de orientação.
— Bom, ela é médica, não? – Neji comentou um tanto disperso. – É compreensível a falta de habilidade com armas de fogo. Sakura não sai quebrando ou explodindo tudo por onde passa.
— Tem toda a razão. – Tenten comentou séria. Seriedade que Neji não tinha presenciado até então.
— Está tudo bem com você? – Perguntou um pouco encabulado. O que quer que estivesse acontecendo ou acontecido era bem grave.
— Está tudo ótimo. – Tenten deixou um riso escapar. – Por que não estaria?
— É, por que não estaria? – Neji a copiou incerto e seguiram rumo a casa um tanto distante em um silêncio perturbador.
— Pensei que você tivesse dito que queria fazer isso sozinho. – Tenten cessou o passo e Neji a copiou deixando uma expressão de lapso memorial na face. – Sabe, você disse isso mais cedo. Na hora do café da manhã.
Tenten passou a mão na nuca. Estava um pouco irritada e também não sabia definir exatamente o que estava a fazendo falar aquelas coisas. Talvez por Neji preferir passar seu tempo sozinho, mesmo que não tivesse relação mais estreita, do que consigo.
— Falei aquilo porque Naruto se candidatou a acabar com minhas balas. – Neji retrucou e Tenten deixou um riso nervoso escapar.
— Ah! É verdade. – Novamente ela passou a mão na nuca enquanto Neji balançava a cabeça em negativo. Era por isso!
— Prefiro pessoas mais silenciosas e calmas para esta atividade. – Neji complementou num completo equívoco. Antes tivesse ficado quieto. Tenten, a qual já tinha deixado suas teorias de lado retornou a trabalhar nas mesmas. Neji viu o lábio inferior ser rapidamente mordiscado e logo uma fileira de dentes brancos ficarem expostas. — Enfim, pessoas mais maduras.
— Como a Sakura. – Tenten abriu ainda mais o sorriso. – Afinal, ela não explode e sai atirando por onde passa, não é? Ino também é bem madura.
— Isso mesmo. – Neji respondeu sem perceber em qual rumo e sentido aquela conversa se estabelecia. Tenten firmou positivo e desviou os olhos. Deu um pequeno pulo fazendo menção a regressar para a corrida da qual dividiu com Gaara.
— Do que com Naruto. – Neji agora um pouco mais atento estranhou, arrumou a alça longa no ombro e depois cruzou os braços. – E como eu.
Neji franziu as sobrancelhas por milésimos e olhou para os lados apenas para desviar de Tenten que fechava a blusa de frio que usava. Foi então que decidiu precaver-se e acabar com qualquer mal-entendido.
— Bom, vou correr mais um pouco. – Entretanto Tenten adiantou-se com as maças do rosto avermelhadas devido ao exercício físico. – Aproveitar que não está tão calor e correr mais alguns quilômetros. Então já vou. Depois a gente se fala... ou não. Tchau.
Tenten virou-se e pôs-se a correr para longe do Hyuuga. Inflou as bochechas assim que ultrapassou a paineira. Estava se sentido um tanto tola e aparentemente estava nervosa. Estava uma pilha de sentimentos devido a uma recaída emocional. Recaída que era facilmente resolvida com alguns quilômetros de corrida.
Os quais seriam dobrados hoje.
*
— Desculpe-me se atrapalhei algo lá. – Sasuke virou-se e apontou para trás onde Sakura o seguia a curto passos.
Sakura deixou uma expressão divertida na face e Sasuke deixou um pequeno rumor escapar-lhe pela garganta afim de chamar a atenção de Sakura.
— Não, não! – Sakura sorriu um pouco desacreditada. – Não estava acontecendo nada lá neste sentido.
— É que tudo mundo aqui é tão discreto que fica difícil saber se está ou não acontecendo algo. – Sakura colocou as mãos no bolso da calça enquanto Sasuke delimitou-se a cruzar os braços. – Quero dizer, exceto Tenten e Naruto.
— Coloco Gaara nesta lista também. – Sasuke concordou mesmo sabendo que Gaara era espalhafatoso somente quando queria diferente dos dois citados anteriormente. – Vamos até o Uzumaki então?
— Ah, claro. – Sasuke acompanhou Sakura por um curto espaço. Tanto de tempo como também espaço físico.
— Sakura. – Chamou-a. – Na verdade, já faz uns quarenta minutos que ele solicitou sua presença...então.
— Então ele nem deve estar mais lá. – Sakura concluiu rindo. – Por que não me chamou antes?
— Resolvi tomar banho primeiro. – Sasuke informou quando Sakura mudava de direção. – Acabei de regressar do mar estava ensinado a Ino surfar. Foi um desastre.
— Pior do que o meu desastre com as armas? – Sakura questionou divertida.
— Bem pior. – O Uchiha delimitou-se a sorrir fino. Aquilo era novidade. – E falando nisto pensei que você gostaria de experimentar outro método.
Sakura abriu a porta principal da casa, mas não entrou. Segurou a maçaneta e encarou Sasuke. Curiosa acerca deste método e de outras coisas.
— Qual?
— Vem comigo que lhe mostro.
— Está bem, senhor mistério.
Sasuke acabou rindo e Sakura o seguiu até o salão no fundo da casa. O qual geralmente era usado por Ino ou Gaara.
— Naruto encheu meus ouvidos de tanto falar de um tal de bisturi voador. – Sakura riu da forma como Sasuke se referiu ao seu ataque com o equipamento cirúrgico e este virou ligeiramente para fita-la. – Já ouviu falar sobre?
— Lembro de ter visto algo sobre isso em algum lugar. – Sakura enfiou as mãos nos bolsos traseiros da calça jeans enquanto Sasuke fixava um alvo na parede.
— Então. – Ele chamou a sua atenção. – Pensei que poderia tentar novamente.
Sakura seguiu Sasuke com os olhos. Este foi até uma bolsa e retirou algo. A camisa preta que o moreno usava apenas destacava ainda mais a palidez de sua pele. E as costas viradas para si eram mais atrativas do que o costume. Sakura levou a mão até a boca recriminando-se por analisar, novamente, a anatomia do Uchiha.
— Mas agora com adagas por assim dizer. – Sasuke virou-se mostrando três facas pontiagudas. – E elas cabem em baionetas. São melhores do que estragar seu material cirúrgico, não acha?
Sakura deixou um fino sorriso escapar. Ele tinha preparado tudo aquilo para ela? E pensado sobre o modo de como Sakura entra em combate?
— Quer tentar? – Sasuke inquirir após realizar um lançamento perfeito atingindo o centro do alvo. Depois de retirar a faca do centro do alvo pôs-se ao lado da Haruno estendendo-lhe uma faca afiada.
— Você tem uma ótima pontaria. – Sakura elogiou e Sasuke concordou.
— Meu esporte favorito é atirar dardos em bares de quinta categoria, mas minha pontaria não chega aos pés da sua. – Comentou lembrando do episódio do banheiro dias atrás, entretanto Sakura pensou que se tratava de sarcasmo relacionado ao desempenho com as armas de fogo.
— Como é? – Pegou no cabo da faca e apontou para Sasuke ficando de frente para ele. O Uchiha espalmou as mãos em frente ao próprio peito em modo de defesa, pois Sakura ostentava um semblante sério na face.
— Não estava falando de agora a pouco...
Sasuke parou de falar, quando Sakura jogou a faca no ar a girando e a segurando pelo cabo em seguida. Dobrou um dos joelhos enquanto o seu braço fora para trás. E com força lançou a faca até o alvo. Objeto cortante e metálico que atingiu o centro do alvo com perfeição e tudo em questão de segundos.
— Uau! – Sasuke balbuciou encantado. – O que eu disse? Não chega aos pés da sua.
Sakura olhou para o alvo vendo a faca cravada no centro. Sorriu pelo feito e podia comemorar feito uma garotinha, mas conteve-se. Sakura pegou a outra faca e fitou Sasuke o deixando com outra.
— Quem ganhar leva o outro para sair. O que acha? – Sakura propôs e Sasuke conteve o sorriso. Era obvio que iria perder no lançamento e de quebra iria sair com a Haruno. Naruto era mesmo genial ou em partes.
— Parece-me uma aposta justa. – Sakura sorriu e novamente jogou a faca no ar. Sasuke retirou a outra fincada no centro do alvo e regressou para o lado da Haruno.
Ambos deram um passo para frente um do outro encarando-se no processo. Esticaram os braços para o lado.
— No três. – Sakura acenou e Sasuke sentiu a responsabilidade pensar. Pois apenas dependia de si para ganhar.
Mesmo que perder ou ganhar tanto faz.
— Um. – Sasuke contou.
— Dois. – Sakura disse de forma baixa concentrada em seu objetivo.
— Três. – Sasuke concluiu a contagem e ambas facas foram lançadas sem seus atirados olharem para o alvo.
Se encararam um pouco mais e então foram verificar o alvo. Ambas facas atingiram o centro.
— Acho que houve um empate respeitável público. – Sakura levou as mãos na cintura e Sasuke afirmou rindo das piadas singelas da Haruno. Amava aquele tipo de coisa.
— E como fica aposta? – Questionou interessado e relaxado. Sakura retirou sua faca e sorriu aberto.
— Rachamos a conta. – Sasuke franziu o cenho. Aquilo era novidade, mesmo sendo uma prática comum nos dias atuais a divisão da conta, mas geralmente ele que arcava com tudo.
— Parece-me justo. – Comentou e Sakura afirmou. – As dez?
— Sim, senhor. – Sakura confirmou afastando-se. – E obrigada.
Agradeceu pelas facas e Sasuke prestou continência em resposta. Sakura saiu e Sasuke olhou para ambos os lados. Foi até o alvo e verificou o mesmo vendo que a faca de Sakura tinha adquirido mais espaço central. Tinha perdido.
E de todas as novidades a maior em sua vida era, que pela primeira vez, uma mulher o levaria para sair e não ao contrário.
— Sempre há uma primeira vez para tudo.
*
— Estava trocando de pele embaixo do chuveiro? – Ino mal abriu a porta do banheiro e encontrou Gaara suado fazendo comentários desnecessários. Ino observou com os olhos azuis o ar preenchido por vapor gerado pela água escaldante do chuveiro.
— A temperatura está amena. – Gaara imediatamente estranhou. O que era aquilo? E onde estava “não é da sua conta”? – Gosto de tomar banho com a água bem quente.
— Ao contrário de mim. – O Sabaku permaneceu próximo a porta enquanto Ino recolhia suas coisas. – Adoro um banho gelado.
— Então iria amar entrar no mar hoje. – Ino comentou e fez uma expressão chorosa. A primeira que Gaara tinha visto. – A água estava um gelo.
— Foi fazer o que no mar? – Ino abriu os olhos para encarar Gaara.
— Surfar.
— O que? – Gaara descruzou os braços. – Sozinha?
— Não! – Ino rebateu começando a perder a paciência. – Sasuke.
Ino nomeou o seu instrutor. Desde do dia em que Gaara se ofereceu para ensina-la a surfar Ino recebia aulas gratuitas todos os dias. E essa nem era a melhor parte. A melhor parte era que o esporte a d ‘estressava e a divertia, ainda mais quando o professor era Naruto.
— Agora magoou. – Gaara começou com o seu costumeiro e singelo drama. – Pensei que tínhamos combinado que eu seria seu orientador.
Ino terminou de tirar o excesso de umidade dos fios e sorriu, pois nunca sabia quando Gaara estava fazendo graça ou falando sério. Entretanto desta vez ele estava falando sério e o melhor de tudo fora que ela soube distinguir.
— De fato, mas você não me deu escolha. – Ino saiu do banheiro após enrolar o cabelo na toalha. – Quando fui te chamar você já tinha saído para a maratona com Tenten.
— Neste caso o erro foi meu. – Gaara se adiantou. Ino concordou sem hesitar e em seguida começou a se afastar. – Ah! E isso me faz lembrar de algo embaraçoso.
Ino girou nos calcanhares para fitar Gaara. Cruzou os braços e mordeu o lábio inferior enquanto Gaara apoiava uma mão na parede e balançava a cabeça em negativo passando uma imagem de arrependido e condenado.
— Cara, como pude fazer isso? – Deixou um estalar de língua mostrando inconformismo. Ino escorou na parede e manteve-se na mesma posição.
— Fez o que? – Questionou calma.
— Você tem que me ajudar, Ino. – Gaara começou de forma suplicante e Ino deixou uma preocupação em evidência. – Eu apostei com Tenten e perdi.
— Ah, Gaara! Estou pensando que é algo sério. – Ino bradou, agora, um pouco irritada.
— Considero sério. – Gaara começou. – Apostei na corrida e perdi. E sabe o que terei que fazer?
— Estou ouvindo.
— Apostei que iria te chamar para sair e sei que você não vai aceitar. – Ino tentou, mas não consegui conter o riso. Porque Gaara apenas podia estar brincando.
— O que foi? Não acredita? – O ruivo morder o lábio inferior para não rir. – Confirme com Tenten.
— Você lembra da última aposta que fez com ela? – Ino controlou-se e retomou o pouco de rigidez que ainda tinha para com Gaara. – O resultado não foi o dos melhores, lembra?
Ino referia-se aos cachorros, quando ainda eram completamente desconhecidos enfiados em uma base. Gaara meneou positivo.
— Mas desta vez vai ser diferente. – Gaara disse e se aproximou da loira.
— Vai? – Ino questionou e manteve-se no mesmo lugar.
—Vai. – Respondeu praticamente em um sussurro, afinal estava próximo o suficiente para capturar os lábios da Yamanaka. – Vai me ajudar?
Ino olhou para a boca, para o queixo e depois para os olhos verdes. Respirou fundo e negou.
Afinal, estava cada vez mais difícil não se envolver.
— Não vai ser possível. – Conteve o sorriso, quando Gaara levou as mãos até a cabeça fingindo desespero. — Eu e Hinata iremos sair.
— Sou mesmo um azarado. – Gaara comentou balançando a cabeça derrotado. – O que Tenten vai fazer comigo agora? Me usar em testes com aquelas bombas caseiras dela? Ou tiro ao alvo? Ou até mesmo tornar-me o massagista oficial dela? Meu futuro é sombrio e incerto.
Ino não se conteve sequer mais um segundo e o riso que Gaara apreciava cada vez mais em ouvir surgiu. A Yamanaka manteve um sorriso largo no rosto e balançou a cabeça em negativo como se estivesse arrependendo-se antecipadamente.
— Parece que iremos em um navio onde terá uma festa ou algo do gênero. – Ino ficou vendo aquele charme todo lubrificar o lábio com a ponta da língua. Porque Gaara era charme contido em carne e osso. – Quem sabe ocorra uma coincidência e a gente se encontre por lá?
— Uma coincidência? É possível. – Gaara retirou o fone que ainda estava em sua orelha. –Pode me indicar o horário? Estou sem escuta, senhora.
— Ouvir dizer que saímos a dez. – Ino disse baixo e começou a afastar-se, entretanto parou. – Já disseram que você poderia ser um ótimo ator?
— Acho que já disseram algo parecido. – Gaara viu mais uma vez o sorriso da loira antes dela lhe dar as costas e sumir pelo corredor. Desferiu um soco no ar em comemoração e bateu a porta do banheiro logo depois. Minutos passaram e logo a água do chuveiro podia ser ouvida por quem estivesse na proximidade.
— Isso aqui está fervendo! – Gaara comentou para si próprio, quando a água entrou em contato com sua pele. Água que o fez falar alto demais e caso não diminuísse a temperatura iria sobrar apenas charme e osso.
*
— Sasuke, desgraçado! – Naruto gritou por baixo do carro, o qual estava suspendido suficiente com o macaco elétrico. – Não sabe ver as horas não? Faz mais de uma hora que pedi ajuda...
Naruto continuou com sua reclamação, a qual se constituía em ter que fazer tudo sozinho. Principalmente consertar o resto que faltava do carro, quando escutou passos. Empurrou o carrinho de deitar próprio para mecânicos para reclamar com quem quer que foste.
— Poxa, Sasuke. – Naruto começou a falar antes mesmo de ver quem era o indivíduo. – Ou Sakura. Faz mais de quarenta minutos que pedi a ajuda de vocês.
— Oi. – Naruto iria xingar, quando se deparou com a Hyuuga sobre salto alto e vestida elegantemente. Uma imagem para além do viciante. Hinata tinha uma aparência ótima, mas em especial estava ainda mais bonita do que o costume.
— Desculpe, pensei que eram outras pessoas. – Naruto regressou para debaixo do carro.
— Eu sei. – Hinata encostou na lataria do automóvel fitando parcialmente o céu pela abertura da garagem, mas logo desviou os olhos para o chão devido ao barulho das rodinhas da esteira do mecânico. Logo os olhos azuis apareceram e uma camisa laranja chamativa suja de óleo de motor.
— Sabe? – Naruto inquiriu desligado.
— Sei. – Hinata afirmou. – Ouvi você falando.
— Ah, é claro. – Naruto apontou para uma chave e retirou a camisa em seguida sem se levantar. – Sei que não está limpa, mas pode usa-la para pegar aquela chave para mim?
Hinata olhou para a camisa e depois para a chave, a qual estava suja.
— Para não sujar suas mãos. – Naruto complementou, mas Hinata não pegou a camisa e desencostou da lataria do carro.
— Não precisa se preocupar com minhas mãos. – Pegou a chave e Naruto escutou a batida ritmada do salto se aproximando. E só de pensar que aquilo já fora um fetiche sexual seu! Naruto levantou as sobrancelhas ao se recordar disto. – Aqui está.
Hinata agachou e estendeu a chave. Naruto a pegou em seguida e se enfiou, novamente, embaixo do automóvel. Hinata então passou removedor de graxa nas mãos e retornou para sua posição.
— Obrigado. – Naruto agradeceu e começou a apertar um último parafuso.
— Você podia ter pedido a minha ajuda. – Naruto ao escutar a Hyuuga saiu debaixo do carro para fita-la. – Invés de Sasuke ou a Sakura.
— Não me entenda mal, mas até dias atrás não suportava olhar para sua face. – Naruto não sorriu e Hinata revirou os olhos. – E de Sasuke posso fazer de gato e sapato* e Sakura é piloto, cara. Ela deve sabe um pouco de mecânica.
De tudo o que Hinata ouviu, até mesmo a parte do “não suportava olhar para sua face” a fazer de Sasuke o que ele bem entender a única informação que interessou Hinata fora sobre Sakura.
— Sério? – Perguntou de forma retórica. – Nunca que iria imaginar.
— Um pouco difícil de acreditar, não é? – Naruto regressou para o motor. – De automobilismo.
— Incrível. – Comentou sincera. – Tenho algum conhecimento sobre mecânica, mas acho que agora não é mais necessário.
Naruto saiu completamente debaixo do carro e levantou-se jogando a camisa no chão. Olhou para Hinata da cabeça aos pés e logo levou a mão na nuca.
— Se for sair pode usar. – Naruto apontou para o carro. – O garotão está novinho em folha.
Hinata arqueou as sobrancelhas rapidamente. A seu ver era o modo menos adequado para se referir a um carro.
— Na verdade, nós vamos. – Naruto parou de lustrar a lataria branca para fitar Hinata nos olhos espantado após chegar a uma conclusão totalmente equivocada em relação ao que ouviu.
— Sei que estamos começando a nos entender agora e reconheço que é um grande passo para o nosso relacionamento de colegas de equipe. – Hinata escutou e foi inevitável não revirar os olhos. – Acho que você está confundido as coisas, sabe? Não quero perder tudo o que avançamos até agora, mas não estou preparado para sair com você...neste sentido. Não apresento interesse.
Hinata cruzou os braços e Naruto levou ambas mãos até a boca, fechou um dos olhos como se tivesse cometido uma besteira enorme ou esperando um surto histérico típico de pessoas com baixa confiança e autoestima.
— Quando disse nós, não me referi apenas a nós dois. – Hinata parecia ter perdido toda a paciência para com o loiro. – É impossível que você seja tão idiota!
— Ei! Ninguém está ofendendo ninguém aqui. – Naruto rebateu sem dar importância para o seu constrangimento, o qual na verdade não era muito. – Desculpe, mas me confundi.
— Claro que se confundiu! – Hinata estava um pouco vermelha e nem mesmo a maquiagem leve que usava escondia sua irritação/constrangimento. – Ino também ira. Apenas achei que seria bacana te convidar, visto que todos irão sair. Aliás foi ideia da Ino.
— Você acabou de dizer que a ideia partiu de você. – Naruto cruzou os braços e Hinata abriu os lábios. Não de surpresa, não! Longe disto. Estava nervosa a ponto de querer voar na garganta do loiro.
— Estou nervosa. Não sei o que estou dizendo e afinal, o que isso importa? – Hinata lhe deu as costas. – Vai ir ou não? Se for trate de se arrumar logo.
— Obrigado por convidar-me. – Hinata fez sinal de joia com o polegar enquanto se afastava da garagem deixando um Naruto encabulado para trás.
Era incrível como gerava situações embaraçosas e até mesmo infantis.
— Só piso na bola. – Comentou, cruzou os braços e começou a alisar o queixo pensativo até que despertou para um fato. – Espera! Sasuke vai sair? Sem mim? Traidor! Odeio traidores.
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